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Desde 2013, com a eleição de Nícolas Maduro por pequena margem de votos sobre Henrique Caprilles, a direita venezuelana se sente fortalecida e aprofunda a ofensiva política e econômica para derrotar a Revolução Bolivariana. O leque de ações dos partidos de direita e dos setores empresariais envolve a guerra econômica com o desabastecimento, desvio de produtos para o mercado negro, criando as condições para manifestações de rua violentas, ataques midiáticos etc.
Estas ações aprofundam a crise da economia venezuelana, duramente afetada pela crise econômica global e pela baixa dos preços do petróleo, cuja exportação é a principal fonte de divisas do país. Hoje a Venezuela vive um processo inflacionário descontrolado e a extrema escassez de produtos de primeira necessidade, fatos que penalizam fortemente a maioria da população.
A degradação das condições de vida, o intenso sofrimento causado pelo desabastecimento e pela hiperinflação gera desgaste na classe trabalhadora, levando grandes contingentes à desmoralização e ao afastamento político em relação ao Chavismo e ao PSUV.
Uma das formas que se reveste a guerra econômica são os "cerros de fabrica", quando os patrões param a produção. Essas "greves" patronais são comuns na Venezuela. Os industriais usam esse método de sabotagem econômica há quase duas décadas, desde o Paro Petrolero, quando a burocracia que há época detinha o controle da PDVSA, parou a produção da empresa petrolífera com o propósito de derrubar Hugo Chaves. Esta paralisação produziu prejuízo de bilhões de dólares para o país, até ser derrotada pela forte reação da classe trabalhadora. A finalidade dessa guerra econômica sistemática é a derrubada o regime e derrota definitiva da Revolução Bolivariana. Recentemente, por exemplo, a indústria de cerveja Polar resolveu parar a produção para enfraquecer o governo de Nícolas Maduro.
No contexto atual de aguda crise econômica e enfraquecimento da liderança Chavista, a direita procura articular a guerra econômica com o estímulo e desenvolvimento "guarimbas". As "guarimbas" são grandes manifestações de rua, compostas majoritariamente pela classe média e por setores estudantis que fazem oposição à Revolução Bolivariana. A direita procura propagandear que são manifestações espontâneas e majoritariamente estudantis. Na verdade os setores estudantis, embora tenham importância significativa, são minoritários nas "guarimbas" e as manifestações não são espontâneas. São estimuladas por políticos da direita reacionária venezoelana como Henrique Caprilles e Leopoldo López e financiadas por meio do imperialismo norte americano. São manifestações violentas com fechamento de ruas, queima de lixo, agressões com objetos contundes e disparos de arma de fogo, com o objetivo de intimidar a população a sair de casa.
Em 2014 o contexto de crise econômica criou condições favoráveis para que ocorressem poderosas "guarimbas" em centenas de cidades. O confronto das forças públicas e de coletivos Chavistas com os manifestantes das "guarimbas", resultou em cerca de 43 mortos, entre civis e membros da força pública.
A guerra econômica através dos lockouts patronais, juntamente com as "guarimbas" e a cobertura midiática destes eventos, através de campanhas de mentiras, são ações conjugadas que configuram os métodos para a realização de um "golpe suave" na Venezuela.
Estas ações enfraquecem a Revolução Bolivariana e favorecem o crescimento da direita. Este conjunto de fatores favoreceu a vitória eleitoral da Mesa de União Democrática (MUD) nas eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015.
Com o novo quadro aberto com a eleição do neoliberal Macri na Argentina e com a queda do governo de Dilma Roussef no Brasil, a direita venezuelana com o apoio do imperialismo investirá com todas suas forças para derrotar a Revolução Bolivariana; seja através de um golpe suave ou através de uma vitória eleitoral em um referendo revogatório. Contudo, mesmo a vitória eleitoral no referendo seria possibilitada pela conjugação da luta eleitoral e da utilização de ações típicas do golpe suave.
A única forma de reverter esta dinâmica desfavorável, que coloca em extremo risco o governo de Nícolas Maduro e a própria sorte da Revolução seria o aprofundamento da Revolução Bolivariana na direção da expropriação das fábricas, da estatização do capital financeiro e da socialização dos meios de produção. Somente dessa forma será possível retirar a economia venezuelana da rota do colapso em que ela se encontra e derrotar as classes dominantes.
Os efeitos da crise econômica global na região latino-americana levaram ao esgotamento dos governos de esquerda com orientação social – liberal na Argentina e no Brasil. O esgotamento deste modelo de conciliação de classes criou as condições para que a direita retornasse ao poder através do voto na Argentina e de um golpe parlamentar no Brasil.
A Revolução Bolivariana pode estar chegando ao momento derradeiro que significará a vitória ou a derrota definitiva da revolução. A política desenvolvida pela direção Chavista jogará papel decisivo.

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