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Fomos surpreendidos às 12h de 30 de março de 2017 com um corte de energia na Flaskô. Um caminhão da CPFL encosta no posto da fábrica, acompanhado de uma viatura da Polícia Civil, da GARRA, e uma da Polícia Militar, e realiza o corte em menos de dois minutos. Sem qualquer diálogo ou comunicação prévia. Poderia ter ocorrido uma tragédia, pois a fábrica estava produzindo, com operadores de máquinas realizando seu trabalho, com matéria-prima dentro das máquinas, causando danos ainda a serem calculados. 
Cabe esclarecer que estamos em negociação com a CPFL desde outubro de 2016, quando passamos a renegociar o passivo existente, com o objetivo de juntar dois acordos já existentes com novas contas de energia do próprio mês. Tais fatos se comprovam por trocas de e-mails e atas de reunião.
Com a concordância e ORIENTAÇÃO da CPFL, o compromisso desde outubro foi pagar somente as parcelas dos dois acordos que possuímos, e as contas de cada mês ficavam em aberto, para que fossem a partir de janeiro de 2017, unificadas com os dois acordos já existentes. Ou seja, seguíamos em negociação, com reuniões regulares e com propostas financeiras, sempre de forma salutar, verificando várias possibilidades. 
No último dia 14 de março, realizamos uma reunião, com registro em ata, inclusive, onde discutíamos a proposta final de parcelar o débito somado de mais de R$ 1.500.000,00 (um milhão e meio de reais), considerando o débito de dois acordos, mais as contas dos meses de agosto/2016 a março/2017. Obviamente é um valor expressivo e reconhecemos o débito. Não é segredo para ninguém as dificuldades da Flaskô, e é reconhecido isso pelos próprios trabalhadores. A questão em discussão é o método.
Saímos no dia 14 de março com uma nova reunião agendada: dia 21 de março. Seriam analisadas as propostas em torno de valores factíveis para a fábrica, com um parcelamento exequível, assim como um parcelamento possível dentro dos marcos da CPFL. Vale lembrar que em 2008 foi feito um acordo com a CPFL, com um débito de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais), em 100 (cem parcelas) iguais de R$ 7.000,00 (sete mil reais). Tal acordo, portanto, foi exitoso, reconhecido pela própria CPFL, com a CPFL recuperando valores da época patronal. Nossa proposta agora, seria fazer um acordo para pagarmos entre dez ou vinte mil reais por mês, considerando que além disso teríamos a conta mensal a ser paga, no valor aproximado atualmente de setenta mil reais. Ofertamos cópia de nossas declarações de faturamento, nossas despesas, tudo com o intuito de comprovar a realidade da fábrica e quais as possibilidades factíveis tanto para a CPFL quanto para a Flaskô. Discutimos também de fazer uma proposta de algo em torno de 120 (cento e vinte) ou 150 (cento e cinquenta) parcelas, reconhecendo que a Flaskô sempre quitou os acordos assumidos.
Voltamos para a reunião no dia 21 de março, e, eis que, dentro da CPFL, somos informados que a reunião não aconteceria, e que uma nova agenda será realizada na próxima semana, e que seríamos comunicados e que a análise estava caminhando, e que a CPFL faria uma contraproposta. Explicaram, inclusive, que o débito da Flaskô, apesar de grande, é pequeno dentro da CPFL, especialmente ao se comparar, por exemplo, com a dívida com a empresa MABE, que entrou em falência, com dívida que ultrapassa três milhões e meio de reais. E mesmo na MABE a negociação estava ocorrendo. Ou seja, os termos da negociação seguia em aberto e aguardávamos uma posição.
Infelizmente, no entanto, às 12h de 30 de março, somos surpreendidos com esta brutal medida da CPFL, agressividade jamais vista anteriormente conosco, sem comunicação prévia e em desconformidade com o teor das negociações que vinham sendo feitas. A CPFL realiza o corte de energia de forma unilateral e inconsequente. Imediatamente entramos em contato com a CPFL cobrando explicações diante do ocorrido. Comunicam que não falariam por telefone e pedem para nos dirigirmos à CPFL para reunião às 15h. Assim fazemos. Às 14h30 recebemos por e-mail uma suposta carta da CPFL apresentando que havia recusado nossa proposta, e não apresenta alternativas, e comunica o corte. Reunidos na CPFL, num verdadeiro clima opressor e hostil, com mais de 20 seguranças particulares contratados para nos intimidar, numa reunião com cerca de 10 gerentes e diretores, somos informados que esta é a posição definitiva da CPFL, de que não haverá religação da energia enquanto não houver o pagamento do valor de um milhão e seiscentos mil reais, ou que seja apresentada uma proposta com garantia real e um parcelamento dentro das possibilidades da CPFL.
Questionada por conta do método adotado, a CPFL simplesmente ignora e silencia, e diz que nada pode fazer, considerando a dívida existente. Não responde os motivos da ausência de comunicação nos termos do procedimento que vinha sendo realizado, via e-mail e contato telefônico, nem responde os motivos de não ter tido a reunião no dia 21 de março. Informaram que essa é a posição final e que nós poderíamos adotar as medidas que quiséssemos pois a CPFL não mudaria sua posição, e que não há nada mais a considerar sobre o caráter social da Flaskô.
Por último assevera que não há contraproposta da CPFL, não dando, na prática, qualquer alternativa para a Flaskô. Mostra, com arrogância e elitismo, o significado de uma empresa privatizada, que detém o monopólio do fornecimento e distribuição de energia na região. Se vangloria como uma empresa de responsabilidade social, mas agride frontalmente uma experiência reconhecidamente com caráter social.
Saímos praticamente expulsos da CPFL, com seguranças ao nosso lado, numa afronta à postura de diálogo e respeito que deveria ocorrer. Lavam as mãos e ignoram as negociações que vinham sendo feitas.
Diante de tudo isso, explicando detalhadamente a situação concreta, os trabalhadores da Flaskô convocam a luta para o próximo período:
Concentração diária na Flaskô, com vigília e solidariedade;
Campanha financeira de solidariedade à Flaskô;
Atividades diversas na próxima semana, a serem discutidas junto com a rede de apoio à Flaskô;
Manutenção, e com ainda mais importância, a conferência que estava convocada para dia 08 de abril, às 14hs, na fábrica. 
Repudiamos veementemente a atitude da empresa CPFL. Combateremos com todas nossas forças para que a energia seja religada e que a luta da Flaskô siga pela manutenção dos postos de trabalho, pagamentos de direitos e todo o caráter social que significa, sob uma gestão dos trabalhadores, com todas suas conquistas, com a Vila Operária, a Fábrica de Cultura, Educação e Esportes.
Nos dirigimos à CPFL para que RELIGUE A LUZ, retomando as negociações que vinham sendo feitas, aprovando-se um parcelamento crível para a Flaskô e factível para a CPFL, e que o diálogo seja o instrumento a ser utilizado, e não medidas unilaterais de quem detém o poder econômico diante de uma fábrica sob controle operário.
Não vamos sossegar até que a justiça seja feita. Utilizaremos todos nossos instrumentos para reverter esta arbitrária medida pela CPFL. Fazemos um apelo para que todos os apoiadores se insiram ainda mais nas campanhas em defesa da Flaskô e que juntos possamos enfrentar mais este golpe contra o conjunto da classe trabalhadora.
Viva a luta dos trabalhadores da Flaskô!
CPFL, religue a luz e volte às negociações com os trabalhadores!
Sumaré, 30 de março de 2017
Assembleia dos trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô

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