campanha

Os diversos países da região Latino americana desde sempre foram o cenário para inúmeros golpes de Estado. Sempre que partidos ou movimentos de esquerda ensaiaram a adoção de políticas que visassem minimamente à alteração do status quo, ainda que não se orientassem por propósitos revolucionários, as classes dominantes recorreram a golpes de estado, que via de regra inauguraram regimes ditatoriais conduzidos pelas forças armadas. Assim o nosso país viveu por mais de duas décadas um regime ditatorial instaurado pelo golpe de abril de 64. O Chile viveu a longa ditadura fascista de Pinochet, o Paraguai viveu por décadas a ditadura de Stroessner, para citar apenas alguns poucos exemplos.

            A partir da década de 80 a região vivenciou um processo de democratização, que em certa medida ainda vigora e que possibilitou para as classes dominantes uma transição segura. A hegemonia de industriais e latifundiários da região não foi ameaçada com esta transição, que possibilitou a construção de regimes democráticos, colocando a região em uma nova situação, adequada ao fim da guerra fria, pois não havia mais do ponto de vista da opinião pública o risco do socialismo, que se teria dissipado com o fim da União Soviética e a queda do socialismo realmente existente no Leste Europeu. Acresce a isto, que as ditaduras perderam legitimidade e foram enfraquecidas pelas lutas sociais.

            Alguns analistas, jornalistas, militantes e acadêmicos apressaram-se a defender a tese de que a transição democrática na região havia se consolidado e os riscos de retrocesso desse processo seriam mínimos.

            A primeira década do séc. XXI demonstrou que estas avaliações não apenas eram precipitadas, mas, sobretudo equivocadas. No ano de 2002, o presidente eleito da Venezuela sofreu um golpe de Estado, que deu posse a um civil. A mobilização popular espontânea derrotou o golpe e recolocou Chaves em seu posto. Desde então o presidente da Venezuela e seu sucessor Nicolas Maduro, sofreram diversas tentativas de “golpe suave”, através de campanhas midiáticas, sabotagens de diversos tipos, como frequentemente ocorre com o desabastecimento de alimentos produzido propositalmente pelos empresários venezuelanos.

            A estratégia do golpe suave é um aspecto novo e decisivo na realidade política que requer toda a atenção. Muitas vezes busca-se viabilizá-lo através da utilização ou manipulação de regras democráticas, com o propósito de interromper processos de mudança social, com um custo político menor do que o que deriva do tradicional golpe militar. Além disso, com a estratégia do golpe suave busca-se alcançar maior legitimidade política, dando uma feição democrática ou institucional ao que de fato é um golpe de Estado, que usurpa a vontade popular expressa através de processos eleitorais. Esse golpe “institucional” é a estratégia quem tem sido utilizada pelas classes empresarias da região com o apoio do Império americano, frente à fragilidade política destas classes e devido ao esgotamento dos partidos políticos tradicionais que davam sustentação a sua dominação.

                        Especialmente após o esgotamento político do neoliberalismo e dos partidos que o sustentavam, os quais em muitos casos eram partidos tradicionais que governaram seus respectivos países por décadas, e da emergência de governos de esquerda na região.

            Há dois casos em que o golpe suave foi bem sucedido na região, através de golpes parlamentares. Em 2009, Manuel Zelaya, presidente de Honduras, foi sequestrado em sua casa pelo exército no dia 28 de junho de 2009. No dia seguinte uma fraudulenta carta de renúncia foi lida no congresso de Honduras e o presidente do congresso empossado como presidente da república. Apesar de massivas mobilizações de estudantes, sindicalistas e camponeses, que duraram semanas, o golpe de estado se consolidou ao custo de violenta repressão, com a posse de um civil legitimado pelo parlamento.

 Em 2012, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, sofreu um golpe parlamentar. Os golpistas no parlamento deram feição democrática e institucional ao golpe se apoiando em uma norma constitucional para fazer a acusação ao presidente de “mau desempenho das funções”. Todo o processo de cassação do mandato teve duração de 30 horas entre o início e seu término, não havendo nenhuma possibilidade real de defesa. O julgamento foi sumário, em uma espécie de “impeachment relâmpago”.

            No ano de 2015, ocorreram tentativas de golpe suave na Venezuela, no Equador, na Bolívia e também, vale dizer, no Brasil, com a ameaça de um processo impeachment contra a presidenta eleita, a ser conduzido pelo congresso mais reacionário das últimas décadas, o qual tem assegurado uma pauta de votações de caráter reacionário, caracterizado pelos ataques a direitos sociais e trabalhistas.

            Os golpes suaves são instrumentalizados a partir de campanhas difamatórias, pelos monopólios de comunicação e redes sociais, acusações infundadas de radicalismo e de ameaça à ordem democrática contra os governos de esquerda, e com os métodos do golpe parlamentar, baseado na manipulação de normas jurídicas. Estas técnicas são utilizadas paralelamente e se reforçam mutuamente.

 É importante notar que o império americano mantém sua vigilância e está pronto a intervir militarmente, caso considere necessário, em qualquer país da região. Mantêm dezenas de bases militares no subcontinente da América do Sul, elas estão presentes em quase todos os países.  Além disso, reativaram a quarta frota naval.

Contudo a estratégia do golpe suave ganhou relevância e tem sido aplicada frequentemente. A sua utilização tornou-se rotineira. Nesse sentido, a compreensão dessa estratégia é fundamental para a resistência em defesa da democracia. Esta defesa da democracia mantém hoje como sempre significou, extrema importância para a garantia de condições minimamente favoráveis para a luta pela transformação socialista da AL.

Paul-Singer

Acabamos de ter a confirmação da visita do professor Paul Singer na Flaskô. Esse será um grande dia de conversa, troca de experiências, debates e encaminhamentos para todos nós que trabalhamos na Flaskô, ou mesmo aqueles que acompanham nossa luta há anos. Mas porque será um grande dia? Penso que por pelo menos 5 razões.
Em primeiro lugar por se Paul Singer o principal teórico brasileiro que trata da questão da econômica solidária, autogestão e temas relacionados diretamente a luta dos trabalhadores da Flaskô.
Em segundo lugar por ele, o Professor Paul Singer, ser o responsável pela Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (SENAES/MTE) que desenvolve políticas públicas diretamente vinculadas a empresas ocupadas e recuperadas por trabalhadores.
Em terceiro lugar porque a próprio SENAES viveu, e vive, conflitos e contradições diante da conjuntura política e econômica nacional e a política implementada pela Presidente Dilma em seu segundo mandato presidencial as quais foram por diversas vezes afirmadas pelo próprio professor, veja mais:
http://zh.clicrbs.com.br/.../paul-singer-dilma-esta-fazendo-o...
http://www.redebrasilatual.com.br/.../economia-solidaria-e-al...
Em quarto lugar porque foi no mesmo mês de junho de 2003 que surgiu a SENAES e surgia também a fábrica ocupada Flaskô. Sendo deste ponto de vista no mínimo interessante pensamos em conjunto seus desenvolvimentos próprios e suas perspectivas.
Por fim, porque pensamos que será um importante momento para todos, dentro e vendo a própria existência da Flaskô, refletirmos sobre nossas perspectivas e saídas para apresentarmos ao Grupo de Trabalho da Secretaria Geral da Presidência, que desenvolve parecer para uma solução para a Flaskô.
A principal solução que está sendo desenvolvida e discutida pelo Grupo de Trabalho é a Adjudicação da Flaskô. Vejam mais aqui sobre o que é a adjudicação. http://blogoosfero.cc/.../o-que-e-adjudicacao-e-o-que-os-trab...
Também é importante frisar que a própria SENAES colocou favoravelmente a proposta e também que o Senhor ex-Ministro do Trabalho Manoel Dias também havia se pronunciado favoravelmente a essa proposta.

Atividade com Paul Singer na Flaskô:
dia 27 de novembro às 15h

Esperamos por vocês!

A fim de prestar os devidos esclarecimentos, considerando alguns “mal entendidos” criados, a assessoria jurídica das famílias da Ocupação Vila Soma vem a público novamente informar que:

Nos autos do agravo de instrumento nº 2053913-38.2015.8.26.0000, o Desembargador Relator da 10ª Câmara de Direito Público decidiu, monocraticamente, extinguir o Agravo de Instrumento, como esclarecemos na última nota pública feita no dia 16 de outubro.

Lendo a referida decisão, constata-se no penúltimo parágrafo da decisão, como todos podem acessar, além dos aspectos já informados anteriormente, que houve a seguinte decisão:

"determino que o Juízo de origem (1ª Vara Cível de Sumaré) o encaminhamento dos autos da ação civil pública ao GAORP para, se o caso, prosseguimento de eventuais negociações ou providências que se façam oportunas para auxiliar a solução do conflito, inclusive para apaziguar, o quanto necessário, o cumprimento da ordem de desocupação com a eventual realocação dos moradores".

Vejam que a decisão é precisa. Determina que o Juízo de origem encaminhe ao GAORP.

No entanto, o Juízo de origem despachou no dia 20 de outubro no sentido de somente "dar ciência ao GAORP", pois entende o Magistrado que tal “encaminhamento” não necessário, pois o processo é "digital". A questão não é essa. O termo "enviar" significa que o poder de decisão, mesmo que não jurisdicional, é do Juiz coordenador do GAORP, e não dele.

Frise-se, portanto, que os autos da Ação Civil Pública nº 4003957-21.2013.8.26.0604 está, conforme decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, sob a competência institucional do GAORP, e continuará seus encaminhamentos aprovados por unanimidade de seus membros, no último dia 14 de setembro. Ademais, é bom registrar, que nestes autos da ACP, a Prefeitura é ré, e o Ministério Público, o autor.

Portanto, evidente que a decisão do Juiz Gilberto Vasconcelos , da 1ª Vara Cível está equivocada, e merece reparo. As medidas jurídicas já foram tomadas e devem ser sanadas antes de quaisquer outros “mal entendidos”, inclusive com a precipitada decisão de mandar cumprir a ordem de desocupação. Parece que o desejo de ver cumprir a ordem de desocupação é maior que o respeito ao devido processo legal e o respeito ao duplo grau de jurisdição. Todos sabem que um Juiz da 1ª instância não pode decidir de forma diferente de seu superior, no Tribunal. Assim, o Magistrado, com a devida vênia, não acatou a decisão do Tribunal de Justiça, e deverá ele mesmo reconsiderar sua decisão.

Sumaré, 21 de outubro de 2015.

Alexandre Mandl
OAB/SP n. 248.010
Advogado da Ocupação Vila Soma

Alguns acontecimentos recentes indicam que pode estar em gestação uma nova revolta que envolva amplos contingentes do povo palestino. Alguns analistas já falam na possibilidade eminente de uma nova intifada, palavra que simboliza a rebelião de caráter nacional que engloba a população palestina na resistência à ocupação sionista.

As ações promovidas por Israel, que são reiteradas a cada ano, de expansão sobre os territórios palestinos da Cisjordânia com a construção de assentamentos ilegais, a guetificação e o massacre militar do território palestino de Gaza, demonstram a total inviabilidade da concretização dos acordos de Oslo, que previam a formação de um Estado Nacional Palestino.

Os fatos que se podem verificar através das ações de Israel demonstram com toda clareza que suas classes dominantes se movem pela estratégia de expansão do território à custa do massacre do povo palestino, com a utilização de diversas formas de brutalização. Asfixia econômica de territórios para forçar a migração, extermínio físico, encarceramento, torturas e muros de isolamento.

Diante deste cenário de desespero e de falta de esperança na orientação política da sua principal organização política, a Fatah, o povo palestino se vê forçado a reagir, e essa reação se dá com o protagonismo da juventude. As notícias que chegam neste mês revelam a ocorrência de atos espontâneos de resistência, mas que podem se estruturar e ganhar a amplitude das Intifadas de 1987 e 2000.

Neste mês de outubro, jovens palestinos assumiram uma nova forma de resistência que é expressiva do alto grau de angústia que vivenciam. Em cidades da Cisjordânia como Hebron, jovens têm atacado à facadas militares israelenses. O ataque à militares tem um efeito simbólico forte, porque significa um ataque direto ao Estado de Israel, sendo os militares símbolos do expansionismo e da opressão deste Estado. Tais ações parecem ter caráter espontâneo. A reação tem sido a execução sumária destes jovens, o que aumenta a ira do povo palestino e a pressão sobre as organizações políticas, principalmente o Fatah que governa a Cisjordânia, fato que levou o seu dirigente máximo Mahmoud Abbas à praticamente romper com os acordos de Oslo.

É preciso ter em consideração que a crise econômica global afeta a Autoridade Nacional Palestina, assim como a todos os Estados que são pressionados pelas forças do mercado e por instituições políticas do capitalismo financeirizado à adotar medidas econômicas para lidar com a crise. Essas medidas simplesmente aumentam a pilhagem econômica e o sofrimento dos trabalhadores A Autoridade Nacional Palestina se encontra pressionada por organismos internacionais a realizar corte de gastos sociais, o que penaliza ainda mais o povo palestino e enfraquece sua autoridade.

A situação dos 5 milhões de refugiados palestinos, segmento, cuja reivindicação de retorno à pátria não foi contemplado nos acordos de Oslo se agrava terrivelmente. Basta citar o exemplo do campo de refugiados na Síria em Damasco que no início deste ano foi controlado pelos bárbaros do Estado Islâmico (ISIS).

No Líbano, os refugiados palestinos vivenciam uma situação desesperadora com o corte das verbas da organização da ONU para refugiados. Estes cortes precarizam em alto grau o atendimento das necessidades dos palestinos refugiados neste país, principalmente os atendimentos médicos. Diante destes fatores, que revelam a tragédia do povo palestino e a crise do sistema capitalista é importante refletir sobre os fatores políticos e econômicos de uma revolta de grandes proporções que pode estar se iniciando na Palestina. Rebelião contra a opressão do Estado Sionista de Israel, mas que também ocorre pela influência dos fatores econômicos da crise global capitalista.

 

De acordo com a Legislação da SIPAT na Portaria N° 3.214, NR 5, item 5.16 , as

empresas têm a função de realizar a Semana Interna de Prevenção ao Acidente

(SIPAT) ao menos uma vez ao ano., onde os trabalhadores são convocados a

participar registrando este momento com Lista de Presença.

Por isso, a Flaskô estará realizando a SIPAT de acordo com as Leis Estabelecidas.

Além de ser um espaço de saúde para os trabalhadores/as, também será um momento

de descontração.

Contaremos com a exposição do Dr. Marcos Sabino, médico de Saúde Publica de

Campinas (CEREST).

Venha e convide também sua família e amigos/as!

Entregaremos certificado de participação.

ministerio da fazenda85370

 

Por Fábio Pupo e Lucas Marchesini | De Brasília
 
O Ministério da Fazenda divulgou ontem a lista dos 500 maiores devedores da dívida ativa da União. Em conjunto, essas empresas devem R$ 392,260 bilhões. Desse total, R$ 228,978 bilhões estão em cobrança, R$ 103,309 bilhões estão parcelados e R$ 43,732 bilhões estão suspensos por decisões judiciais. Os R$ 16,240 bilhões restantes estão em garantia.
 
A Vale encabeça o ranking, com um total de R$ 41,911 bilhões. A maior parte da dívida da mineradora (R$ 32,885 bilhões), no entanto, está suspensa por decisão judicial. Em seguida, aparece a Carital Brasil (antiga Parmalat), com R$ 24,918 bilhões. Depois, a estatal Petrobras, com R$ 15,6 bilhões.
 
O Bradesco é o primeiro banco da lista. Aparece em 7º lugar, com R$ 4,871 bilhões em dívidas. Desse total, R$ 3,434 bilhões estão em cobrança e R$ 1,335 bilhão restante está suspenso por decisão judicial.
 
A petroquímica Braskem, controlada pela Odebrecht, aparece em 18º lugar, com R$ 2,684 bilhões em dívidas. A Companhia Brasileira de Distribuição (Pão de Açúcar) está em 38º lugar, com R$ 1,5 bilhão. Em 44º, está o Itaucard, com R$ 1,355 bilhão. O J. P. Morgan está em 79º lugar, com R$ 841 milhões.
 
Também compõem a lista empresas como a Vasp (em 6 º lugar), com R$ 6,216 bilhões em dívidas; a Varig (em 8º lugar), com R$ 4,658 bilhões, e o Banco Nacional (em 19º lugar), com R$ 2,614 bilhões.
 
A equipe econômica do governo tem buscado apertar o cerco contra grandes devedores. Na semana passada, a Receita Federal publicou uma portaria que determinava o monitoramento permanente de patrimônios com o objetivo de combater "artimanhas" para driblar a cobrança de grandes dívidas tributárias.
 
Questionada sobre o motivo da divulgação da lista, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional afirmou que ela "possibilita uma visão consolidada dos maiores devedores da Fazenda Nacional" e que é um objetivo dessa gestão do Ministério da Fazenda "promover um incremento da recuperação de créditos inscritos em Dívida Ativa da União, na busca pela justiça fiscal".
 
Procuradas, Braskem e Vale afirmaram que refinanciaram as suas dívidas por meio de programas da própria União e estão colocando seus débitos em dia. O Itaucard não se pronunciou oficialmente, mas fontes do banco afirmaram que ele também aderiu a programas de refinanciamento e pagou a quantia que devia. O Bradesco se recusou a comentar o assunto.
 
Nas Indústrias de Papel Ramenzoni, que aparece em 4º lugar na lista do Ministério da Fazenda, um funcionário disse que a responsável pelo assunto não estava na empresa. As demais companhias citadas na reportagem não foram encontradas até o fechamento desta edição. (Colaboraram Estevão Taiar e Flavia Lima, de São Paulo)
 
Por Fábio Pupo e Lucas Marchesini | De Brasília
 
O Ministério da Fazenda divulgou ontem a lista dos 500 maiores devedores da dívida ativa da União. Em conjunto, essas empresas devem R$ 392,260 bilhões. Desse total, R$ 228,978 bilhões estão em cobrança, R$ 103,309 bilhões estão parcelados e R$ 43,732 bilhões estão suspensos por decisões judiciais. Os R$ 16,240 bilhões restantes estão em garantia.
 
A Vale encabeça o ranking, com um total de R$ 41,911 bilhões. A maior parte da dívida da mineradora (R$ 32,885 bilhões), no entanto, está suspensa por decisão judicial. Em seguida, aparece a Carital Brasil (antiga Parmalat), com R$ 24,918 bilhões. Depois, a estatal Petrobras, com R$ 15,6 bilhões.
 
O Bradesco é o primeiro banco da lista. Aparece em 7º lugar, com R$ 4,871 bilhões em dívidas. Desse total, R$ 3,434 bilhões estão em cobrança e R$ 1,335 bilhão restante está suspenso por decisão judicial.
 
A petroquímica Braskem, controlada pela Odebrecht, aparece em 18º lugar, com R$ 2,684 bilhões em dívidas. A Companhia Brasileira de Distribuição (Pão de Açúcar) está em 38º lugar, com R$ 1,5 bilhão. Em 44º, está o Itaucard, com R$ 1,355 bilhão. O J. P. Morgan está em 79º lugar, com R$ 841 milhões.
 
Também compõem a lista empresas como a Vasp (em 6 º lugar), com R$ 6,216 bilhões em dívidas; a Varig (em 8º lugar), com R$ 4,658 bilhões, e o Banco Nacional (em 19º lugar), com R$ 2,614 bilhões.
 
A equipe econômica do governo tem buscado apertar o cerco contra grandes devedores. Na semana passada, a Receita Federal publicou uma portaria que determinava o monitoramento permanente de patrimônios com o objetivo de combater "artimanhas" para driblar a cobrança de grandes dívidas tributárias.
 
Questionada sobre o motivo da divulgação da lista, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional afirmou que ela "possibilita uma visão consolidada dos maiores devedores da Fazenda Nacional" e que é um objetivo dessa gestão do Ministério da Fazenda "promover um incremento da recuperação de créditos inscritos em Dívida Ativa da União, na busca pela justiça fiscal".
 
Procuradas, Braskem e Vale afirmaram que refinanciaram as suas dívidas por meio de programas da própria União e estão colocando seus débitos em dia. O Itaucard não se pronunciou oficialmente, mas fontes do banco afirmaram que ele também aderiu a programas de refinanciamento e pagou a quantia que devia. O Bradesco se recusou a comentar o assunto.
 
Nas Indústrias de Papel Ramenzoni, que aparece em 4º lugar na lista do Ministério da Fazenda, um funcionário disse que a responsável pelo assunto não estava na empresa. As demais companhias citadas na reportagem não foram encontradas até o fechamento desta edição. (Colaboraram Estevão Taiar e Flavia Lima, de São Paulo)

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A Flaskô e a UBS Pq. Bandeirantes fizeram uma parceria para atender os públicos interessados a terem conhecimentos e práticas de uma vida mais saudável, por meio de palestras, atividades em grupos e aula de Lian Gong. Estas atividades são gratuitas, conforme cronograma descrito abaixo:


- Palestras e trabalhos em grupos
Todas as segundas-feiras, as 07h30 min
Publico: O foco é para atender os moradores do Pq. Bandeirantes I e Vila Operária.

- Aulas Lian Gong
Todas as sextas-feiras, 08h00
Publico: Aberto a todos públicos.


Maiores informações: Flaskô 3864-2624 no Serviço Social e na UBS Pq. Bandeirantes 3864-1969.

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soma

Um impasse por moradia envolvendo 2.500 famílias, aproximadamente 9 mil pessoas, tem gerado tensão na cidade de Sumaré, no interior de São Paulo. Moradores da Vila Soma ocuparam uma área de 500 mil m² que estava ociosa há pelo menos 20 anos e pertence a uma empresa falida.
A prefeitura da cidade, com administração do PSDB, e o Ministério Público Estadual, insistem na reintegração de posse, alegando que a ocupação do terreno ocioso provoca "graves lesões ao direito urbanístico." O terreno fica em uma região central da cidade com boa valorização no ramo imobiliário.
Com reuniões incluindo o poder público e a associação de moradores, existe uma iniciativa de resolver o impasse por meio de programas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida, mas há dificuldades nas negociações com a prefeitura que não se apresentou em algumas reuniões para discutir soluções para as famílias.
Já existem alguns relatos de moradores da ocupação que estão sofrendo represálias por parte de moradores das redondezas, e os líderes da associação dos moradores dizem que a prefeita Cristina Carrara está representando a opinião da elite que não quer a presença dos ocupantes na região. A próxima reunião para tratar do assunto será realizada no Tribunal de Justiça de São Paulo, pelo Gaorp/TJ (Grupo de Apoio às Ordens de Reintegração de Posse).
Para entender a posição da prefeitura de Sumaré, vale a pena ler a nota emitida sobre o assunto. Apesar de mal escrita e do tom surreal, ela é o retrato fiel da (falta) de política pública de habitação popular da cidade.
Um ponto importante a ser lembrado é que quase não se fala sobre a ocupação SOMA, as ações questionáveis da prefeitura de Sumaré e do Ministério Público Estadual. Ao que parece, eles contam com a possível falta de interesse sobre essa ocupação em uma cidade do interior.
Não vamos deixar que SOMA se transforme em um novo Pinheirinho, com ações ilegais e violentas do poder público. Fique olho, compartilhe, some sua voz.

Todos e todas em defesa das famílias da Vila Soma!!!

festival flasko

De 28 a 30 de agosto, acontecerá o 6º Festival Flaskô Fábrica de Cultura! 
A programação está muito boa e novos grupos de Campinas e São Paulo estarão conosco este ano.
Nesta semana a programação completa será divulgada. Com várias apresentações de teatro e música, além de oficinas, sarau, exposições e filmes!
As inscrições já estão abertas aos participantes em http://www.festivalflasko.org.br/?page_id=21

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No dia 22/05/2015 aconteceu na cidade de Limeira interior de São Paulo o IV Laboratório de Economia e Gestão (LEG), com o intuito de trazer discussões sobre economia e gestão na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp.

Nesse seminário, diversos convidados foram chamados e um deles foi a Fábrica Flaskô de maneira a buscar novas relações entre universidade e mundo do trabalho e o caso da fábrica. Sabe-se que a fábrica desenvolve os meios de produção de forma a priorizar o trabalho e não o capital e nesse sentido há redução da jornada de trabalho, segurança e qualidade do trabalho, desenvolvimento social e claro a manutenção da produtividade da fábrica.

Foi passado no começo da apresentação o minidocumentário feito por Emiliano Goyeneche intercambista da Argentina, expondo um pouco mais sobre a realidade da fábrica. Alexandre Mandl, do setor jurídico ressaltou elementos como a viagem até Brasília, a presença da esquerda marxista e a adjudicação. Osvaldo Costa Neto (Chaolim) ressaltou o quanto a luta é importante para que a fábrica efetive suas perspectivas, bem como o histórico desde a ocupação, enquanto Batata apontou as formas como a fábrica se articula, produz e se mobiliza, e por fim a pesquisadora e professora da Unicamp e ITCP Laís Fraga demonstrou o quanto as perspectivas dos movimentos sociais são legítimas e devem ser apoiadas na medida em que revela outras realidades que não ficam evidentes que fica clara na sua própria pergunta para os alunos "quantos conheciam a fábrica?" e cinco alunos levantam a mão. Assim, a apresentação foi bastante rica e o debate com os alunos tanto mais produtivo. É um exemplo das relações sociais que uma fábrica pode criar para além daquelas relacionadas a produção, mas que estão intimamente ligadas. É o caso da relação entre Flaskô, ITCP e o Movimento Nacional dos Catadores de Reciclados (MNCR), e que foi tema da mesa. Além disso, perguntas referentes a diminuição da produção, à terceirização, às dívidas foram postas em discussão. Nesse sentido novas relações sociais de produção surgem a partir das relações que as empresas e as fábricas levam para dentro da universidade. Da mesma forma que outras empresas dão palestras, e a EJ promove consultoria para outras empresas, porque não um empreendimento como a Flaskô poderia fazer parte dessa realidade? Dessa forma, a mesa foi muito rica e deixa pistas sobre como o materialismo histórico pode ser observado.

Uma breve passagem pelo materialismo histórico

O materialismo histórico dialético identificou o quanto as forças de produção se configuram conforme a luta de classe se desenvolve. Disso podemos pensar como essas forças tem se desenvolvido em meio a essa disputa, que ainda que muitos teóricos tentem jogar por água baixo esse embate nos meios de produção, ele ainda é visivelmente impactante em nossa sociedade, ao vermos como as desigualdade se acentuam a partir do abismo nas relações sociais de produção. Ou seja, ainda que a luta de classe não é a totalidade histórica, a sociedade moderna desenvolveu seus alicerces a partir do escamoteamento e da omissão dessa disputa, seja pela manipulação da imagem através da mídia na atualidade (ou com a igreja como aponta Weber) ou pela materialização de condições que alienam não só o trabalhador, mas os que não possuem trabalho e até aqueles que dominam trabalhadores e os que não possuem trabalho.

Dessa forma, é visível uma contradição, que na verdade, é elemento essencial para que o capital possa continuar acumulando. Assim, as formas pelas quais essa manipulação da realidade socialmente construída pela disputa das forças de produção se dá, é pelo controle das formas como as relações sociais de produção se configuram, que domina a objetividade e subjetividade humana e material.

Nesse sentido, não basta para o trabalho e para os empreendimentos solidários apenas ter mais capital ou poder sobre as decisões, ainda que esse seja o primeiro passo que faz com que ser humano e trabalho possam voltar a se entender, sem haver uma coisificação do humano pelo trabalho, mas pelo contrário havendo uma humanização do trabalho.

Assim, as relações sociais de produção que se configuram, determinam como os meios de produção se desenvolvem. Se voltarmos na revolução industrial, encontramos a traição da classe, onde essa aponta uma nova forma de organizar a sociedade, a partir da exploração do trabalho. Por isso, desde a fundação de nossa sociedade moderna, encontramos uma relação de dominação entre os agentes sociais e dessa forma que relações poderiam surgir se não relações sociais desiguais de produção?

Desta forma os agentes políticos, acadêmicos, empresariais, artísticos, culturais, religiosos e civis estariam configurados dentro dessas relações de dominação, e assim o embate pelas formas como a produção se desenvolve contribui para a emancipação do trabalho enquanto uma forma de unir o mundo e o humano, mas se houver embate apenas nos meios de produção e não nas formas como as relações sociais são configuradas, pouco se avançará na questão de um novo arranjo para a sociedade que busque sustentar uma prática que não se desenvolva pautada na coisificação da vida.

Pensando nessas questões das relações sociais de produção bem como as formas como as forças de produção se desenvolve, a economia solidária e autogestão são temas que permeiam essa discussão. Tanto mais as cooperativas, associações e coletivos, e assim as fábricas ocupadas e recuperadas.

Concluindo em aberto

Nesse sentido, o caso da Flaskô surge sob essa temática, de avançar pelos meios de produção, entretanto é visível a postura da fábrica em buscar novas relações entre as esferas políticas, civis, trabalhistas e jurídicas, como o caso das relações com o MNCR e o município, o grupo de trabalho criado com o governo federal, refletem o desenvolvimento das forças de produção em sentido do trabalho, frente ao contexto onde a conjuntura parece ir contra o trabalho seja pelo avanço da informalização (terceirização) do trabalho ou na questão política que hora avança e hora é travada a luta do trabalho frente a coisificação que o capital gera, conseguir se emancipar, não basta apenas a tomada dos meios de produção, das máquinas e da produtividade da fábrica em funcionamento, mas também novas relações entre os agentes da sociedade. Novos acordos com outros movimentos sociais, com as esferas políticas, a relação com as empresas privadas que negociam com a fábrica e a relação com universidades, centros de pesquisa e outras instituição acadêmicas, podem estimular a perspectiva do trabalhador e de todos que tem a vida e os direitos expropriados. O caso da pressão por produtividade acadêmica é o que é considerado o melhor e o mais produtivo, enquanto para as fábricas aquelas que conseguem ser as mais competitivas. Disso, se na universidade há um sofrimento pela produtividade cientifica, na fábrica o sofrimento é tão intenso quanto. identificar o quanto o mercado pressiona o trabalho e o quanto essa pressão está presente na fábrica e também na academia, depende das formas como essas instituições se relacionam e conseguem identificar se enquanto iguais. Por isso é tão importante novas relações institucionais entre universidades e fábricas recuperadas e tantos outros agentes solidários, enquanto for defendido a pluralidade de perspectivas e unidade na efetivação dessas perspectivas, materializando-se através da prática. Desta forma que novas mesas redondas e seminários venham a surgir promovendo a discussão acerca desses temas e assim novas relações entre as instituições da sociedade.