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Contribuição da página sobre a crise e a cisão da oposição venezuelana, que irá dividida para as eleições municipais de dezembro. Há alguns meses a oposição venezuelana iniciou uma ofensiva com protestos de rua violentos, e também em âmbito internacional, com apoio da OEA, EUA, União Europeia visando à destituição do governo de Nícolas Maduro. Os protestos violentos, que produziram mais de uma centena de mortos e centenas de feridos, foram articulados também com medidas de “guerra econômica” desenvolvidas por importantes parcelas do empresariado e pela principal organização empresarial a Fedecâmaras. Este processo culminou com a convocação de um referendo ilegal, pela destituição do presidente Maduro e pelo chamado a “hora zero”, mobilizações e greves convocadas pelo empresariado, com o objetivo de que fossem incessantes até a queda do governo. O chavismo respondeu a esta ofensiva com a convocação de uma assembleia nacional constituinte, que se tornou possível através de um processo de ampla mobilização social. O sucesso da convocação e instalação da assembleia constituinte constituiu uma vitória tática para o chavismo. Nesse contexto político, de revigoramento político do chavismo, através da mobilização de massas e da convocação popular para a defesa das conquistas sociais da revolução bolivariana foram realizadas as eleições de outubro. A população venezuelana consagrou uma importante vitória eleitoral para o PSUV, que conquistou o governo em 18 de um total de 23 estados e obteve 54% de todos os votos no cômputo geral das eleições regionais. Os setores mais radicais da oposição venezuelana, agrupada na Mesa de Unidade Democrática (MUD) foram os principais derrotados. O partido Primeira Justiça de Júlio Borges e Capriles, Vontade Popular de Freddy Guevara, e o partido Um Novo Tempo, justamente os setores que mais estimularam a violência, que favorecem sanções internacionais contra o governo venezuelano, como as impostas por Trump, ou até mesmo uma intervenção militar dos EUA, como é o caso de Freddy Guevara, foram os principais derrotados. Dos cinco governadores da oposição, apenas um foi eleito por este campo, o governador eleito de Zulia, que pertence ao Primeira Justiça de Capriles. Um setor histórico da direita venezuelana, o partido Ação Democrática (AD) de Henry Ramos Allup, venceu em quatro estados. Este partido foi a organização política hegemônica durante a quarta república Venezuelana, entre 1958 e 1998, quando Hugo Chaves foi eleito presidente pela primeira vez. A AD se diferencia dos setores mais radicais, mencionados, por uma tática mais voltada para os processos eleitorais e embora estimule a “guerra econômica”, não apostou da mesma maneira que os setores mais radicais, em uma via insurrecional para a derrubada do governo de Nícolas Maduro. A população venezuelana derrotou a oposição no processo eleitoral, mas rejeitou principalmente a violência dos setores mais radicais, lhes impondo um voto de castigo. Diante disso, o renascimento das cinzas da AD, que havia quase desaparecido durante a quinta república, parece estar ocorrendo uma passagem de guarda na oposição venezuelana. Nesta semana, os 4 governadores eleitos pela AD aceitaram ser juramentados pela Assembleia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela, que oficialmente não é reconhecida pela oposição, pela MUD. Neste contexto, dirigentes dos setores mais radicais, como Leopoldo Lopez e Capriles, do partido Primeira Justiça, não demoraram a chamar os dirigentes da AD de traidores e Capriles anunciou sua saída da MUD. Desatou-se o conflito entre os “setores eleitoralistas” e “confrontacionistas”, representados respectivamente pela AD e pelos setores radicais da MUD sob a liderança do partido Primeira Justiça. O Chavismo saiu e vitorioso das eleições, embora a oposição tenha recursos para seguir com atos de sabotagem e “guerra econômica”. O chavismo reitera sua posição de principal força política do país. A oposição derrotada seguirá dividida para as eleições municipais que devem ocorrer em dezembro. undefined
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