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Por: Paulo Roberto de Andrade Castro Este artigo tem por objetivo tecer algumas considerações e uma comparação sobre o plebiscito realizado pela oposição venezuelana, no contexto de uma ofensiva interna e com apoio internacional, para desestabilizar o governo de Nicolas Maduro e o plebiscito independentista realizado na Catalunha, duramente reprimido pelo governo espanhol. Os dois eventos ocorreram em datas próximas, separados temporalmente por dois meses e possuem algumas semelhanças, cuja interpretação auxilia a compreensão sobre democracia e protesto social no período contemporâneo. Em ambos os casos são ações políticas que desafiam o poder central e não podem ser vinculantes, considerando-se que nos dois casos não existe respaldo constitucional, para a ação política dos setores que se insubordinam e desafiam o poder constituído. Contudo, apesar desta semelhança, possuem significados diversos, revelando interesses políticos diferentes em cada caso. Na Venezuela a oposição, apoiada por potências imperiais, procura derrubar o governo e impor uma derrota à um processo revolucionário incompleto. Esta ofensiva ocorre em um contexto de avanço da direita na região da América Latina, que no caso venezuelano, busca aproveitar a oportunidade da crise econômica vivenciada pelo país para se impor através de um golpe de estado. Algo que tem se tornado costumeiro na região, após o golpe em Honduras, no Paraguai e no Brasil, além das tentativas frustradas no Equador e na Bolívia. Na Catalunha, revela-se um quadro complexo. O independentismo catalão vem sendo estimulado pelo governo local, como uma forma de se desvencilhar de suas próprias contradições. A Catalunha é governada pela direita na maior parte do tempo que possui sua autonomia, desde a constituição espanhola de 1978. A direita, atualmente no poder, governou 30 de 37 anos, nove de 11 legislaturas. O presidente da Generalitat da Catalunha, Carles Puigdemont pertence a um partido liberal e nacionalista, o PDeCAT, o qual tem sido a força hegemónica durante a maior parte deste tempo. A Espanha, como se sabe, foi um dos países da Europa mais duramente afetados pela crise de 2008. O governo central da Espanha ao mesmo tempo em que socorreu bancos e instituições financeiras com bilhões de euros durante a crise, aprofundou as medidas de austeridade que conduzem a deterioração do estado de bem estar social, a destruição dos serviços públicos destinados à população, como saúde e educação e demais direitos sociais e trabalhistas, em um contexto em que o desemprego chegou a atingir quase 30% da população, afetando especialmente a juventude. A região da Catalunha foi uma das mais afetadas pela crise em toda Europa. A crise afetou duramente o mercado de trabalho catalão, causando uma queda acentuada na qualidade de vida das clases populares. O governo liberal da direita catalã aprofundou os cortes no financiamento dos serviços públicos do estado de bem estar social da Catalunha. Em um momento de alto desemprego e precarização no trabalho, a população pobre da Catalunha sofreu também a diminuição do investimento em políticas sociais e em prestações como a transferencia de renda para a prevenção da pobreza e exclusão social, moradias sociais entre outros direitos. A Catalunha se tornou um dos estados de bem estar social com menor financiamento na Espanha e em toda a Europa na UE – 15, com gastos sociais inferiores a países de renda equivalente. A profunda recessão e as políticas de austeridade produziram fortíssimas manifestações na Catalunha, como no evento conhecido como 15-M, quando o parlamento foi cercado por uma multidão e seu presidente precisou usar um helicóptero para literalmente fugir da multidão. É nesse contexto histórico que a direita Catalã, históricamente nacionalista, procurou reforçar o sentimento nacional, apresentando o governo central da Espanha como responsável pela crise social da Catalunha, como se ela própria não tivesse responsabilidades diante desta crise, que é consequência das políticas de austeridade que ela própria desenvolveu. O movimiento independentista catalão neste momento é dirigido pela direita tradicional PDeCAT, mas tem apoio de partidos de esquerda como o ERC e a CUP (considerado de “extrema-esquerda”). É apoiado também por inelectuais, artistas e movimentos sociais, especialmente o sindical e o estudantil. Trata-se de um movimiento poli-classista, que embora liderado pela direita, tem forte participação de trabalhadores, estudantes e cujo sentido é hoje disputado. Tem o potencial de ativar a luta de clases em toda a Espanha, como se evidencia com as mobilizações de apoio ao plebiscito em Madri e em ciudades estratégicas da Galícia e do País Basco. O governo español dirigido pela direita reagiu de maneira ditatorial para impedir a realização do plebiscito no dia 1 de outubro. Enviou dez mil policiais para a Catalunha que realizaram uma repressão brutal, que teve como saldo mais de 800 feridos. A burguesía espanhola sabe que as mobilizações da Catalunha desafiam a esstabilidade do regime espanhol que sucedeu ao franquismo, conservando muitas de suas características. Em um cenário mundial turbulento, no qual o conflito social ocorre em larga escala em diversas regiões do planeta, incluindo a Europa, os donos das finanças europeias, representados nos governos de Merkel na Alemanha, Macron na França, e de Theresa May no Reino Unido, apoiam o governo de Madrid e a União Europeia se nega a mediar o conflito entre a Catalunha e Madri. Nesse sentido, a brutal repressão ao plebiscito Catalão pelo governo de Mariano Rajoy não deixa de ser uma expressão indireta da ditadura do capital financiero europeu. Venezuela e Espanha: Onde está a ditadura? Embora os dois plebiscitos correspondam a realidades nacionais específicas, eles nos informam sobre a agudização da luta de classes no período atual. Também exemplificam maneiras distintas da relação de governos com o protesto social. A Venezuela, governada pela esquerda, constitui uma experiência progressista, apesar das contradições do chavismo e de seus limites estratégicos para a construção do socialismo. Contudo, o governo de esquerda venezuelano constitui um incômodo para as potências imperiais, especialmente os EUA, em seu empenho de recolonização da América Latina. Nesse contexto, a direita anti-democrática venezuelana convocou um plebiscito, como uma das táticas para a deposição do governo de Nícolas Maduro. O chamado ao plebiscito se deu no bojo de uma tentativa insurrecional, após 3 meses de protestos violentos que causaram a norte de mais de uma centena de venezuelanos. Além das iniciativas de sabotagem econômica que causam o desabastecimento e a alta dos preços. O plebiscito inconstitucional desenvolveu-se com inúmeras irregularidades, como voto repetido de vários eleitores, sem possibilidade de ser auditado, pois a oposição venezuelana, queimou as cédulas, alegando que os eleitores sofreriam perseguição do governo. A iniciativa do plebiscito teve o apoio externo dos EUA e da OEA, subserviente a esta nação. Contudo Nícolas Maduro permitiu que o plebiscito ocorresse e não houve qualquer repressão governamental. O governo tratou o evento como uma ação política da oposição, tolerável nos marcos de um regime democrático. O chavismo procurou neutralizar os efeitos do plebiscito opositor com a mobilização maciça para a assembleia constituinte. Na Espanha, pelo contrario, a mobilização legítima pela auto- determinação nacional catalã, foi reprimida brutalmente com o apoio das principais potencias europeias. A ação policial no dia do plebiscito deixou 800 feridos. A monarquia constitucional com democracia parlamentar, surgida da transição de 1978, mostra uma de suas faces mais cruéis, a opressão das nacionalidades minoritárias. Mariano Rajoy e o rei Felipe VI sinalizam a utilização do artigo 155 da constituição. Podem chegar a utilizar o exército para sufocar a independência catalã. undefined
Tradução: Paulo Roberto de Andrade Castro. Realizamos a tradução do declaração do professor Hemy Herrera, sobre a Venezuela, no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Sugerimos a leitura do texto. Por Hemy Herrera – Centro Europa Tiers Monde da cetim.ch Segue-se uma declaração escrita pelo Prof. Remy Herrera e arquivado pelo Centro Europa (CNRS e Univ Paris I, Sorbonne.) - Tiers Monde (CETIM) no Conselho dos direitos do ' homem de 'Nações Unidas (Genebra). Para o respeito dos direitos humanos, especialmente o direito de " auto-determinação, na República Bolivariana da Venezuela Preocupada por uma apresentação unilateral da situação na Venezuela e incentivando a violência, o CETIM espera contribuir com clareza com a esperança de que o direito à informação, consagrado na Carta Internacional dos Direitos Humanos, seja respeitado. Após a primeira vitória de Hugo Chávez nas eleições presidenciais de 1998, está ocorrendo um processo de transformação social, econômica, política e cultural profunda, mas pacífica na Venezuela. A partir dessa data até o sucesso eleitoral do atual presidente Nicolas Maduro, em abril de 2013, as forças políticas que apoiam a sua agenda progressista comum, ganharam quase todas as eleições organizadas no país, de forma livre e democrática, como testemunham numerosos observadores estrangeiros independentes. Ao mesmo tempo, as estruturas da sociedade foram em grande parte democratizadas, especialmente graças ao desenvolvimento de formas de participação popular e comunitária, e os direitos dos cidadãos venezuelanos são bastante avançados. Não reconhecendo esses avanços nas liberdades civis e políticas, e democráticas em geral, bem como dos direitos econômicos, sociais e culturais no país, seria negar as evidências. Durante este período, alguns dos líderes oposição, apoiados pelo governo dos EUA, explicaram ao mundo a sua concepção de democracia em várias ocasiões: primeiro, em abril de 2002, durante uma tentativa de golpe contra a ordem constitucional, interrompida pela mobilização do povo; posteriormente, a partir de dezembro de 2002, com o “Paro Petrolero”, ao qual o governo respondeu assumindo a empresa Petróleos de Venezuela SA e lançando missões sociais; finalmente durante todo o período, através das incessantes operações de sabotagem do economia nacional, realizadas com a colaboração de grandes proprietários privados hostis à democratização. A população e os sucessivos governos têm reagido a essas agressões das frações mais reacionários da oposição com firmeza, mas de forma pacífica. A reafirmação várias vezes na urna, do apoio de uma grande maioria dos venezuelanos ao processo de transformação do país é explicada por razões sólidas. O progresso social tem sido enorme desde 1999, em todos os campos: saúde, educação, cultura, alimentação, habitação, infraestrutura, serviços públicos, trabalho, pensões. As estatísticas estão disponíveis para confirmação. A tomada de controle efetivo sobre o coração da economia pelo Estado. A indústria do petróleo permitiu pela primeira vez na história do país uma distribuição mais justa das receitas dos recursos naturais. Como resultado, as desigualdades de renda começaram a diminuir de forma significativa, embora ainda haja muito a fazer nesta questão. A Venezuela é hoje, depois de Cuba, a sociedade menos desigual da América Latina. É claro que tudo isso, alcançado em benefício de muitos, não atende os interesses dos mais ricos. Sob o impulso do presidente Chávez, a Venezuela participou ativamente da construção de um mundo unipolar mais equilibrado. A Aliança Bolivariana para os Povos de Nuestra America. , O Tratado de Comércio de Povos, nascido em 2004, abriu a perspectiva de cooperação regional e de relações solidárias que estão em desacordo com os princípios da concorrência e a maximização dos lucros privados sustentados pela globalização capitalista. O mesmo se aplica às iniciativas tomadas para permitir que o Sul se liberte da chantagem do Fundo Monetário Internacional e do oligopólio financeiro dominado pelo Norte. Uma nova respiração animou o espírito da independência latino-americana, levando à criação de instituições comuns à nível regional. Este progresso fundamental para os povos do Sul não poderia ter a aprovação dos poderes do norte, nem de seus representantes locais. Nessas condições, não é surpreendente notar que o processo de transformação social na Venezuela levanta ondas de ataques violentos de mídia, tanto no interior do país como no exterior. Essas campanhas de imprensa, rádio e televisão, mas também na internet e em redes sociais, todas orquestradas pelo poder do dinheiro, acentuam probabilidades e se espalham contra o movimento progressista . Eles contrastam com o silêncio dos mesmos meios de comunicação dominantes diante do golpe militar que derrubou o presidente Zelaya em Honduras (2009), ou golpes parlamentares que encerraram os mandatos dos presidentes de Lugo no Paraguai (2012) e Rousseff no Brasil (2016). Este ataques midiáticos dobraram de intensidade após a morte de Hugo Chavez e a eleição para a presidência em 2013, do continuador de seu projeto, Nicolas Maduro. A coabitação de fato, devido à obtenção de sucesso dos vários partidos de oposição nas eleições parlamentares (2015), levou seus líderes mais extremistas a se sentirem empoderados para tentarem imitar aqueles presidentes hondurenhos, paraguaios e brasileiros fundamentalmente antidemocráticos, e para dar o próximo passo no desencadeamento uma vasta operação de desestabilização na Venezuela. Este aumento da agressão contra o Presidente Maduro, legitimamente eleito, passou em primeiro lugar através de votação parlamentar de auto - anistia para os crimes e delitos (reconhecendo-os como tal!) Cometidos pelos dirigentes da oposição. Mais tarde, foi acentuado por uma tentativa logo abortada, uma vez que carecia de requisitos legais, de convocar um referendo revogatório destinado a destituir o presidente Maduro. Finalmente, e por vários meses, o endurecimento das posições de uma fração de adversários, muito divididos, tomou a forma de apelos à intervenção de potências estrangeiras, na esperança de vê-los interferir nos assuntos internos e colocando em risco a soberania nacional. Foi a Organização dos Estados Americanos que foi acionada no início, com o objetivo de excluir a Venezuela dessa instituição, independentemente dos interesses nacionais. Os mais fanáticos dos adversários, que conheciam o apoio do governo do presidente Maduro e o processo de transformação entre as massas populares, não procuram nada além de uma intervenção militar externa contra o país. Quer sejam venezuelanos ou estrangeiros os poderes que suportam este oposição levam a uma guerra econômica dentro da Venezuela. Através do controle da maioria dos meios de produção da indústria, agricultura, são capazes de ameaçar a satisfação das necessidades da população, organizando conscientemente e desumanamente com a cumplicidade das redes subjugadas aos Estados Unidos, a escassez de alimentos e de produtos para a satisfação de necessidades básicas; exportações de contrabando através das fronteiras de bens subsidiados, incluindo o petróleo; manipulações de preços domésticos e distorções da taxa de câmbio nacional no mercado negro; uma fraude fiscal e uma fuga maciça de capital; e, a sabotagem sistemática da economia nacional, a fim de fortalecer uma crise sustentada artificialmente. A impressão de caos resultante serve como pretexto para os bancos estrangeiros e certas organizações internacionais aumentarem o ”risco país ”e, portanto, o custo da dívida - quando as linhas de crédito externas não são interrompidas. O objetivo é tentar desestabilizar o processo de transformação social em curso, privar o estado dos seus recursos e enfraquecer o moral das pessoas através do 'exacerbação de escassez, inquietação e descontentamento. Tudo isso é inaceitável. Nenhuma das razões para as dificuldades encontradas, que dizem respeito menos à gestão do governo que a uma vontade deliberada dos opositores, são objetivamente analisadas pelos meios de comunicação dominantes. Lógico: os proprietários de grandes meios de comunicação têm interesse em terminar esse processo de transformação democrática, que, pelo exemplo que representa, coloca em questão a ordem em que seu domínio é fundado. É por isso que os meios de comunicação tratam os eventos de rua de hoje, em Caracas ou em outras cidades do país, apresentando manifestantes "pacíficos" (quando não são pintados como "heróis"), reprimidos por uma suposta "ditadura". A turbulência atual não poderia evitar excessos de um lado e do outro. Mas ocultam estranhamente, os crimes, inegáveis, perpetrados por frações ultra violentas desses "manifestantes" – entre os quais há grupos organizados de ideologia fascista e bandos de delinquentes assalariados da oposição mais radical para semear o terror - cujas ações são exaltadas com apelos à violência, irresponsável e crescente, por parte de certos parlamentares. Então, entre informações falsas e fotos retocadas, é um novo mito de revolução colorida que é inventado, da mesma forma que nos últimos anos asseguraram para facções de extrema direita apoiadas pelos Estados Unidos acesso ao poder através do uso da força. Essas manipulações de mídia, tão grosseiras como perigosas, insultam todos jornalistas íntegros, atropelando o direito dos cidadãos de serem informados, jogando o jogo dos defensores da guerra civil e não podem enganar os observadores honestos. Para encontrar uma saída necessária para a situação particularmente dolorosa que os venezuelanos vivem, o presidente Maduro anunciou no dia 1º de maio sua decisão de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte. Diante da recusa obstinada dos opositores mais brutais em retomar as negociações com o governo legítimo do país, esta iniciativa traduz o plano presidencial de pacificação, além de ampliar o campo das discussões construtivas a todos os membros da sociedade. Através desta reforma da Constituição também se busca a consolidação das conquistas e missões sociais realizadas desde 2003, as formas existentes de participação democrática e os fundamentos da soberania. A palavra é então devolvida às pessoas, das quais emana todo o poder através da votação. Como é atualmente concebida, esta assembleia constituinte é composta por 545 membros eleitos diretamente e secretamente por eleitorados ou setores profissionais (delegados de comunas, missões, comunidades indígenas, mas também estudantes, empresários, trabalhadores, camponeses, pescadores, deficientes, aposentados, etc.). Não significa subestimar os limites ou minimizar as insuficiências do processo de transformação da Venezuela; nem de ignorar os motivos da insatisfação, dada à exasperação de muitos cidadãos – motivos muitas vezes ligados aos males herdados do sistema capitalista, dos quais o processo em curso não foi totalmente emancipado (insegurança persistente, casos de corrupção, desigualdades reduzidas, mas ainda elevadas...). Deve ser entendido, no entanto, que a raiz de todos os problemas agora enfrentados pela grande maioria dos venezuelanos se origina na concentração da propriedade dos meios de produção nas mãos de uma minoria infame de possuidores, suficientemente poderosa (e apoiada por estrangeiros) para poder mergulhar o país em uma "crise" - organizada com cuidado – para prejudicar o bem-estar da população e incentivar a multiplicação de atos de violência. Então estamos pedindo um retorno imediato à calma e ao diálogo, ao respeito pela autodeterminação do povo venezuelano e ao aprofundamento do processo de transformações democráticas que começou livre e corajosamente por duas décadas, no espírito de progresso social, justiça e Independência do presidente Chávez, permanecendo fiel às ações e ensinamentos de Simón Bolívar. No contexto de crises múltiplas (políticas, socioeconômicas, culturais, alimentares, climáticas, migratórias...) e conflitos armados em muitas regiões do mundo, é irresponsável provocar o caos na Venezuela. Aqueles que continuam nesse caminho se tornam responsáveis frente ao direito internacional e terão que responder à justiça de suas ações. Diante disso, a Venezuela precisa de apoio, tanto pelos Estados quanto pelos órgãos das Nações Unidas, de acordo com a Carta das Nações Unidas e o direito internacional em matéria de direitos humanos, e não de uma campanha de ódio e desestabilização. undefined
A Assembleia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela determinou novas eleições no Estado de Zulia. Esta deliberação se deu em consequência da decisão do governador eleito pela oposição no Estado de Zulia, Juan Pablo Guanipa, do partido Primeira Justicia, de não aceitar ser juramentado perante a ANC venezuelana, condição para que pudesse assumir o cargo. Entre os cinco governadores eleitos pela oposição Venezuelana nas eleições regionais de 15 de outubro, Guanipa foi o único que não aceitou ser juramentado perante a ANC. A sua postura demarca a posição dos setores mais violentos da Mesa de Unidade Democrática (MUD), chamados de “confrontacionistas”, e especificamente de seu partido, o Primera Justiça de não reconhecerem a legitimidade da ANC eleita por oito milhões de venezuelanos. A decisão indica o objetivo dos setores mais violentos da oposição venezuelana, de buscarem a destituição do governo através de um golpe militar ou de uma intervenção militar por potências estrangeiras. O Estado de Zulia é onde se desenvolve a maior parte da extração do petróleo venezuelano, no Lago Maracaibo. Possui importantes reservas de carvão e um importante desenvolvimento agrícola. É estratégico também por sua localização geográfica, na região chama de “meia lua” venezuelana. Possui fronteira com a Colômbia, país alinhado aos EUA, e que possui sete bases militares norte-americanas. E já foi palco de ações de grupos paramilitares colombianos no ano de 2004, quando 153 militantes de um desses grupos foram presos, acusados de uma tentativa de magnicídio contra o presidente Hugo Chaves. Neste período, o governador de Maracaibo era Manuel Rosales, que participou ativamente do golpe de estado civil – militar contra Hugo Chaves em 2002, dando posse a Pedro Carmona. Rosales, assim como outros articuladores do golpe de 2002 receberam indulto, e Rosales concorreu à presidência contra Hugo Chaves no ano de 2006, quando foi derrotado pelo presidente Chaves. É importante ressaltar que a decisão de Juan Pablo Guanipa de não aceitar ser juramentado, foi apoiada por seu partido, o Primeiro Justicia, mas também por Miguel Rosales, indicando um consenso de importantes setores da classe dominante em Zulia de deslegitimar as instituições venezuelanas, mesmo com o custo de perder o governo do Estado. São setores que possuem fortes relações com a classe dominante colombiana, com o presidente Manuel Santos e com o ex-presidente Uribe. Inclusive Pedro Carmona buscou refúgio na Colômbia após a derrota do golpe de estado no ano de 2002. O Estado de Zulia é, portanto, estratégico, não somente pela sua importância econômica, como também pela sua localização geográfica. Desde Chaves, os estrategistas da defesa venezuelana consideram que uma agressão exterior, tendo por base a Colômbia poderia se dar através do Estado dos estados da chamada “meia lua” venezuelana, incluindo o Estado de Zúlia. É importante considerar também que Guanipa, é membro do Partido Primero Justicia, liderado por Henrique Capriles. O Primeira Justiça de Julio Borges e Capriles, juntamente com o partido Vontade Popular de Freddy Guevara e o partido Um Novo Tempo, conformam o setor mais radical da MUD. São estes setores que promoveram os protestos violentos que resultaram em centenas de mortos e vem tentando derrubar o governo de Maduro através de uma via insurrecional. São os setores que apoiam as sanções econômicas de Trump contra a Venezuela, além de promover a “guerra econômica” e diversas formas de sabotagem à estabilidade política e econômica. Diante destes fatos fica a forte de indicação de que a decisão de Guanipa não é meramente uma decisão pessoal. É uma decisão que provavelmente envolve setores golpistas e ligados às máfias colombianas, da classe dominante do estado de Zulia, além de envolver os setores radicais da oposição venezuelana agrupados na MUD. Estes setores sofreram uma duríssima derrota eleitoral elegendo apenas um governador em toda a Venezuela, justamente Guanipa no Estado de Zulia. Os outros quatro governadores da oposição foram eleitos pela Ação Democrática (AD), partido histórico da IV república Venezuelana, que praticamente deixou de existir após a eleição de Chaves em 1998, e ressurgiu das cinzas nas últimas eleições, quando a população venezuelana deu um voto de castigo aos setores mais violentos da oposição. A decisão de Guanipa em Zulia de não aceitar ser juramentado pela ANC e dessa forma buscar deslegitimar as instituições venezuelanas, indica que a oposição derrotada jogará suas fichas em métodos extra-parlamentares, lançando mão da sabotagem, da violência para levantar a contra-revolução venezuelana com apoio de potências externas. Por isso, o chavismo não pode baixar a guarda. Deve aprofundar o processo revolucionário e se apoiar na mobilização de massas para derrotar a contra-revolução apoiada pelas principais potêncais.undefined
O Tribunal Superior de Justiça da Venezuela decidiu enviar à Assembleia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela a solicitação de perda de imunidade parlamentar ao deputado da Mesa de Unidade Democrática (MUD) Freddy Guevara. O deputado é acusado pelo TSJ venezuelano de ter praticado diversos delitos em flagrante. Freddy Guevara é o atual vice-presidente da assembleia legislativa da Venezuela. Durante as jornadas de protestos em 2014 e agora em 2017, Freddy Guevara e o partido por ele liderado, Vontade Popular, incitou ações violentas que tiveram por consequência mais de 100 mortos. Junto com Leopoldo Lopez lidera a Assembleia Legislativa em desacato, e conclama o não reconhecimento da ANC eleita por oito milhões de venezuelanos. Apoiou à decisão de Juan Pablo Guanipa, eleito governador do Estado de Zulia, do partido Primeira Justiça de Capriles, que decidiu não aceitar ser juramentado pela ANC e por isso, perdeu o cargo. Freddy Guevara e seu partido Vontade Popular, juntamente com o Primeira Justicia compõe o setor mais violento da oposição venezuelana que procura derrubar o governo de Maduro com o apoio das principais potências europeias e dos EUA. Não só apoia as sanções impostas por Trump, pela União Europeia, como pede o agravamento das sanções que penalizam o povo venezuelano. O pedido do TSJ, em um primeiro momento servirá para impedir as viagens internacionais de Freddy Guevara, que mantém encontros permanentes com dirigentes do EUA e das potências europeias. Pode também abrir a possibilidade de sua punição pelos atos violentos que insufla regularmente.
Contribuição da página sobre a crise e a cisão da oposição venezuelana, que irá dividida para as eleições municipais de dezembro. Há alguns meses a oposição venezuelana iniciou uma ofensiva com protestos de rua violentos, e também em âmbito internacional, com apoio da OEA, EUA, União Europeia visando à destituição do governo de Nícolas Maduro. Os protestos violentos, que produziram mais de uma centena de mortos e centenas de feridos, foram articulados também com medidas de “guerra econômica” desenvolvidas por importantes parcelas do empresariado e pela principal organização empresarial a Fedecâmaras. Este processo culminou com a convocação de um referendo ilegal, pela destituição do presidente Maduro e pelo chamado a “hora zero”, mobilizações e greves convocadas pelo empresariado, com o objetivo de que fossem incessantes até a queda do governo. O chavismo respondeu a esta ofensiva com a convocação de uma assembleia nacional constituinte, que se tornou possível através de um processo de ampla mobilização social. O sucesso da convocação e instalação da assembleia constituinte constituiu uma vitória tática para o chavismo. Nesse contexto político, de revigoramento político do chavismo, através da mobilização de massas e da convocação popular para a defesa das conquistas sociais da revolução bolivariana foram realizadas as eleições de outubro. A população venezuelana consagrou uma importante vitória eleitoral para o PSUV, que conquistou o governo em 18 de um total de 23 estados e obteve 54% de todos os votos no cômputo geral das eleições regionais. Os setores mais radicais da oposição venezuelana, agrupada na Mesa de Unidade Democrática (MUD) foram os principais derrotados. O partido Primeira Justiça de Júlio Borges e Capriles, Vontade Popular de Freddy Guevara, e o partido Um Novo Tempo, justamente os setores que mais estimularam a violência, que favorecem sanções internacionais contra o governo venezuelano, como as impostas por Trump, ou até mesmo uma intervenção militar dos EUA, como é o caso de Freddy Guevara, foram os principais derrotados. Dos cinco governadores da oposição, apenas um foi eleito por este campo, o governador eleito de Zulia, que pertence ao Primeira Justiça de Capriles. Um setor histórico da direita venezuelana, o partido Ação Democrática (AD) de Henry Ramos Allup, venceu em quatro estados. Este partido foi a organização política hegemônica durante a quarta república Venezuelana, entre 1958 e 1998, quando Hugo Chaves foi eleito presidente pela primeira vez. A AD se diferencia dos setores mais radicais, mencionados, por uma tática mais voltada para os processos eleitorais e embora estimule a “guerra econômica”, não apostou da mesma maneira que os setores mais radicais, em uma via insurrecional para a derrubada do governo de Nícolas Maduro. A população venezuelana derrotou a oposição no processo eleitoral, mas rejeitou principalmente a violência dos setores mais radicais, lhes impondo um voto de castigo. Diante disso, o renascimento das cinzas da AD, que havia quase desaparecido durante a quinta república, parece estar ocorrendo uma passagem de guarda na oposição venezuelana. Nesta semana, os 4 governadores eleitos pela AD aceitaram ser juramentados pela Assembleia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela, que oficialmente não é reconhecida pela oposição, pela MUD. Neste contexto, dirigentes dos setores mais radicais, como Leopoldo Lopez e Capriles, do partido Primeira Justiça, não demoraram a chamar os dirigentes da AD de traidores e Capriles anunciou sua saída da MUD. Desatou-se o conflito entre os “setores eleitoralistas” e “confrontacionistas”, representados respectivamente pela AD e pelos setores radicais da MUD sob a liderança do partido Primeira Justiça. O Chavismo saiu e vitorioso das eleições, embora a oposição tenha recursos para seguir com atos de sabotagem e “guerra econômica”. O chavismo reitera sua posição de principal força política do país. A oposição derrotada seguirá dividida para as eleições municipais que devem ocorrer em dezembro. undefined
As políticas sociais inauguradas por Chaves na Venezuela criaram um sistema de direitos sociais e de proteção social que inexistiam antes da V república. É preciso avançar a revolução bolivariana para garantir estas conquistas. O presente texto procura elencar algumas das principais políticas sociais desenvolvidas na Venezuela desde 1998, quando Hugo Chaves elegeu-se presidente. Esse conjunto de políticas sociais, que envolvem saúde pública, educação, habitação, aposentadorias e seguridade social de maneira ampla, elevaram as condições de vida da maioria dos venezuelanos. Nas eleições de 15 de outubro, a população defendeu estas conquistas sociais ao dar maioria ao chavismo, que derrotou a oposição na maioria dos estados. As políticas sócias inauguradas por Hugo Chaves seguem sendo desenvolvidas e aperfeiçoadas durante o governo de Nícolas Maduro. A população demonstrou a consciência de que a vitória da oposição significaria a perda das conquistas sociais alcançadas durante quase duas décadas da revolução bolivariana. Na proposta de orçamento nacional enviada para a deliberação da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) para o ano de 2018, o presidente Nícolas Maduro elevou o percentual de gastos sociais para 72% do orçamento. Demonstrando claramente a opção pela manutenção das políticas sociais que possibilitam a elevação das condições de vida e da dignidade humana da população venezuelana. Apesar da recessão econômica, da queda da renda petroleira, devido à baixa prolongada do preço do barril de petróleo, e consequentemente da queda das receitas venezuelanas, país ainda fortemente dependente da economia petrolífera, o presidente Nícolas Maduro tem conseguido manter e inclusive aumentar os gastos sociais na Venezuela. Estes gastos sociais são os responsáveis pelo aumento do índice de desenvolvimento humano (IDH), expressiva redução da pobreza e da extrema pobreza, universalização da educação, ampliação da segurança alimentar, aumento das matrículas no ensino superior, quesito em que a Venezuela só fica atrás de Cuba, em toda a América Latina (AL). Estas são algumas das conquistas sociais inauguradas a partir da eleição de Hugo Chaves em 1998 e da instauração da Va. república venezuelana. Antes de 1998, apenas 30% do orçamento venezuelano era destinado a inversões em gastos sociais. Quando Hugo Chaves assumiu o governo em 1998, 55,6% dos venezuelanos viviam em estado de pobreza e 25,5% em extrema pobreza. As políticas sociais chavistas foram capazes de reduzir o percentual de pobres para 35,1% da população no ano de 2015 e os que vivem em extrema pobreza para 9,3 também em 2015, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas da Venezuela. O IDH venezuelano subiu de 0,644 no ano de 2000, para 0,764 em 2013. Ao longo dos anos as políticas sociais venezuelanas evoluíram para a consolidação do sistema nacional de Misiones. A primeira iniciativa foi a constituição Mision Barrio Adentro, em 1999, visando a atenção primária e o acesso aos serviços de saúde em áreas rurais, de pobreza, áreas inacessíveis, locais onde a população não tinha acesso à saúde. Hugo Chaves aumentou gradativamente os gastos com saúde, até então não existia um sistema de saúde universal no país e a medicina era quase toda privada. Ao longo dos anos consolidou-se uma rede de milhares de pequenas clínicas de atendimento à população, centros de diagnóstico integral, salas de reabilitação integral, odontologia gratuita, entre outros serviços de saúde prestados à população. A Mision Barrio Adentro facultou ao país um sistema de saúde pública que praticamente inexistia antes da ascensão do chavismo. A Mision Barrio Adentro inspirou o surgimento de outras Misiones destinadas a solucionar as carências sociais na área de educação, moradia, seguridade social e problemas pontuais, que se busca solucionar através das “pequenas missiones”, de caráter temporário. Na área da educação o chavismo além de livrar o país do analfabetismo no ano de 2005 utilizando o método cubano Yo sí puedo, criou uma série de novas universidades, e hoje 90% dos jovens venezuelanos em idade de cursar universidade se encontram matriculados, uma taxa somente inferior a de Cuba em toda a AL. Vale destacar, no conjunto das iniciativas do chavismo na área social a criação no ano de 2011 do programa Gran Mision Vivienda, ainda pelo presidente Hugo Chaves. O programa foi lançado com o objetivo de viabilizar a construção de 2.000.000 de moradias, até o ano de 2018. O governo de Nícolas Maduro alcançou no ano de 2017 a construção de 1.800.000 moradias, indicando que a meta de Hugo Chaves ao lançar o programa será alcançada. O conjunto das políticas sociais envolvem também políticas de seguridade social, como a ampliação das aposentadorias e os auxílios para as mães solteiras. No caso das aposentadorias, encontra-se um avanço notável. Quando Hugo Chaves chegou ao governo o país contava meio milhão de aposentados que recebiam o equivalente a meio salário mínimo. Hoje, em 2017, existem três milhões de aposentados que recebem um salário mínimo mais três décimos. Todas as políticas sociais desenvolvidas pelo chavismo na Venezuela inauguraram um sistema de direitos sociais e de proteção social que inexistiam na IV república. Constituem a expressão das vitórias que os trabalhadores obtiveram no plano eleitoral e nas lutas sócias, nos enfrentamentos com a burguesia e setores da classe média venezuelana que procuram de maneira incessante derrotar a revolução bolivariana. Cabe a chavismo fazer avançar a revolução, tomando medidas que consolidem a sua vitória. A estabilidade econômica do país duramente abalada pela crise econômica e pelas ações de guerra econômica da burguesia venezuelana, somente se tornará possível com medidas como a estatização do sistema financeiro, a auditoria e suspensão do pagamento da dívida externa, a expropriação dos latifundiários, e o monopólio do comércio exterior.

Fomos surpreendidos às 12h de 30 de março de 2017 com um corte de energia na Flaskô. Um caminhão da CPFL encosta no posto da fábrica, acompanhado de uma viatura da Polícia Civil, da GARRA, e uma da Polícia Militar, e realiza o corte em menos de dois minutos. Sem qualquer diálogo ou comunicação prévia. Poderia ter ocorrido uma tragédia, pois a fábrica estava produzindo, com operadores de máquinas realizando seu trabalho, com matéria-prima dentro das máquinas, causando danos ainda a serem calculados. 
Cabe esclarecer que estamos em negociação com a CPFL desde outubro de 2016, quando passamos a renegociar o passivo existente, com o objetivo de juntar dois acordos já existentes com novas contas de energia do próprio mês. Tais fatos se comprovam por trocas de e-mails e atas de reunião.
Com a concordância e ORIENTAÇÃO da CPFL, o compromisso desde outubro foi pagar somente as parcelas dos dois acordos que possuímos, e as contas de cada mês ficavam em aberto, para que fossem a partir de janeiro de 2017, unificadas com os dois acordos já existentes. Ou seja, seguíamos em negociação, com reuniões regulares e com propostas financeiras, sempre de forma salutar, verificando várias possibilidades. 
No último dia 14 de março, realizamos uma reunião, com registro em ata, inclusive, onde discutíamos a proposta final de parcelar o débito somado de mais de R$ 1.500.000,00 (um milhão e meio de reais), considerando o débito de dois acordos, mais as contas dos meses de agosto/2016 a março/2017. Obviamente é um valor expressivo e reconhecemos o débito. Não é segredo para ninguém as dificuldades da Flaskô, e é reconhecido isso pelos próprios trabalhadores. A questão em discussão é o método.
Saímos no dia 14 de março com uma nova reunião agendada: dia 21 de março. Seriam analisadas as propostas em torno de valores factíveis para a fábrica, com um parcelamento exequível, assim como um parcelamento possível dentro dos marcos da CPFL. Vale lembrar que em 2008 foi feito um acordo com a CPFL, com um débito de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais), em 100 (cem parcelas) iguais de R$ 7.000,00 (sete mil reais). Tal acordo, portanto, foi exitoso, reconhecido pela própria CPFL, com a CPFL recuperando valores da época patronal. Nossa proposta agora, seria fazer um acordo para pagarmos entre dez ou vinte mil reais por mês, considerando que além disso teríamos a conta mensal a ser paga, no valor aproximado atualmente de setenta mil reais. Ofertamos cópia de nossas declarações de faturamento, nossas despesas, tudo com o intuito de comprovar a realidade da fábrica e quais as possibilidades factíveis tanto para a CPFL quanto para a Flaskô. Discutimos também de fazer uma proposta de algo em torno de 120 (cento e vinte) ou 150 (cento e cinquenta) parcelas, reconhecendo que a Flaskô sempre quitou os acordos assumidos.
Voltamos para a reunião no dia 21 de março, e, eis que, dentro da CPFL, somos informados que a reunião não aconteceria, e que uma nova agenda será realizada na próxima semana, e que seríamos comunicados e que a análise estava caminhando, e que a CPFL faria uma contraproposta. Explicaram, inclusive, que o débito da Flaskô, apesar de grande, é pequeno dentro da CPFL, especialmente ao se comparar, por exemplo, com a dívida com a empresa MABE, que entrou em falência, com dívida que ultrapassa três milhões e meio de reais. E mesmo na MABE a negociação estava ocorrendo. Ou seja, os termos da negociação seguia em aberto e aguardávamos uma posição.
Infelizmente, no entanto, às 12h de 30 de março, somos surpreendidos com esta brutal medida da CPFL, agressividade jamais vista anteriormente conosco, sem comunicação prévia e em desconformidade com o teor das negociações que vinham sendo feitas. A CPFL realiza o corte de energia de forma unilateral e inconsequente. Imediatamente entramos em contato com a CPFL cobrando explicações diante do ocorrido. Comunicam que não falariam por telefone e pedem para nos dirigirmos à CPFL para reunião às 15h. Assim fazemos. Às 14h30 recebemos por e-mail uma suposta carta da CPFL apresentando que havia recusado nossa proposta, e não apresenta alternativas, e comunica o corte. Reunidos na CPFL, num verdadeiro clima opressor e hostil, com mais de 20 seguranças particulares contratados para nos intimidar, numa reunião com cerca de 10 gerentes e diretores, somos informados que esta é a posição definitiva da CPFL, de que não haverá religação da energia enquanto não houver o pagamento do valor de um milhão e seiscentos mil reais, ou que seja apresentada uma proposta com garantia real e um parcelamento dentro das possibilidades da CPFL.
Questionada por conta do método adotado, a CPFL simplesmente ignora e silencia, e diz que nada pode fazer, considerando a dívida existente. Não responde os motivos da ausência de comunicação nos termos do procedimento que vinha sendo realizado, via e-mail e contato telefônico, nem responde os motivos de não ter tido a reunião no dia 21 de março. Informaram que essa é a posição final e que nós poderíamos adotar as medidas que quiséssemos pois a CPFL não mudaria sua posição, e que não há nada mais a considerar sobre o caráter social da Flaskô.
Por último assevera que não há contraproposta da CPFL, não dando, na prática, qualquer alternativa para a Flaskô. Mostra, com arrogância e elitismo, o significado de uma empresa privatizada, que detém o monopólio do fornecimento e distribuição de energia na região. Se vangloria como uma empresa de responsabilidade social, mas agride frontalmente uma experiência reconhecidamente com caráter social.
Saímos praticamente expulsos da CPFL, com seguranças ao nosso lado, numa afronta à postura de diálogo e respeito que deveria ocorrer. Lavam as mãos e ignoram as negociações que vinham sendo feitas.
Diante de tudo isso, explicando detalhadamente a situação concreta, os trabalhadores da Flaskô convocam a luta para o próximo período:
Concentração diária na Flaskô, com vigília e solidariedade;
Campanha financeira de solidariedade à Flaskô;
Atividades diversas na próxima semana, a serem discutidas junto com a rede de apoio à Flaskô;
Manutenção, e com ainda mais importância, a conferência que estava convocada para dia 08 de abril, às 14hs, na fábrica. 
Repudiamos veementemente a atitude da empresa CPFL. Combateremos com todas nossas forças para que a energia seja religada e que a luta da Flaskô siga pela manutenção dos postos de trabalho, pagamentos de direitos e todo o caráter social que significa, sob uma gestão dos trabalhadores, com todas suas conquistas, com a Vila Operária, a Fábrica de Cultura, Educação e Esportes.
Nos dirigimos à CPFL para que RELIGUE A LUZ, retomando as negociações que vinham sendo feitas, aprovando-se um parcelamento crível para a Flaskô e factível para a CPFL, e que o diálogo seja o instrumento a ser utilizado, e não medidas unilaterais de quem detém o poder econômico diante de uma fábrica sob controle operário.
Não vamos sossegar até que a justiça seja feita. Utilizaremos todos nossos instrumentos para reverter esta arbitrária medida pela CPFL. Fazemos um apelo para que todos os apoiadores se insiram ainda mais nas campanhas em defesa da Flaskô e que juntos possamos enfrentar mais este golpe contra o conjunto da classe trabalhadora.
Viva a luta dos trabalhadores da Flaskô!
CPFL, religue a luz e volte às negociações com os trabalhadores!
Sumaré, 30 de março de 2017
Assembleia dos trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô


Seguiu Fidel “cavalgando com Camilo e Martí”.

O legado de Fidel e da Revolução cubana.

Por: Paulo R. de Andrade Castro

"Nenhum cientista social e nenhum socialista revolucionário poderia prever ante eventu a revolução cubana......Havia uma razão ideológica e política que iluminou a visão prospectiva de alguns revolucionários e ela se mostrou sob muitos aspectos, correta. Ainda assim, só um homem, Fidel Castro, chegou ao fundo dessa razão e hoje são evidentes as aproximações e as incertezas que impregnaram suas lutas políticas. Diante de algo tão grande e valioso como essa revolução recomenda-se pois, que se evitem as simplificações para apanhá-la em seu fluir, em sua totalidade e em sua beleza intrínseca...'

Florestan Fernandes no início dos anos 80, sobre a revolução cubana.

 

Fidel Castro partiu deixando um legado claro e profundo de resistência e de luta exitosa pela descolonização completa da sociedade cubana.  Também deixou o exemplo do compromisso internacionalista com as lutas de libertação e descolonização das nações do terceiro mundo na África, América Latina (AL) e Ásia. Ainda jovem foi o principal líder de uma revolução social, que através de um processo ininterrupto, derrubou a ordem social neocolonial e dinamicamente se transformou em uma revolução socialista. A liderança política e moral que exerceu durante este processo, inconteste até por pares com a estatura de um Che Guevara, foi decisiva para a liberação total da sociedade cubana.  Apoiado, ele e o Movimento 26 de Julho, pelos trabalhadores e camponeses explorados e sendo capaz de compreender os anseios populares que floresceram com o desencadeamento da revolução, teve a capacidade de conduzi-la a seu zênite: A desapropriação e nacionalização de latifúndios, empresas monopolistas, e a instituição da propriedade social.

Entre 1953, (ano do assalto ao quartel de moncada) até a tomada do poder em 1959, liderou a construção dos instrumentos políticos que forjaram o êxito da revolução. A formação da guerrilha, o movimento 26 de julho e o exército rebelde. A formação do Partido Comunista Cubano após a chegada ao poder.

A revolução cubana não foi organizada e conduzida por um ‘partido revolucionário’. O partido ligado a URSS, o PSP, que possuía influência no movimento sindical, não desejava a radicalização do processo revolucionário. Em certa medida pode-se afirmar que foi uma revolução que aconteceu ‘apesar do aparelho internacional do stalinismo’.

A “juventude rebelde”, que se tornou vanguarda armada na guerrilha e do exército rebelde, se constituiu ao longo do processo como o elemento de impulsão e de  ligação com o sentido da revolta dos mais humildes (operários e camponeses), e a vanguarda que, cada vez mais radicalizada durante o processo revolucionário, o conduziu ao seu desfecho, com a construção de uma nova sociedade, uma nova ordem, socialista.

Fidel liderou a primeira revolução socialista no hemisfério Sul e na América Latina.  Exemplo concreto, de que a superação da condição neocolonial, da submissão às cadeias de exploração do imperialismo, impõe a reflexão e ação pela transformação socialista da sociedade.

Devemos a Fidel, um contributo extraordinário para essa realização da sociedade cubana, um exemplo de rebeldia para a nuestra América e para os países mais pobres da periferia do capitalismo.  Como asseverou Florestan Fernandes em seu livro “Da guerrilha ao socialismo”, foi Fidel o homem capaz de compreender profundamente a razão subjacente da revolução cubana. A sua práxis enquanto chefe da revolução lhe possibilitou decifrar a dinâmica social instaurada pelo processo revolucionário e o termo ao qual deveria chegar a revolução. Compreendeu a impotência de setores da burguesia com os quais realizou frente única para derrubada de Batista, para corresponderem aos anseios emergentes nas camadas oprimidas, despertados pelo processo revolucionário. Não relutou em reconhecer e explorar os antagonismos de classe que se explicitaram no curso da revolução.  Por isso cumpriu papel ineludível para sua vitória e longa duração.

É sabido que condições sociais e materiais concretas de Cuba, uma nação de pequeno território e parco desenvolvimento industrial, dificultaram sobremaneira a construção do socialismo cubano. Contudo, as forças sociais despertadas pelo processo revolucionário, sustentaram uma mobilização social intensa, que deu início à obra coletiva da sociedade cubana.  Já em 1961, dois anos após a revolução, Cuba se declarava um país livre do analfabetismo. Rapidamente elevaram-se os indicadores sociais na educação, na saúde, no direito ao trabalho, transformando qualitativamente a vida da população cubana.

Ainda na década de 60, inicia-se o bloqueio econômico norte – americano que perdura por seis décadas. As administrações norte – americanas transformaram a ilha de Cuba em ‘território sitiado’. Atacado por variadas ações de espionagem, sabotagem econômica, e terrorismo. Fato amplamente conhecido.

A ilha, sob a liderança de Fidel, seguiu resistindo a todas as pressões do maior império da história.  Através desta liderança, mesmo estando sitiada, Cuba apoiou as lutas de libertação na América Latina, na África, no Oriente médio e na Ásia.  Apesar de associada à União Soviética (URSS), potência que buscava a coexistência pacífica com os EUA, Cuba procurou “exportar” sua revolução, apoiando materialmente movimentos revolucionários em inúmeros países.  Entenda-se: apesar da associação e da dependência econômica em relação à União Soviética, preservou a sua soberania e manteve o compromisso com o internacionalismo revolucionário. Foi uma decisão cubana, independente da vontade da Rússia, o apoio aos movimentos políticos de libertação e de resistência às ditaduras militares na AL. Também preservou sua soberania em relação a URSS, no que envolve sua cooperação internacionalista na África ao longo de quatro décadas.

Esse compromisso internacionalista torna-se claro, entre outros exemplos possíveis, quando se observa a participação cubana direta em processos políticos de libertação nacional na África, como na guerra civil de Angola e na Etiópia, as lutas de libertação no Congo, Cabo Verde, Guiné Bissau entre outros países.   Vale ressaltar que a vitória do MPL em Angola sobre o exército sul – africano, somente se concretizou na batalha de Cuito Canavale, quando as tropas angolanas combateram sob o comando pleno dos generais cubanos e a supervisão de Fidel.  A participação de Cuba contribuiu neste mesmo episódio histórico, decisivamente para a derrota de um dos mais deploráveis regimes políticos da história contemporânea: O apartheid na África do Sul. A atuação de Cuba na África, conforme enfatiza Eric Hobsbawm em seu célebre livro Era dos Extremos, “atesta o compromisso de Fidel com a revolução no terceiro mundo” (Hobsbawm, p. 245, 1994). O apoio dos cubanos as lutas de descolonização na África e em todo terceiro mundo, envolveram o envio de forças expedicionárias contendo dezenas de milhares de soldados, mas também apoio médico (brigadas de médicos cubanos) e know – how técnico.

O apoio de instrutores militares cubanos foi decisivo para a tomada de Luanda pelo MPLA em 1975.  As derrotas dos generais sul-africanos para os cubanos em 1976 e 1988 também aceleraram o término da ocupação das tropas da África do Sul na Namíbia[1].

O fim do socialismo na União soviética e nos países do leste europeu, um duro golpe para a revolução cubana, serviu indiretamente para a demonstração de suas energias quase inesgotáveis. No momento em que seus inimigos propagandeavam o fim inevitável do socialismo, o povo cubano resistiu, após 1991, diante de toda sorte de privações, que não havia conhecido durante todo o período revolucionário. Como falou Raúl Castro no ato de homenagem a Fidel em Santiago de Cuba, antes do seu sepultamento, o povo cubano resistiu, por exemplo, a 20 horas de racionamento de luz durante longos períodos. Faltaram alimentos, itens essenciais como produtos de higiene.  Resistiram e ainda realizaram a façanha de preservar as conquistas sociais da revolução, entre as quais um dos melhores sistemas de educação e de saúde do mundo. Essa resistência sugere o profundo significado da revolução, vivo e compartilhado pelo povo de Cuba.

Esta capacidade de resistência torna-se ainda mais notável pelo fato de que o elevado custo compartilhado pelo povo cubano para a manutenção do socialismo durante o período especial coincide exatamente com um momento de recuo, crise ideológica e desorientação das esquerdas a nível mundial. O momento de aprofundamento da globalização sob a égide do capitalismo financeirizado e da vigorosa investida ideológica do neoliberalismo.

Fidel se despede deixando o exemplo de não ter  abandonado os princípios da revolução e da libertação nacional de Cuba. Após ter provado que as forças sociais despertadas por uma revolução, mesmo em um pequeno país podem infringir ‘dolorosa derrota moral e política ao maior império do planeta’.  Podem sustentar uma das mais longas e heroicas resistências. Mostrando que mesmo uma nação pobre pode contribuir para a libertação e o bem estar de outros povos. Através da ajuda na área militar e da saúde em inúmeros países periféricos a revolução cubana se projetou internacionalmente.  Foi esta obra que possibilitou que o homem cubano alcançasse uma posição de liberdade, ao se encontrar e reconhecer nesse “outro” com o qual compartilha a mesma humanidade e o mesmo ímpeto de libertação.

 

PS: O reconhecimento do povo cubano se mostrou na despedida de Fidel com os atos multitudinários em Havana e Santago. Além disso, a calorosa recepção do povo cubano em todas as cidades onde transitou a caravana do cortejo fúnebre com as cinzas de Fidel.  O reconhecimento internacional a Fidel e a revolução cubana se revelou em variadas manifestações de autoridades, personalidades, instituições e movimentos sociais em diversos países.  Destaca-se que alguns países, como o Uruguai, Venezuela, Argélia, Angola, Equador, Bolívia, Nicarágua e Coréia do Norte decretaram luto nacional.

 

Textos consultados:

 

Britain, Victoria – Cuba in Africa - New Left Review 17, September-October 2002.

 

 

Fernandes, Florestan – “Da guerrilha ao socialismo” T. A. Queiroz editora, São Paulo, 1979.

 

Guevara, Che – Proyeciones sociales del ejército rebelde”, in F. Castro, La revolución cubana.

 

Jacobs, Sean -  “Viva Fidel”, publicano no site africasacountry.com. Dezembro, 2016.

 

Hobsbawm, Eric – “Era dos Extremos” O breve século XX – 1914 – 1941.

 

Morris Emely -  Unexpected Cuba - New Left Review 88, July-August 2014.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Ver texto “Viva Fidel” de Sean Jacobs, publicano no site africasacountry.com.

Nós, trabalhadoras e trabalhadores da Fabrica Ocupada Flaskô estamos profundamente tristes com a partida do companheiro Filipe. Ele sempre esteve presente em nossa luta de diversas formas e sobretudo enquanto morava e estudava em Campinas.

Em seu mestrado ele escolheu a luta da Flaskô como objeto de estudo (Flaskô: resistindo com classe) e realizou um ótimo trabalho concluído em 2007. Mas ele não só entrevistou trabalhadores... ele também participou de diversas atividades como encontros internacionais, conferencias, debates, atos e protestos organizados pelo Movimento das Fábricas Ocupadas. Ou seja, como ele mesmo escreveu em sua dissertação, sempre que podia se juntava a nossos CAMBAIOS prá Brasília, Joinville, etc.

Através de sua atividade acadêmica bem como apresentação de trabalhos em congressos Brasil a fora, muitas pessoas puderam conhecer a nossa luta e por isso sempre manifestamos nossa gratidão.

Em 2013 Filipe junto a Ricardo Antunes (Docente de Sociologia do Trabalho na Unicamp) organizaram uma coletânea de artigos no livro Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil II e para nossa alegria inseriram um artigo sobre a experiência da Flaskô no ultimo capitulo. E há 3 anos atrás foi a última vez que recebemos a ilustre visita de Filipe para o lançamento desta coletânea  no auditório da  fábrica ocupada. Como sempre Filipe estava radiante por viver aquilo. E nós também! Obrigada camarada!

Por tudo isto ficamos estarrecidos com a notícia de seu falecimento tão precoce pois sabemos que companheiros assim são raros. Nossos sentimentos aos familiares, aos companheiros de militância, aos alunos e colegas de trabalho desse nosso querido amigo Filipe Raslan.

Como ele brincava dizendo: ...quando eu morrer só me escreva umas palavras bonitas... cá está!

E mais, faremos uma foto sua em pôster para o nosso Centro de Memória Operária e Popular afinal você foi um dos nossos em teoria e na prática!

Filipe Raslan, presente!

E para quem se interessar pela dissertação de Filipe: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000435698

 

Como foi relatado nas duas Assembleias de turno que fizemos nesta quinta feira, 28 de julho de 2016, a CPFL rompeu a negociação que vinha fazendo com a Flaskô e cortou a luz no momento em que ainda estávamos reunindo o total a ser pago. O quê noz fez perder dois  turnos de produção.

Decidimos por chamar imediatamente ato público em frente à CPFL às 14h. Pedimos ampla solidariedade e divulgação!!! Recebemos a solidariedade da Vila Soma, lideranças da Vila Operária, Marcio Rap, Esquerda Marxista, militantes de partidos de esquerda e várias e vários trabalhadores que se dispuseram a participar.

Como há a demora de sempre para noz receber tornando o ato ainda mais cansativo e desgastante, decidimos ocupar o saguão de entrada enfrentando a segurança da empresa como podem ver nas fotos. Em 5 minutos a polícia chegou mas não tinha como entrar pois fechamos a porta de vidro e avisamos a empresa e a polícia que só abriríamos se a comissão da Flaskô fosse recebida em 5 minutos. A empresa finalmente recebe a comissão de trabalhadores que foi vitoriosa na negociação e a energia foi religada antes mesmo de voltarmos.

Conseguimos religar a energia, mas temos até a próxima semana para pagar e renegociar outras contas de energia. Portanto foi uma vitória pontual, momentânea e o prejuízo para a produção de pelo menos dois turnos e agora temos que correr atrás.

Parabéns a todas e todos, mas sigamos unidos, pois só isso pode noz permitir vencer oz próximos desafios que virão!

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