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A Assembleia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela determinou novas eleições no Estado de Zulia. Esta deliberação se deu em consequência da decisão do governador eleito pela oposição no Estado de Zulia, Juan Pablo Guanipa, do partido Primeira Justicia, de não aceitar ser juramentado perante a ANC venezuelana, condição para que pudesse assumir o cargo. Entre os cinco governadores eleitos pela oposição Venezuelana nas eleições regionais de 15 de outubro, Guanipa foi o único que não aceitou ser juramentado perante a ANC. A sua postura demarca a posição dos setores mais violentos da Mesa de Unidade Democrática (MUD), chamados de “confrontacionistas”, e especificamente de seu partido, o Primera Justiça de não reconhecerem a legitimidade da ANC eleita por oito milhões de venezuelanos. A decisão indica o objetivo dos setores mais violentos da oposição venezuelana, de buscarem a destituição do governo através de um golpe militar ou de uma intervenção militar por potências estrangeiras. O Estado de Zulia é onde se desenvolve a maior parte da extração do petróleo venezuelano, no Lago Maracaibo. Possui importantes reservas de carvão e um importante desenvolvimento agrícola. É estratégico também por sua localização geográfica, na região chama de “meia lua” venezuelana. Possui fronteira com a Colômbia, país alinhado aos EUA, e que possui sete bases militares norte-americanas. E já foi palco de ações de grupos paramilitares colombianos no ano de 2004, quando 153 militantes de um desses grupos foram presos, acusados de uma tentativa de magnicídio contra o presidente Hugo Chaves. Neste período, o governador de Maracaibo era Manuel Rosales, que participou ativamente do golpe de estado civil – militar contra Hugo Chaves em 2002, dando posse a Pedro Carmona. Rosales, assim como outros articuladores do golpe de 2002 receberam indulto, e Rosales concorreu à presidência contra Hugo Chaves no ano de 2006, quando foi derrotado pelo presidente Chaves. É importante ressaltar que a decisão de Juan Pablo Guanipa de não aceitar ser juramentado, foi apoiada por seu partido, o Primeiro Justicia, mas também por Miguel Rosales, indicando um consenso de importantes setores da classe dominante em Zulia de deslegitimar as instituições venezuelanas, mesmo com o custo de perder o governo do Estado. São setores que possuem fortes relações com a classe dominante colombiana, com o presidente Manuel Santos e com o ex-presidente Uribe. Inclusive Pedro Carmona buscou refúgio na Colômbia após a derrota do golpe de estado no ano de 2002. O Estado de Zulia é, portanto, estratégico, não somente pela sua importância econômica, como também pela sua localização geográfica. Desde Chaves, os estrategistas da defesa venezuelana consideram que uma agressão exterior, tendo por base a Colômbia poderia se dar através do Estado dos estados da chamada “meia lua” venezuelana, incluindo o Estado de Zúlia. É importante considerar também que Guanipa, é membro do Partido Primero Justicia, liderado por Henrique Capriles. O Primeira Justiça de Julio Borges e Capriles, juntamente com o partido Vontade Popular de Freddy Guevara e o partido Um Novo Tempo, conformam o setor mais radical da MUD. São estes setores que promoveram os protestos violentos que resultaram em centenas de mortos e vem tentando derrubar o governo de Maduro através de uma via insurrecional. São os setores que apoiam as sanções econômicas de Trump contra a Venezuela, além de promover a “guerra econômica” e diversas formas de sabotagem à estabilidade política e econômica. Diante destes fatos fica a forte de indicação de que a decisão de Guanipa não é meramente uma decisão pessoal. É uma decisão que provavelmente envolve setores golpistas e ligados às máfias colombianas, da classe dominante do estado de Zulia, além de envolver os setores radicais da oposição venezuelana agrupados na MUD. Estes setores sofreram uma duríssima derrota eleitoral elegendo apenas um governador em toda a Venezuela, justamente Guanipa no Estado de Zulia. Os outros quatro governadores da oposição foram eleitos pela Ação Democrática (AD), partido histórico da IV república Venezuelana, que praticamente deixou de existir após a eleição de Chaves em 1998, e ressurgiu das cinzas nas últimas eleições, quando a população venezuelana deu um voto de castigo aos setores mais violentos da oposição. A decisão de Guanipa em Zulia de não aceitar ser juramentado pela ANC e dessa forma buscar deslegitimar as instituições venezuelanas, indica que a oposição derrotada jogará suas fichas em métodos extra-parlamentares, lançando mão da sabotagem, da violência para levantar a contra-revolução venezuelana com apoio de potências externas. Por isso, o chavismo não pode baixar a guarda. Deve aprofundar o processo revolucionário e se apoiar na mobilização de massas para derrotar a contra-revolução apoiada pelas principais potêncais.undefined
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