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Nós trabalhadoras e trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô realizaremos no próximo dia 31 de janeiro uma importante atividade na Fábrica. Um debate aberto com a finalidade de apresentar regionalmente nossos esforços para a construção de um amplo projeto de complexo autogestionário na Flaskô.

Desde o fim do ano passado estamos com um Grupo de Trabalho Interministerial em Brasília com o fim de discutir a adjudicação por interesse social da fábrica como uma das formas de estatização sob controle operário, que impulsionamos nos últimos 12 anos, garantindo a defesa dos postos de trabalho, dos direitos, da continuidade da atividade industrial da Flaskô, além da luta pela regularização da Vila Operária, garantindo moradia, e dos avanços com os projetos da Fábrica de Cultura e Esporte, com construção da coleta seletiva do lixo e do processo da reciclagem do plástico, etc. Além disso, seguimos com a batalha pela aprovação do PLS 257/12 e 469/2012 no Senado.

Dentro dessas novas e velhas possibilidades, mais uma vez iniciamos um processo de reflexão coletiva com o fim de manter a ideia de construir uma fábrica ocupada pelos seus trabalhadores, mas também ocupada por demais coletivos, organizações, comunidade e demais trabalhadores. Sabemos que não podemos apenas contar com as promessas ditas pelos setores governamentais, onde continuaremos pressionando com grande mobilização e luta, mas para garantir a concretização de nossas ideias e projetos, temos que agir de maneira prática, no setor produtivo, social, cultural, dentre outros.

Dentro dessas perspectivas convidamos movimentos sociais, organizações políticas e sindicais, grupos de estudos, coletivos culturais e esportivos e a comunidade em geral para participar de nossa primeira atividade ampla de 2015.

Dia 31 de janeiro de 2015, a partir das 9:30, na Fábrica Ocupada Flaskô: Rua Marcos Dutra Pereira, 300, Pq. Bandeirantes, Sumaré – SP.

Programação:

9:30h: Chegada
10:00h: Apresentação Complexo Flaskô e debate
12:00h: Visita completa às áreas da Flaskô – potencialidades espaciais
13:00h: Conversa sobre Jornal Atenção – pela construção de um Jornal coletivo e popular

 

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Por Érika Zucatti

Atualmente, viver em uma cidade brasileira é uma tarefa árdua, não sendo diferente no município de Campinas. Para a maioria dos brasileiros, qualquer atividade diária pressupõe locomoção em transporte público – ou, para ser mais exato, transporte coletivo –, muitas vezes com custo elevado da tarifa, péssimas condições de viagem e lotado de passageiros. A mobilidade urbana se caracteriza como um direito à cidade, uma vez que o transporte gratuito e de qualidade é essencial para exercer todos os direitos sociais, tais como, os direitos à educação, à saúde, ao trabalho, à moradia, ao lazer e outros descritos na Constituição Federal.

Entretanto, o transporte público há muito tempo deixou de ser direito para se tornar um privilégio das concessionárias do transporte coletivo das cidades que operam sob essa ótica. Diz-se que este direito fundamental à vida humana foi transferido para as "mãos" do empresariado e passou a estar condicionado à lógica do lucro da sociedade capitalista. Portanto, utiliza o transporte quem pode pagar o preço da tarifa de embarque e não quem necessariamente precisa do serviço, transformando o direito de todos em o de apenas alguns.

Jornadas de Junho

Essas motivações ensejaram diversas manifestações populares na cidade no ano de 2013, episódio que ficou conhecido como "jornadas de junho". Muito antes dos atos em Porto Alegre ou São Paulo, as tarifas do transporte de Campinas já tinham sofrido reajustes, passando a custar "míseros" R$ 3,30, ganhando título de uma das passagens de ônibus mais caras do país, inclusive superior a muitas capitais. Com a mobilização dos cidadãos o prefeito anunciou duas reduções para os valores de R$ 3,20 e R$ 3,00, respectivamente. Entretanto, a vitória da população durou pouco tempo, os vereadores aprovaram em sessão extraordinária o dobro de subsídio para as concessionárias do transporte, saltando inicialmente de R$ 36 milhões para R$ 71 milhões, valores que continuaram aumentando ao longo de 2014. Então, a arrecadação dos cofres públicos que seria destinado a outros gastos do município foram de maneira abusiva e ilegítima transferida para os bolsos dos empresários da cidade.

Percebe-se que o transporte público é subsidiado duas vezes, pelos usuários e pelas prefeituras, ambos pagam os custos divulgados pelas empresas que, alegam inúmeros prejuízos financeiros, mas que não rescindem os contratos de licitação milionários. Fica a cargo dessas mesmas concessionárias arbitrar o valor da passagem de ônibus supostamente embasada na planilha de receita elaborada por elas mesmas de forma viciada, são altos os indícios de superfaturamento, como já foi denunciado até por vereadores da oposição.

Diversos movimentos sociais se formaram ou contribuíram para o tema da mobilidade urbana em Campinas, o Movimento Passe Livre – MPL e a Frente Contra o Aumento da Passagem foram os que mais se destacaram nos últimos dez anos. As manifestações de 2013, organizadas por esta tinham como pauta a CPI dos transportes, a saída do Secretário dos Transportes e o passe-livre para estudantes e desempregados. Todas essas questões e outras que envolvem o transporte público da cidade são questionadas pelos integrantes dos grupos, principalmente pelo MPL que recentemente foi refundado na região.

Precarização do serviço prestado

A tarifa continua crescendo e a população não nota melhoras na prestação de serviço do transporte público, muito pelo contrário, a passagem só aumenta e a qualidade só diminui. Desde o mês de agosto a tarifa passou novamente a custar R$ 3,30, sem que houvesse de fato uma auditoria no preço das passagens de ônibus, um dos anseios do povo no ano passado.

Como se não bastasse, as concessionárias resolveram "informatizar" ilegalmente a cobrança da tarifa, estabeleceram obrigatoriedade do uso do cartão bilhete único, condicionaram a venda da passagem a um cartão provisório de R$ 5,30 ou R$ 8,60 para quem não detém o cartão bilhete único e demitiram os cobradores de ônibus. O aumento do preço ocorreu sob argumento dos custos da operacionalidade do sistema, maquiando um verdadeiro anseio das empresas pelo lucro.

Apesar disso, a falta de qualidade na prestação de serviço é uma reclamação frequente, pois são inúmeros os ônibus quebrados e sem manutenção que colocam todos os dias em risco à vida dos usuários, somados aos atrasos e demoras entre um veículo e outro e superlotação desumana. Recentemente dois ônibus elétricos pegaram fogo e um ônibus perdeu o eixo traseiro, tudo isso enquanto transportavam passageiros, além disso, não são raros os casos de pneus carecas e barras de apoio frouxas.

O transporte público está tão precário que os problemas já atingiram a classe trabalhadora, de um tempo para cá os motoristas estão executando a função dos cobradores demitidos com jornadas exaustivas, ou seja, exercendo duas funções sem adicional de remuneração aos baixos salários. A falta de segurança é tão latente que os passageiros são passíveis de presenciar diversos acidentes, sobretudo com os idosos e deficientes, já foi até noticiado um caso de uma idosa que faleceu em decorrência de um acidente que sofreu ao descer do ônibus.

O MPL com o intuito de reverter a situação, com o apoio de estudantes secundaristas e universitários, e trabalhadores de diversas categorias, principalmente os motoristas e cobradores dos ônibus, está organizando regularmente algumas assembleias para definir novas ações.

De fato, o desafio está colocado para todos nós. Após junho de 2013 ficou a lição para a juventude que está se organizando nesses movimentos sociais que transformar a sociedade, por meio de mobilizações populares, é possível. Não nos esqueçamos que a luta por uma sociedade justa é diária e constante para que o transporte seja gratuito e de qualidade para todos, para que o transporte seja para todos os públicos, portanto, para que seja público de verdade.

gregorioprecisamos

O debate sobre o aborto é sempre difícil. É uma pauta das mulheres mas precisa ser aprofundado junto aos homens pois eles estão implicados seja como pais, namorados, maridos, médicos, juízes, sacerdotes e políticos. O problema é que poucos deles se interessam pela questão. Por isso cabe as mulheres pautar a problemática. Neste artigo, publicado na última edição do Jornal Atenção, trazemos informações e reflexões sobre o assunto e ao fim deixamos contato de uma companheira advogada de Campinas que pode ajudar as mulheres que precisem de orientação sobre a questão. Dê sua opinião em nosso perfil do Facebook.

Ainda hoje meninas engravidam e praticam aborto diante de uma gravidez precoce. Como recentemente publicado no Correio Popular, o SUS de Campinas já recebeu meninas de 10 anos para procedimentos de curetagem após aborto.
Para esta faixa etária é preciso pensar em formas efetivas de prevenção da gravidez precoce, porque seguida de aborto, para meninas que mal começaram a menstruar, é um crime social contra a dignidade e o desenvolvimento infanto-juvenil das mulheres.
A gravidez indesejada também ocorre com mulheres adultas. Segundo a atual lei o aborto pode ser autorizado em 3 casos: comprovado estupro, risco de vida comprovado para a gestante e feto anencefálico ( o feto não desenvolve o cérebro e morre alguns minutos após parto). Mesmo nestes casos, nem sempre as mulheres conseguem vencer os processos jurídicos para obter a autorização.
Aquelas que por outros motivos desejam conscientemente abortar, recorrem a formas clandestinas. No caso das mulheres pobres (muitas até por já terem mais filhos do que conseguem prover sustento) normalmente recorrem às formas de aborto mais arriscadas e sofridas. Já as que podem pagar por uma clínica, também não estão asseguradas contra os riscos envolvidos.
Muitas de nós, sobretudo aquelas que convivem em famílias e grupos que moralmente condenam o aborto, acabam o provocando em segredo. Muitas morrem por complicações como infecções e hemorragias.
Segundo o Ministério da Saúde, a cada 2 dias morre uma mulher em função de um aborto precário. Ocorrem 1 milhão de abortos clandestinos ao ano no país.
A maioria dos que são contrários ao aborto se apoiam no princípio de "direito à vida". Ninguém deve ser contra estre princípio. No entanto, é preciso ampliar sua aplicação. Afinal, os fatos mostram que as mulheres que decidiram interromper uma gravidez o farão de qualquer forma. Logo, é preciso também discutir o "direito a vida" destas mulheres ao invés de tratá-las como criminosas.
Como diz o médico Thomaz Rafael Gollop da USP, "Se os homens engravidassem, certamente esta questão já estaria resolvida. Fosse ele vítima de violência ou tivesse engravidado de maneira indesejada, seguramente não manteria a gravidez. Mas a maioria dos homens não respeita o desejo e a autonomia das mulheres".
Por princípios ou pressão social, muitas mulheres também são contrárias ao aborto. Mas quantas delas quando diante de uma gravidez indesejada, não acabam recorrendo ao aborto? Sendo assim, estamos todas no mesmo barco.
Vamos lutar por políticas públicas para prevenção da gravidez precoce ou indesejada mas também para que a legislação sobre o aborto avance para garantir nosso direito a saúde, a vida e à dignidade como prediz nossa constituição.
Para as leitoras que precisem de orientação quanto a questão do aborto, deixamos os seguintes contatos:

Advogada Dra. Helena Assis

www.assismarchesi.com.br/?lang=en

Escritório em Campinas

Rua Antonio Lapa, 280, 6º andar

CEP 13025-040

Campinas-S

Tel: (029)

samba das minas

Samba das Minas (Barão Geraldo, Campinas) no encerramento do 5º Festival em 2014.

Desde 2010 a Flaskô realiza anualmente o Festival Fábrica de Cultura e a cada ano o evento vem crescendo em qualidade e público. O 5º e último festival foi uma grande festa com artistas e coletivos tanto da região quanto de outras cidades e estados. E o público ainda mais diversificado.

As inscrições de propostas estão abertas até o dia 31 de março para este 6º Festival Flaskô Fábrica de Cultura.
As modalidades são: 1) apresentação musical; 2) apresentação teatral ou de dança; 3) apresentação audiovisual; 4) exposição de trabalho artístico; e 5) oficina relacionada a artes e cultura.
Vários artistas e grupos já estão se dispondo a participar, mas ainda cabe muita gente neste caldeirão e esperamos receber muitas propostas.
As inscrições devem ser enviadas para O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. e O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. , contendo:
a) Modalidade de proposta (1, 2, 3, 4 ou 5)
b) Cidade de origem do artista ou grupo
c) Breve apresentação da proposta incluindo temas abordados e tempo de duração
d) Vídeo e/ou fotos de anteriores trabalhos do artista ou grupo
e) Estruturas básicas necessárias para realização no local (som, iluminação, etc.)
f) Orçamento de transporte necessário (frete, combustível, pedágios, etc.)
g) Alimentação e estadia serão necessárias e para quantas pessoas?
h) Contatos (telefones, mails, sites, etc.)

Por que mais um Festival?
Mais uma vez a Flaskô sob controle dos trabalhadores realizará o Festival Fábrica de Cultura.
Será em agosto de 2015, três dias em que a fábrica ocupada estará de portas abertas à comunidade com música, teatro, cinema, dança, debates, exposições e oficinas que ocorrerão no próprio espaço da fábrica. Nesta sexta edição, como nas anteriores, o festival será autofinanciado, com todas as suas apresentações gratuitas. Isto graças à contribuição de apoiadores da luta da Flaskô e também porque sempre contamos com a parceria e apresentação de grupos militantes da arte e cultura públicos, sem fins lucrativos. E que portanto, se apresentam em nossos festivais como forma de contribuir para nossa luta e por compartilharem dela de alguma forma.
O principal objetivo deste festival, como nas cinco edições anteriores é o de oferecer opções de lazer e cultura à comunidade de Sumaré, Campinas e região, com base na arte em suas diferentes modalidades. E ao mesmo tempo, criar novas e aprofundar as já existentes parcerias de luta com a população sumareense e grupos artístico-culturais e militantes de diversas cidades e regiões. O coletivo de trabalhadores da Flaskô, nestes quase 12 anos de resistência e luta na defesa de seus postos de trabalho sempre estiveram e seguem abertos para a troca de experiências e este 6º Festival Fábrica de Cultura será mais um importante momento de convivência e compartilhamento de ideias e experiências. Mais uma vez esperamos por vocês em agosto!!!

Vejam site http://www.festivalflasko.org.br/

 

mtst

Na manhã desta segunda-feira, 12 de janeiro, as mais de 1000 famílias da ocupação Zumbi dos Palmares em São Gonçalo (RJ) ocupam a prefeitura municipal.

São lutadores e lutadoras que resistiram em uma ocupação urbana em 2014 e conquistaram a garantia da construção de 1000 unidades habitacionais através de políticas públicas de habitação, afirmada a partir de um termo de compromisso, assinado pelo Governo Federal, pela Prefeitura de São Gonçalo e pelo MTST.

Na ato da assinatura, ficou agendada uma reunião entre a comissão de negociação do MTST e os secretários de Habitação, Planejamento e de Governo. Sem nenhuma justificativa plausível, a prefeitura adiou a reunião.

O movimento compreende este adiamento como um preocupante sinal quanto ao cumprimento integral do acordo. O poder público se comprometeu a indicar opções de terrenos para viabilizar a construção das moradias.

O Zumbi não aceitará nenhuma enrolação! Exigimos uma reunião e encaminhamentos concretos!

Local: Prefeitura de São Gonçalo (Rua Feliciano Sodré, 100 - Centro, São Gonçalo)
Horário: 9h

MTST! A LUTA É PRA VALER!
Guilherme - 21 976710355 / 987937930
Henrique – 21 986716929

flasko

Companheiro(a)s de luta,
A dinâmica da luta de classes em nível internacional e nacional demonstra uma nova situação política, de enfrentamentos mais diretos entre capitalistas e trabalhadores, com medidas de austeridade fiscal. Por isso, a conjuntura exige de todos nós reflexões para fortalecer nossas reivindicações, nas ruas e nas lutas, tanto como resistência contra perdas de direitos historicamente conquistados, como quanto à necessidade em avançar na construção de uma verdadeira sociedade justa, livre e solidária – o socialismo. É assim que os trabalhadores da Flaskô encerram suas atividades neste ano de 2014 e traçamos as perspectivas de 2015. Desde junho de 2013, no Brasil, o quadro de lutas mostra um acirramento com a burguesia, e deveremos estar preparados, unificando nossas pautas e bandeiras.
O ano de 2014 da Fábrica Ocupada Flaskô foi marcado por grandes lutas. Enfrentamos as pressões do mercado capitalista, as dificuldades com matéria-prima, manutenção das máquinas e de crédito. Enfrentamos os ataques organizados pelos patrões por meio do judiciário, enfrentamos a CPFL e os governos. Neste ano, passamos por mais 12 leilões de máquinas, tivemos mais penhoras de faturamento e mais processos contra os trabalhadores. Passamos rebuliços internos, grandes desgastes, mas muitos aprendizados.
Por outro lado, tivemos importantes conquistas na produção, conquistando novos clientes, recuperamos máquinas, além de fortalecer a democracia operária. Avançamos com os projetos de lei em Brasília, com uma ótima campanha de assinaturas pela Audiência Pública, e conquistamos um novo paradigma: a construção de um Grupo de Trabalho formal do governo federal para a adjudicação, por interesse social, de toda a propriedade da fábrica. A Fazenda Nacional, pela primeira vez em 12 anos, reconheceu formalmente que suas medidas são indevidas e que devem optar por uma das soluções apresentadas pelos trabalhadores da Flaskô, e, com isso, criar uma nova perspectiva de luta para o conjunto do movimento operário, como discutimos no seminário de empresas recuperadas que participamos em novembro, bem como no encontro internacional realizado na Argentina.
Na Vila Operária, depois de muita luta e absurdos jurídicos, tivemos que assinar um TAC com o Ministério Público, onde, ao menos, conquistamos a realocação para os apartamentos do MCMV, garantindo o direito à moradia. A área demarcada como Zona Especial de Interesse Social está inserida no projeto Cidade Legal, do governo estadual, e continuaremos cobrando todos os passos que levem a regularização urbanística e fundiária.
Com o projeto da Fábrica de Cultura, realizamos mais um Festival, com diversas atividades musicais, peças teatrais, debates e oficinas. Fortalecemos o EJA (educação de jovens e adultos) e a ciranda com as crianças.
No barracão de "baixo", iniciamos uma parceria promissora com a Cooperativa Planeta Terra, com apoio da ITCP Unicamp e com o termo de cooperação técnica assinado com o Movimento Nacional de Catadores de Resíduos Sólidos, estamos avançando não somente para um uso social do espaço e geração de emprego e renda para dezenas de trabalhadores, como promover a reciclagem e a coleta seletiva do lixo em nossa região.
No ano de Copa do mundo no Brasil, evidenciaram-se repletas contradições, entre a paixão pelo futebol e a revolta contra os mandamentos da Fifa, os privilégios aos capitalistas e às contas nas costas dos trabalhadores. Fizemos uma camisa "da seleção brasileira" da Flaskô, mas com uma faixa em preto pelo luto dos trabalhadores mortos na Copa, e em vermelho, pelo sangue histórico da classe trabalhadora que corre diariamente no capitalismo, com o nº 11 (11 anos) nas costas. Fizemos, no dia 12 de junho, uma emocionante atividade de comemoração-denúncia, minutos antes do Brasil entrar em campo... para depois tomarmos de sete da Alemanha nos dias seguintes.
Tivemos eleições para deputados, senadores, governador e presidente. O quadro deformado do terreno eleitoral mostrou ainda mais as contradições de nossos tempos, onde, ao mesmo tempo em que lamentamos a perda do mandato do Suplicy, temos Bolsonaro´s da vida nas ruas falando abertamente o que quiserem, ao mesmo tempo em que Dilma já anuncia ministros vinculados a setores historicamente agressivos com os trabalhadores, mostrando o cenário sombrio que teremos mais adiante.
Passamos um sofrimento tremendo com o falecimento de dois grandes companheiros trabalhadores. Seu Ari e Luiz Caverna nos deixaram fisicamente, mas estarão permanentemente em nossos corações e mentes, registrados com suas vidas na história da Flaskô. A dramaticidade que vivenciamos somente reforçou nossa consciência coletiva de buscar uma melhor saúde no trabalho, nos alimentando devidamente, fazendo exercícios e ouvindo médicos e especialistas, a garantia da solidariedade e o bom convívio entre todos nós.
Assim, concluímos que 2014 foi um ano repleto de emoções. Positivas e negativas. De vitórias e derrotas. Mas a luta continua e devemos seguir adiante, de cabeça erguida, para enfrentar 2015.
Para tanto, contamos com a presença de todos para que possamos discutir coletivamente os projetos que envolvem o complexo da Flaskô, envolvendo a fábrica e sua produção de tambores plásticos, mas também reciclagem plástica, cooperativas de catadores. Para que possamos a articulação com a luta pela moradia e pelo acesso à cultura, educação e lazer, fortalecendo a luta pela adjudicação por interesse social, conforme discutiremos no grupo de trabalho criado pelo governo federal.


Dia 31 de janeiro de 2015, sábado, às 9h30 na sede da Flaskô!

Venha conhecer um pouco mais de nossa luta e dos desafios que estão colocados. O potencial é tremendo, e as perspectivas da conjuntura nos indicam um ano de grandes lutas.


Como forma de fortalecer a unidade das lutas sociais, fizemos um grande esforço para retomar o Jornal Atenção, construindo-se coletivamente a partir das demandas das organizações e movimentos sociais, dialogando com a população de toda a região. Neste dia 31 de janeiro faremos uma assembleia do Jornal, discutindo a pauta da próxima edição de fevereiro.

Segue o Editorial do Jornal Atenção edição 19, dezembro/2014 e janeiro/2015.

"Editorial do Jornal Atenção – edição 19 – dezembro/2014 a janeiro/2015
Desde a última edição do Jornal Atenção em abril de 2013 muita coisa aconteceu. Tivemos neste meio tempo grandes manifestações em junho do ano passado, uma Copa do Mundo em solo brasileiro, eleições presidenciais, dentre outras coisas. Neste tempo também, a luta da Fábrica Ocupada Flaskô continua rumo aos seus 12 anos de ocupação sob controle operário. Para, além disso, as lutas de demais movimentos sociais continuam acontecendo e as contradições de classe veem sendo expostas frente a frente ao espírito de luta de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil e no mundo.
Diante disso, resolvemos retomar uma experiência que sempre teve grande importância em nossa militância cotidiana: o Jornal Atenção. Com o caráter de colocar em pauta aquilo que não está nos jornais da grande mídia, fazendo um contra-ponto nas informações e discussões que realmente interessam para a classe trabalhadora, queremos fazer deste jornal, mais uma vez, uma ferramenta de luta.
Contamos para isso com o apoio e colaboração de todos e todas que queiram contribuir na construção desse jornal, seja enviando matérias, fotos, charges e ilustrações, que queiram distribuir o Jornal Atenção em seu bairro ou comunidade."


Continuamos juntos e juntos seguiremos em mais essa empreitada, celebrando as batalhas e vitórias de nossa classe trabalhadora!!!

Um Feliz 2015 a todas as companheiras e todos os companheiros!!!!

Muitas alegrias, lutas e vitórias!!!

Entre em contato: www.fabricasocupadas.org.br – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. – 19-3864-2624

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Nos dias 11 a 13 de dezembro de 2014, uma grande comissão de trabalhadores representou a Fábrica Ocupada Flaskô no seminário de Empresas Recuperadas por Trabalhadores (ERTs), organizado pelo GPERT (Grupo de Pesquisa de Empresas Recuperadas por Trabalhadores) na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo/SP.
Inicialmente, o GPERT apresentou importante pesquisa realizada que mapeou 67 empresas que passaram por algum processo de falência ou fechamento, e que, num processo de luta, adotando diferentes formas jurídicas, retomou a produção da fábrica sob controle dos trabalhadores. A pesquisa é riquíssima e aponta grande diversidade de casos, com dezenas de particularidades e especificidades. No entanto, também indica que esse processo, chamado por estes pesquisadores "de empresas recuperadas por trabalhadores", possui similaridades e sugerem a necessidade de maior unidade e conhecimento entre os trabalhadores que assumem estas lutas, adotando, inclusive, perspectivas de luta e reivindicações como as existentes nos casos da Argentina e Uruguai, que estiveram com representações no seminário.
Nesse sentido, de grande valia foi a presença dos companheiros da Argentina e Uruguai, que explicaram os processos de luta em seus países e como vem se dando a luta com os governos e a burguesia local, bem como, em especial, como avançou-se para uma perspectiva de luta pela nacionalização sob controle operário, logrando, como na Zanon e na Chilavert, a expropriação da fábrica em favor dos trabalhadores.
Da mesma forma, foi importante a apresentação da proposta de uma Rede destas ERTs, numa parceria que está sendo realizada pela CUT e pela SENAES (Secretaria Nacional de Economia Solidária). Ademais, também foi importante a presença do BNDES para ouvir os pleitos dos trabalhadores, apontando todas as dificuldades burocráticas existentes para conseguir financiamento.
De toda maneira, durante três dias, trabalhadores de diferentes experiências relataram suas vivências, suas conquistas e suas dificuldades. Foi interessante discutir com dezenas de trabalhadores de várias fábricas, além de representantes de diversas organizações, como a UNISOL e ANTEAG, que desde 2002 apontamos diferentes caminhos a serem trilhados a partir do fechamento de uma fábrica. No segundo dia, a dinâmica foi realizada por meio da divisão em 5 grupos temáticos: organização de trabalho e relações de produção; relações de trabalho e relações jurídicas; financiamento e crédito; redes, comercialização e cadeias produtivas; tecnologia, formação e inovação. A comissão da Flaskô se dividiu e conseguiu contribuir decisivamente em cada um dos grupos, a partir da rica experiência existente. Ao mesmo tempo, pudemos aprender bastante com a diversidade de diferentes casos, pensando como cada situação poderia ser favorável ou não à dinâmica da Flaskô, mas como alternativa real para o conjunto da classe trabalhadora.

A importância da "particularidade" da Flaskô para o conjunto do Seminário
O seminário foi muito importante porque conseguimos apresentar nossas pautas de forma bastante clara e tranquila, fazendo um histórico do Movimento das Fábricas Ocupadas e os embates sobre os caminhos a trilhar desde a eleição do primeiro mandato do governo Lula, momento onde se construía a própria Secretaria Nacional de Economia Solidária. Nesse instante, nos posicionamos pela estatização sob controle operário, apresentando as dezenas de conquistas sociais realizamos em 12 anos de luta, como a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, de 44 para 30 horas, gerando novos postos de trabalho, garantindo um novo ritmo de trabalho e o pagamento de todos os direitos historicamente conquistados pela classe trabalhadora.
Da mesma forma, pontuamos as três diferentes formas que se expressam a estatização: a) pela compensação tributária, via o próprio estudo do BNDES, que foi lido no microfone para todos, inclusive aos membros do BNDES, ressaltando ainda que ele atua em prol do grande capital, e não para os trabalhadores; b) desapropriação por interesse social, mostrando a possibilidade direta do poder executivo realizá-la, bem como apresentamos os projetos de lei existentes no Senado. Um (PLS nº 257/12) discute a desapropriação da Flaskô, envolvendo a fábrica, a vila operária e fábrica de cultura e esporte. Outro (PLS nº 469/12) permite que qualquer fábrica que for ocupada pelos trabalhadores possa ser desapropriada; c) adjudicação por interesse social, sendo que neste caso, nos dedicamos mais tempo a discutir com o conjunto dos trabalhadores presentes, pesquisados e representantes do governo, explicando a existência atualmente de um Grupo de Trabalho vinculado à SENAES e à Secretaria-Geral da Presidência, para discutir esta possibilidade não somente para a Flaskô, mas para casos onde a grande credora seja a própria União.
Ao apontarmos as relações com os demais movimentos sociais, com a comunidade local/regional e com medidas conjuntas sob uma perspectiva de classe, a Flaskô conseguiu demonstrar, de forma privilegiada, como essa experiência é fundamental para construir um novo modelo de sociedade, sem patrões e exploração. Os companheiros internacionais, a todo momento, faziam referência à luta da Flaskô, aos encontros da Venezuela e na Cipla, em Joinville/SC, demonstrando a importância política do Movimento das Fábricas Ocupadas, justamente por provocar contradições profundas aos empresários. Não à toa, como falamos ao usar os espaços de intervenção, o Juiz determinou o fechamento das fábricas Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, pilares do Movimento das Fábricas Ocupadas, concluindo descaradamente de que o temor era de classe. Disse o Juiz na sentença: "Imagina se a moda pega?"
Explicamos, todavia, que esta articulação somente usou o poder judiciário. Tratava-se de uma decisão política, e que, infelizmente, o processo era do INSS, com Luiz Marinho e Lula à frente de tal afronta. Apresentamos como hoje os companheiros trabalhadores destas fábricas estão sendo condenados politicamente por apropriação indébita previdenciária e até mesmo por formação de quadrilha. Por isso, deveríamos prestar nossa solidariedade, mostrando que os trabalhadores não podem ser responsabilizados pelos crimes dos patrões, e que devemos apoiar projeto de lei (nº 7951/2014) que anistia todos os processados políticos desde a Constituição de 1988.

Flexibilidade tática e firmeza nos princípios: diálogos para construção
Assim, mesmo que de forma tranquila, pontuamos nossas diferenças com a UNISOL e ANTEAG, quanto às contradições trazidas pela lógica do cooperativismo, em especial no que se refere ao processo de ocupação (melhor do que o termo "recuperação) das indústrias, tendo em vista que em inúmeros casos mencionados durante o próprio encontro e na pesquisa do GPERT, verificou-se a existência de sócios-cooperados e contratados, reproduzindo uma série de problemas e que geram distanciamentos óbvios de uma perspectiva de emancipação da classe trabalhadora. De forma fraterna, discutimos com o conjunto dos trabalhadores presentes, inclusive alguns muitos empolgados e entusiasmados com nossas intervenções, criando importantes laços de solidariedade, demonstrando o potencial que se pode desenvolver a partir das lutas das ERTs no sentido de manter os trabalhadores organizados sob uma perspectiva de classe, mostrando a inutilidade dos patrões, reforçando a capacidade de luta dos operários e suas formas históricas de democracia, com assembleias e conselhos, bem como ainda, apontando as contradições do Estado sob a ordem burguesa, lutando pela expropriação dos meios de produção e contribuindo para o acúmulo de forças na construção do socialismo.
Dessa forma, após nossa importante presença no seminário, discutindo-se a necessidade de pensar diferentes soluções para diferentes realidades, conhecendo melhor as experiências internacionais, especialmente às Argentinas, o próprio Secretário-Executivo da SENAES, em sua exposição questiona: "Passados 12 anos destas experiências, ouvindo as dificuldades, conquistas e contradições de todos vocês, devemos refletir se efetivamente a cooperativa é a melhor forma jurídica para as empresas recuperadas pelos trabalhadores".
Bom, todos imaginam a repercussão desta assertiva vindo do principal responsável por organizar as políticas públicas dentro do Ministério do Trabalho e Emprego, após o Paul Singer. O impacto foi muito interessante, especialmente porque articulada com falas representativas de vários trabalhadores e dos próprios pesquisadores do GPERT, que instigaram todos a refletir sobre os desafios das ERTs no próximo período.

Próximos passos
No encerramento foi aprovada uma carta final, fazendo referência, inclusive, de apoio ao Grupo de Trabalho para Adjudicação da Flaskô, pensando-o como uma pauta política mais ampla do conjunto das lutas das ERTs, bem como discutimos de fazer uma apresentação da pesquisa do GPERT na própria Flaskô, ampliando o acesso a essa importante pesquisa, além de ajudar o conjunto do movimento operário a analisar o que fazer concretamente diante do fechamentos das fábricas.
Portanto, entendemos que a intervenção da Flaskô no seminário de ERTs foi importantíssima, e saímos muito empolgados com os desafios que exigem destas diferentes experiências, pautas unificadas, ações conjuntas e diálogo, desmistificando nossa perspectiva de luta da estatização sob controle operário, inclusive, angariando inúmeros apoios, objetivando fortalecer a solidariedade entre as mesmas, bem como se preparar para apoiar e ajudar a construção de novas experiências de fábricas sob controle operário.
Continuaremos com nossos debates sobre autogestão, cooperativismo e a luta pela estatização sob controle operário. Temos nossas diferenças e precisamos reconhecê-las para compreender como atuarmos. Há diferentes formas jurídicas, mas o fundamental é o conteúdo político, e aí não titubeamos, conclamando o que afirmamos em todos nossos encontros internacionais e repetimos pelo ex-presidente Hugo Chávez, em um deles, realizado na Venezuela: "Fábrica Quebrada, é Fábrica Ocupada; e Fábrica Ocupada deve ser nacionalizada/estatizada sob controle dos trabalhadores".

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Trabalhadores da Flaskô estiveram presentes na cidade de Bauru (SP), para conhecer melhor a realidade de duas fábricas, a Ajax e a Sukest.

Os representantes da Flaskô participaram de uma reunião contando com a presença do Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Bauru e com um representante da comissão de trabalhadores da empresa Ajax, além do mandato do vereador Roque Ferreira (Esquerda Marxista).

Primeiramente, ouvimos atentamente o histórico recente da fábrica Ajax, as manobras patronais e os ataques aos trabalhadores. Mais uma vez se repete a história de tentar fazer com que os trabalhadores "paguem a conta". Direitos trabalhistas não pagos, impostos sonegados, desvios financeiros para outras empresas, as histórias sempre são bastante similares com o que ocorreu na Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, na Flaskô, em Sumaré/SP, Flakepet, em Itapevi/SP, Ellen Metal, em Caieiras/SP, fábricas propulsoras do Movimento das Fábricas Ocupadas, movimento impulsionado pela Esquerda Marxista a partir de 2002 na luta pela estatização sob controle operário. Por conta da lógica do capital, da situação econômica, das decisões da burguesia, os patrões se preparam para fechar as fábricas, não se preocupando com as consequências sociais de milhares de demissões.

Após a apresentação das informações, discutimos possíveis caminhos a seguir, objetivamos garantir a defesa dos postos de trabalho, a continuidade da atividade industrial e pagamento dos direitos trabalhistas. Apresentamos o histórico do Movimento das Fábricas Ocupadas, narrando a tática de ocupação das fábricas para manter os postos de trabalho ameaçados. Trata-se de uma primeira conversa, mas que ajudou a compreendermos melhor o quadro concreto, com as particularidades existentes. Ao mesmo tempo, reforçamos a solidariedade e aprovamos alguns importantes encaminhamentos: uma visita na Fábrica Ocupada Flaskô, relatórios e mapeamentos das situações jurídicas, além de uma Audiência Pública na Câmara de Vereadores, por meio do mandato de Roque Ferreira, com o objetivo de mostrar o impacto social de eventual fechamento das empresas.

Após a conversa, fomos até as fábricas para conversar com os trabalhadores. Constatamos, primeiramente, uma importante disposição de luta para defender os postos de trabalho. Vimos, uma vez mais, a expressão nos olhos de insegurança, angústia, frustração, revolta, indignação, que podem se transformar em uma ação concreta e organizada para garantir a dignidade da classe trabalhadora contra o desemprego. Vimos também que ambas possuem uma estrutura grande, complexa, moderna, com enorme potencial de produção.

O caso Ajax

Histórica fábrica de baterias, a Ajax existe há mais de 50 anos. A primeira paralisação da empresa, nesse ano, ocorreu no mês de Junho, quando ela demitiu 340 trabalhadores sem dar uma posição concreta sobre o pagamento dos direitos trabalhistas e, ainda, não efetuando o depósito do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço nem o repasse dos valores descontados referente à previdência social de trabalhadores que possuem de 5 a 10 anos de tempo de serviço.

No ano de 2013, a fábrica entrou em recuperação judicial, sendo essa a justificativa por parte da empresa para realizar as demissões, antes a fábrica possuía 1400 trabalhadores em quatro turnos.

Para complicar a situação econômica da Ajax, a conta de energia da CPFL do mês de Agosto/2014, que estava no valor de R$ 474 mil, passou para R$ 1,8 milhão em Setembro. Pelo fato da fábrica estar em recuperação Judicial, a CPFL não aceita o valor anterior da conta, pois conforme as regras da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o valor a ser cobrado é o valor do mercado cativo, sendo desligada do mercado livre, que permite a compra de energia a preços mais baixos.

Um corte de energia foi realizado no dia 09/12 e a empresa conseguiu uma liminar para religar a energia, que foi restabelecida dia 11/12, porém, os trabalhadores continuam demitidos e os que ainda integram o quadro funcional da empresa estão incertos quanto ao destino de seus postos de trabalho, o pagamento dos salários e o 13º em atraso.

O caso Sukest

Na Sukest empresa do ramo alimentício que fabrica sucos e chicletes, os primeiros problemas financeiros aconteceram no ano de 2012, quando os salários começaram a atrasar e houve a interrupção do depósito do FGTS. Em 2013, a empresa foi autuada pelo Ministério Público do Trabalho por não realizar o recolhimento previdenciário.

Segundo o sindicato da categoria, a fábrica é economicamente viável e tem patrimônio para o pagamento dos salários, mas a direção da empresa não negocia com os trabalhadores, ela entrou em decadência administrativa com a má gestão do filho que assumiu a administração após o falecimento do pai, Moussa Tobias.

Um dos erros de administração foi investir em produtos mais caros que não encontraram aceitação no mercado. Os 161 trabalhadores que integram o quadro da empresa estão em greve e não há previsão para que voltem ao trabalho até que sejam realizados os pagamentos dos salários que estão dois meses em atraso.

Assim como na Ajax, os trabalhadores da Sukest pressionam o patrão para pagar os direitos e não aceitam o fechamento da fábrica.

O significado e o caminho dessas lutas

É preciso contextualizar que este dois casos ocorrem junto com o aprofundamento da crise do capitalismo no Brasil, que traz o aumento do desemprego em diferentes setores e em diferentes regiões do país.

Não devemos esquecer também que o governo de Dilma, reeleito com o voto de jovens e trabalhadores para barrar a vitória de Aécio Neves, do PSDB, utilizou em diferentes momentos de sua propaganda eleitoral o discurso de defesa de empregos e direitos para se diferenciar do adversário. Estas fábricas que demitem, não pagam os direitos trabalhistas e impostos, devem ser estatizadas com a garantia de todos os postos de trabalho. Essa é a responsabilidade do governo. As fábricas são viáveis economicamente e a estatização sob controle operário garantiria, além dos empregos, a propriedade pública das empresas para seu uso em benefício das necessidades da sociedade.

Os trabalhadores devem buscar as melhores táticas nessa luta. Por isso, foi apresentado o exemplo das fábricas ocupadas, em especial da Flaskô, que permanece ocupada e produzindo. Sob o controle dos trabalhadores, apesar dos ataques do mercado e dos governos, a Flaskô segue resistindo e lutando pela estatização, baseando-se na democracia operária, com assembleias e eleição de um conselho de fábrica, evidenciando dessa forma a inutilidade dos patrões em uma fábrica e em toda a sociedade.

Vamos continuar acompanhando a luta dos trabalhadores da Ajax e da Sukest mantendo nossa pauta de luta.

Pelo direito ao trabalho! Contra as demissões! Contra a ameaça de fechamento da AJAX e da SUKEST! Todo apoio à luta dos trabalhadores da AJAX e da SUKEST!

bauru

Trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô se reúnem com trabalhadores de fábricas em luta contra as ameaças de fechamento. Sabemos o que fazer: "ocupar, produzir e resistir"

A Flaskô esteve presente na cidade de Bauru-SP, para conhecer melhor a realidade de duas fábricas, a Ajax e a Sukest, que estão realizando graves ataques aos trabalhadores. Os trabalhadores da Flaskô participaram de uma reunião contando com a presença do Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Bauru e com um representante da comissão de trabalhadores da empresa Ajax, além do mandato do vereador Roque Ferreira (Esquerda Marxista).

Primeiramente, ouvimos atentamente o histórico recente da fábrica Ajax, as manobras patronais e os ataques aos trabalhadores, que mais uma vez se repete a história de fazer com que os trabalhadores "paguem a conta". Direitos trabalhistas não pagos, impostos sonegados, desvios financeiros para outras empresas, as histórias sempre são bastante similares com o que ocorreu na Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, na Flaskô, em Sumaré/SP, Flakepet, em Itapevi/SP, Ellen Metal, em Caieiras/SP, fábricas propulsoras do Movimento das Fábricas Ocupadas, que foi impulsionado pela Esquerda Marxista a partir de 2002. Por conta da lógica do capital, por conta das decisões da burguesia, os patrões se preparam para fechar as fábricas, não se preocupando com as consequentes sociais que significam milhares de demissões.

Após a apresentação das informações, discutimos possíveis caminhos a seguir, objetivamos garantir a defesa dos postos de trabalho, a continuidade da atividade industrial e pagamento dos direitos trabalhistas. Apresentamos o histórico do Movimento das Fábricas Ocupadas, narrando as perspectivas de ocupação das fábricas para manter os postos de trabalho ameaçados. Trata-se de uma primeira conversa, mas que ajudou a compreendermos melhor o quadro concreto, com as particularidades existentes. Ao mesmo tempo, reforçamos nossa solidariedade e aprovamos alguns importantes encaminhamentos, como uma visita na Fábrica Ocupada Flaskô, relatórios e mapeamentos das situações jurídicas, além de uma Audiência Pública na Câmara de Vereadores, por meio do mandato do Roque, com o objetivo de mostrar o impacto social de eventual fechamento das empresas.

Após a longa conversa, fomos até as fábricas para conversar com os trabalhadores. Constatamos, primeiramente, uma importante disposição de luta dos trabalhadores para a defesa dos postos de trabalho. Vimos, uma vez mais, a expressão nos olhos dos trabalhadores, do significado de momentos de insegurança, angústias, frustrações, revoltas, indignações que podem se transformar em uma ação concreta e organizada para garantir a dignidade da classe trabalhadora contra o desemprego. Vimos também a que ambas possuem uma estrutura grande, complexa, moderna, com enorme potencialidade de produção.

O caso Ajax

A primeira paralisação da empresa ocorreu no mês de Junho deste ano, quando a empresa demitiu 340 trabalhadores, sem dar uma posição concreta sobre o pagamento dos direitos trabalhistas, e ainda, não efetuando o depósito do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço nem o repasse dos valores descontados referente à previdência social de trabalhadores que possuem de 5 a 10 anos de tempo de serviço.

No ano de 2013, a fábrica entrou em recuperação judicial, sendo essa a justificativa por parte da empresa em realizar a demissões, antes das demissões, a fábrica possuía 1400.00 trabalhadores em quatro turnos.

Para complicar a situação da Ajax, a conta de energia da CPFL do mês de Agosto/2014, que estava no valor de R$ R$ 474 mil passou para R$ 1,8 milhão em Setembro. Pelo fato da fábrica estar em recuperação Judicial a CPFL não aceita o valor anterior da conta, pois conforme as regras da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o valor a ser cobrado é o valor do mercado cativo, sendo desligado do mercado livre que permite a compra de energia a preços mais baixos.

Um corte de energia foi realizado terça-feira dia 09/12, e a empresa conseguiu uma liminar para religar a energia, que foi estabelecida na quinta-feira dia 11/12, porém, os trabalhadores continuam demitidos e os que ainda integram o quadro funcional da empresa estão incertos quanto o destino de seus postos de trabalho, o pagamento dos salários e o 13º que estão em atraso.

Histórica fábrica de baterias, a Ajax existe há mais de 50 anos e possui grande potencialidade. Se os patrões querem ir embora e fechar a fábrica, que se vão, pois os trabalhadores querem seguir trabalhando.

O caso Sukest

Na Sukest empresa do ramo alimentício que fabrica sucos e chicletes, os primeiros problemas financeiros aconteceram no ano de 2012, quando os salários começaram a atrasar e houve a interrupção do depósito do FGTS. Em 2013, a empresa foi atuada pelo Ministério Público do Trabalho por não realizar o recolhimento previdenciário.

Segundo o sindicato da categoria, a empresa é economicamente viável e tem patrimônio para o pagamento dos salários, mas a empresa não dá abertura para negociações, para os trabalhadores, a empresa entrou em decadência administrativa com a má gestão do filho que assumiu a administração após o falecimento do pai Moussa Tobias.

Um dos erros cometidos foi o investimentos em produtos mais caros que não vendem, ao invés de manter a produção dos produtos já comercializados no mercado durante anos. Os 161 trabalhadores que integram o quadro da empresa estão em greve e não há previsão para que voltem ao trabalho até que sejam realizados os pagamentos dos salários que estão dois meses em atraso.

Assim como na Ajax, os trabalhadores da Sukest pressionam o patrão para pagar os direitos e não aceitam o fechamento da fábrica, tendo em vista enorme potencial de seguir produzindo.

Ocupar, produzir, resistir!

Em um momento de crise do capitalismo, duas fábricas que possuem uma moderna tecnologia se agonizam, temos a convicção de que é possível solucionar os problemas postos aos trabalhadores da Ajax e da Sukest se os trabalhadores estiverem no controle da fábrica. Explicamos que temos uma experiência concreta materializada na Flaskô, que apesar de ser uma fábrica antiga, sucateada e com enormes problemas, continua produzindo e resistindo, apontando dezenas de conquistas sociais nos últimos 11 anos.

O caminho que apontamos para a solução definitiva dos trabalhadores é a tomada do controle da fábrica, pois com a uma verdadeira democracia operária, com assembleias e eleição de um conselho de fábrica, podemos mostrar que não precisamos dos patrões. Podemos nos organizar politicamente para cobrar os patrões sobre os direitos sonegados e mostrar a incapacidade patronal de gerir a fábrica, tomando a gestão economico-produtiva em nossas mãos. Sem a presença do patrão que se apropria da riqueza construída coletivamente, possuímos a capacidade de realizar a produção, pagar nossos salários e nossos direitos.

Vamos continuar a acompanhando a luta dos trabalhadores da Ajax e da Sukest mantendo nossa pauta de luta.

Pelo direito ao trabalho! Contra as demissões! Contra a ameaça de fechamento da AJAX e da SUKEST! Todo apoio a luta dos trabalhadores da AJAX e da SUKEST!

saude

Estiveram presentes na Flaskô no dia 12 de Dezembro, profissionais da saúde que trabalham na Unidade Básica de Saúde do Parque Bandeirante. Em uma parceria com a UBS e a Fábrica Ocupada Flaskô realizou-se o Dia da Saúde, trazendo palestras com os temas: Hipertensão, Diabetes, Doenças Sexualmente Transmissíveis e Alimentação Saudável.

Os temas abordados são uma necessidade surgida para a Flaskô a partir da pesquisa realizada pelo SESI neste ano de 2014, onde foi identificada a necessidade de articularmos formas de prevenção destas doenças diante do quadro funcional da fábrica, que apresenta em sua maioria trabalhadores com idade acima de 50 anos.

A atividade realizada também veio de encontro a um conjunto de benefícios existentes na Flaskô que visam a qualidade de vida dos trabalhadores, dentre esses benefícios, por exemplo, está a distribuição diária de frutas a todos os trabalhadores, a ginástica laboral ministrada pela professora de fisioterapia a cada troca de turno, e o convênio com a farmácia do bairro que oferece a possibilidade de efetuar a compra de  medicamentos pela metade do preço, além de outros benefícios.

Para este Dia da Saúde, foi feita uma divulgação porta a porta na Vila Operária e no Bairro Bandeirantes de Baixo, buscando envolver a comunidade local, sendo essa uma possibilidade de conhecer a Fábrica demonstrando a função social que a mesma pode oferecer para a população. Além dos trabalhadores e alguns moradores presentes, comparecem também os catadores de materiais recicláveis que atualmente estão envolvidos em um projeto inicial de coleta de materias recicláveis junto a Flaskô. Sr. Milton um dos catadores presente contou que a saúde é um compromisso de todos e não basta se alimentar bem se for uma pessoa sedentária.

Ao final das palestras, a Drª Yude, médica cubana que está no Brasil e integra o Programa Mais Médicos, o enfermeiro de sua esquipe Sr. Fanuel e os demais profissionais, informaram que a Unidade Básica de Saúde do Parque Bandeirantes possui diversas atividades, em especial a ginástica de Lian Gong, assim como grupos de prevenção que acontecem semanalmente, mas é preciso socializar essas informações para que as pessoas possam frequentar esses grupos e terem acesso a informações que podem beneficiar a saúde e o bem estar da comunidade.

GRUPOS QUE ACONTECEM NA UBS PARQUE BANDEIRANTES:

Ø  Grupos anti-tabagismo que aconteceram a partir de Janeiro/2015

Ø   Grupo de dependência química para usuários e familiares toda quinta-feira às 09h00min

Ø   Terapia comunitária, grupo aberto para sintomas de ansiedade e tristeza que podem levar a um quadro de depressão, reuniões quinzenais

Ø  Grupo de mães, para mães que estão com problemas disciplinares com os filhos na escola, ou que talvez apresente quadro clínico

Ø  Lian Gong, todas as terças-feiras na Associação de bairro a partir das 07h00min. Endereço: Associação dos  Moradores do Parque Bandeirantes, Rua 18 nº 25 Bandeirantes II