campanha

Fomos surpreendidos às 12h de 30 de março de 2017 com um corte de energia na Flaskô. Um caminhão da CPFL encosta no posto da fábrica, acompanhado de uma viatura da Polícia Civil, da GARRA, e uma da Polícia Militar, e realiza o corte em menos de dois minutos. Sem qualquer diálogo ou comunicação prévia. Poderia ter ocorrido uma tragédia, pois a fábrica estava produzindo, com operadores de máquinas realizando seu trabalho, com matéria-prima dentro das máquinas, causando danos ainda a serem calculados. 
Cabe esclarecer que estamos em negociação com a CPFL desde outubro de 2016, quando passamos a renegociar o passivo existente, com o objetivo de juntar dois acordos já existentes com novas contas de energia do próprio mês. Tais fatos se comprovam por trocas de e-mails e atas de reunião.
Com a concordância e ORIENTAÇÃO da CPFL, o compromisso desde outubro foi pagar somente as parcelas dos dois acordos que possuímos, e as contas de cada mês ficavam em aberto, para que fossem a partir de janeiro de 2017, unificadas com os dois acordos já existentes. Ou seja, seguíamos em negociação, com reuniões regulares e com propostas financeiras, sempre de forma salutar, verificando várias possibilidades. 
No último dia 14 de março, realizamos uma reunião, com registro em ata, inclusive, onde discutíamos a proposta final de parcelar o débito somado de mais de R$ 1.500.000,00 (um milhão e meio de reais), considerando o débito de dois acordos, mais as contas dos meses de agosto/2016 a março/2017. Obviamente é um valor expressivo e reconhecemos o débito. Não é segredo para ninguém as dificuldades da Flaskô, e é reconhecido isso pelos próprios trabalhadores. A questão em discussão é o método.
Saímos no dia 14 de março com uma nova reunião agendada: dia 21 de março. Seriam analisadas as propostas em torno de valores factíveis para a fábrica, com um parcelamento exequível, assim como um parcelamento possível dentro dos marcos da CPFL. Vale lembrar que em 2008 foi feito um acordo com a CPFL, com um débito de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais), em 100 (cem parcelas) iguais de R$ 7.000,00 (sete mil reais). Tal acordo, portanto, foi exitoso, reconhecido pela própria CPFL, com a CPFL recuperando valores da época patronal. Nossa proposta agora, seria fazer um acordo para pagarmos entre dez ou vinte mil reais por mês, considerando que além disso teríamos a conta mensal a ser paga, no valor aproximado atualmente de setenta mil reais. Ofertamos cópia de nossas declarações de faturamento, nossas despesas, tudo com o intuito de comprovar a realidade da fábrica e quais as possibilidades factíveis tanto para a CPFL quanto para a Flaskô. Discutimos também de fazer uma proposta de algo em torno de 120 (cento e vinte) ou 150 (cento e cinquenta) parcelas, reconhecendo que a Flaskô sempre quitou os acordos assumidos.
Voltamos para a reunião no dia 21 de março, e, eis que, dentro da CPFL, somos informados que a reunião não aconteceria, e que uma nova agenda será realizada na próxima semana, e que seríamos comunicados e que a análise estava caminhando, e que a CPFL faria uma contraproposta. Explicaram, inclusive, que o débito da Flaskô, apesar de grande, é pequeno dentro da CPFL, especialmente ao se comparar, por exemplo, com a dívida com a empresa MABE, que entrou em falência, com dívida que ultrapassa três milhões e meio de reais. E mesmo na MABE a negociação estava ocorrendo. Ou seja, os termos da negociação seguia em aberto e aguardávamos uma posição.
Infelizmente, no entanto, às 12h de 30 de março, somos surpreendidos com esta brutal medida da CPFL, agressividade jamais vista anteriormente conosco, sem comunicação prévia e em desconformidade com o teor das negociações que vinham sendo feitas. A CPFL realiza o corte de energia de forma unilateral e inconsequente. Imediatamente entramos em contato com a CPFL cobrando explicações diante do ocorrido. Comunicam que não falariam por telefone e pedem para nos dirigirmos à CPFL para reunião às 15h. Assim fazemos. Às 14h30 recebemos por e-mail uma suposta carta da CPFL apresentando que havia recusado nossa proposta, e não apresenta alternativas, e comunica o corte. Reunidos na CPFL, num verdadeiro clima opressor e hostil, com mais de 20 seguranças particulares contratados para nos intimidar, numa reunião com cerca de 10 gerentes e diretores, somos informados que esta é a posição definitiva da CPFL, de que não haverá religação da energia enquanto não houver o pagamento do valor de um milhão e seiscentos mil reais, ou que seja apresentada uma proposta com garantia real e um parcelamento dentro das possibilidades da CPFL.
Questionada por conta do método adotado, a CPFL simplesmente ignora e silencia, e diz que nada pode fazer, considerando a dívida existente. Não responde os motivos da ausência de comunicação nos termos do procedimento que vinha sendo realizado, via e-mail e contato telefônico, nem responde os motivos de não ter tido a reunião no dia 21 de março. Informaram que essa é a posição final e que nós poderíamos adotar as medidas que quiséssemos pois a CPFL não mudaria sua posição, e que não há nada mais a considerar sobre o caráter social da Flaskô.
Por último assevera que não há contraproposta da CPFL, não dando, na prática, qualquer alternativa para a Flaskô. Mostra, com arrogância e elitismo, o significado de uma empresa privatizada, que detém o monopólio do fornecimento e distribuição de energia na região. Se vangloria como uma empresa de responsabilidade social, mas agride frontalmente uma experiência reconhecidamente com caráter social.
Saímos praticamente expulsos da CPFL, com seguranças ao nosso lado, numa afronta à postura de diálogo e respeito que deveria ocorrer. Lavam as mãos e ignoram as negociações que vinham sendo feitas.
Diante de tudo isso, explicando detalhadamente a situação concreta, os trabalhadores da Flaskô convocam a luta para o próximo período:
Concentração diária na Flaskô, com vigília e solidariedade;
Campanha financeira de solidariedade à Flaskô;
Atividades diversas na próxima semana, a serem discutidas junto com a rede de apoio à Flaskô;
Manutenção, e com ainda mais importância, a conferência que estava convocada para dia 08 de abril, às 14hs, na fábrica. 
Repudiamos veementemente a atitude da empresa CPFL. Combateremos com todas nossas forças para que a energia seja religada e que a luta da Flaskô siga pela manutenção dos postos de trabalho, pagamentos de direitos e todo o caráter social que significa, sob uma gestão dos trabalhadores, com todas suas conquistas, com a Vila Operária, a Fábrica de Cultura, Educação e Esportes.
Nos dirigimos à CPFL para que RELIGUE A LUZ, retomando as negociações que vinham sendo feitas, aprovando-se um parcelamento crível para a Flaskô e factível para a CPFL, e que o diálogo seja o instrumento a ser utilizado, e não medidas unilaterais de quem detém o poder econômico diante de uma fábrica sob controle operário.
Não vamos sossegar até que a justiça seja feita. Utilizaremos todos nossos instrumentos para reverter esta arbitrária medida pela CPFL. Fazemos um apelo para que todos os apoiadores se insiram ainda mais nas campanhas em defesa da Flaskô e que juntos possamos enfrentar mais este golpe contra o conjunto da classe trabalhadora.
Viva a luta dos trabalhadores da Flaskô!
CPFL, religue a luz e volte às negociações com os trabalhadores!
Sumaré, 30 de março de 2017
Assembleia dos trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô


Seguiu Fidel “cavalgando com Camilo e Martí”.

O legado de Fidel e da Revolução cubana.

Por: Paulo R. de Andrade Castro

"Nenhum cientista social e nenhum socialista revolucionário poderia prever ante eventu a revolução cubana......Havia uma razão ideológica e política que iluminou a visão prospectiva de alguns revolucionários e ela se mostrou sob muitos aspectos, correta. Ainda assim, só um homem, Fidel Castro, chegou ao fundo dessa razão e hoje são evidentes as aproximações e as incertezas que impregnaram suas lutas políticas. Diante de algo tão grande e valioso como essa revolução recomenda-se pois, que se evitem as simplificações para apanhá-la em seu fluir, em sua totalidade e em sua beleza intrínseca...'

Florestan Fernandes no início dos anos 80, sobre a revolução cubana.

 

Fidel Castro partiu deixando um legado claro e profundo de resistência e de luta exitosa pela descolonização completa da sociedade cubana.  Também deixou o exemplo do compromisso internacionalista com as lutas de libertação e descolonização das nações do terceiro mundo na África, América Latina (AL) e Ásia. Ainda jovem foi o principal líder de uma revolução social, que através de um processo ininterrupto, derrubou a ordem social neocolonial e dinamicamente se transformou em uma revolução socialista. A liderança política e moral que exerceu durante este processo, inconteste até por pares com a estatura de um Che Guevara, foi decisiva para a liberação total da sociedade cubana.  Apoiado, ele e o Movimento 26 de Julho, pelos trabalhadores e camponeses explorados e sendo capaz de compreender os anseios populares que floresceram com o desencadeamento da revolução, teve a capacidade de conduzi-la a seu zênite: A desapropriação e nacionalização de latifúndios, empresas monopolistas, e a instituição da propriedade social.

Entre 1953, (ano do assalto ao quartel de moncada) até a tomada do poder em 1959, liderou a construção dos instrumentos políticos que forjaram o êxito da revolução. A formação da guerrilha, o movimento 26 de julho e o exército rebelde. A formação do Partido Comunista Cubano após a chegada ao poder.

A revolução cubana não foi organizada e conduzida por um ‘partido revolucionário’. O partido ligado a URSS, o PSP, que possuía influência no movimento sindical, não desejava a radicalização do processo revolucionário. Em certa medida pode-se afirmar que foi uma revolução que aconteceu ‘apesar do aparelho internacional do stalinismo’.

A “juventude rebelde”, que se tornou vanguarda armada na guerrilha e do exército rebelde, se constituiu ao longo do processo como o elemento de impulsão e de  ligação com o sentido da revolta dos mais humildes (operários e camponeses), e a vanguarda que, cada vez mais radicalizada durante o processo revolucionário, o conduziu ao seu desfecho, com a construção de uma nova sociedade, uma nova ordem, socialista.

Fidel liderou a primeira revolução socialista no hemisfério Sul e na América Latina.  Exemplo concreto, de que a superação da condição neocolonial, da submissão às cadeias de exploração do imperialismo, impõe a reflexão e ação pela transformação socialista da sociedade.

Devemos a Fidel, um contributo extraordinário para essa realização da sociedade cubana, um exemplo de rebeldia para a nuestra América e para os países mais pobres da periferia do capitalismo.  Como asseverou Florestan Fernandes em seu livro “Da guerrilha ao socialismo”, foi Fidel o homem capaz de compreender profundamente a razão subjacente da revolução cubana. A sua práxis enquanto chefe da revolução lhe possibilitou decifrar a dinâmica social instaurada pelo processo revolucionário e o termo ao qual deveria chegar a revolução. Compreendeu a impotência de setores da burguesia com os quais realizou frente única para derrubada de Batista, para corresponderem aos anseios emergentes nas camadas oprimidas, despertados pelo processo revolucionário. Não relutou em reconhecer e explorar os antagonismos de classe que se explicitaram no curso da revolução.  Por isso cumpriu papel ineludível para sua vitória e longa duração.

É sabido que condições sociais e materiais concretas de Cuba, uma nação de pequeno território e parco desenvolvimento industrial, dificultaram sobremaneira a construção do socialismo cubano. Contudo, as forças sociais despertadas pelo processo revolucionário, sustentaram uma mobilização social intensa, que deu início à obra coletiva da sociedade cubana.  Já em 1961, dois anos após a revolução, Cuba se declarava um país livre do analfabetismo. Rapidamente elevaram-se os indicadores sociais na educação, na saúde, no direito ao trabalho, transformando qualitativamente a vida da população cubana.

Ainda na década de 60, inicia-se o bloqueio econômico norte – americano que perdura por seis décadas. As administrações norte – americanas transformaram a ilha de Cuba em ‘território sitiado’. Atacado por variadas ações de espionagem, sabotagem econômica, e terrorismo. Fato amplamente conhecido.

A ilha, sob a liderança de Fidel, seguiu resistindo a todas as pressões do maior império da história.  Através desta liderança, mesmo estando sitiada, Cuba apoiou as lutas de libertação na América Latina, na África, no Oriente médio e na Ásia.  Apesar de associada à União Soviética (URSS), potência que buscava a coexistência pacífica com os EUA, Cuba procurou “exportar” sua revolução, apoiando materialmente movimentos revolucionários em inúmeros países.  Entenda-se: apesar da associação e da dependência econômica em relação à União Soviética, preservou a sua soberania e manteve o compromisso com o internacionalismo revolucionário. Foi uma decisão cubana, independente da vontade da Rússia, o apoio aos movimentos políticos de libertação e de resistência às ditaduras militares na AL. Também preservou sua soberania em relação a URSS, no que envolve sua cooperação internacionalista na África ao longo de quatro décadas.

Esse compromisso internacionalista torna-se claro, entre outros exemplos possíveis, quando se observa a participação cubana direta em processos políticos de libertação nacional na África, como na guerra civil de Angola e na Etiópia, as lutas de libertação no Congo, Cabo Verde, Guiné Bissau entre outros países.   Vale ressaltar que a vitória do MPL em Angola sobre o exército sul – africano, somente se concretizou na batalha de Cuito Canavale, quando as tropas angolanas combateram sob o comando pleno dos generais cubanos e a supervisão de Fidel.  A participação de Cuba contribuiu neste mesmo episódio histórico, decisivamente para a derrota de um dos mais deploráveis regimes políticos da história contemporânea: O apartheid na África do Sul. A atuação de Cuba na África, conforme enfatiza Eric Hobsbawm em seu célebre livro Era dos Extremos, “atesta o compromisso de Fidel com a revolução no terceiro mundo” (Hobsbawm, p. 245, 1994). O apoio dos cubanos as lutas de descolonização na África e em todo terceiro mundo, envolveram o envio de forças expedicionárias contendo dezenas de milhares de soldados, mas também apoio médico (brigadas de médicos cubanos) e know – how técnico.

O apoio de instrutores militares cubanos foi decisivo para a tomada de Luanda pelo MPLA em 1975.  As derrotas dos generais sul-africanos para os cubanos em 1976 e 1988 também aceleraram o término da ocupação das tropas da África do Sul na Namíbia[1].

O fim do socialismo na União soviética e nos países do leste europeu, um duro golpe para a revolução cubana, serviu indiretamente para a demonstração de suas energias quase inesgotáveis. No momento em que seus inimigos propagandeavam o fim inevitável do socialismo, o povo cubano resistiu, após 1991, diante de toda sorte de privações, que não havia conhecido durante todo o período revolucionário. Como falou Raúl Castro no ato de homenagem a Fidel em Santiago de Cuba, antes do seu sepultamento, o povo cubano resistiu, por exemplo, a 20 horas de racionamento de luz durante longos períodos. Faltaram alimentos, itens essenciais como produtos de higiene.  Resistiram e ainda realizaram a façanha de preservar as conquistas sociais da revolução, entre as quais um dos melhores sistemas de educação e de saúde do mundo. Essa resistência sugere o profundo significado da revolução, vivo e compartilhado pelo povo de Cuba.

Esta capacidade de resistência torna-se ainda mais notável pelo fato de que o elevado custo compartilhado pelo povo cubano para a manutenção do socialismo durante o período especial coincide exatamente com um momento de recuo, crise ideológica e desorientação das esquerdas a nível mundial. O momento de aprofundamento da globalização sob a égide do capitalismo financeirizado e da vigorosa investida ideológica do neoliberalismo.

Fidel se despede deixando o exemplo de não ter  abandonado os princípios da revolução e da libertação nacional de Cuba. Após ter provado que as forças sociais despertadas por uma revolução, mesmo em um pequeno país podem infringir ‘dolorosa derrota moral e política ao maior império do planeta’.  Podem sustentar uma das mais longas e heroicas resistências. Mostrando que mesmo uma nação pobre pode contribuir para a libertação e o bem estar de outros povos. Através da ajuda na área militar e da saúde em inúmeros países periféricos a revolução cubana se projetou internacionalmente.  Foi esta obra que possibilitou que o homem cubano alcançasse uma posição de liberdade, ao se encontrar e reconhecer nesse “outro” com o qual compartilha a mesma humanidade e o mesmo ímpeto de libertação.

 

PS: O reconhecimento do povo cubano se mostrou na despedida de Fidel com os atos multitudinários em Havana e Santago. Além disso, a calorosa recepção do povo cubano em todas as cidades onde transitou a caravana do cortejo fúnebre com as cinzas de Fidel.  O reconhecimento internacional a Fidel e a revolução cubana se revelou em variadas manifestações de autoridades, personalidades, instituições e movimentos sociais em diversos países.  Destaca-se que alguns países, como o Uruguai, Venezuela, Argélia, Angola, Equador, Bolívia, Nicarágua e Coréia do Norte decretaram luto nacional.

 

Textos consultados:

 

Britain, Victoria – Cuba in Africa - New Left Review 17, September-October 2002.

 

 

Fernandes, Florestan – “Da guerrilha ao socialismo” T. A. Queiroz editora, São Paulo, 1979.

 

Guevara, Che – Proyeciones sociales del ejército rebelde”, in F. Castro, La revolución cubana.

 

Jacobs, Sean -  “Viva Fidel”, publicano no site africasacountry.com. Dezembro, 2016.

 

Hobsbawm, Eric – “Era dos Extremos” O breve século XX – 1914 – 1941.

 

Morris Emely -  Unexpected Cuba - New Left Review 88, July-August 2014.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Ver texto “Viva Fidel” de Sean Jacobs, publicano no site africasacountry.com.

Nós, trabalhadoras e trabalhadores da Fabrica Ocupada Flaskô estamos profundamente tristes com a partida do companheiro Filipe. Ele sempre esteve presente em nossa luta de diversas formas e sobretudo enquanto morava e estudava em Campinas.

Em seu mestrado ele escolheu a luta da Flaskô como objeto de estudo (Flaskô: resistindo com classe) e realizou um ótimo trabalho concluído em 2007. Mas ele não só entrevistou trabalhadores... ele também participou de diversas atividades como encontros internacionais, conferencias, debates, atos e protestos organizados pelo Movimento das Fábricas Ocupadas. Ou seja, como ele mesmo escreveu em sua dissertação, sempre que podia se juntava a nossos CAMBAIOS prá Brasília, Joinville, etc.

Através de sua atividade acadêmica bem como apresentação de trabalhos em congressos Brasil a fora, muitas pessoas puderam conhecer a nossa luta e por isso sempre manifestamos nossa gratidão.

Em 2013 Filipe junto a Ricardo Antunes (Docente de Sociologia do Trabalho na Unicamp) organizaram uma coletânea de artigos no livro Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil II e para nossa alegria inseriram um artigo sobre a experiência da Flaskô no ultimo capitulo. E há 3 anos atrás foi a última vez que recebemos a ilustre visita de Filipe para o lançamento desta coletânea  no auditório da  fábrica ocupada. Como sempre Filipe estava radiante por viver aquilo. E nós também! Obrigada camarada!

Por tudo isto ficamos estarrecidos com a notícia de seu falecimento tão precoce pois sabemos que companheiros assim são raros. Nossos sentimentos aos familiares, aos companheiros de militância, aos alunos e colegas de trabalho desse nosso querido amigo Filipe Raslan.

Como ele brincava dizendo: ...quando eu morrer só me escreva umas palavras bonitas... cá está!

E mais, faremos uma foto sua em pôster para o nosso Centro de Memória Operária e Popular afinal você foi um dos nossos em teoria e na prática!

Filipe Raslan, presente!

E para quem se interessar pela dissertação de Filipe: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000435698

 

Como foi relatado nas duas Assembleias de turno que fizemos nesta quinta feira, 28 de julho de 2016, a CPFL rompeu a negociação que vinha fazendo com a Flaskô e cortou a luz no momento em que ainda estávamos reunindo o total a ser pago. O quê noz fez perder dois  turnos de produção.

Decidimos por chamar imediatamente ato público em frente à CPFL às 14h. Pedimos ampla solidariedade e divulgação!!! Recebemos a solidariedade da Vila Soma, lideranças da Vila Operária, Marcio Rap, Esquerda Marxista, militantes de partidos de esquerda e várias e vários trabalhadores que se dispuseram a participar.

Como há a demora de sempre para noz receber tornando o ato ainda mais cansativo e desgastante, decidimos ocupar o saguão de entrada enfrentando a segurança da empresa como podem ver nas fotos. Em 5 minutos a polícia chegou mas não tinha como entrar pois fechamos a porta de vidro e avisamos a empresa e a polícia que só abriríamos se a comissão da Flaskô fosse recebida em 5 minutos. A empresa finalmente recebe a comissão de trabalhadores que foi vitoriosa na negociação e a energia foi religada antes mesmo de voltarmos.

Conseguimos religar a energia, mas temos até a próxima semana para pagar e renegociar outras contas de energia. Portanto foi uma vitória pontual, momentânea e o prejuízo para a produção de pelo menos dois turnos e agora temos que correr atrás.

Parabéns a todas e todos, mas sigamos unidos, pois só isso pode noz permitir vencer oz próximos desafios que virão!

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Empregam mais de 15 mil pessoas e enfrentam aumentos que chegam a 800 por cento em um contexto de queda das vendas e encarecimento do crédito. O ministro Aranguren não dá respostas.

Por Javier Lewkowicz

As empresas recuperadas na Argentina empregam mais de 15 mil pessoas, se defrontam com aumentos de impostos que chegam a 800 por cento, o que põe em dúvida sua continuidade. Página/12 teve acesso a dados atualizados do setor e apresenta casos concretos de cooperativas que sofrem o tarifaço em um contexto de quedas de vendas, encarecimento do crédito e de outros insumos e aumento das importações. Muitas apresentaram recursos judiciais para frear o tarifaço e solicitam o reconhecimento da tarifa social, entretanto, o governo se nega. Até agora, o gesto do macrismo assim que praticamente foi tomada a Secretaria de energia pelo movimento de recuperadas foi permitir que as empresas anotadas em um registro nacional paguem 50% da conta enquanto a pasta de Juan José Aranguren levará 90 dias para avaliar a situação.
Segundo o Centro de Documentação de Empresas Recuperadas, que funciona dentro do Programa Faculdade Aberta, em Filosofia e Letras da UBA, há 362 empresas recuperadas no país que dão ocupação a 15. 321 trabalhadores. O último informe está atualizado até o mês passado, contudo, não foi publicado.
O anterior registrava dados até dezembro de 2013, desde então foram recuperadas um total de 41 empresas autogeridas por trabalhadores. Do total de empresas e de trabalhadores pouco mais da metade se localiza na Grande Buenos Aires (114) e na Cidade de Buenos Aires (71).
A maioria das empresas se dedica ao ramo metalúrgico (70), seguido por alimentação (49); gráficas (38), têxteis (28), gastronomia (25), indústria de carne (25) e construção (18), seguidas por saúde, madeira/serraria, educação, químicas, meios de comunicação, transporte, indústria do coro, vidro, comércio, combustível, hotelaria, entre outros.
"Nestes meses do governo de Maurício Macri os impactos mais evidentes sobre o setor estão relacionados com o aumento generalizado dos insumos e o descenso abrupto do consumo, a abertura das importações, a desvalorização que encareceu insumos importados e baixou os nacionais e principalmente, os enormes aumentos tarifários, especialmente em eletricidade e gás", explicou a Página/12 Andrés Ruggeri, diretor do programa Faculdade Aberta, do qual depende o Centro de Documentação. O especialista agrega que "o maior impacto, que provocou a reação dos trabalhadores, é o aumento tarifário".
Vários exemplos salientados pelo informe reforçam esta descrição. Na Cidade de Buenos Aires, a Empresa Recuperada gráfica Chilavert sofreu um aumento da tarifa elétrica de 3 mil para 15 mil pesos entre uma fatura e outra, um aumento de 400 por cento, enquanto o restaurante Alé Alé, de 7500 a 22 mil pesos (193 por cento). A tarifa para o Hotel Bauen subiu de 24 mil para 100 mil pesos (317 por cento) e a pizzaria La Casona de 8 mil para 42 mil pesos (425%).
Na província de Buenos Aires, a metalúrgica 19 de dezembro passou de 6 mil para 24 mil pesos (300%), a gráfica Madygraf de Pilar, de 38 mil para 230 mil pesos (500%); o frigorífico Subpga, de 100 mil para 850 mil pesos (750%) e em Neuquén a fábrica de cerâmicas Fasinpat passou de 360 mil pesos para 1.600.000 pesos em gastos com eletricidade.
Em Tandil, a metalúrgica Ronicevi, que conta com 42 associados que recuperaram a empresa há 4 anos, a fatura de luz subiu de 32.565 pesos em dezembro para 62. 166 pesos em abril.
Outro caso é da gráfica Idelgraff, localizada em Munro, recuperada em 2008 e conformada como cooperativa em 2009. Os 12 operários gráficos mantiveram aberta a tipografia, mas o aumento da tarifa pôs em xeque as contas: A boleta de Edenor passou de 1998 pesos em 15 de janeiro para 3061 em 16 de fevereiro e logo para 8794 pesos em 15 de abril (ver imagem), em um contexto de forte queda de vendas.
Gisela Bustos é advogada de empresas recuperadas e apresentou tutela coletiva de seis empresas de San Martin e sete da Cidade de Buenos Aires. "Também fizemos representações no Ministério da Energia e estamos fazendo circular uma petição. A situação é gravíssima. Em alguns casos temos aumentos de 900 por cento. Enquanto a justiça se demora, as empresas podem chegar a fechar. A solução de fundo é que as empresas recuperadas tenham acesso a uma tarifa social. É o que corresponde. Trata-se de entidades sem fins lucrativos, que ademais cumprem funções como ser bibliotecas e bacharelados populares. A tarifa social exige que a pessoa não tenha ingressos superiores a 12 mil pesos, e essa é exatamente nossa situação, porque nenhum trabalhador retira mensalmente, nem aproximadamente, esta cifra. O que corresponde é a tarifa social, porém o governo nos coloca senões e impedimentos", explicou Bustos a Página/12.
"Para o setor de empresas recuperadas, a contração do mercado junto ao aumento de tarifas e uma notável mudança da relação com o Estado resultou em um forte "gargalo de garrafa" que impede o crescimento e complica seu lugar dentro do mercado como opção ao capitalismo e ao setor produtivo cartelizado", indicou a este diário, Santiago Luis Hernánde, vice-presidente do Instituto de Promoção da Economia Solidária (IPES) da província de Buenos Aires.
A situação é muito comprometida tanto para as recuperadas de tamanho mediano que já estão estabilizadas no mercado como para as microempresas e pequenas empresas. Umas das empresas mais importantes do setor, a fábrica de tratores Pauny, localizada em Las Varillas, Córdoba, teve um aumento da fatura de luz de 820 mil pesos para 1.800.000 pesos, com uma incidência no preço final de 9 por cento. "Ademais pela desvalorização subiu o ferro e a chapa não podemos repassar isso aos preços porque ficaríamos fora do mercado. O resultado é que perdemos rentabilidade e não podemos investir, porque o canal de crédito, com as taxas atuais, está vedado" indicaram desde a empresa, que tem 650 trabalhadores.
Antonia faz parte da Cooperativa 10 de Novembro, localizada em Lomas Del Mirador, La Matanza. É uma fiação recuperada pelos seus trabalhadores em 2007, quando a empresa, apesar de ter muito trabalho, fechou por um problema entre os sócios. "Trabalhamos sob encomenda, o cliente põe a matéria prima e nós a mão de obra. Pagávamos7500 pesos de luz, em março nos veio 15 mil, depois 35 mil, 37 mil e a última foi de 45 mil pesos, com o mesmo consumo, inclusive um pouco menos. Vínhamos bem, no último período pegamos dois jovens, mas isto nos matou, não podemos incorporar ninguém porque tudo faz aumentar a luz. Somos 18 famílias e se continuarmos assim vamos ter que deixa gente de fora". Antonia e as demais associadas vinham retirando 1600 pesos por semana, mas a partir do tarifaço baixaram seus ingressos a 1400 pesos por semana, apesar da inflação.
Cueroflex é composta por 80 trabalhadores que trabalham com coro reciclado. As vendas aos sapateiros e fabricantes de cintos reduziram-se entre 30 e 40 por cento. Neste contexto, tiveram um aumento da tarifa de energia elétrica de 59.452 pesos em 4 de fevereiro para 321. 757 em 5 de maio, cerca de 441 por cento (ver imagem). "Se nós pudéssemos repassar os custos aos preços a situação seria manejável. Porém, não há como fazer isso neste contexto de queda das vendas. Houve queda do trabalho e automaticamente nos baixa os salário. Se isto segue assim terminamos todos na rua. Pagamos a luz entre todos e não podemos pagar mais uma prata para as pessoas", contou Jorge a este diário. A fábrica está localizada em San Martín e foi recuperada por seus trabalhadores há quatro anos.
A têxtil recuperada Acetato Argentino, que emprega a 80 pessoas em Quilmes, enfrenta uma queda das vendas de 60%, causada pela depressão do mercado interno e pela abertura de importações, que levaram as marcas a deixar de comprar-lhe. Em consequência, seu consumo elétrico baixou de 117.840 kw em abril de 2015 a somente 46.560 kw em abril deste ano. Porém, a fatura elétrica de Edesur aumentou de 36. 619 a 110. 522 pesos.
"As tarifas são parte de um problema maior. Há queda da atividade, alta da taxa de interesse, aumento de preço de matéria prima e serviços. O panorama é muito mais complexo", explicou a Página/12 José Abelli, representante do movimento de empresas recuperadas, atual integrante de Autogestão, Cooperativismo, Trabalho (Actra). Mencionou o exemplo da recuperada Cristalería Vitrofin, que tem 90 trabalhadores e está localizada em Cañada de Gómez, província de Santa Fe. Seu principal insumo é o gás, que incide em 38 por cento de seus custos, porque utilizam fornos a altíssima temperatura. A produção da empresa caiu mais de 35 por cento, enquanto a boleta de gás aumentou de 70 mil para 280 mil pesos. "A perspectiva é o fechamento. Não se pode transferir de maneira nenhuma aos preços este aumento de custos. Ademais está entrando cristal da Checoslováquia e da Rússia a preço de dumping", detalhou Abelli. Também mencionou o caso da fábrica de massas frescas e coberturas de pastel Mil Hojas, que emprega 90 trabalhadores. "O quilo de farinha subiu de 2,20 a 3,90 pesos, a produção caiu uns 35 por cento e a fatura de luz subiu de 2,20 para 3,90 pesos, a produção caiu uns 35 por cento e a fatura de luz subiu de 50 mil a 150 mil pesos". Abelli citou ademais a situação de Pauny e da empresa recuperada La cabana uma fábrica de manteiga e creme com 46 trabalhadores em Rosário, cujo aluguel subiu de 90 mil para 170 mil pesos e a fatura de luz, de 40 mil para 120 mil pesos. "São empresas que não recebem nenhum tipo de subsídio estatal e que estão totalmente em poder de seus trabalhadores", agregou Abelli.
Também está o caso da Cooperativa Textelis Pigué, fábrica recuperada pelos trabalhadores da ex Gatic, que passou de pagar 29 mil pesos por mês a Camuzzi Gas Pampeana para 202 mil pesos, um aumento de 600 por cento. Possuem 150 associados diretos e também empregos indiretos vinculados. "Eu não sei se isto é o que vale o gás ou não. A questão é que de um mês ao outro o aumento foi muito abrupto em um contexto econômico ruim, porque estamos produzindo entre 25 e 30 por cento menos de tecido que em dezembro, porque esfriou totalmente a demanda", explicou a este diário Marcos Santicchia, presidente da cooperativa.
A cooperativa El Palmar, localizada em Laferrere, foi recuperada em 2001 e fabrica tijolos ocos para a construção. "Em fevereiro começamos a notar uma queda das vendas de 30 por cento junto a forte subida de custos porque nós usamos muito diesel, líquidos hidráulicos e azeites. Neste contexto, o tarifaço nos colocou em uma situação quase insustentável. Pagávamos 40 mil pesos por mês, logo veio 350 mil e depois 370 mil pesos. A situação é desesperadora porque isso implicou imediatamente uma forte queda do ingresso dos associados", explicou o associado Alberto Fernández a este diário.
A Fundidora La Matanza, empresa recuperada em 2002 que conta com 70 associados, aumentou seu gasto de luz de uns 25 mil a 80 mi pesos, enquanto o gás aumentou de 30 mil para 130 mil pesos.
"Como fazemos para aguentar? Se há trabalho se pode pagar, mas se não há trabalho é impossível", disse um integrante da cooperativa a este diário.
Outro caso que teve difusão o do frigorífico Bragado, recuperado em 2006. "Na eletricidade pagávamos entre 28 e 30 mil pesos mensais e agora está vindo 70 mil. De água pagávamos entre 28 e 30 mil pesos mensais e agora está vindo 70 mil. De água pagávamos entre 18 e 19 mil mensais e se vai chegar a 50 mil pesos. Está ficando impossível para nós", explicou Carlos Alietti, presidente da Cooperativa.

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Em nome de todos os trabalhadores no Iraque e no Curdistão,
Aos trabalhadores da Flaskô

O desenvolvimento revolucionário em muitos países, como o Egito, Brasil, Grécia, Tunísia e muitos outros países, estabeleceu a necessidade de formas organizacionais que são capazes de responder às demandas e aos interesses da classe trabalhadora, nesses países.
O movimento operário inventou várias organizações radicais nesses países. Estas formas de organizações ainda são separadas e distantes umas das outras, apesar da grande potência radical. Nós temos de percebê-las como componentes de uma luta de classes que é internacional. Para interligar, sustentar e perpetuar essas formas radicais e de nos colocarmos em estratégias comuns, exige esforços mútuos, lutas e políticas claras. Estas políticas devem refletir as tarefas práticas e urgentes, e os desafios que enfrentam a classe trabalhadora internacionalmente.
As organizações de trabalhadores são ferramentas políticas para a luta, que emanaram por fatores políticos e culturais, e que pertencem a determinadas condições estruturais ou gerais da sociedade. As formas predominantes dentro do sindicalismo são resultados da sucessão histórica do desenvolvimento das diferentes tendências políticas. Por isso dissemos que o movimento dos trabalhadores independentes inventou várias organizações radicais, durante a história, fora das formas predominantes.
Estas formas de organização são constantes, e identificados historicamente como representante dos interesses dos trabalhadores frente à burguesia, tendo tradições, caráter e características políticas. Esta experiência histórica poderia ser um guia de perceber as condições objetivas que as organizações têm surgido nos, para analisar a sua posição contemporânea, suas "interações" com as formas de organização viáveis. Os objetivos e metas das organizações de trabalhadores são determinados pelas formas de organização e os seus elementos.
Apesar dos aspectos culturais e do estágio do desenvolvimento do movimento sindical de cada país, as reivindicações e os interesses da classe trabalhadora são comuns, que cria a identidade de classe e a necessidade de unidade da luta.
Os métodos dos trabalhadores em luta na sociedade capitalista são os mesmos em todos os países, como a greve, paralisações, atos públicos e outros tipos de combate nas eras revolucionárias ou de transição, tais como a luta armada, ocupando as fábricas, métodos quase todos conhecidos internacionalmente.
O grau de desenvolvimento político entre os países reflete o efeito dos fatores históricos. Mas não devemos esquecer que a luta de classes é o motor principal fator, e, por isso, os trabalhadores, como uma classe, estão chamados a desempenhar seu papel protagonista da história.
O modelo de organização dos sindicatos e as outras diferentes modalidades são fruto deste processo, reproduzindo, muitas vezes o reformismo e o burocratismo. Por isso, novas formas de organização de trabalhadores surgem, justamente fruto da luta de classes e do avanço da consciência operária, objetivando melhor defender seus objetivos.
Estas novas experiências do movimento operário têm avançado intensamente no Brasil, como aspecto prático, repleto de ousadia revolucionária, de forma consistente, teimosa, sob uma perspectiva de luta e de construção de uma consciência socialista, estes elementos poderiam estabelecer um prefácio para um novo modelo de sindicalismo, ou organizações de trabalhadores, inclusive em nível internacional. Realmente, é realmente um núcleo de espírito radical do movimento dos trabalhadores, que fortalece a interligação com o movimento radicalizado em muitos países. Assim, o crescimento e fortalecimento deste movimento são, por sua expansão e interconexão, necessariamente, internacional.
Esse é o nosso desafio.
O desenvolvimento político e seu grau variam de acordo com as experiências políticas e as estruturas sociais nacionais, mas os seus elementos estão se integrando internacionalmente. Essa diversidade pode ser essencial para transmitir objetivamente a existência definitiva do movimento, e expressar todo o movimento internacionalmente devido ao seu grau de desenvolvimento, de potencialidades, de seus problemas, a capacidade de construir estratégias, etc.
A questão mais importante é a nossa compreensão de todas as dimensões do movimento, que nos permitiria descobrir os complexos essenciais e desafios que são enfrentados pelo movimento e as capacidades virtuais para enfrentar.
O movimento dos nossos sindicatos deve impactar toda a sociedade, porque não é um movimento limitado de apenas parte da população, como a burguesia sempre descreve para nós, minimizando e deslegitimando nosso processo de luta. Ao contrário. Precisamos fortalecer e estabilizar as realizações locais, nacionais, porque são necessárias para sobrevivência, mas o movimento se concretiza sua perspectiva internacional, e faz suas interconexões internacionais, ultrapassando as fronteiras da burguesia nacional. Isso mostra a plena consciência política e compreensão da tarefa da classe trabalhadora. E é isso que o Movimento das Fábricas Ocupadas, resistindo através da Flaskô, faz brilhantemente.
Vida longa ao movimento operário da Flaskô!
Viva a solidariedade internacional!

Atenciosamente,

Akram Nadir (União Organizer no Iraque e no Curdistão)

Representante Internacional da Federação de Conselhos e Sindicatos do Iraque Trabalhadores (FWCUI)
Iraque Tel: +9647721499717
Tel Internacional: + 1-778-318-6981
Skype: akram-nadir
E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
www.fwcui.org

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Moção de solidariedade aos camaradas Hakam e Agus, dirigentes sindicais e militantes da seção da CMI na Indonésia

Nós, trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô, na luta pela estatização sob controle operário há quase 13 anos, vimos por meio desta moção prestar nossa profunda e irrestrita solidariedade de classe aos camaradas Abdul Hakam, membro da Militan Indonesia, Seção da CMI na Indonésia, que foi condenado e enviado para a prisão com a pena de três meses por sua atividade sindical.

Reconhecemos o brilhante combate de Hakam, que é um importante dirigente sindical do FSPBI-Kasbi Gresik, um dos poucos sindicatos radicais na Indonésia, atuando junto com o também dirigente sindical Agus Budiono.

Absurdamente eles foram acusados criminalmente sob a "lei do ato desagradável", uma espécie de "incitação ao crime", por organizarem e convocarem uma importante mobilização da classe trabalhadora. Inadmissível! É uma prática de criminalização dos movimentos sociais, prendendo e reprimindo os que não se curvam diante dos capitalistas. Seus únicos crimes é estar ao lado dos trabalhadores.

FSPBI-Kasbi Gresik é um sindicato muito conhecido entre as massas mais amplas em Gresik - uma importante área industrial do país – reconhecido como um sindicato radical que luta pelos direitos dos trabalhadores e sempre também está ativo na luta pelos interesses das massas mais amplas através da mobilização contra o aumento do preço dos produtos alimentares básicos, mobilizando para a educação livre e outras importantes questões, apontando claramente uma perspectiva de classe e as contradições do capitalismo.

É por isso que, em dezembro de 2013, mostrando como os capitalistas não aceitariam as resistências dos trabalhadores, Hakam e Agus foram condenados a uma pena de prisão de 3 meses por "provocar os trabalhadores a resistirem".

Saudamos a resistência feita, politicamente e juridicamente, compreendendo, todavia, que a manutenção absurda da sentença condenatória nos ensina claramente o caráter de classe do judiciário - um tribunal que serve para defender os interesses de classe dos capitalistas.

Hakam e Agus são corajosos lutadores da classe que têm questionado a ordem vigente. Ao contrário de muitos outros líderes sindicais, eles nunca capitularam perante os patrões. Em um país como a Indonésia, onde a corrupção é ainda mais desenfreada, eles mantêm profunda coerência e seguem defendendo as bandeiras socialistas de forma limpa e sem qualquer arranho. Justamente por isso é que a burguesia não pode perdoá-los.

Hakam é um marxista em um país onde o marxismo é ilegal. Entrando na prisão, ele levou em suas mãos, orgulhosamente, a livro de Leon Trotsky, "Revolução Permanente". Ele também pediu para ser enviarem outros livros marxistas para que ele possa usar seu tempo na prisão para aprimorar seu arsenal ideológico.

Por tudo isso, nossa sincera solidariedade aos camaradas, mostrando que seus combates não são em vão, não somente para a classe trabalhadora na Indonésia, para o conjunto dos trabalhadores em todo o mundo.

Trabalhadores do mundo, uni-vos!
Contra a criminalização das lutas sociais!
Abaixo ao capitalismo e os ataques à classe trabalhadora!
Liberdade para Hakam e Agu!
Solidariedade Internacional à Hakam e Agu!
#FreeHakamAndAgus

Sumaré, 16 de maio de 2016

Assembleia Geral dos Trabalhadores da Flaskô

Greve

Entre as primeiras medidas anunciadas pelo governo ilegítimo de Michel Temer destacam – se as propostas de ataque a direitos sociais e trabalhistas que, caso sejam bem sucedidos, significarão uma regressão histórica das condições de vida da classe trabalhadora brasileira. O anúncio destas medidas logo na primeira semana do governo interino evidenciam os interesses capitalistas que motivaram o forte apoio empresarial e midiático para o golpe que afastou a presidenta Dilma Rousseff.
O governo de Temer pretende realizar uma reforma previdenciária aumentando a idade mínima para a aposentadoria, flexibilizar direitos trabalhistas inscritos na CLT, fazer que prevaleça o negociado sobre o legislado nas relações de trabalho, em síntese um poderoso pacote de regressão social.
A vida dos trabalhadores também será afetada pelos ataques que virão contra os serviços públicos e com a privatização de empresas estatais, incluindo o esforço que o governo fará para privatizar a Petrobras, entregado a fabulosa riqueza do Pre Sal para multinacionais norte - americanas.
Através da reforma da previdência o governo pretende alterar a forma de concessão de aposentadorias e pensões de trabalhadores urbanos e rurais, do setor público e privado. O principal objetivo do governo interino é a imposição imediata de uma idade mínima para aposentadoria que seria de 65 anos para os homens e 63 para as mulheres. Para piorar o governo ainda demonstra que não pretende respeitar o direito adquirido pelos trabalhadores que já estão ativos no mercado de trabalho, dizendo que o conceito de "direito adquirido" é impreciso. Isso significa que o governo de Temer se esforçará para que a partir da aprovação da reforma nenhum trabalhador brasileiro, mesmo já estando no mercado de trabalho, possa se aposentar antes de completar 65 anos.
A proposta de que o negociado prevaleça sobre o legislado, significa na prática que patrões poderão coagir seus funcionários a aceitarem acordos que suspendam direitos como férias, hora extra, décimo terceiro – salário etc.
Todas essas medidas demonstram que o governo interino pretende atacar todos os direitos trabalhistas, o seu propósito é não deixar nenhum direito de pé, trata-se de um ataque violento e frontal contra a classe trabalhadora brasileira.

Preparar a greve geral:

Este violento ataque à classe trabalhadora é feito através de uma poderosa frente única entre governo e empresários com o apoio dos oligopólios de comunicação. Somente será derrotado através da mais firme unidade e disposição de luta da classe trabalhadora. Não é possível resistir aos ataques à previdência, aos aposentados, com a iniciativa do governo de desvincular as aposentadorias do salário mínimo e a todos os demais ataques anunciados com greves por categoria. Esse ataque ao conjunto dos trabalhadores só pode ser derrotado por uma reação do conjunto dos trabalhadores. É urgente preparar uma greve geral!
A greve deve ter o objetivo de barrar os ataques e de derrotar o governo usurpador nascido de um golpe. Um governo que não possui nenhuma legitimidade para golpear a classe trabalhadora tão fortemente.
A resistência ao governo de Temer é crescente nas ruas. A juventude, intelectuais, artistas realizam ocupações de prédios públicos para questionar a legitimidade do governo.
A classe trabalhadora ainda não entrou em ação, observa os acontecimentos. As Centrais Sindicais independentes, que fazem oposição ao governo devem esclarecer a classe sobre a gravidade da situação que se intensifica com a posse de Temer. É preciso fazer assembleias nas fábricas, plenárias, panfletagens etc. A classe trabalhadora precisa ser despertada para a luta e para a necessidade de assumir o seu destino. A ação dos trabalhadores terá peso decisivo para no desenrolar dos acontecimentos. Somente os trabalhadores podem parar a produção e atingir o principal interesse capitalista, o lucro. É urgente preparar a greve geral e derrotar os ataques de Temer.

 

No-al-Fascismo

Após obter a vitória nas eleições parlamentares de dezembro de 2016, a direita venezuelana partiu para uma ofensiva com o objetivo de derrotar a Revolução Bolivariana no curto prazo. Esta estratégia é desenvolvida com a retomada de métodos de terror no plano econômico, "guerra econômica" de desabastecimento, e nas ruas, através de marchas e dos protestos violentos nos bairros e cidades de classe média, conhecidos como "guarimbas".
Neste texto procuramos fazer uma breve descrição dos métodos de terror e fascismo adotados pela direita radical venezuelana e utilizados crescentemente com o objetivo de alcançar a deposição de Nícolas Maduro.

As "guarimbas" em 2014:

Para compreender a dinâmica dos protestos de rua organizados pela direita em 2016 é preciso considerar a conflagração que ocorreu no país no primeiro semestre de 2014. Em janeiro deste ano lideranças extremistas da direita venezuelana convocaram uma rebelião popular contra o governo de Maduro usando a palavra de ordem "La Salida".
As marchas e protestos da direita foram acompanhados de atos de terror, com ataques armados a prédios públicos, lojas da rede Mercal, (destinada a venda de alimentos para as classes populares). Também ocorreram ataques armados contra militares da Guarda Nacional Bolivariana, durante as marchas da direita e nas "guarimbas" dos bairros de classe média.
Em fevereiro de 2014, centenas de estudantes encapuzados organizaram um ataque à residência do governado de Táchira, que feriu mais de 10 policiais. Em 12 de fevereiro de 2014, estudantes de universidades privadas organizados em grupos de choque atacaram a sede do Ministério público, gerando um conflito que produziu três mortes e centenas de feridos.
As manifestações tiveram caráter reacionário, caracterizando – se não apenas como ataque ao poder central, mas também às classes populares. Caracterizaram-se como ações de guerra civil, desenvolvidas com métodos de terror contra organizações populares, prefeituras dirigidas pelo PSUV etc.
Houve reação das organizações e coletivos chavistas e a rebelião perdeu força restringindo-se às "guarimbas" organizadas em bairros de classe média alta. Para impedir a circulação de militantes chavistas que utilizavam motos, "guarimbeiros" estenderam fios de arame farpado entre postes dos dois lados da rua, tática que causou três degolamentos de militantes chavistas. Em alguns bairros existiam franco – atiradores que fuzilaram ao menos duas pessoas. Ao final da onda de protestos e terror fascista 43 pessoas morreram e mais de 800 foram feridas. A guarda Nacional Bolivariana fez a detenção de cerca de 4300 agitadores e líderes da direita dos quais 43 permanecem presos ainda hoje. Também foram presos militares acusados de excessos, assassinatos etc, assim como militantes chavistas.

Direita retoma métodos de terror fascista em 2016:

Após ser eleito presidente da Assembleia Nacional venezuelana Henry Ramos Allup da Ação Democrática (AD), anunciou a estratégia de depor Nícolas Maduro em seis meses. O encerramento do governo, segundo Allup, pode se dar através de um referendo revogatório ou da declaração de uma Assembleia Nacional Constituinte. Nesse momento a estratégia da oposição venezuelana passa por concentrar esforços na exigência da aceleração dos procedimentos do Conselho Nacional Eleitoral para a validação das assinaturas coletadas para que ocorra um referendo revogatório. Este caminho legal é fortalecido pela retomada de métodos de terror que parecem indicar que a direita venezuelana procura derrubar o governo independentemente dos resultados alcançados pela via legal. Esta semana, na quarta – feira dia 18, ocorreu uma grande marcha opositora em Caracas, convocada como reação ao pronunciamento de Maduro feito no dia anterior, quando acusou os EUA de estarem por trás da tentativa de desestabilização da Venezuela. Maduro afirmou durante o pronunciamento que após o golpe de estado no Brasil a Venezuela é o próximo alvo e que a direita venezuelana procura criar conflitos violentos para poder reivindicar uma intervenção internacional. A marcha opositora foi novamente caracterizada pela violência, com destaque para a atuação de grupos armados com bastões de madeira, que feriram cinco membros da Guarda Bolivariana.
Em 19/05/2016 grupos estudantis radicais formaram "guarimbas" na Avenida Las Americas em Mérida. Junto com os estudantes atuaram homens armados portando escopetas cerradas, que entraram em choque com a guarda anti – motins de Mérida. Esta semana também ocorreram atentados terroristas contra a faculdade de medicina da Universidad de los Andes
Tudo indica que a direita pretende impulsionar uma nova rebelião como em 2014, com uso crescente de métodos de terror.
A direita venezuelana, os partidos agrupados no MUD, contam com apoio norte – americano. O presidente Barack Obama declarou em 2015 "estado de emergência", a partir da consideração de que a Venezuela constitui uma ameaça à segurança nacional norte – americana.
A Revolução Bolivariana se encontra fortemente ameaçada. Diante do terror fascista da direita venezuelana, cabe aprofundar a organização da classe trabalhadora venezuelana para que ela possa exercer a autodefesa. A derrota da direita fascista passa pelo aprofundamento da revolução, com medidas como o controle operário da produção nas empresas que promovem a sabotagem econômica, estatização do sistema financeiro e monopólio do comércio exterior. Frente ao avanço do terror da direita, torna-se ainda mais urgente, completar a transição para o socialismo.

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Em editorial de hoje, 19/05/2016, intitulado emergência venezuelana a Folha deSão Paulo fortalece o cerco midiático internacional contra o governo da RepúblicaBolivariana da Venezuela. A situação política venezuelana está marcada pela agudização da luta de classes.A direita e seus representantes vândalos, que estimulam a guerra econômica dedesabastecimento e protestos violentos que redundam em centenas de mortes, atravésdas "guarimbas", desenvolve uma ofensiva para derrubar o governo de Nícolas Madurocom apoio explícito dos EUA. Esta ofensiva é apoiada pelos meios de imprensatradicionais da Venezuela, os jornais El País, Tal Cual, El Universal e por meios deimprensa da Espanha e EUA, como o jornal Washington Post. Assim como no Brasil o impeachment da presidente Dilma Rousseff foiprecedido por intenso bombardeio midiático, na Venezuela os meios de comunicaçãoatuam em uníssono para a derrubada de Maduro. O avanço da direita na região Latino - americana faz parte de uma dinâmicageopolítica de recolonização da região. A derrota dos governos progressistas cumpre opropósito de restabelecer a aliança submissa dos países da região com o império norteamericano. Dentro dessa dinâmica, os principais meios de comunicação dos diversospaíses se articulam para o êxito deste empreendimento reacionário.O Editorial "Emergência venezuelana" da Folha de São Paulo desenvolve umataque à decretação do estado de emergência econômica pelo governo de Maduro com afinalidade de combater a guerra econômica desenvolvida pelos empresários, através daparalisação da produção, "cerros de fabrica", desvio de mercadorias para o mercadonegro etc. Estas ações produzem a escassez de produtos de primeira necessidade,penalizando a população.O editorial da Folha de São Paulo demonstra preocupação com a decretação doestado de sítio, reclamando do "perigo" que representa a concessão de maiores poderesaos militares durante o período de 60 dias, e ao fato de que os Conselhos Comunaispassarão a ter poder de polícia. Também condena a possibilidade de intervenção nasempresas privadas que a decretação do Estado de Exceção concede a Maduro. O Estadode exceção fornece maiores poderes para o governo venezuelano combater a guerra
econômica desenvolvida pela burguesia, e para reprimir as ações de violênciadesfechadas pela direita principalmente contra a população civil.Nesta quarta feira durante uma marcha opositora no município de Libertadorforam realizados atentados contra a sede da residência estudantil Livia Gouverneur. Osopositores "destroçaram o segundo e o terceiro andar da residência" segundo o própriojornal opositor Tal Cual e jogaram gasolina em dois soldados da Guarda NacionalBolivariana ameaçando incendiá-los. O prefeito de Libertador acusa Henrique Caprillese Henry Ramos Allup, atual presidente do parlamento nacional venezuelano comoincentivadores da marcha. Esse tipo de ação da direita se tornou rotina na Venezuela,principalmente desde 2014 com as "guarimbas" que produziram 43 mortes.O decreto de emergência econômica e o estado de exceção visam garantir asegurança da população contra os métodos de terrorismo da direita, que objetivaderrubar o governo e derrotar a Revolução Bolivariana. O editorial da Folha de São Paulo, instrumento de desinformação, obviamentemistifica a situação venezuelana. Não descreve as ações desestabilizadoras da direita.Apenas ataca o governo, apresentando-o como ditatorial e responsável pleno pelocolapso econômico, que em grande medida é resultado das estratégias de guerraeconômica desenvolvidas pela burguesia venezuelana. Um libelo de mentiras à serviçoda reação e da derrota da Revolução Bolivariana.

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