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Texto publicado no site Investig'action e no periódico venezuelano Correo del Orinoco Tradução: Paulo Roberto de Andrade Castro Especialista Independente das Nações Unidas na Promoção de uma Ordem Internacional Democrática e Equitativa Alfred de Zayas, advertiu que o termo "crise humanitária" é usado para intervir na Venezuela e derrubar o atual Governo. O especialista independente da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a promoção de Uma Ordem Internacional Democrática e Equitativa, Alfred de Zayas, advertiu sobre o uso do termo crise humanitária para intervir na Venezuela e derrubar o atual governo. “Esse termo de crise humanitária é facilmente convertido no pretexto para uma intervenção, com o propósito de derrubar o regime atual, que gostem ou não, é o governo eleito”, explicou esta segunda-feira em uma entrevista para a Telesur. Alfred de Zayas indicou que na Venezuela há um problema de escassez de alimentos e remédios “porém não é uma situação de emergência aguda” e o governo tem uma série de programas para resolver estas situações. “Não gosto de exageros, crises humanitárias existem em muitos países da África, do Oriente Médio, na Venezuela há escassez, mas é preciso saber as causas destes problemas, até que ponto é culpa do governo, até que ponto é resultado de uma guerra econômica que vem do exterior, das sanções, da queda do preço do petróleo, da inflação, do contrabando (para a Colômbia)”, explicou. O especialista da ONU recordou a historia da crise no Chile em 1973, mas “não esqueçam que (Henry) Kissinger e (Richard) Nixon disseram que não se podia tolerar que um modelo alternativo tenha êxito na América Latina e logo se derrubou o governo (de Salvador Allende) pela força em um golpe de Estado”. Da mesma forma, De Zayas indicou que outra razão possível para as alegações de uma suposta crise humanitária na Venezuela é distrair: “Há outros problemas, no Brasil, em Honduras, na Argentina, dos quais se fala muito pouco. O especialista independente explicou que a intervenção em um país somente pode ser justificada em casos de genocídios, como Ruanda em 1994 e no Camboja nos anos 70. Explicou que o artigo 2, parágrafo 3, da Carta das Nações Unidas é muito claro em sua condenação às intervenções, pois advoga pela resolução dos conflitos mediante o diálogo. “Os membros da Organização devem resolver suas controvérsias internacionais por meios pacíficos de modo a não pôr em perigo nem a paz e a seguridade internacionais nem a justiça”, diz o artigo 2, parágrafo 3, da Carta das Nações Unidas. Sobre as demandas da direita internacional de julgar ao presidente constitucional da Venezuela, Nícolas Maduro, por crimes de lesa humanidade, o especialista da ONU assegurou que é algo “surrealista” e” desprovido de seriedade”. Indicou que “há 20 ou 30 outros chefes de Estado que caíram mais facilmente sob esta jurisdição”. Questionou, ademais, por que não se investigam os governos envolvidos em crimes de lesa humanidade durante as intervenções militares no Iraque, Afeganistão e Líbia. De Zayas disse que semanas antes de chegar a Venezuela foi assediado: “Me chamaram todo tipo de epítetos e nas redes sociais se dizia que eu não era independente”, mais aclarou que aqueles que o criticam “não querem um relator independente”, querem um que venha para condenar, eu venho para ouvir e depois fazer recomendações construtivas, a mim não interessa condenar um Estado, venho ajudar mediante assessoria, assistência técnica”. O especialista independente chegou a Venezuela no dia 27 de novembro e realizou reuniões com funcionários do governo, vítimas de violações de direitos humanos e da violência das chamadas guarimbas (protestos violentos da oposição) com o objetivo de conhecer a situação política, econômica e social do país. “Estive com 15 ou 16 ministros, conselheiros, para saber o que se passou nos últimos anos, sobre a queda dos preços de petróleo, a escassez, o desabastecimento”, especificou. “Queria ver com meus próprios olhos e ao final dos meus oito dias de visita recomendei ao chanceler uns conselhos preliminares” disse. Indicou que antes de vir à Venezuela revisou os informes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e disse não estar convencido de que sua metodologia “seja correta e objetiva”. undefined
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