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Moradores da Vila Operária e Popular completam 10 anos de ocupação e de muita luta por moradia e dignidade, com um caráter muito especial, por se tratar de uma ocupação de moradia em uma propriedade de uma fábrica sob controle operário. No dia 12 de fevereiro de 2005, famílias sem-teto da região de Sumaré e trabalhadores da Fábrica Flaskô se organizaram e ocupam o terreno da própria fábrica, que estava sob controle operário desde 12 de junho de 2003, dando uma passo histórico para construir uma luta fantástica pelo direito à moradia em consonância com a luta pelos postos de trabalho, enfim, pela dignidade e por uma efetiva função social da propriedade.

Nesse sentido, são bastante expressivas as conquistas desta ocupação que conta hoje com mais de 560 famílias, ou seja, mais de 2.000 pessoas, as quais sempre organizaram e lutaram pela regularização da área e de todas as medidas de infraestrutura, como água, luz, tubulação para esgoto, asfalto, caminhão de lixo, etc., resultando em um belo combate contra a ociosidade da terra que interessava a especulação imobiliária sob o prisma do empresário e capitalista.

São muitas histórias nestes 10 anos, que mostram a complexidade das questões envolvidas em ocupações de moradia. No entanto, a riqueza desta experiência recai justamente na particularidade de ser uma luta por moradia em um terreno de propriedade de uma fábrica que havia sido ocupada por trabalhadores, e que travavam a luta pela estatização da fábrica.

Assim, obviamente, um novo patamar de consciência de classe se constrói, com todas as contradições e movimentos, frutos da dinâmica da luta de classes, mas que, em última instância, somente reforça a potencialidade da unidade das ações do movimento operário com reivindicações das famílias trabalhadoras moradoras da Vila Operária.

Dessa forma, uma das principais conquistas, no combate realizado junto com os trabalhadores da Flaskô, foi a vitória, após Audiência Pública unificada, realizada em 2011, foi a determinação em lei de que a referida área fosse descrita como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS).

Da mesma forma, organizamos um combate pelo direito à água mesmo em ocupações não regularizadas, garantindo, com uma vitória histórica, a aprovação de uma lei que garantiu o acesso não somente à Vila Operária, mas esse direito à qualquer ocupação de moradia de Sumaré.

Além disso, novamente junto com a luta da Flaskô, os moradores da Vila Operária impulsionam a campanha pela aprovação do Projeto de Lei nº 257/2012, que declara o interesse social de toda a propriedade da Flaskô, incluindo, portanto, a área da Vila Operária, para fins de desapropriação. E agora, soma-se a campanha pela adjudicação por interesse social, discutida pelos trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô junto ao Grupo de Trabalho criado pelo Governo Federal.

Para comemorar estes 10 anos de combate, realizado nas ruas e nas lutas, temos a honra de anunciar que esta fantástica história foi transformada em um livro, escrito pelo arquiteto e militante Vinícius Camargo, que muito contribuiu para a organização dos primeiros anos da ocupação e da luta pela moradia, vivenciando diariamente o complexo processo da Vila Operária.

Trata-se de um livro narrativo, fascinante, que apresenta a perspectiva de luta pelo direito à moradia, e sua potencialidade articulada com um movimento operário, organizado em direção à construção do socialismo.

Convidamos a todos para participar de uma roda de conversa sobre os 10 anos da Vila Operária, e com o lançamento oficial do livro Vila Operária e Popular – Um terreno e uma fábrica ocupado: 10 anos de luta, de Vinícius Camargo, publicado pelo CEMOP (Centro de Memória Operária e Popular), no próximo dia 26 de fevereiro de 2015, quinta-feira, às 19h na Fábrica Ocupada Flaskô.


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Entre os dias 15 e 18 de Janeiro de 2015, a Fábrica Ocupada Flaskô recebeu o 1º Acampamento Revolucionário da Campanha "Público, Gratuito e Para Todos: Transporte, Saúde, Educação! Abaixo a Repressão!", com a presença de aproximadamente 200 jovens de todo o país. A campanha é impulsionada pela Esquerda Marxista junto com outras organizações, que, a partir das manifestações históricas de Junho de 2013, vem travando a formação de comitês de luta em escolas e Universidades, a fim de chamar a juventude a se organizar e lutar contra os ditames do capitalismo e o Estado Burguês.

O Acampamento
Na abertura do encontro estiveram presente as representações internacionais da CMI (Corrente Marxista Internacional), como Ben Gliniecki, da Inglaterra, Christian Medina Gonzalez, do México, Alessio Marconi, da Itália, Jorge Luis Gimenes, da Colômbia, e Leon Punch da Argentina. Cada representante falou sobre a conjuntura das lutas em seus países, nos fazendo constatar que em todas as lutas a juventude marca sua presença procurando a superação do capitalismo, sendo uma chama de força e energia para a construção da revolução socialista.
No México, por exemplo, Christian Medina Gonzalez, informou que eclode o combate dos estudantes do Instituto Politécnico que ganha força com a revolta provocada pelo desaparecimento dos 43 estudantes de Ayotzinapa. Jorge Luis Gimenes, da Colômbia, trouxe que em seu país o Estado Colombiano ao invés de usar a tática de comprar/cooptar os lutadores do povo, resolveu assassina-los. Assim, ser um militante na Colômbia é um ato arriscado e de muita coragem, e a luta que os jovens devem travar, segundo ele, passa também por direitos democráticos de manifestação, associação, sindicalização, etc., por uma verdadeira busca pela paz, mas uma paz sob uma sociedade socialista, como frisou, citando que no Brasil vive-se uma "democracia", mas o que temos visto é uma grande repressão ao direito de lutar.
Além das representações internacionais presentes, a "Campanha Público e Gratuito para todos", mostrando que é realmente um exemplo de luta pela "Frente única", estiveram presentes diferentes forças políticas como o Juntos, da Juventude do PSol (MES); a União da Juventude Comunista (UJC); a Juventude Comunista Avançando (JCA) e Militância Socialista, além da própria Fábrica Ocupada Flaskô. Tais organizações, inclusive os trabalhadores da Flaskô, participaram da mesa de abertura e do encerramento do encontro, e durante os quatro dias de acampamento. Seus militantes estiveram dialogando, realizando intervenções durante as mesas temáticas, fato que contribuiu na qualidade dos debates do Acampamento.
De uma maneira geral, o Acampamento Revolucionário esteve voltado para os novos militantes e a juventude que se aproxima pela primeira vez da luta política. Sendo pedagógico, no sentido de oferecer aos participantes possibilidades de formação, como compreender a diferença entre tática revolucionária e esquerdismo, discutir temas polêmicos como o racismo, as drogas e as repressões às lutas sociais, ou mesmo aprender a cantar o hino da Internacional Comunista, ou ainda, poder visitar uma fábrica sob controle operário em pleno funcionamento (com visitas guiadas, onde os trabalhadores da Flaskô contaram os 12 anos de luta), além da participação de várias atividades culturais, sob um claro viés crítico do capitalismo, e que foram sensacionais!
Para a Fábrica Ocupada Flaskô o Acampamento Revolucionário é fundamental para a luta, justamente porque na Flaskô temos claro que a batalha não pode ser isolada, e o dialogo constante as organizações da juventude e do conjunto da classe trabalhadora, se torna imprescindível para manter de pé a própria luta de uma fábrica ocupada há quase 12 anos, que, obviamente, enfrenta tantas dificuldades diante de um Estado que não está voltado para os interesses dos trabalhadores.
Para além da manutenção dos postos de trabalho é preciso ressaltar as possibilidades que uma fábrica ocupada levanta para a sociedade. Seja na qualidade de vida de seus trabalhadores e familiares, seja no oferecimento de cultura, esporte e lazer para a comunidade em seu entorno, seja pela garantia dos direitos trabalhistas duramente conquistados pela classe trabalhadora, expressos na CLT e na Constituição Federal, pondo em cheque a estrutura da sociedade capitalista que busca naturalizar a propriedade privada dos meios de produção.
Para quem desejar um relato mais detalhado do Acampamento, veja em: http://www.marxismo.org.br/content/acampamento-revolucionario-com-mais-de-200-jovens-tira-plano-de-lutas-para-2015

O significado de ter um Acampamento Revolucionário numa fábrica ocupada
A Fábrica Ocupada Flaskô está historicamente interligada com a Esquerda Marxista, que foi a força política impulsionadora de mais de trinta e cinco ocupações de fábricas pelo Brasil constituindo o Movimento das Fábricas Ocupadas na década de 2000, originado nas fábricas Cipla e Interfibra, em Joinville/SP.
Devido à relação histórica que a fábrica possui com a Esquerda Marxista e pela resistência concreta contra o fechamento da fábrica, que já dura mais de onze anos, o Acampamento, por ser na Flaskô, adquiriu um significado ainda maior do que o esperado.
Estávamos, portanto, diante de um Acampamento que discute a necessidade da expropriação dos meios de produção, seja na saúde, na educação ou no transporte, apontando para a Revolução Socialista, estando dentro de uma fábrica sob controle dos trabalhadores!
Dessa forma, conseguimos mostrar que a luta não somente é concreta e possível de ser realizada, como mostramos um exemplo – sediar um encontro como esse – do significado de termos de expropriarmos uma fábrica e que ela seja uma fábrica ocupada e à serviço da luta revolucionária, além de ter atuações militantes, como o camarada Chaolin, trabalhador da Flaskô, que organizou a cozinha durante os quatro dias.
Se é verdade que não é possível o socialismo num só país, assim como é impossível a sobrevivência de uma fábrica ocupada isolada no capitalismo, sabemos também o que podemos construir a partir de quase 12 anos de controle operário. Além de manter a produção sem um patrão, a Flaskô consegue garantir que o espaço da fábrica seja público, da classe trabalhadora e da juventude, realizando atividades culturais, educacionais, esportivas, etc., como este Acampamento.
Foi interessante ver que muitos jovens e novos militantes jamais tinham entrado numa fábrica, muito menos numa fábrica ocupada. Muitos nem sabiam o que isso significava. Muitos jovens já participaram de outros acampamentos, do movimento estudantil, da UNE, onde o que prevalece é a desorganização e as festanças, não promovendo o diálogo fraterno e os debates. Neste Acampamento, por ser realizado em um ambiente operário de luta, com respeito aos 12 anos de luta, organizou-se de forma bastante disciplinada e organizada, com várias mesas de debates e atividades culturais.
O que mais vale desse Acampamento é que todos saíram entusiasmadíssimos com os debates e os desafios que a luta de classes nos impõe, com um significado ainda mais forte da capacidade de luta da classe trabalhadora e da juventude, pelo fato do acampamento ter acontecido numa fábrica ocupada. Como conclui o camarada mexicano Cristian Gonzales, "a burguesia vai se arrepender se ter mexido com essa geração"!

Próximos passos
Para nós da Flaskô foi não somente uma honra sediar, organizar e participar deste Acampamento, como nos encheu de ânimo e satisfação para seguirmos nossa batalha na construção do socialismo.
A Fábrica Ocupada Flaskô está de portas abertas para todos apoiadores que desejam somar-se a luta pela estatização sob controle operário, pela organização da classe trabalhadora, pela expropriação dos meios de produção, contra todas as formas de exploração que vive a classe trabalhadora e a opressão diária da sociedade capitalista.
Desejamos um grande ano de lutas, com ânimos renovados, na esperança de que a realização de um Acampamento, com estes objetivos, por ser realizado na Flaskô ganhou ainda mais significado!
O que vimos é o verdadeiro significado da consigna histórica: "Um, dois, três, quatro, cinco mil, e viva a aliança Operária e Estudantil"!!!
Sigam firmes na construção da revolução socialista e com a organização da campanha "público, gratuito e para todos: saúde, transporte e educação: abaixo à repressão"! Contem com os trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô para estas lutas!

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Nós trabalhadoras e trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô realizaremos no próximo dia 31 de janeiro uma importante atividade na Fábrica. Um debate aberto com a finalidade de apresentar regionalmente nossos esforços para a construção de um amplo projeto de complexo autogestionário na Flaskô.

Desde o fim do ano passado estamos com um Grupo de Trabalho Interministerial em Brasília com o fim de discutir a adjudicação por interesse social da fábrica como uma das formas de estatização sob controle operário, que impulsionamos nos últimos 12 anos, garantindo a defesa dos postos de trabalho, dos direitos, da continuidade da atividade industrial da Flaskô, além da luta pela regularização da Vila Operária, garantindo moradia, e dos avanços com os projetos da Fábrica de Cultura e Esporte, com construção da coleta seletiva do lixo e do processo da reciclagem do plástico, etc. Além disso, seguimos com a batalha pela aprovação do PLS 257/12 e 469/2012 no Senado.

Dentro dessas novas e velhas possibilidades, mais uma vez iniciamos um processo de reflexão coletiva com o fim de manter a ideia de construir uma fábrica ocupada pelos seus trabalhadores, mas também ocupada por demais coletivos, organizações, comunidade e demais trabalhadores. Sabemos que não podemos apenas contar com as promessas ditas pelos setores governamentais, onde continuaremos pressionando com grande mobilização e luta, mas para garantir a concretização de nossas ideias e projetos, temos que agir de maneira prática, no setor produtivo, social, cultural, dentre outros.

Dentro dessas perspectivas convidamos movimentos sociais, organizações políticas e sindicais, grupos de estudos, coletivos culturais e esportivos e a comunidade em geral para participar de nossa primeira atividade ampla de 2015.

Dia 31 de janeiro de 2015, a partir das 9:30, na Fábrica Ocupada Flaskô: Rua Marcos Dutra Pereira, 300, Pq. Bandeirantes, Sumaré – SP.

Programação:

9:30h: Chegada
10:00h: Apresentação Complexo Flaskô e debate
12:00h: Visita completa às áreas da Flaskô – potencialidades espaciais
13:00h: Conversa sobre Jornal Atenção – pela construção de um Jornal coletivo e popular

 

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Por Érika Zucatti

Atualmente, viver em uma cidade brasileira é uma tarefa árdua, não sendo diferente no município de Campinas. Para a maioria dos brasileiros, qualquer atividade diária pressupõe locomoção em transporte público – ou, para ser mais exato, transporte coletivo –, muitas vezes com custo elevado da tarifa, péssimas condições de viagem e lotado de passageiros. A mobilidade urbana se caracteriza como um direito à cidade, uma vez que o transporte gratuito e de qualidade é essencial para exercer todos os direitos sociais, tais como, os direitos à educação, à saúde, ao trabalho, à moradia, ao lazer e outros descritos na Constituição Federal.

Entretanto, o transporte público há muito tempo deixou de ser direito para se tornar um privilégio das concessionárias do transporte coletivo das cidades que operam sob essa ótica. Diz-se que este direito fundamental à vida humana foi transferido para as "mãos" do empresariado e passou a estar condicionado à lógica do lucro da sociedade capitalista. Portanto, utiliza o transporte quem pode pagar o preço da tarifa de embarque e não quem necessariamente precisa do serviço, transformando o direito de todos em o de apenas alguns.

Jornadas de Junho

Essas motivações ensejaram diversas manifestações populares na cidade no ano de 2013, episódio que ficou conhecido como "jornadas de junho". Muito antes dos atos em Porto Alegre ou São Paulo, as tarifas do transporte de Campinas já tinham sofrido reajustes, passando a custar "míseros" R$ 3,30, ganhando título de uma das passagens de ônibus mais caras do país, inclusive superior a muitas capitais. Com a mobilização dos cidadãos o prefeito anunciou duas reduções para os valores de R$ 3,20 e R$ 3,00, respectivamente. Entretanto, a vitória da população durou pouco tempo, os vereadores aprovaram em sessão extraordinária o dobro de subsídio para as concessionárias do transporte, saltando inicialmente de R$ 36 milhões para R$ 71 milhões, valores que continuaram aumentando ao longo de 2014. Então, a arrecadação dos cofres públicos que seria destinado a outros gastos do município foram de maneira abusiva e ilegítima transferida para os bolsos dos empresários da cidade.

Percebe-se que o transporte público é subsidiado duas vezes, pelos usuários e pelas prefeituras, ambos pagam os custos divulgados pelas empresas que, alegam inúmeros prejuízos financeiros, mas que não rescindem os contratos de licitação milionários. Fica a cargo dessas mesmas concessionárias arbitrar o valor da passagem de ônibus supostamente embasada na planilha de receita elaborada por elas mesmas de forma viciada, são altos os indícios de superfaturamento, como já foi denunciado até por vereadores da oposição.

Diversos movimentos sociais se formaram ou contribuíram para o tema da mobilidade urbana em Campinas, o Movimento Passe Livre – MPL e a Frente Contra o Aumento da Passagem foram os que mais se destacaram nos últimos dez anos. As manifestações de 2013, organizadas por esta tinham como pauta a CPI dos transportes, a saída do Secretário dos Transportes e o passe-livre para estudantes e desempregados. Todas essas questões e outras que envolvem o transporte público da cidade são questionadas pelos integrantes dos grupos, principalmente pelo MPL que recentemente foi refundado na região.

Precarização do serviço prestado

A tarifa continua crescendo e a população não nota melhoras na prestação de serviço do transporte público, muito pelo contrário, a passagem só aumenta e a qualidade só diminui. Desde o mês de agosto a tarifa passou novamente a custar R$ 3,30, sem que houvesse de fato uma auditoria no preço das passagens de ônibus, um dos anseios do povo no ano passado.

Como se não bastasse, as concessionárias resolveram "informatizar" ilegalmente a cobrança da tarifa, estabeleceram obrigatoriedade do uso do cartão bilhete único, condicionaram a venda da passagem a um cartão provisório de R$ 5,30 ou R$ 8,60 para quem não detém o cartão bilhete único e demitiram os cobradores de ônibus. O aumento do preço ocorreu sob argumento dos custos da operacionalidade do sistema, maquiando um verdadeiro anseio das empresas pelo lucro.

Apesar disso, a falta de qualidade na prestação de serviço é uma reclamação frequente, pois são inúmeros os ônibus quebrados e sem manutenção que colocam todos os dias em risco à vida dos usuários, somados aos atrasos e demoras entre um veículo e outro e superlotação desumana. Recentemente dois ônibus elétricos pegaram fogo e um ônibus perdeu o eixo traseiro, tudo isso enquanto transportavam passageiros, além disso, não são raros os casos de pneus carecas e barras de apoio frouxas.

O transporte público está tão precário que os problemas já atingiram a classe trabalhadora, de um tempo para cá os motoristas estão executando a função dos cobradores demitidos com jornadas exaustivas, ou seja, exercendo duas funções sem adicional de remuneração aos baixos salários. A falta de segurança é tão latente que os passageiros são passíveis de presenciar diversos acidentes, sobretudo com os idosos e deficientes, já foi até noticiado um caso de uma idosa que faleceu em decorrência de um acidente que sofreu ao descer do ônibus.

O MPL com o intuito de reverter a situação, com o apoio de estudantes secundaristas e universitários, e trabalhadores de diversas categorias, principalmente os motoristas e cobradores dos ônibus, está organizando regularmente algumas assembleias para definir novas ações.

De fato, o desafio está colocado para todos nós. Após junho de 2013 ficou a lição para a juventude que está se organizando nesses movimentos sociais que transformar a sociedade, por meio de mobilizações populares, é possível. Não nos esqueçamos que a luta por uma sociedade justa é diária e constante para que o transporte seja gratuito e de qualidade para todos, para que o transporte seja para todos os públicos, portanto, para que seja público de verdade.

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O debate sobre o aborto é sempre difícil. É uma pauta das mulheres mas precisa ser aprofundado junto aos homens pois eles estão implicados seja como pais, namorados, maridos, médicos, juízes, sacerdotes e políticos. O problema é que poucos deles se interessam pela questão. Por isso cabe as mulheres pautar a problemática. Neste artigo, publicado na última edição do Jornal Atenção, trazemos informações e reflexões sobre o assunto e ao fim deixamos contato de uma companheira advogada de Campinas que pode ajudar as mulheres que precisem de orientação sobre a questão. Dê sua opinião em nosso perfil do Facebook.

Ainda hoje meninas engravidam e praticam aborto diante de uma gravidez precoce. Como recentemente publicado no Correio Popular, o SUS de Campinas já recebeu meninas de 10 anos para procedimentos de curetagem após aborto.
Para esta faixa etária é preciso pensar em formas efetivas de prevenção da gravidez precoce, porque seguida de aborto, para meninas que mal começaram a menstruar, é um crime social contra a dignidade e o desenvolvimento infanto-juvenil das mulheres.
A gravidez indesejada também ocorre com mulheres adultas. Segundo a atual lei o aborto pode ser autorizado em 3 casos: comprovado estupro, risco de vida comprovado para a gestante e feto anencefálico ( o feto não desenvolve o cérebro e morre alguns minutos após parto). Mesmo nestes casos, nem sempre as mulheres conseguem vencer os processos jurídicos para obter a autorização.
Aquelas que por outros motivos desejam conscientemente abortar, recorrem a formas clandestinas. No caso das mulheres pobres (muitas até por já terem mais filhos do que conseguem prover sustento) normalmente recorrem às formas de aborto mais arriscadas e sofridas. Já as que podem pagar por uma clínica, também não estão asseguradas contra os riscos envolvidos.
Muitas de nós, sobretudo aquelas que convivem em famílias e grupos que moralmente condenam o aborto, acabam o provocando em segredo. Muitas morrem por complicações como infecções e hemorragias.
Segundo o Ministério da Saúde, a cada 2 dias morre uma mulher em função de um aborto precário. Ocorrem 1 milhão de abortos clandestinos ao ano no país.
A maioria dos que são contrários ao aborto se apoiam no princípio de "direito à vida". Ninguém deve ser contra estre princípio. No entanto, é preciso ampliar sua aplicação. Afinal, os fatos mostram que as mulheres que decidiram interromper uma gravidez o farão de qualquer forma. Logo, é preciso também discutir o "direito a vida" destas mulheres ao invés de tratá-las como criminosas.
Como diz o médico Thomaz Rafael Gollop da USP, "Se os homens engravidassem, certamente esta questão já estaria resolvida. Fosse ele vítima de violência ou tivesse engravidado de maneira indesejada, seguramente não manteria a gravidez. Mas a maioria dos homens não respeita o desejo e a autonomia das mulheres".
Por princípios ou pressão social, muitas mulheres também são contrárias ao aborto. Mas quantas delas quando diante de uma gravidez indesejada, não acabam recorrendo ao aborto? Sendo assim, estamos todas no mesmo barco.
Vamos lutar por políticas públicas para prevenção da gravidez precoce ou indesejada mas também para que a legislação sobre o aborto avance para garantir nosso direito a saúde, a vida e à dignidade como prediz nossa constituição.
Para as leitoras que precisem de orientação quanto a questão do aborto, deixamos os seguintes contatos:

Advogada Dra. Helena Assis

www.assismarchesi.com.br/?lang=en

Escritório em Campinas

Rua Antonio Lapa, 280, 6º andar

CEP 13025-040

Campinas-S

Tel: (029)

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Samba das Minas (Barão Geraldo, Campinas) no encerramento do 5º Festival em 2014.

Desde 2010 a Flaskô realiza anualmente o Festival Fábrica de Cultura e a cada ano o evento vem crescendo em qualidade e público. O 5º e último festival foi uma grande festa com artistas e coletivos tanto da região quanto de outras cidades e estados. E o público ainda mais diversificado.

As inscrições de propostas estão abertas até o dia 31 de março para este 6º Festival Flaskô Fábrica de Cultura.
As modalidades são: 1) apresentação musical; 2) apresentação teatral ou de dança; 3) apresentação audiovisual; 4) exposição de trabalho artístico; e 5) oficina relacionada a artes e cultura.
Vários artistas e grupos já estão se dispondo a participar, mas ainda cabe muita gente neste caldeirão e esperamos receber muitas propostas.
As inscrições devem ser enviadas para O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. e O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. , contendo:
a) Modalidade de proposta (1, 2, 3, 4 ou 5)
b) Cidade de origem do artista ou grupo
c) Breve apresentação da proposta incluindo temas abordados e tempo de duração
d) Vídeo e/ou fotos de anteriores trabalhos do artista ou grupo
e) Estruturas básicas necessárias para realização no local (som, iluminação, etc.)
f) Orçamento de transporte necessário (frete, combustível, pedágios, etc.)
g) Alimentação e estadia serão necessárias e para quantas pessoas?
h) Contatos (telefones, mails, sites, etc.)

Por que mais um Festival?
Mais uma vez a Flaskô sob controle dos trabalhadores realizará o Festival Fábrica de Cultura.
Será em agosto de 2015, três dias em que a fábrica ocupada estará de portas abertas à comunidade com música, teatro, cinema, dança, debates, exposições e oficinas que ocorrerão no próprio espaço da fábrica. Nesta sexta edição, como nas anteriores, o festival será autofinanciado, com todas as suas apresentações gratuitas. Isto graças à contribuição de apoiadores da luta da Flaskô e também porque sempre contamos com a parceria e apresentação de grupos militantes da arte e cultura públicos, sem fins lucrativos. E que portanto, se apresentam em nossos festivais como forma de contribuir para nossa luta e por compartilharem dela de alguma forma.
O principal objetivo deste festival, como nas cinco edições anteriores é o de oferecer opções de lazer e cultura à comunidade de Sumaré, Campinas e região, com base na arte em suas diferentes modalidades. E ao mesmo tempo, criar novas e aprofundar as já existentes parcerias de luta com a população sumareense e grupos artístico-culturais e militantes de diversas cidades e regiões. O coletivo de trabalhadores da Flaskô, nestes quase 12 anos de resistência e luta na defesa de seus postos de trabalho sempre estiveram e seguem abertos para a troca de experiências e este 6º Festival Fábrica de Cultura será mais um importante momento de convivência e compartilhamento de ideias e experiências. Mais uma vez esperamos por vocês em agosto!!!

Vejam site http://www.festivalflasko.org.br/

 

mtst

Na manhã desta segunda-feira, 12 de janeiro, as mais de 1000 famílias da ocupação Zumbi dos Palmares em São Gonçalo (RJ) ocupam a prefeitura municipal.

São lutadores e lutadoras que resistiram em uma ocupação urbana em 2014 e conquistaram a garantia da construção de 1000 unidades habitacionais através de políticas públicas de habitação, afirmada a partir de um termo de compromisso, assinado pelo Governo Federal, pela Prefeitura de São Gonçalo e pelo MTST.

Na ato da assinatura, ficou agendada uma reunião entre a comissão de negociação do MTST e os secretários de Habitação, Planejamento e de Governo. Sem nenhuma justificativa plausível, a prefeitura adiou a reunião.

O movimento compreende este adiamento como um preocupante sinal quanto ao cumprimento integral do acordo. O poder público se comprometeu a indicar opções de terrenos para viabilizar a construção das moradias.

O Zumbi não aceitará nenhuma enrolação! Exigimos uma reunião e encaminhamentos concretos!

Local: Prefeitura de São Gonçalo (Rua Feliciano Sodré, 100 - Centro, São Gonçalo)
Horário: 9h

MTST! A LUTA É PRA VALER!
Guilherme - 21 976710355 / 987937930
Henrique – 21 986716929

flasko

Companheiro(a)s de luta,
A dinâmica da luta de classes em nível internacional e nacional demonstra uma nova situação política, de enfrentamentos mais diretos entre capitalistas e trabalhadores, com medidas de austeridade fiscal. Por isso, a conjuntura exige de todos nós reflexões para fortalecer nossas reivindicações, nas ruas e nas lutas, tanto como resistência contra perdas de direitos historicamente conquistados, como quanto à necessidade em avançar na construção de uma verdadeira sociedade justa, livre e solidária – o socialismo. É assim que os trabalhadores da Flaskô encerram suas atividades neste ano de 2014 e traçamos as perspectivas de 2015. Desde junho de 2013, no Brasil, o quadro de lutas mostra um acirramento com a burguesia, e deveremos estar preparados, unificando nossas pautas e bandeiras.
O ano de 2014 da Fábrica Ocupada Flaskô foi marcado por grandes lutas. Enfrentamos as pressões do mercado capitalista, as dificuldades com matéria-prima, manutenção das máquinas e de crédito. Enfrentamos os ataques organizados pelos patrões por meio do judiciário, enfrentamos a CPFL e os governos. Neste ano, passamos por mais 12 leilões de máquinas, tivemos mais penhoras de faturamento e mais processos contra os trabalhadores. Passamos rebuliços internos, grandes desgastes, mas muitos aprendizados.
Por outro lado, tivemos importantes conquistas na produção, conquistando novos clientes, recuperamos máquinas, além de fortalecer a democracia operária. Avançamos com os projetos de lei em Brasília, com uma ótima campanha de assinaturas pela Audiência Pública, e conquistamos um novo paradigma: a construção de um Grupo de Trabalho formal do governo federal para a adjudicação, por interesse social, de toda a propriedade da fábrica. A Fazenda Nacional, pela primeira vez em 12 anos, reconheceu formalmente que suas medidas são indevidas e que devem optar por uma das soluções apresentadas pelos trabalhadores da Flaskô, e, com isso, criar uma nova perspectiva de luta para o conjunto do movimento operário, como discutimos no seminário de empresas recuperadas que participamos em novembro, bem como no encontro internacional realizado na Argentina.
Na Vila Operária, depois de muita luta e absurdos jurídicos, tivemos que assinar um TAC com o Ministério Público, onde, ao menos, conquistamos a realocação para os apartamentos do MCMV, garantindo o direito à moradia. A área demarcada como Zona Especial de Interesse Social está inserida no projeto Cidade Legal, do governo estadual, e continuaremos cobrando todos os passos que levem a regularização urbanística e fundiária.
Com o projeto da Fábrica de Cultura, realizamos mais um Festival, com diversas atividades musicais, peças teatrais, debates e oficinas. Fortalecemos o EJA (educação de jovens e adultos) e a ciranda com as crianças.
No barracão de "baixo", iniciamos uma parceria promissora com a Cooperativa Planeta Terra, com apoio da ITCP Unicamp e com o termo de cooperação técnica assinado com o Movimento Nacional de Catadores de Resíduos Sólidos, estamos avançando não somente para um uso social do espaço e geração de emprego e renda para dezenas de trabalhadores, como promover a reciclagem e a coleta seletiva do lixo em nossa região.
No ano de Copa do mundo no Brasil, evidenciaram-se repletas contradições, entre a paixão pelo futebol e a revolta contra os mandamentos da Fifa, os privilégios aos capitalistas e às contas nas costas dos trabalhadores. Fizemos uma camisa "da seleção brasileira" da Flaskô, mas com uma faixa em preto pelo luto dos trabalhadores mortos na Copa, e em vermelho, pelo sangue histórico da classe trabalhadora que corre diariamente no capitalismo, com o nº 11 (11 anos) nas costas. Fizemos, no dia 12 de junho, uma emocionante atividade de comemoração-denúncia, minutos antes do Brasil entrar em campo... para depois tomarmos de sete da Alemanha nos dias seguintes.
Tivemos eleições para deputados, senadores, governador e presidente. O quadro deformado do terreno eleitoral mostrou ainda mais as contradições de nossos tempos, onde, ao mesmo tempo em que lamentamos a perda do mandato do Suplicy, temos Bolsonaro´s da vida nas ruas falando abertamente o que quiserem, ao mesmo tempo em que Dilma já anuncia ministros vinculados a setores historicamente agressivos com os trabalhadores, mostrando o cenário sombrio que teremos mais adiante.
Passamos um sofrimento tremendo com o falecimento de dois grandes companheiros trabalhadores. Seu Ari e Luiz Caverna nos deixaram fisicamente, mas estarão permanentemente em nossos corações e mentes, registrados com suas vidas na história da Flaskô. A dramaticidade que vivenciamos somente reforçou nossa consciência coletiva de buscar uma melhor saúde no trabalho, nos alimentando devidamente, fazendo exercícios e ouvindo médicos e especialistas, a garantia da solidariedade e o bom convívio entre todos nós.
Assim, concluímos que 2014 foi um ano repleto de emoções. Positivas e negativas. De vitórias e derrotas. Mas a luta continua e devemos seguir adiante, de cabeça erguida, para enfrentar 2015.
Para tanto, contamos com a presença de todos para que possamos discutir coletivamente os projetos que envolvem o complexo da Flaskô, envolvendo a fábrica e sua produção de tambores plásticos, mas também reciclagem plástica, cooperativas de catadores. Para que possamos a articulação com a luta pela moradia e pelo acesso à cultura, educação e lazer, fortalecendo a luta pela adjudicação por interesse social, conforme discutiremos no grupo de trabalho criado pelo governo federal.


Dia 31 de janeiro de 2015, sábado, às 9h30 na sede da Flaskô!

Venha conhecer um pouco mais de nossa luta e dos desafios que estão colocados. O potencial é tremendo, e as perspectivas da conjuntura nos indicam um ano de grandes lutas.


Como forma de fortalecer a unidade das lutas sociais, fizemos um grande esforço para retomar o Jornal Atenção, construindo-se coletivamente a partir das demandas das organizações e movimentos sociais, dialogando com a população de toda a região. Neste dia 31 de janeiro faremos uma assembleia do Jornal, discutindo a pauta da próxima edição de fevereiro.

Segue o Editorial do Jornal Atenção edição 19, dezembro/2014 e janeiro/2015.

"Editorial do Jornal Atenção – edição 19 – dezembro/2014 a janeiro/2015
Desde a última edição do Jornal Atenção em abril de 2013 muita coisa aconteceu. Tivemos neste meio tempo grandes manifestações em junho do ano passado, uma Copa do Mundo em solo brasileiro, eleições presidenciais, dentre outras coisas. Neste tempo também, a luta da Fábrica Ocupada Flaskô continua rumo aos seus 12 anos de ocupação sob controle operário. Para, além disso, as lutas de demais movimentos sociais continuam acontecendo e as contradições de classe veem sendo expostas frente a frente ao espírito de luta de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil e no mundo.
Diante disso, resolvemos retomar uma experiência que sempre teve grande importância em nossa militância cotidiana: o Jornal Atenção. Com o caráter de colocar em pauta aquilo que não está nos jornais da grande mídia, fazendo um contra-ponto nas informações e discussões que realmente interessam para a classe trabalhadora, queremos fazer deste jornal, mais uma vez, uma ferramenta de luta.
Contamos para isso com o apoio e colaboração de todos e todas que queiram contribuir na construção desse jornal, seja enviando matérias, fotos, charges e ilustrações, que queiram distribuir o Jornal Atenção em seu bairro ou comunidade."


Continuamos juntos e juntos seguiremos em mais essa empreitada, celebrando as batalhas e vitórias de nossa classe trabalhadora!!!

Um Feliz 2015 a todas as companheiras e todos os companheiros!!!!

Muitas alegrias, lutas e vitórias!!!

Entre em contato: www.fabricasocupadas.org.br – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. – 19-3864-2624

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Nos dias 11 a 13 de dezembro de 2014, uma grande comissão de trabalhadores representou a Fábrica Ocupada Flaskô no seminário de Empresas Recuperadas por Trabalhadores (ERTs), organizado pelo GPERT (Grupo de Pesquisa de Empresas Recuperadas por Trabalhadores) na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo/SP.
Inicialmente, o GPERT apresentou importante pesquisa realizada que mapeou 67 empresas que passaram por algum processo de falência ou fechamento, e que, num processo de luta, adotando diferentes formas jurídicas, retomou a produção da fábrica sob controle dos trabalhadores. A pesquisa é riquíssima e aponta grande diversidade de casos, com dezenas de particularidades e especificidades. No entanto, também indica que esse processo, chamado por estes pesquisadores "de empresas recuperadas por trabalhadores", possui similaridades e sugerem a necessidade de maior unidade e conhecimento entre os trabalhadores que assumem estas lutas, adotando, inclusive, perspectivas de luta e reivindicações como as existentes nos casos da Argentina e Uruguai, que estiveram com representações no seminário.
Nesse sentido, de grande valia foi a presença dos companheiros da Argentina e Uruguai, que explicaram os processos de luta em seus países e como vem se dando a luta com os governos e a burguesia local, bem como, em especial, como avançou-se para uma perspectiva de luta pela nacionalização sob controle operário, logrando, como na Zanon e na Chilavert, a expropriação da fábrica em favor dos trabalhadores.
Da mesma forma, foi importante a apresentação da proposta de uma Rede destas ERTs, numa parceria que está sendo realizada pela CUT e pela SENAES (Secretaria Nacional de Economia Solidária). Ademais, também foi importante a presença do BNDES para ouvir os pleitos dos trabalhadores, apontando todas as dificuldades burocráticas existentes para conseguir financiamento.
De toda maneira, durante três dias, trabalhadores de diferentes experiências relataram suas vivências, suas conquistas e suas dificuldades. Foi interessante discutir com dezenas de trabalhadores de várias fábricas, além de representantes de diversas organizações, como a UNISOL e ANTEAG, que desde 2002 apontamos diferentes caminhos a serem trilhados a partir do fechamento de uma fábrica. No segundo dia, a dinâmica foi realizada por meio da divisão em 5 grupos temáticos: organização de trabalho e relações de produção; relações de trabalho e relações jurídicas; financiamento e crédito; redes, comercialização e cadeias produtivas; tecnologia, formação e inovação. A comissão da Flaskô se dividiu e conseguiu contribuir decisivamente em cada um dos grupos, a partir da rica experiência existente. Ao mesmo tempo, pudemos aprender bastante com a diversidade de diferentes casos, pensando como cada situação poderia ser favorável ou não à dinâmica da Flaskô, mas como alternativa real para o conjunto da classe trabalhadora.

A importância da "particularidade" da Flaskô para o conjunto do Seminário
O seminário foi muito importante porque conseguimos apresentar nossas pautas de forma bastante clara e tranquila, fazendo um histórico do Movimento das Fábricas Ocupadas e os embates sobre os caminhos a trilhar desde a eleição do primeiro mandato do governo Lula, momento onde se construía a própria Secretaria Nacional de Economia Solidária. Nesse instante, nos posicionamos pela estatização sob controle operário, apresentando as dezenas de conquistas sociais realizamos em 12 anos de luta, como a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, de 44 para 30 horas, gerando novos postos de trabalho, garantindo um novo ritmo de trabalho e o pagamento de todos os direitos historicamente conquistados pela classe trabalhadora.
Da mesma forma, pontuamos as três diferentes formas que se expressam a estatização: a) pela compensação tributária, via o próprio estudo do BNDES, que foi lido no microfone para todos, inclusive aos membros do BNDES, ressaltando ainda que ele atua em prol do grande capital, e não para os trabalhadores; b) desapropriação por interesse social, mostrando a possibilidade direta do poder executivo realizá-la, bem como apresentamos os projetos de lei existentes no Senado. Um (PLS nº 257/12) discute a desapropriação da Flaskô, envolvendo a fábrica, a vila operária e fábrica de cultura e esporte. Outro (PLS nº 469/12) permite que qualquer fábrica que for ocupada pelos trabalhadores possa ser desapropriada; c) adjudicação por interesse social, sendo que neste caso, nos dedicamos mais tempo a discutir com o conjunto dos trabalhadores presentes, pesquisados e representantes do governo, explicando a existência atualmente de um Grupo de Trabalho vinculado à SENAES e à Secretaria-Geral da Presidência, para discutir esta possibilidade não somente para a Flaskô, mas para casos onde a grande credora seja a própria União.
Ao apontarmos as relações com os demais movimentos sociais, com a comunidade local/regional e com medidas conjuntas sob uma perspectiva de classe, a Flaskô conseguiu demonstrar, de forma privilegiada, como essa experiência é fundamental para construir um novo modelo de sociedade, sem patrões e exploração. Os companheiros internacionais, a todo momento, faziam referência à luta da Flaskô, aos encontros da Venezuela e na Cipla, em Joinville/SC, demonstrando a importância política do Movimento das Fábricas Ocupadas, justamente por provocar contradições profundas aos empresários. Não à toa, como falamos ao usar os espaços de intervenção, o Juiz determinou o fechamento das fábricas Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, pilares do Movimento das Fábricas Ocupadas, concluindo descaradamente de que o temor era de classe. Disse o Juiz na sentença: "Imagina se a moda pega?"
Explicamos, todavia, que esta articulação somente usou o poder judiciário. Tratava-se de uma decisão política, e que, infelizmente, o processo era do INSS, com Luiz Marinho e Lula à frente de tal afronta. Apresentamos como hoje os companheiros trabalhadores destas fábricas estão sendo condenados politicamente por apropriação indébita previdenciária e até mesmo por formação de quadrilha. Por isso, deveríamos prestar nossa solidariedade, mostrando que os trabalhadores não podem ser responsabilizados pelos crimes dos patrões, e que devemos apoiar projeto de lei (nº 7951/2014) que anistia todos os processados políticos desde a Constituição de 1988.

Flexibilidade tática e firmeza nos princípios: diálogos para construção
Assim, mesmo que de forma tranquila, pontuamos nossas diferenças com a UNISOL e ANTEAG, quanto às contradições trazidas pela lógica do cooperativismo, em especial no que se refere ao processo de ocupação (melhor do que o termo "recuperação) das indústrias, tendo em vista que em inúmeros casos mencionados durante o próprio encontro e na pesquisa do GPERT, verificou-se a existência de sócios-cooperados e contratados, reproduzindo uma série de problemas e que geram distanciamentos óbvios de uma perspectiva de emancipação da classe trabalhadora. De forma fraterna, discutimos com o conjunto dos trabalhadores presentes, inclusive alguns muitos empolgados e entusiasmados com nossas intervenções, criando importantes laços de solidariedade, demonstrando o potencial que se pode desenvolver a partir das lutas das ERTs no sentido de manter os trabalhadores organizados sob uma perspectiva de classe, mostrando a inutilidade dos patrões, reforçando a capacidade de luta dos operários e suas formas históricas de democracia, com assembleias e conselhos, bem como ainda, apontando as contradições do Estado sob a ordem burguesa, lutando pela expropriação dos meios de produção e contribuindo para o acúmulo de forças na construção do socialismo.
Dessa forma, após nossa importante presença no seminário, discutindo-se a necessidade de pensar diferentes soluções para diferentes realidades, conhecendo melhor as experiências internacionais, especialmente às Argentinas, o próprio Secretário-Executivo da SENAES, em sua exposição questiona: "Passados 12 anos destas experiências, ouvindo as dificuldades, conquistas e contradições de todos vocês, devemos refletir se efetivamente a cooperativa é a melhor forma jurídica para as empresas recuperadas pelos trabalhadores".
Bom, todos imaginam a repercussão desta assertiva vindo do principal responsável por organizar as políticas públicas dentro do Ministério do Trabalho e Emprego, após o Paul Singer. O impacto foi muito interessante, especialmente porque articulada com falas representativas de vários trabalhadores e dos próprios pesquisadores do GPERT, que instigaram todos a refletir sobre os desafios das ERTs no próximo período.

Próximos passos
No encerramento foi aprovada uma carta final, fazendo referência, inclusive, de apoio ao Grupo de Trabalho para Adjudicação da Flaskô, pensando-o como uma pauta política mais ampla do conjunto das lutas das ERTs, bem como discutimos de fazer uma apresentação da pesquisa do GPERT na própria Flaskô, ampliando o acesso a essa importante pesquisa, além de ajudar o conjunto do movimento operário a analisar o que fazer concretamente diante do fechamentos das fábricas.
Portanto, entendemos que a intervenção da Flaskô no seminário de ERTs foi importantíssima, e saímos muito empolgados com os desafios que exigem destas diferentes experiências, pautas unificadas, ações conjuntas e diálogo, desmistificando nossa perspectiva de luta da estatização sob controle operário, inclusive, angariando inúmeros apoios, objetivando fortalecer a solidariedade entre as mesmas, bem como se preparar para apoiar e ajudar a construção de novas experiências de fábricas sob controle operário.
Continuaremos com nossos debates sobre autogestão, cooperativismo e a luta pela estatização sob controle operário. Temos nossas diferenças e precisamos reconhecê-las para compreender como atuarmos. Há diferentes formas jurídicas, mas o fundamental é o conteúdo político, e aí não titubeamos, conclamando o que afirmamos em todos nossos encontros internacionais e repetimos pelo ex-presidente Hugo Chávez, em um deles, realizado na Venezuela: "Fábrica Quebrada, é Fábrica Ocupada; e Fábrica Ocupada deve ser nacionalizada/estatizada sob controle dos trabalhadores".

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Trabalhadores da Flaskô estiveram presentes na cidade de Bauru (SP), para conhecer melhor a realidade de duas fábricas, a Ajax e a Sukest.

Os representantes da Flaskô participaram de uma reunião contando com a presença do Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Bauru e com um representante da comissão de trabalhadores da empresa Ajax, além do mandato do vereador Roque Ferreira (Esquerda Marxista).

Primeiramente, ouvimos atentamente o histórico recente da fábrica Ajax, as manobras patronais e os ataques aos trabalhadores. Mais uma vez se repete a história de tentar fazer com que os trabalhadores "paguem a conta". Direitos trabalhistas não pagos, impostos sonegados, desvios financeiros para outras empresas, as histórias sempre são bastante similares com o que ocorreu na Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, na Flaskô, em Sumaré/SP, Flakepet, em Itapevi/SP, Ellen Metal, em Caieiras/SP, fábricas propulsoras do Movimento das Fábricas Ocupadas, movimento impulsionado pela Esquerda Marxista a partir de 2002 na luta pela estatização sob controle operário. Por conta da lógica do capital, da situação econômica, das decisões da burguesia, os patrões se preparam para fechar as fábricas, não se preocupando com as consequências sociais de milhares de demissões.

Após a apresentação das informações, discutimos possíveis caminhos a seguir, objetivamos garantir a defesa dos postos de trabalho, a continuidade da atividade industrial e pagamento dos direitos trabalhistas. Apresentamos o histórico do Movimento das Fábricas Ocupadas, narrando a tática de ocupação das fábricas para manter os postos de trabalho ameaçados. Trata-se de uma primeira conversa, mas que ajudou a compreendermos melhor o quadro concreto, com as particularidades existentes. Ao mesmo tempo, reforçamos a solidariedade e aprovamos alguns importantes encaminhamentos: uma visita na Fábrica Ocupada Flaskô, relatórios e mapeamentos das situações jurídicas, além de uma Audiência Pública na Câmara de Vereadores, por meio do mandato de Roque Ferreira, com o objetivo de mostrar o impacto social de eventual fechamento das empresas.

Após a conversa, fomos até as fábricas para conversar com os trabalhadores. Constatamos, primeiramente, uma importante disposição de luta para defender os postos de trabalho. Vimos, uma vez mais, a expressão nos olhos de insegurança, angústia, frustração, revolta, indignação, que podem se transformar em uma ação concreta e organizada para garantir a dignidade da classe trabalhadora contra o desemprego. Vimos também que ambas possuem uma estrutura grande, complexa, moderna, com enorme potencial de produção.

O caso Ajax

Histórica fábrica de baterias, a Ajax existe há mais de 50 anos. A primeira paralisação da empresa, nesse ano, ocorreu no mês de Junho, quando ela demitiu 340 trabalhadores sem dar uma posição concreta sobre o pagamento dos direitos trabalhistas e, ainda, não efetuando o depósito do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço nem o repasse dos valores descontados referente à previdência social de trabalhadores que possuem de 5 a 10 anos de tempo de serviço.

No ano de 2013, a fábrica entrou em recuperação judicial, sendo essa a justificativa por parte da empresa para realizar as demissões, antes a fábrica possuía 1400 trabalhadores em quatro turnos.

Para complicar a situação econômica da Ajax, a conta de energia da CPFL do mês de Agosto/2014, que estava no valor de R$ 474 mil, passou para R$ 1,8 milhão em Setembro. Pelo fato da fábrica estar em recuperação Judicial, a CPFL não aceita o valor anterior da conta, pois conforme as regras da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o valor a ser cobrado é o valor do mercado cativo, sendo desligada do mercado livre, que permite a compra de energia a preços mais baixos.

Um corte de energia foi realizado no dia 09/12 e a empresa conseguiu uma liminar para religar a energia, que foi restabelecida dia 11/12, porém, os trabalhadores continuam demitidos e os que ainda integram o quadro funcional da empresa estão incertos quanto ao destino de seus postos de trabalho, o pagamento dos salários e o 13º em atraso.

O caso Sukest

Na Sukest empresa do ramo alimentício que fabrica sucos e chicletes, os primeiros problemas financeiros aconteceram no ano de 2012, quando os salários começaram a atrasar e houve a interrupção do depósito do FGTS. Em 2013, a empresa foi autuada pelo Ministério Público do Trabalho por não realizar o recolhimento previdenciário.

Segundo o sindicato da categoria, a fábrica é economicamente viável e tem patrimônio para o pagamento dos salários, mas a direção da empresa não negocia com os trabalhadores, ela entrou em decadência administrativa com a má gestão do filho que assumiu a administração após o falecimento do pai, Moussa Tobias.

Um dos erros de administração foi investir em produtos mais caros que não encontraram aceitação no mercado. Os 161 trabalhadores que integram o quadro da empresa estão em greve e não há previsão para que voltem ao trabalho até que sejam realizados os pagamentos dos salários que estão dois meses em atraso.

Assim como na Ajax, os trabalhadores da Sukest pressionam o patrão para pagar os direitos e não aceitam o fechamento da fábrica.

O significado e o caminho dessas lutas

É preciso contextualizar que este dois casos ocorrem junto com o aprofundamento da crise do capitalismo no Brasil, que traz o aumento do desemprego em diferentes setores e em diferentes regiões do país.

Não devemos esquecer também que o governo de Dilma, reeleito com o voto de jovens e trabalhadores para barrar a vitória de Aécio Neves, do PSDB, utilizou em diferentes momentos de sua propaganda eleitoral o discurso de defesa de empregos e direitos para se diferenciar do adversário. Estas fábricas que demitem, não pagam os direitos trabalhistas e impostos, devem ser estatizadas com a garantia de todos os postos de trabalho. Essa é a responsabilidade do governo. As fábricas são viáveis economicamente e a estatização sob controle operário garantiria, além dos empregos, a propriedade pública das empresas para seu uso em benefício das necessidades da sociedade.

Os trabalhadores devem buscar as melhores táticas nessa luta. Por isso, foi apresentado o exemplo das fábricas ocupadas, em especial da Flaskô, que permanece ocupada e produzindo. Sob o controle dos trabalhadores, apesar dos ataques do mercado e dos governos, a Flaskô segue resistindo e lutando pela estatização, baseando-se na democracia operária, com assembleias e eleição de um conselho de fábrica, evidenciando dessa forma a inutilidade dos patrões em uma fábrica e em toda a sociedade.

Vamos continuar acompanhando a luta dos trabalhadores da Ajax e da Sukest mantendo nossa pauta de luta.

Pelo direito ao trabalho! Contra as demissões! Contra a ameaça de fechamento da AJAX e da SUKEST! Todo apoio à luta dos trabalhadores da AJAX e da SUKEST!