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A chancelaria da República Bolivariana da Venezuela emitiu um contundente comunicado denunciando o golpe parlamentar em curso no Brasil, no dia 12 de maio de 2016. Além disso, retirou seu embaixador do Brasil, para consultas, deixando claro não reconhecer o governo usurpador de Michel Temer.
A Venezuela, conjuntamente com Cuba, Nicarágua, El Salvador, Bolívia, Chile, Uruguai, são os primeiros países a manifestarem o não reconhecimento da legitimidade do governo de Temer e a denunciarem o golpe de estado parlamentar no Brasil.
O comunicado da chancelaria venezuelana apresenta um perfeito diagnóstico da dinâmica política que envolve a consumação do golpe de estado no Brasil. Caracteriza o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff como um "golpe de estado parlamentar", desenvolvido através de "farsas jurídicas das cúpulas oligárquicas" em conluio com interesses imperialistas.
A nota também traz a afirmação de que o impeachment é uma "vingança" dos setores de direita que perderam as últimas eleições e jamais chegariam ao poder através do voto, "são incapazes de chegar ao poder por outra via que não a força".
A Venezuela denuncia ainda que o Golpe em curso teve início logo após a vitória eleitoral da presidenta Dilma. Afirma que o golpe de estado no Brasil exemplifica o método utilizado pelas classes empresariais da região nos últimos anos; a estratégia do "golpe suave", através de campanhas midiáticas, sabotagens, desinformação, mentiras.
A nota ainda salienta que o golpe parlamentar no Brasil ocorre dentro do contexto de investida das classes dominantes da região latino-americana, associadas ao imperialismo, com o propósito de derrubar os governos progressistas da região. O comunicado da chancelaria venezuelana ao final conclama os povos de todo mundo para a solidariedade contra o golpe no Brasil e ao mandato da presidente Dilma.

O Golpe no Brasil e o avanço da Reação na AL: A Venezuela na mira do Império.

O golpe no Brasil se dá em seguida ao êxito da estratégia do "golpe suave" em dois países da região, Honduras, em 2009 e Paraguai em 2012. Em Honduras o presidente Manuel Zelaya foi sequestrado pelo exército no dia 28 de junho de 2009. No dia 29 de junho uma carta de renúncia fraudulenta foi lida no congresso de Honduras e o presidente do congresso imediatamente empossado como presidente da república. Nesse caso, o golpe teve o apoio do exército, mas foi consolidado pelo parlamento. Após o golpe ocorreram poderosas mobilizações populares que foram derrotadas com violenta repressão estatal.
O golpe parlamentar do Paraguai se configurou como uma espécie de impeachment relâmpago. Todo processo entre a acusação do presidente Lugo e a cassação do mandato teve duração de 30 horas. O presidente foi afastado através da acusação de "mau desempenho das funções".
O golpe no Brasil em seguida a vitória do neoliberal Macri na Argentina fortalece a classe dominante venezuelana, que desde a chegada de Hugo Chaves ao governo em 1998, sistematicamente tenta derrubar os governos bolivarianos, legitimados pela vitória eleitoral em mais de sete eleições.
Ainda em 2002, Hugo Chaves sofreu um golpe de estado, nos moldes clássicos com a participação de setores das forças armadas atuando conjuntamente com a elite empresarial, dando posse a um civil. A mobilização popular espontânea derrotou o golpe e recolocou Chaves em seu posto. Desde então o presidente da Venezuela e seu sucessor Nicolas Maduro, sofreram diversas tentativas de "golpe suave", através de campanhas midiáticas, sabotagens de diversos tipos, como frequentemente ocorre com o desabastecimento de alimentos produzido propositalmente pelos empresários venezuelanos.
Após a vitória eleitoral de Macri na Argentina e o desenvolvimento do golpe parlamentar no Brasil, o próximo alvo da reação na região é a Venezuela. Hoje 17/05, em pronunciamento na Telesur, Nícolas Maduro afirmou que o "O golpe de estado no Brasil é um golpe contra a América Latina e Caribe e contra os BRICS".
Nas últimas semanas as classes empresariais venezuelanas, animadas pelo avanço da direita no Brasil e na Argentina, desenvolvem mais uma campanha de desestabilização visando derrubar o governo venezuelano. Crescem as ações de sabotagem econômica visando o desabastecimento, como se exemplifica com o lockout patronal na fábrica de cervejas Polar, que paralisou a produção.
Também cresce o cerco midiático, feito pela imprensa tradicional, diários El País e El Universal, com uma profusão de notícias contrárias ao governo bolivariano. O ataque midiático é feito pela imprensa local, mas também pela imprensa dos EUA e da Espanha, como o tradicional El País espanhol. Nícolas Maduro compreende que após o golpe no Brasil, a reação partirá com tudo para derrotar a revolução bolivariana. É certo que no próximo período o desenvolvimento da luta de classes no Brasil refletirá na Venezuela e vice – versa. Essa é dinâmica da revolução e da contrarrevolução na região latino-americana.

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