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Alguns acontecimentos recentes indicam que pode estar em gestação uma nova revolta que envolva amplos contingentes do povo palestino. Alguns analistas já falam na possibilidade eminente de uma nova intifada, palavra que simboliza a rebelião de caráter nacional que engloba a população palestina na resistência à ocupação sionista.

As ações promovidas por Israel, que são reiteradas a cada ano, de expansão sobre os territórios palestinos da Cisjordânia com a construção de assentamentos ilegais, a guetificação e o massacre militar do território palestino de Gaza, demonstram a total inviabilidade da concretização dos acordos de Oslo, que previam a formação de um Estado Nacional Palestino.

Os fatos que se podem verificar através das ações de Israel demonstram com toda clareza que suas classes dominantes se movem pela estratégia de expansão do território à custa do massacre do povo palestino, com a utilização de diversas formas de brutalização. Asfixia econômica de territórios para forçar a migração, extermínio físico, encarceramento, torturas e muros de isolamento.

Diante deste cenário de desespero e de falta de esperança na orientação política da sua principal organização política, a Fatah, o povo palestino se vê forçado a reagir, e essa reação se dá com o protagonismo da juventude. As notícias que chegam neste mês revelam a ocorrência de atos espontâneos de resistência, mas que podem se estruturar e ganhar a amplitude das Intifadas de 1987 e 2000.

Neste mês de outubro, jovens palestinos assumiram uma nova forma de resistência que é expressiva do alto grau de angústia que vivenciam. Em cidades da Cisjordânia como Hebron, jovens têm atacado à facadas militares israelenses. O ataque à militares tem um efeito simbólico forte, porque significa um ataque direto ao Estado de Israel, sendo os militares símbolos do expansionismo e da opressão deste Estado. Tais ações parecem ter caráter espontâneo. A reação tem sido a execução sumária destes jovens, o que aumenta a ira do povo palestino e a pressão sobre as organizações políticas, principalmente o Fatah que governa a Cisjordânia, fato que levou o seu dirigente máximo Mahmoud Abbas à praticamente romper com os acordos de Oslo.

É preciso ter em consideração que a crise econômica global afeta a Autoridade Nacional Palestina, assim como a todos os Estados que são pressionados pelas forças do mercado e por instituições políticas do capitalismo financeirizado à adotar medidas econômicas para lidar com a crise. Essas medidas simplesmente aumentam a pilhagem econômica e o sofrimento dos trabalhadores A Autoridade Nacional Palestina se encontra pressionada por organismos internacionais a realizar corte de gastos sociais, o que penaliza ainda mais o povo palestino e enfraquece sua autoridade.

A situação dos 5 milhões de refugiados palestinos, segmento, cuja reivindicação de retorno à pátria não foi contemplado nos acordos de Oslo se agrava terrivelmente. Basta citar o exemplo do campo de refugiados na Síria em Damasco que no início deste ano foi controlado pelos bárbaros do Estado Islâmico (ISIS).

No Líbano, os refugiados palestinos vivenciam uma situação desesperadora com o corte das verbas da organização da ONU para refugiados. Estes cortes precarizam em alto grau o atendimento das necessidades dos palestinos refugiados neste país, principalmente os atendimentos médicos. Diante destes fatores, que revelam a tragédia do povo palestino e a crise do sistema capitalista é importante refletir sobre os fatores políticos e econômicos de uma revolta de grandes proporções que pode estar se iniciando na Palestina. Rebelião contra a opressão do Estado Sionista de Israel, mas que também ocorre pela influência dos fatores econômicos da crise global capitalista.

 

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