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mtst

Na manhã desta segunda-feira, 12 de janeiro, as mais de 1000 famílias da ocupação Zumbi dos Palmares em São Gonçalo (RJ) ocupam a prefeitura municipal.

São lutadores e lutadoras que resistiram em uma ocupação urbana em 2014 e conquistaram a garantia da construção de 1000 unidades habitacionais através de políticas públicas de habitação, afirmada a partir de um termo de compromisso, assinado pelo Governo Federal, pela Prefeitura de São Gonçalo e pelo MTST.

Na ato da assinatura, ficou agendada uma reunião entre a comissão de negociação do MTST e os secretários de Habitação, Planejamento e de Governo. Sem nenhuma justificativa plausível, a prefeitura adiou a reunião.

O movimento compreende este adiamento como um preocupante sinal quanto ao cumprimento integral do acordo. O poder público se comprometeu a indicar opções de terrenos para viabilizar a construção das moradias.

O Zumbi não aceitará nenhuma enrolação! Exigimos uma reunião e encaminhamentos concretos!

Local: Prefeitura de São Gonçalo (Rua Feliciano Sodré, 100 - Centro, São Gonçalo)
Horário: 9h

MTST! A LUTA É PRA VALER!
Guilherme - 21 976710355 / 987937930
Henrique – 21 986716929

flasko

Companheiro(a)s de luta,
A dinâmica da luta de classes em nível internacional e nacional demonstra uma nova situação política, de enfrentamentos mais diretos entre capitalistas e trabalhadores, com medidas de austeridade fiscal. Por isso, a conjuntura exige de todos nós reflexões para fortalecer nossas reivindicações, nas ruas e nas lutas, tanto como resistência contra perdas de direitos historicamente conquistados, como quanto à necessidade em avançar na construção de uma verdadeira sociedade justa, livre e solidária – o socialismo. É assim que os trabalhadores da Flaskô encerram suas atividades neste ano de 2014 e traçamos as perspectivas de 2015. Desde junho de 2013, no Brasil, o quadro de lutas mostra um acirramento com a burguesia, e deveremos estar preparados, unificando nossas pautas e bandeiras.
O ano de 2014 da Fábrica Ocupada Flaskô foi marcado por grandes lutas. Enfrentamos as pressões do mercado capitalista, as dificuldades com matéria-prima, manutenção das máquinas e de crédito. Enfrentamos os ataques organizados pelos patrões por meio do judiciário, enfrentamos a CPFL e os governos. Neste ano, passamos por mais 12 leilões de máquinas, tivemos mais penhoras de faturamento e mais processos contra os trabalhadores. Passamos rebuliços internos, grandes desgastes, mas muitos aprendizados.
Por outro lado, tivemos importantes conquistas na produção, conquistando novos clientes, recuperamos máquinas, além de fortalecer a democracia operária. Avançamos com os projetos de lei em Brasília, com uma ótima campanha de assinaturas pela Audiência Pública, e conquistamos um novo paradigma: a construção de um Grupo de Trabalho formal do governo federal para a adjudicação, por interesse social, de toda a propriedade da fábrica. A Fazenda Nacional, pela primeira vez em 12 anos, reconheceu formalmente que suas medidas são indevidas e que devem optar por uma das soluções apresentadas pelos trabalhadores da Flaskô, e, com isso, criar uma nova perspectiva de luta para o conjunto do movimento operário, como discutimos no seminário de empresas recuperadas que participamos em novembro, bem como no encontro internacional realizado na Argentina.
Na Vila Operária, depois de muita luta e absurdos jurídicos, tivemos que assinar um TAC com o Ministério Público, onde, ao menos, conquistamos a realocação para os apartamentos do MCMV, garantindo o direito à moradia. A área demarcada como Zona Especial de Interesse Social está inserida no projeto Cidade Legal, do governo estadual, e continuaremos cobrando todos os passos que levem a regularização urbanística e fundiária.
Com o projeto da Fábrica de Cultura, realizamos mais um Festival, com diversas atividades musicais, peças teatrais, debates e oficinas. Fortalecemos o EJA (educação de jovens e adultos) e a ciranda com as crianças.
No barracão de "baixo", iniciamos uma parceria promissora com a Cooperativa Planeta Terra, com apoio da ITCP Unicamp e com o termo de cooperação técnica assinado com o Movimento Nacional de Catadores de Resíduos Sólidos, estamos avançando não somente para um uso social do espaço e geração de emprego e renda para dezenas de trabalhadores, como promover a reciclagem e a coleta seletiva do lixo em nossa região.
No ano de Copa do mundo no Brasil, evidenciaram-se repletas contradições, entre a paixão pelo futebol e a revolta contra os mandamentos da Fifa, os privilégios aos capitalistas e às contas nas costas dos trabalhadores. Fizemos uma camisa "da seleção brasileira" da Flaskô, mas com uma faixa em preto pelo luto dos trabalhadores mortos na Copa, e em vermelho, pelo sangue histórico da classe trabalhadora que corre diariamente no capitalismo, com o nº 11 (11 anos) nas costas. Fizemos, no dia 12 de junho, uma emocionante atividade de comemoração-denúncia, minutos antes do Brasil entrar em campo... para depois tomarmos de sete da Alemanha nos dias seguintes.
Tivemos eleições para deputados, senadores, governador e presidente. O quadro deformado do terreno eleitoral mostrou ainda mais as contradições de nossos tempos, onde, ao mesmo tempo em que lamentamos a perda do mandato do Suplicy, temos Bolsonaro´s da vida nas ruas falando abertamente o que quiserem, ao mesmo tempo em que Dilma já anuncia ministros vinculados a setores historicamente agressivos com os trabalhadores, mostrando o cenário sombrio que teremos mais adiante.
Passamos um sofrimento tremendo com o falecimento de dois grandes companheiros trabalhadores. Seu Ari e Luiz Caverna nos deixaram fisicamente, mas estarão permanentemente em nossos corações e mentes, registrados com suas vidas na história da Flaskô. A dramaticidade que vivenciamos somente reforçou nossa consciência coletiva de buscar uma melhor saúde no trabalho, nos alimentando devidamente, fazendo exercícios e ouvindo médicos e especialistas, a garantia da solidariedade e o bom convívio entre todos nós.
Assim, concluímos que 2014 foi um ano repleto de emoções. Positivas e negativas. De vitórias e derrotas. Mas a luta continua e devemos seguir adiante, de cabeça erguida, para enfrentar 2015.
Para tanto, contamos com a presença de todos para que possamos discutir coletivamente os projetos que envolvem o complexo da Flaskô, envolvendo a fábrica e sua produção de tambores plásticos, mas também reciclagem plástica, cooperativas de catadores. Para que possamos a articulação com a luta pela moradia e pelo acesso à cultura, educação e lazer, fortalecendo a luta pela adjudicação por interesse social, conforme discutiremos no grupo de trabalho criado pelo governo federal.


Dia 31 de janeiro de 2015, sábado, às 9h30 na sede da Flaskô!

Venha conhecer um pouco mais de nossa luta e dos desafios que estão colocados. O potencial é tremendo, e as perspectivas da conjuntura nos indicam um ano de grandes lutas.


Como forma de fortalecer a unidade das lutas sociais, fizemos um grande esforço para retomar o Jornal Atenção, construindo-se coletivamente a partir das demandas das organizações e movimentos sociais, dialogando com a população de toda a região. Neste dia 31 de janeiro faremos uma assembleia do Jornal, discutindo a pauta da próxima edição de fevereiro.

Segue o Editorial do Jornal Atenção edição 19, dezembro/2014 e janeiro/2015.

"Editorial do Jornal Atenção – edição 19 – dezembro/2014 a janeiro/2015
Desde a última edição do Jornal Atenção em abril de 2013 muita coisa aconteceu. Tivemos neste meio tempo grandes manifestações em junho do ano passado, uma Copa do Mundo em solo brasileiro, eleições presidenciais, dentre outras coisas. Neste tempo também, a luta da Fábrica Ocupada Flaskô continua rumo aos seus 12 anos de ocupação sob controle operário. Para, além disso, as lutas de demais movimentos sociais continuam acontecendo e as contradições de classe veem sendo expostas frente a frente ao espírito de luta de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil e no mundo.
Diante disso, resolvemos retomar uma experiência que sempre teve grande importância em nossa militância cotidiana: o Jornal Atenção. Com o caráter de colocar em pauta aquilo que não está nos jornais da grande mídia, fazendo um contra-ponto nas informações e discussões que realmente interessam para a classe trabalhadora, queremos fazer deste jornal, mais uma vez, uma ferramenta de luta.
Contamos para isso com o apoio e colaboração de todos e todas que queiram contribuir na construção desse jornal, seja enviando matérias, fotos, charges e ilustrações, que queiram distribuir o Jornal Atenção em seu bairro ou comunidade."


Continuamos juntos e juntos seguiremos em mais essa empreitada, celebrando as batalhas e vitórias de nossa classe trabalhadora!!!

Um Feliz 2015 a todas as companheiras e todos os companheiros!!!!

Muitas alegrias, lutas e vitórias!!!

Entre em contato: www.fabricasocupadas.org.br – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. – 19-3864-2624

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Nos dias 11 a 13 de dezembro de 2014, uma grande comissão de trabalhadores representou a Fábrica Ocupada Flaskô no seminário de Empresas Recuperadas por Trabalhadores (ERTs), organizado pelo GPERT (Grupo de Pesquisa de Empresas Recuperadas por Trabalhadores) na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo/SP.
Inicialmente, o GPERT apresentou importante pesquisa realizada que mapeou 67 empresas que passaram por algum processo de falência ou fechamento, e que, num processo de luta, adotando diferentes formas jurídicas, retomou a produção da fábrica sob controle dos trabalhadores. A pesquisa é riquíssima e aponta grande diversidade de casos, com dezenas de particularidades e especificidades. No entanto, também indica que esse processo, chamado por estes pesquisadores "de empresas recuperadas por trabalhadores", possui similaridades e sugerem a necessidade de maior unidade e conhecimento entre os trabalhadores que assumem estas lutas, adotando, inclusive, perspectivas de luta e reivindicações como as existentes nos casos da Argentina e Uruguai, que estiveram com representações no seminário.
Nesse sentido, de grande valia foi a presença dos companheiros da Argentina e Uruguai, que explicaram os processos de luta em seus países e como vem se dando a luta com os governos e a burguesia local, bem como, em especial, como avançou-se para uma perspectiva de luta pela nacionalização sob controle operário, logrando, como na Zanon e na Chilavert, a expropriação da fábrica em favor dos trabalhadores.
Da mesma forma, foi importante a apresentação da proposta de uma Rede destas ERTs, numa parceria que está sendo realizada pela CUT e pela SENAES (Secretaria Nacional de Economia Solidária). Ademais, também foi importante a presença do BNDES para ouvir os pleitos dos trabalhadores, apontando todas as dificuldades burocráticas existentes para conseguir financiamento.
De toda maneira, durante três dias, trabalhadores de diferentes experiências relataram suas vivências, suas conquistas e suas dificuldades. Foi interessante discutir com dezenas de trabalhadores de várias fábricas, além de representantes de diversas organizações, como a UNISOL e ANTEAG, que desde 2002 apontamos diferentes caminhos a serem trilhados a partir do fechamento de uma fábrica. No segundo dia, a dinâmica foi realizada por meio da divisão em 5 grupos temáticos: organização de trabalho e relações de produção; relações de trabalho e relações jurídicas; financiamento e crédito; redes, comercialização e cadeias produtivas; tecnologia, formação e inovação. A comissão da Flaskô se dividiu e conseguiu contribuir decisivamente em cada um dos grupos, a partir da rica experiência existente. Ao mesmo tempo, pudemos aprender bastante com a diversidade de diferentes casos, pensando como cada situação poderia ser favorável ou não à dinâmica da Flaskô, mas como alternativa real para o conjunto da classe trabalhadora.

A importância da "particularidade" da Flaskô para o conjunto do Seminário
O seminário foi muito importante porque conseguimos apresentar nossas pautas de forma bastante clara e tranquila, fazendo um histórico do Movimento das Fábricas Ocupadas e os embates sobre os caminhos a trilhar desde a eleição do primeiro mandato do governo Lula, momento onde se construía a própria Secretaria Nacional de Economia Solidária. Nesse instante, nos posicionamos pela estatização sob controle operário, apresentando as dezenas de conquistas sociais realizamos em 12 anos de luta, como a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, de 44 para 30 horas, gerando novos postos de trabalho, garantindo um novo ritmo de trabalho e o pagamento de todos os direitos historicamente conquistados pela classe trabalhadora.
Da mesma forma, pontuamos as três diferentes formas que se expressam a estatização: a) pela compensação tributária, via o próprio estudo do BNDES, que foi lido no microfone para todos, inclusive aos membros do BNDES, ressaltando ainda que ele atua em prol do grande capital, e não para os trabalhadores; b) desapropriação por interesse social, mostrando a possibilidade direta do poder executivo realizá-la, bem como apresentamos os projetos de lei existentes no Senado. Um (PLS nº 257/12) discute a desapropriação da Flaskô, envolvendo a fábrica, a vila operária e fábrica de cultura e esporte. Outro (PLS nº 469/12) permite que qualquer fábrica que for ocupada pelos trabalhadores possa ser desapropriada; c) adjudicação por interesse social, sendo que neste caso, nos dedicamos mais tempo a discutir com o conjunto dos trabalhadores presentes, pesquisados e representantes do governo, explicando a existência atualmente de um Grupo de Trabalho vinculado à SENAES e à Secretaria-Geral da Presidência, para discutir esta possibilidade não somente para a Flaskô, mas para casos onde a grande credora seja a própria União.
Ao apontarmos as relações com os demais movimentos sociais, com a comunidade local/regional e com medidas conjuntas sob uma perspectiva de classe, a Flaskô conseguiu demonstrar, de forma privilegiada, como essa experiência é fundamental para construir um novo modelo de sociedade, sem patrões e exploração. Os companheiros internacionais, a todo momento, faziam referência à luta da Flaskô, aos encontros da Venezuela e na Cipla, em Joinville/SC, demonstrando a importância política do Movimento das Fábricas Ocupadas, justamente por provocar contradições profundas aos empresários. Não à toa, como falamos ao usar os espaços de intervenção, o Juiz determinou o fechamento das fábricas Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, pilares do Movimento das Fábricas Ocupadas, concluindo descaradamente de que o temor era de classe. Disse o Juiz na sentença: "Imagina se a moda pega?"
Explicamos, todavia, que esta articulação somente usou o poder judiciário. Tratava-se de uma decisão política, e que, infelizmente, o processo era do INSS, com Luiz Marinho e Lula à frente de tal afronta. Apresentamos como hoje os companheiros trabalhadores destas fábricas estão sendo condenados politicamente por apropriação indébita previdenciária e até mesmo por formação de quadrilha. Por isso, deveríamos prestar nossa solidariedade, mostrando que os trabalhadores não podem ser responsabilizados pelos crimes dos patrões, e que devemos apoiar projeto de lei (nº 7951/2014) que anistia todos os processados políticos desde a Constituição de 1988.

Flexibilidade tática e firmeza nos princípios: diálogos para construção
Assim, mesmo que de forma tranquila, pontuamos nossas diferenças com a UNISOL e ANTEAG, quanto às contradições trazidas pela lógica do cooperativismo, em especial no que se refere ao processo de ocupação (melhor do que o termo "recuperação) das indústrias, tendo em vista que em inúmeros casos mencionados durante o próprio encontro e na pesquisa do GPERT, verificou-se a existência de sócios-cooperados e contratados, reproduzindo uma série de problemas e que geram distanciamentos óbvios de uma perspectiva de emancipação da classe trabalhadora. De forma fraterna, discutimos com o conjunto dos trabalhadores presentes, inclusive alguns muitos empolgados e entusiasmados com nossas intervenções, criando importantes laços de solidariedade, demonstrando o potencial que se pode desenvolver a partir das lutas das ERTs no sentido de manter os trabalhadores organizados sob uma perspectiva de classe, mostrando a inutilidade dos patrões, reforçando a capacidade de luta dos operários e suas formas históricas de democracia, com assembleias e conselhos, bem como ainda, apontando as contradições do Estado sob a ordem burguesa, lutando pela expropriação dos meios de produção e contribuindo para o acúmulo de forças na construção do socialismo.
Dessa forma, após nossa importante presença no seminário, discutindo-se a necessidade de pensar diferentes soluções para diferentes realidades, conhecendo melhor as experiências internacionais, especialmente às Argentinas, o próprio Secretário-Executivo da SENAES, em sua exposição questiona: "Passados 12 anos destas experiências, ouvindo as dificuldades, conquistas e contradições de todos vocês, devemos refletir se efetivamente a cooperativa é a melhor forma jurídica para as empresas recuperadas pelos trabalhadores".
Bom, todos imaginam a repercussão desta assertiva vindo do principal responsável por organizar as políticas públicas dentro do Ministério do Trabalho e Emprego, após o Paul Singer. O impacto foi muito interessante, especialmente porque articulada com falas representativas de vários trabalhadores e dos próprios pesquisadores do GPERT, que instigaram todos a refletir sobre os desafios das ERTs no próximo período.

Próximos passos
No encerramento foi aprovada uma carta final, fazendo referência, inclusive, de apoio ao Grupo de Trabalho para Adjudicação da Flaskô, pensando-o como uma pauta política mais ampla do conjunto das lutas das ERTs, bem como discutimos de fazer uma apresentação da pesquisa do GPERT na própria Flaskô, ampliando o acesso a essa importante pesquisa, além de ajudar o conjunto do movimento operário a analisar o que fazer concretamente diante do fechamentos das fábricas.
Portanto, entendemos que a intervenção da Flaskô no seminário de ERTs foi importantíssima, e saímos muito empolgados com os desafios que exigem destas diferentes experiências, pautas unificadas, ações conjuntas e diálogo, desmistificando nossa perspectiva de luta da estatização sob controle operário, inclusive, angariando inúmeros apoios, objetivando fortalecer a solidariedade entre as mesmas, bem como se preparar para apoiar e ajudar a construção de novas experiências de fábricas sob controle operário.
Continuaremos com nossos debates sobre autogestão, cooperativismo e a luta pela estatização sob controle operário. Temos nossas diferenças e precisamos reconhecê-las para compreender como atuarmos. Há diferentes formas jurídicas, mas o fundamental é o conteúdo político, e aí não titubeamos, conclamando o que afirmamos em todos nossos encontros internacionais e repetimos pelo ex-presidente Hugo Chávez, em um deles, realizado na Venezuela: "Fábrica Quebrada, é Fábrica Ocupada; e Fábrica Ocupada deve ser nacionalizada/estatizada sob controle dos trabalhadores".

ajaxsukest

Trabalhadores da Flaskô estiveram presentes na cidade de Bauru (SP), para conhecer melhor a realidade de duas fábricas, a Ajax e a Sukest.

Os representantes da Flaskô participaram de uma reunião contando com a presença do Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Bauru e com um representante da comissão de trabalhadores da empresa Ajax, além do mandato do vereador Roque Ferreira (Esquerda Marxista).

Primeiramente, ouvimos atentamente o histórico recente da fábrica Ajax, as manobras patronais e os ataques aos trabalhadores. Mais uma vez se repete a história de tentar fazer com que os trabalhadores "paguem a conta". Direitos trabalhistas não pagos, impostos sonegados, desvios financeiros para outras empresas, as histórias sempre são bastante similares com o que ocorreu na Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, na Flaskô, em Sumaré/SP, Flakepet, em Itapevi/SP, Ellen Metal, em Caieiras/SP, fábricas propulsoras do Movimento das Fábricas Ocupadas, movimento impulsionado pela Esquerda Marxista a partir de 2002 na luta pela estatização sob controle operário. Por conta da lógica do capital, da situação econômica, das decisões da burguesia, os patrões se preparam para fechar as fábricas, não se preocupando com as consequências sociais de milhares de demissões.

Após a apresentação das informações, discutimos possíveis caminhos a seguir, objetivamos garantir a defesa dos postos de trabalho, a continuidade da atividade industrial e pagamento dos direitos trabalhistas. Apresentamos o histórico do Movimento das Fábricas Ocupadas, narrando a tática de ocupação das fábricas para manter os postos de trabalho ameaçados. Trata-se de uma primeira conversa, mas que ajudou a compreendermos melhor o quadro concreto, com as particularidades existentes. Ao mesmo tempo, reforçamos a solidariedade e aprovamos alguns importantes encaminhamentos: uma visita na Fábrica Ocupada Flaskô, relatórios e mapeamentos das situações jurídicas, além de uma Audiência Pública na Câmara de Vereadores, por meio do mandato de Roque Ferreira, com o objetivo de mostrar o impacto social de eventual fechamento das empresas.

Após a conversa, fomos até as fábricas para conversar com os trabalhadores. Constatamos, primeiramente, uma importante disposição de luta para defender os postos de trabalho. Vimos, uma vez mais, a expressão nos olhos de insegurança, angústia, frustração, revolta, indignação, que podem se transformar em uma ação concreta e organizada para garantir a dignidade da classe trabalhadora contra o desemprego. Vimos também que ambas possuem uma estrutura grande, complexa, moderna, com enorme potencial de produção.

O caso Ajax

Histórica fábrica de baterias, a Ajax existe há mais de 50 anos. A primeira paralisação da empresa, nesse ano, ocorreu no mês de Junho, quando ela demitiu 340 trabalhadores sem dar uma posição concreta sobre o pagamento dos direitos trabalhistas e, ainda, não efetuando o depósito do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço nem o repasse dos valores descontados referente à previdência social de trabalhadores que possuem de 5 a 10 anos de tempo de serviço.

No ano de 2013, a fábrica entrou em recuperação judicial, sendo essa a justificativa por parte da empresa para realizar as demissões, antes a fábrica possuía 1400 trabalhadores em quatro turnos.

Para complicar a situação econômica da Ajax, a conta de energia da CPFL do mês de Agosto/2014, que estava no valor de R$ 474 mil, passou para R$ 1,8 milhão em Setembro. Pelo fato da fábrica estar em recuperação Judicial, a CPFL não aceita o valor anterior da conta, pois conforme as regras da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o valor a ser cobrado é o valor do mercado cativo, sendo desligada do mercado livre, que permite a compra de energia a preços mais baixos.

Um corte de energia foi realizado no dia 09/12 e a empresa conseguiu uma liminar para religar a energia, que foi restabelecida dia 11/12, porém, os trabalhadores continuam demitidos e os que ainda integram o quadro funcional da empresa estão incertos quanto ao destino de seus postos de trabalho, o pagamento dos salários e o 13º em atraso.

O caso Sukest

Na Sukest empresa do ramo alimentício que fabrica sucos e chicletes, os primeiros problemas financeiros aconteceram no ano de 2012, quando os salários começaram a atrasar e houve a interrupção do depósito do FGTS. Em 2013, a empresa foi autuada pelo Ministério Público do Trabalho por não realizar o recolhimento previdenciário.

Segundo o sindicato da categoria, a fábrica é economicamente viável e tem patrimônio para o pagamento dos salários, mas a direção da empresa não negocia com os trabalhadores, ela entrou em decadência administrativa com a má gestão do filho que assumiu a administração após o falecimento do pai, Moussa Tobias.

Um dos erros de administração foi investir em produtos mais caros que não encontraram aceitação no mercado. Os 161 trabalhadores que integram o quadro da empresa estão em greve e não há previsão para que voltem ao trabalho até que sejam realizados os pagamentos dos salários que estão dois meses em atraso.

Assim como na Ajax, os trabalhadores da Sukest pressionam o patrão para pagar os direitos e não aceitam o fechamento da fábrica.

O significado e o caminho dessas lutas

É preciso contextualizar que este dois casos ocorrem junto com o aprofundamento da crise do capitalismo no Brasil, que traz o aumento do desemprego em diferentes setores e em diferentes regiões do país.

Não devemos esquecer também que o governo de Dilma, reeleito com o voto de jovens e trabalhadores para barrar a vitória de Aécio Neves, do PSDB, utilizou em diferentes momentos de sua propaganda eleitoral o discurso de defesa de empregos e direitos para se diferenciar do adversário. Estas fábricas que demitem, não pagam os direitos trabalhistas e impostos, devem ser estatizadas com a garantia de todos os postos de trabalho. Essa é a responsabilidade do governo. As fábricas são viáveis economicamente e a estatização sob controle operário garantiria, além dos empregos, a propriedade pública das empresas para seu uso em benefício das necessidades da sociedade.

Os trabalhadores devem buscar as melhores táticas nessa luta. Por isso, foi apresentado o exemplo das fábricas ocupadas, em especial da Flaskô, que permanece ocupada e produzindo. Sob o controle dos trabalhadores, apesar dos ataques do mercado e dos governos, a Flaskô segue resistindo e lutando pela estatização, baseando-se na democracia operária, com assembleias e eleição de um conselho de fábrica, evidenciando dessa forma a inutilidade dos patrões em uma fábrica e em toda a sociedade.

Vamos continuar acompanhando a luta dos trabalhadores da Ajax e da Sukest mantendo nossa pauta de luta.

Pelo direito ao trabalho! Contra as demissões! Contra a ameaça de fechamento da AJAX e da SUKEST! Todo apoio à luta dos trabalhadores da AJAX e da SUKEST!

bauru

Trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô se reúnem com trabalhadores de fábricas em luta contra as ameaças de fechamento. Sabemos o que fazer: "ocupar, produzir e resistir"

A Flaskô esteve presente na cidade de Bauru-SP, para conhecer melhor a realidade de duas fábricas, a Ajax e a Sukest, que estão realizando graves ataques aos trabalhadores. Os trabalhadores da Flaskô participaram de uma reunião contando com a presença do Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Bauru e com um representante da comissão de trabalhadores da empresa Ajax, além do mandato do vereador Roque Ferreira (Esquerda Marxista).

Primeiramente, ouvimos atentamente o histórico recente da fábrica Ajax, as manobras patronais e os ataques aos trabalhadores, que mais uma vez se repete a história de fazer com que os trabalhadores "paguem a conta". Direitos trabalhistas não pagos, impostos sonegados, desvios financeiros para outras empresas, as histórias sempre são bastante similares com o que ocorreu na Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, na Flaskô, em Sumaré/SP, Flakepet, em Itapevi/SP, Ellen Metal, em Caieiras/SP, fábricas propulsoras do Movimento das Fábricas Ocupadas, que foi impulsionado pela Esquerda Marxista a partir de 2002. Por conta da lógica do capital, por conta das decisões da burguesia, os patrões se preparam para fechar as fábricas, não se preocupando com as consequentes sociais que significam milhares de demissões.

Após a apresentação das informações, discutimos possíveis caminhos a seguir, objetivamos garantir a defesa dos postos de trabalho, a continuidade da atividade industrial e pagamento dos direitos trabalhistas. Apresentamos o histórico do Movimento das Fábricas Ocupadas, narrando as perspectivas de ocupação das fábricas para manter os postos de trabalho ameaçados. Trata-se de uma primeira conversa, mas que ajudou a compreendermos melhor o quadro concreto, com as particularidades existentes. Ao mesmo tempo, reforçamos nossa solidariedade e aprovamos alguns importantes encaminhamentos, como uma visita na Fábrica Ocupada Flaskô, relatórios e mapeamentos das situações jurídicas, além de uma Audiência Pública na Câmara de Vereadores, por meio do mandato do Roque, com o objetivo de mostrar o impacto social de eventual fechamento das empresas.

Após a longa conversa, fomos até as fábricas para conversar com os trabalhadores. Constatamos, primeiramente, uma importante disposição de luta dos trabalhadores para a defesa dos postos de trabalho. Vimos, uma vez mais, a expressão nos olhos dos trabalhadores, do significado de momentos de insegurança, angústias, frustrações, revoltas, indignações que podem se transformar em uma ação concreta e organizada para garantir a dignidade da classe trabalhadora contra o desemprego. Vimos também a que ambas possuem uma estrutura grande, complexa, moderna, com enorme potencialidade de produção.

O caso Ajax

A primeira paralisação da empresa ocorreu no mês de Junho deste ano, quando a empresa demitiu 340 trabalhadores, sem dar uma posição concreta sobre o pagamento dos direitos trabalhistas, e ainda, não efetuando o depósito do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço nem o repasse dos valores descontados referente à previdência social de trabalhadores que possuem de 5 a 10 anos de tempo de serviço.

No ano de 2013, a fábrica entrou em recuperação judicial, sendo essa a justificativa por parte da empresa em realizar a demissões, antes das demissões, a fábrica possuía 1400.00 trabalhadores em quatro turnos.

Para complicar a situação da Ajax, a conta de energia da CPFL do mês de Agosto/2014, que estava no valor de R$ R$ 474 mil passou para R$ 1,8 milhão em Setembro. Pelo fato da fábrica estar em recuperação Judicial a CPFL não aceita o valor anterior da conta, pois conforme as regras da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o valor a ser cobrado é o valor do mercado cativo, sendo desligado do mercado livre que permite a compra de energia a preços mais baixos.

Um corte de energia foi realizado terça-feira dia 09/12, e a empresa conseguiu uma liminar para religar a energia, que foi estabelecida na quinta-feira dia 11/12, porém, os trabalhadores continuam demitidos e os que ainda integram o quadro funcional da empresa estão incertos quanto o destino de seus postos de trabalho, o pagamento dos salários e o 13º que estão em atraso.

Histórica fábrica de baterias, a Ajax existe há mais de 50 anos e possui grande potencialidade. Se os patrões querem ir embora e fechar a fábrica, que se vão, pois os trabalhadores querem seguir trabalhando.

O caso Sukest

Na Sukest empresa do ramo alimentício que fabrica sucos e chicletes, os primeiros problemas financeiros aconteceram no ano de 2012, quando os salários começaram a atrasar e houve a interrupção do depósito do FGTS. Em 2013, a empresa foi atuada pelo Ministério Público do Trabalho por não realizar o recolhimento previdenciário.

Segundo o sindicato da categoria, a empresa é economicamente viável e tem patrimônio para o pagamento dos salários, mas a empresa não dá abertura para negociações, para os trabalhadores, a empresa entrou em decadência administrativa com a má gestão do filho que assumiu a administração após o falecimento do pai Moussa Tobias.

Um dos erros cometidos foi o investimentos em produtos mais caros que não vendem, ao invés de manter a produção dos produtos já comercializados no mercado durante anos. Os 161 trabalhadores que integram o quadro da empresa estão em greve e não há previsão para que voltem ao trabalho até que sejam realizados os pagamentos dos salários que estão dois meses em atraso.

Assim como na Ajax, os trabalhadores da Sukest pressionam o patrão para pagar os direitos e não aceitam o fechamento da fábrica, tendo em vista enorme potencial de seguir produzindo.

Ocupar, produzir, resistir!

Em um momento de crise do capitalismo, duas fábricas que possuem uma moderna tecnologia se agonizam, temos a convicção de que é possível solucionar os problemas postos aos trabalhadores da Ajax e da Sukest se os trabalhadores estiverem no controle da fábrica. Explicamos que temos uma experiência concreta materializada na Flaskô, que apesar de ser uma fábrica antiga, sucateada e com enormes problemas, continua produzindo e resistindo, apontando dezenas de conquistas sociais nos últimos 11 anos.

O caminho que apontamos para a solução definitiva dos trabalhadores é a tomada do controle da fábrica, pois com a uma verdadeira democracia operária, com assembleias e eleição de um conselho de fábrica, podemos mostrar que não precisamos dos patrões. Podemos nos organizar politicamente para cobrar os patrões sobre os direitos sonegados e mostrar a incapacidade patronal de gerir a fábrica, tomando a gestão economico-produtiva em nossas mãos. Sem a presença do patrão que se apropria da riqueza construída coletivamente, possuímos a capacidade de realizar a produção, pagar nossos salários e nossos direitos.

Vamos continuar a acompanhando a luta dos trabalhadores da Ajax e da Sukest mantendo nossa pauta de luta.

Pelo direito ao trabalho! Contra as demissões! Contra a ameaça de fechamento da AJAX e da SUKEST! Todo apoio a luta dos trabalhadores da AJAX e da SUKEST!

saude

Estiveram presentes na Flaskô no dia 12 de Dezembro, profissionais da saúde que trabalham na Unidade Básica de Saúde do Parque Bandeirante. Em uma parceria com a UBS e a Fábrica Ocupada Flaskô realizou-se o Dia da Saúde, trazendo palestras com os temas: Hipertensão, Diabetes, Doenças Sexualmente Transmissíveis e Alimentação Saudável.

Os temas abordados são uma necessidade surgida para a Flaskô a partir da pesquisa realizada pelo SESI neste ano de 2014, onde foi identificada a necessidade de articularmos formas de prevenção destas doenças diante do quadro funcional da fábrica, que apresenta em sua maioria trabalhadores com idade acima de 50 anos.

A atividade realizada também veio de encontro a um conjunto de benefícios existentes na Flaskô que visam a qualidade de vida dos trabalhadores, dentre esses benefícios, por exemplo, está a distribuição diária de frutas a todos os trabalhadores, a ginástica laboral ministrada pela professora de fisioterapia a cada troca de turno, e o convênio com a farmácia do bairro que oferece a possibilidade de efetuar a compra de  medicamentos pela metade do preço, além de outros benefícios.

Para este Dia da Saúde, foi feita uma divulgação porta a porta na Vila Operária e no Bairro Bandeirantes de Baixo, buscando envolver a comunidade local, sendo essa uma possibilidade de conhecer a Fábrica demonstrando a função social que a mesma pode oferecer para a população. Além dos trabalhadores e alguns moradores presentes, comparecem também os catadores de materiais recicláveis que atualmente estão envolvidos em um projeto inicial de coleta de materias recicláveis junto a Flaskô. Sr. Milton um dos catadores presente contou que a saúde é um compromisso de todos e não basta se alimentar bem se for uma pessoa sedentária.

Ao final das palestras, a Drª Yude, médica cubana que está no Brasil e integra o Programa Mais Médicos, o enfermeiro de sua esquipe Sr. Fanuel e os demais profissionais, informaram que a Unidade Básica de Saúde do Parque Bandeirantes possui diversas atividades, em especial a ginástica de Lian Gong, assim como grupos de prevenção que acontecem semanalmente, mas é preciso socializar essas informações para que as pessoas possam frequentar esses grupos e terem acesso a informações que podem beneficiar a saúde e o bem estar da comunidade.

GRUPOS QUE ACONTECEM NA UBS PARQUE BANDEIRANTES:

Ø  Grupos anti-tabagismo que aconteceram a partir de Janeiro/2015

Ø   Grupo de dependência química para usuários e familiares toda quinta-feira às 09h00min

Ø   Terapia comunitária, grupo aberto para sintomas de ansiedade e tristeza que podem levar a um quadro de depressão, reuniões quinzenais

Ø  Grupo de mães, para mães que estão com problemas disciplinares com os filhos na escola, ou que talvez apresente quadro clínico

Ø  Lian Gong, todas as terças-feiras na Associação de bairro a partir das 07h00min. Endereço: Associação dos  Moradores do Parque Bandeirantes, Rua 18 nº 25 Bandeirantes II

 

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Boletim especial para o Seminário ERTs – Empresas Recuperadas por Trabalhadores – 11 a 13 de dezembro de 2014

Fábrica Ocupada Flaskô - Quem somos?

Em 12 de junho de 2003, nós, trabalhadores da Flaskô, decidimos tomar nosso presente em nossas mãos, decidimos alterar o destino que o capitalismo e os patrões nos empunham. Nós decidimos tomar a fábrica e coloca-la sob o controle dos próprios trabalhadores. Marchamos nestes onze anos defendendo a palavra de ordem "Fábrica quebrada é fábrica ocupada, e fábrica ocupada deve ser estatizada e colocada sob controle dos trabalhadores".
A força que nos moveu foi a mesma que nos fez suar de sol a sol, durante nossa vida, vendendo nossa energia para rodar as máquinas do capitalismo e com isso receber um salário para comer, morar e criar nossas crianças. Mais do que isso, a força que nos moveu foi a necessidade de acabar com o horror que vivíamos e também o conjunto de nossa classe.
Assim, ocupamos a fábrica e nos articulamos para garantir o direito ao trabalho, nossa principal forma de dignidade. Para tanto, só havia um caminho, avançar para tomar as fábricas dos patrões, reorganizá-las de acordo com os interesses de nossa classe, de acordo com os interesses mais gerais da humanidade - a vida e a solidariedade entre os próprios trabalhadores, uma vida sem exploração. Organizamos, a partir daí, uma nova fábrica para se trabalhar. Nos unimos aos sem terra para lutar por reforma agrária e o pelo fim do latifúndio. Gritamos: "Quando o campo e a cidade se unir a burguesia não vai resistir".
Da mesma forma, nos solidarizamos com todo o povo trabalhador explorado, impulsionando a luta pela moradia. Decidimos começar a unir convicção e ação a partir do terreno do patrão que durante décadas sugou nossa vida. Tomamos o terreno, e construímos a Vila Operária, onde vivem hoje 564 famílias. Assim como impulsionamos o projeto Fábrica de Cultura e Esporte, com centenas de atividades realizadas, envolvendo o conjunto da comunidade, com crianças, jovens e adultos, garantindo acesso à cultura, lazer, etc.
Nos organizamos em torno do Movimento de Fábricas Ocupadas, chegando a atuar em mais de 30 fábricas, participamos de diversos encontros no Brasil e na América Latina, como os Encontros Latinoamericanos de Fábricas Recuperadas, e chegamos a organizar três Encontros Panamericanos em Defesa do Emprego, dos Direitos, da Reforma Agrária e do Parque Fabril Brasileiro, dois Seminários Trabalhadores em Defesa dos Empregos, pela (re) Estatização e o Controle Operário, e um Simpósio Trabalhadores e Produção Social, demonstrando sempre que os trabalhadores e trabalhadoras da Flaskô sempre estiveram dispostos a debater suas experiências.

Neste ano, após grande mobilização contra sete leilões marcados em um mesmo dia (em junho), conseguimos, pela primeira vez, que a Procuradoria da Fazenda Nacional suspendesse os leilões, suspendesse as penhoras de faturamento (que já ultrapassam 330%) e suspendesse a ordem judicial de nomeação de um novo administrador judicial. Noticiamos isso, explicando a importante vitória. Pela primeira vez a Procuradoria admitia que as medidas que ela estava usando eram inexequíveis, ou seja, impossíveis de serem executadas, pois todas levariam ao fechamento imediato da fábrica.
Por isso, precisaríamos encontrar alternativas.
Nesse sentido, insistimos nas três formas da estatização, além das medidas defensivas, como unificação das execuções fiscais, com pagamento de porcentagem de faturamento, etc. Reforçamos o pedido de adjudicação, que judicialmente sempre pleiteávamos. Isso porque a Procuradoria falou que isso seria possível, desde que outro órgão do governo federal ateste que "há interesse social na adjudicação"

[Adjudicação é ação jurídica pela qual a propriedade de bens móveis ou imóveis - no caso todos os bens da Flaskô - são transferidos de seu primitivo dono (o patrão) para o adquirente (o credor - no caso, a Fazenda Nacional, credora de dívidas patronais da Flaskô), que a partir de então assume sobre eles todos os direitos de domínio e posse inerente a toda e qualquer concessão de bens.]

E ao mesmo tempo reivindicamos a concessão dos mesmos bens adjuicados para que continuem sob gestão e controle operário.
De lá para cá tivemos em Brasília em reuniões requerendo a criação de um Grupo de Trabalho para tratar da possibilidade de adjudicação da Flaskô, a partir do interesse social da Senaes (Secretaria Nacional de Economia Solidária), MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) ou BNDES, ou mesmo outro ministério/órgão, como Ministério de Cultura, Ministério dos Esportes, Secretaria de Direitos Humanos, Ministério das Cidades, considerando o projetos da "Fábrica de Cultura e Esporte" e a ocupação de moradia da Vila Operária, onde 564 famílias residem em ¾ do terreno da fábrica Flaskô. Formalmente, portanto, no dia 27 de outubro de 2014, saiu a publicação do Grupo de Trabalho.
Buscaremos, portanto, adentrar em uma nova etapa de desenvolvimento das negociações da Flaskô. Cria-se em novo Grupo de Trabalho, envolvendo diferentes Ministérios e com possibilidade de acompanhamento de demais entidades, especialistas, etc., com o objetivo de discutir um novo paradigma de casos de fábricas com grande passivo fiscal com a União e que há interesse social na propriedade da fábrica, com a defesa dos postos de trabalho e a continuidade da atividade produtiva.
Nesse sentido, entendemos que a perspectiva é positiva. É um novo desafio, colocando a Flaskô em nova esfera de luta. Para isso, será fundamental o apoio de diferentes organizações da classe trabalhadora e dos movimentos sociais, demonstrando a necessidade deste Grupo de Trabalho garantir formalmente o "interesse social", e, assim, adjudicar a Flaskô.

Viva a luta da Fábrica Ocupada Flaskô!

expocatadores

No último dia 02 de dezembro, durante o evento da Expocatadores 2014,o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e os trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô assinaram um Acordo de Cooperação Técnica que estabelece parcerias para ações de fortalecimento de ambos movimentos.

O acordo prevê a troca de conhecimento e experiências para execução e desenvolvimento de projetos de verticalização da cadeia produtiva da reciclagem, especialmente no setor de plásticos, além do intercâmbio de técnicos e membros de ambas as instituições, e do desenvolvimento de cursos, programas, projetos e eventos de promoção da reciclagem popular.

Uma comissão técnica formado por membros do MNCR e da Flaskô se reunirá ainda neste mês para definir o cronograma de atividades e dar início às ações previstas na parceria.

Além do acordo, trabalhadores da Flaskô participaram de uma roda de diálogo a respeito dos desafios do acesso ao mercado, da comercialização integrada e da verticalização da cadeia de reciclagem.  Nessa roda de conversa apresentamos nosso histórico e projetos futuros.

vila

Como diz o lema dos movimentos de moradia em todo o país: "Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um dever!".

Nossa Constituição Federal também garante o direito à moradia (artigo 6º), bem como destaca que os direitos sociais são as bases da dignidade humana, fundamento maior de nosso Estado Democrático de Direito. Esses são também os objetivos da Lei Orgânica do Município de Sumaré e o compromisso de todas as Prefeituras!

No entanto, entre o que diz o Direito e o que é a realidade, há muitas diferenças, há muitos interesses em jogo. O que temos visto em todo o mundo, e no Brasil e em Sumaré não é diferente, é não termos uma verdadeira política pública de habitação. A única coisa que todas as Prefeituras e Secretarias de Habitação nos têm dito é: "Tem que aguardar a fila do cadastro e rezar"! Ora, até quando? Até morrer? E meus filhos vão crescer onde?

Por isso, a ocupação de moradia é uma luta legítima. Não podemos esperar. Devemos sim nos organizar e ocupar terras ociosas, que não cumprem a função social determinada pela Constituição. Todas as famílias que moram em áreas não regularizadas devem se unir e combatermos juntos. Essa é nossa força!

Somos moradores da Vila Operária, que já possui algumas particularidades por ser uma ocupação na propriedade de uma fábrica sob controle operário, a Flaskô. Ao invés de reintegração de posse, unidade na luta e construção de um combate para regularização fundiária e garantia de todos os direitos sociais (serviços públicos), como iluminação pública, rede de esgoto, etc, até hoje não garantido. Prefeitura, Legislativo, Ministério Público, Juízes, todos deveriam cumprir a Constituição, mas ao contrário, acabam com suas ações e omissões, prejudicando o povo trabalhador.

Em janeiro de 2013 o Ministério Público entrou com uma Ação Civil Pública para realocação de 58 famílias que estariam em uma área de preservação permanente. Trata-se, na verdade, de um esgoto a céu aberto, repleto de entulhos e lixos jogados pela própria Prefeitura. Sem estudos prévios, decide-se pela remoção.

Depois de muita luta, conseguimos suspender a ordem judicial e batalhar para garantir o direito à moradia a todas as famílias, propondo assinatura de um termo de ajuste de conduta (TAC). Infelizmente, vimos que a Prefeita prometeu moradia para todas as famílias removidas, mas depois recuou e agora quer empurrar o lastimável "auxilio moradia", diante de sua incapacidade de articular parcerias com outras esferas de governo. O Ministério Público deixa de se apoiar em estudos técnicos presenciais na área, ficando presa aos estudos feitos por satélite, reproduzindo a lógica de distanciamento e deslegitimação da realidade humana das famílias ocupantes. O direito à permanecer na APP, na faixa de 15 a 30 metros, comprovado antes de dezembro de 2007, é desconsiderado, não aceitando os documentos das famílias.

Por tudo isso, estamos nas ruas de Sumaré, em luta pelo direito à moradia, pilar da dignidade humana. Lutamos para que as famílias que estão na tal APP sejam contempladas por moradias definitivas, realizando as devidas políticas habitacionais, bem como seja recuperada a área desagrada. Da mesma forma, estamos cobrando a regularização da Vila Operária e as medidas de infraestrutura, como iluminação pública e rede de esgoto, como é obrigado a ter nos casos de áreas fixadas como Zona Especial de Interesse Social.

- Prefeita Cristina, cumpra sua promessa: moradia para TODAS as famílias! Regularização da Vila Operária!

- Prefeita Cristina, coloque iluminação pública na Vila Operária! Já pagamos isso nos boletos da CPFL!

- Geralda Magalhães, cumpra sua promessa: ateste as famílias que moravam antes de 2007 e que estão na faixa de 15 a 30 metros, e que possam ficar na Vila Operária!

- Vereadores, cumpram com a obrigação da lei, e exijam uma verdadeira política publica habitacional, garantindo áreas de Zeis no município e programas em diferentes faixas de renda. Combatam a lógica de remoções de famílias em áreas não regularizadas.

- Promotora, queremos o mesmo empenho dado à ACP, de retiradas das famílias, para garantir a regularização da Vila Operária, com os encaminhamentos do IC nº 38/05.

Regularização não é sinônimo de remoção! Viva a luta da Vila Operária! Moradia para todos, já!

ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DA VILA OPERÁRIA

venezuela

Ao aprovar 12 propostas dos trabalhadores, o dignitário Venezuela Nicolás Maduro busca potencializar as reivindicações do setor operário. Além do mais, aprovou 3 novas leis habilitantes contra a burocracia e a corrupção.

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, encabeçou nesta segunda o encerramento do Congresso Nacional da Central Bolivariana Socialista de Trabalhadores (CBST), instalado em agosto passado com o objetivo de debater temas de interesse para avançar no modelo produtivo revolucionário e socialista. Ali ele anunciou 12 medidas socialistas para reivindicar a esse setor.

Nesse contexto, o líder venezuelano reafirmou sua disposição para reivindicar ao setor operário e aprovar as propostas que eles apresentarem no marco de sua luta.

Maduro anuncia 12 medidas para reivindicar a classe operaria:

- Criou o Banco Bicentenário da Classe Operária, o primeiro banco socialista que se cria na República Bolivariana de Venezuela orientado ao socialismo. A respeito, assegurou que se trata de una medida de recuperação y desenvolvimento económico. Esse banco contará com mil 031 caixas automáticos em todo o país e serviços de banco móvel.

- Criou o Sistema de Empresas Ocupadas Recuperadas ou Estatizadas, um sistema presidencial que estará a cargo do economista Juan Arias, com o objeto de reforçar a produção de ditas empresas, assim como potencializar sua capacidade promovendo empregos de qualidade. Destacou a importância de combater a guerra económica contra o povo intensificada pelas elites capitalistas mediante o contrabando alimentício.

- Auditoria Operaria para a produção em todas as empresas do Estado, que se encargará de revisar dato por dato a produção de cada una de as indústrias da administração pública.

- Criou uma instância promotora de desenvolvimento da cadeia de empresas comunitárias y o economista Juan Arias também estaria al frente.

- Sinceração ou Ajuste da Gasolina, os excedentes do ajuste serão dirigidos ao orçamento nacional.

- Criou a Brigada Nacional Operaria para a proteção do Salário e contra a especulação. Além disso anunciou a terceira intendência da Superintendência de Preços Justos.

- Conselho presidencial do Governo da classe operária y do povo no marco da lei de Planificação Pública e Popular destinada a combater a corrupção. Aprovada via Habilitante.

- Anunciou una nova estrutura social do Ministério do Trabalho.

- Aprovou resguardar y vigilar as unidades estratégicas do país para evitar sabotagens no setor de petróleo y eletricidade.

- Assim mesmo, aprovou a formação integral nas empresas, sob o conceito "Toda fábrica uma escola".

- Criou as vice-presidências setoriais da cinco revoluções para afiançar o processo. Nesse contexto definiu as atividades das vice-presidências na área de economia, agricultura, política, social e energética.

- O líder venezuelano aprovou três leis habilitantes para potencializar a gestão revolucionaria: uma reforma a Lei Orgânica da Administração Pública, que busca combater a burocracia e a corrupção; Lei para a Simplificação de Trâmites Administrativos, para diminuir o número de processos que deve levar a cabo uma pessoa para conseguir um trâmite; e a de vice-presidências setoriais, orientada a potencializar a área económica, política, alimentaria y de missões.

Condutores da Revolução

Milhares de trabalhadores do setor público e privado estavam no auditório do Instituto Nacional para a Capacitação e Recreação dos Trabalhadores (Incet) em Caracas (capital).

O presidente do primeiro Congresso de Trabalhadores, Oswaldo Vera, recordou que a classe operaria da Venezuela é agora a condutora da Revolução Bolivariana, "que como hoje se demonstra não es a revolução de um país. Nos acompanhem todos os países de Latino-américa e do mundo neste processo revolucionário".

Os dirigentes do Congresso fustigaram a campanha que a direita venezuelana tem desenvolvido contra as ações econômicas do Governo, apresentando que o sistema pode trazer como consequência a escassez. "Aí está a missão clara dos trabalhadores e é o que defendemos o sistema econômico social y político que se está desenvolvendo", garantiu Vera.