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No-al-Fascismo

Após obter a vitória nas eleições parlamentares de dezembro de 2016, a direita venezuelana partiu para uma ofensiva com o objetivo de derrotar a Revolução Bolivariana no curto prazo. Esta estratégia é desenvolvida com a retomada de métodos de terror no plano econômico, "guerra econômica" de desabastecimento, e nas ruas, através de marchas e dos protestos violentos nos bairros e cidades de classe média, conhecidos como "guarimbas".
Neste texto procuramos fazer uma breve descrição dos métodos de terror e fascismo adotados pela direita radical venezuelana e utilizados crescentemente com o objetivo de alcançar a deposição de Nícolas Maduro.

As "guarimbas" em 2014:

Para compreender a dinâmica dos protestos de rua organizados pela direita em 2016 é preciso considerar a conflagração que ocorreu no país no primeiro semestre de 2014. Em janeiro deste ano lideranças extremistas da direita venezuelana convocaram uma rebelião popular contra o governo de Maduro usando a palavra de ordem "La Salida".
As marchas e protestos da direita foram acompanhados de atos de terror, com ataques armados a prédios públicos, lojas da rede Mercal, (destinada a venda de alimentos para as classes populares). Também ocorreram ataques armados contra militares da Guarda Nacional Bolivariana, durante as marchas da direita e nas "guarimbas" dos bairros de classe média.
Em fevereiro de 2014, centenas de estudantes encapuzados organizaram um ataque à residência do governado de Táchira, que feriu mais de 10 policiais. Em 12 de fevereiro de 2014, estudantes de universidades privadas organizados em grupos de choque atacaram a sede do Ministério público, gerando um conflito que produziu três mortes e centenas de feridos.
As manifestações tiveram caráter reacionário, caracterizando – se não apenas como ataque ao poder central, mas também às classes populares. Caracterizaram-se como ações de guerra civil, desenvolvidas com métodos de terror contra organizações populares, prefeituras dirigidas pelo PSUV etc.
Houve reação das organizações e coletivos chavistas e a rebelião perdeu força restringindo-se às "guarimbas" organizadas em bairros de classe média alta. Para impedir a circulação de militantes chavistas que utilizavam motos, "guarimbeiros" estenderam fios de arame farpado entre postes dos dois lados da rua, tática que causou três degolamentos de militantes chavistas. Em alguns bairros existiam franco – atiradores que fuzilaram ao menos duas pessoas. Ao final da onda de protestos e terror fascista 43 pessoas morreram e mais de 800 foram feridas. A guarda Nacional Bolivariana fez a detenção de cerca de 4300 agitadores e líderes da direita dos quais 43 permanecem presos ainda hoje. Também foram presos militares acusados de excessos, assassinatos etc, assim como militantes chavistas.

Direita retoma métodos de terror fascista em 2016:

Após ser eleito presidente da Assembleia Nacional venezuelana Henry Ramos Allup da Ação Democrática (AD), anunciou a estratégia de depor Nícolas Maduro em seis meses. O encerramento do governo, segundo Allup, pode se dar através de um referendo revogatório ou da declaração de uma Assembleia Nacional Constituinte. Nesse momento a estratégia da oposição venezuelana passa por concentrar esforços na exigência da aceleração dos procedimentos do Conselho Nacional Eleitoral para a validação das assinaturas coletadas para que ocorra um referendo revogatório. Este caminho legal é fortalecido pela retomada de métodos de terror que parecem indicar que a direita venezuelana procura derrubar o governo independentemente dos resultados alcançados pela via legal. Esta semana, na quarta – feira dia 18, ocorreu uma grande marcha opositora em Caracas, convocada como reação ao pronunciamento de Maduro feito no dia anterior, quando acusou os EUA de estarem por trás da tentativa de desestabilização da Venezuela. Maduro afirmou durante o pronunciamento que após o golpe de estado no Brasil a Venezuela é o próximo alvo e que a direita venezuelana procura criar conflitos violentos para poder reivindicar uma intervenção internacional. A marcha opositora foi novamente caracterizada pela violência, com destaque para a atuação de grupos armados com bastões de madeira, que feriram cinco membros da Guarda Bolivariana.
Em 19/05/2016 grupos estudantis radicais formaram "guarimbas" na Avenida Las Americas em Mérida. Junto com os estudantes atuaram homens armados portando escopetas cerradas, que entraram em choque com a guarda anti – motins de Mérida. Esta semana também ocorreram atentados terroristas contra a faculdade de medicina da Universidad de los Andes
Tudo indica que a direita pretende impulsionar uma nova rebelião como em 2014, com uso crescente de métodos de terror.
A direita venezuelana, os partidos agrupados no MUD, contam com apoio norte – americano. O presidente Barack Obama declarou em 2015 "estado de emergência", a partir da consideração de que a Venezuela constitui uma ameaça à segurança nacional norte – americana.
A Revolução Bolivariana se encontra fortemente ameaçada. Diante do terror fascista da direita venezuelana, cabe aprofundar a organização da classe trabalhadora venezuelana para que ela possa exercer a autodefesa. A derrota da direita fascista passa pelo aprofundamento da revolução, com medidas como o controle operário da produção nas empresas que promovem a sabotagem econômica, estatização do sistema financeiro e monopólio do comércio exterior. Frente ao avanço do terror da direita, torna-se ainda mais urgente, completar a transição para o socialismo.

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