campanha

A ocupação da Flaskô completa 15 anos, motivo de muita comemoração! Em junho de 2003, frente à falência induzida pelos antigos proprietários e ao relativo abandono das instalações fabris, os operários da Flaskô decidiram ocupar a fábrica e retomar a produção através do “controle operário da produção”. No próximo dia 16 de junho se completam 15 anos de ocupação, de trabalho e de luta. Durante todos esses anos, lutamos e superamos obstáculos de diversas ordens (econômicos, judiciais, etc.). Conseguimos por todo esse tempo manter a produção da fábrica e o emprego de dezenas de trabalhadores. Durante esse período, a resistência dos operários, e a manutenção da produção, possibilitou o reerguimento das instalações da fábrica, e também a construção de um bairro popular dentro de parte do seu território (A Vila Operária e Popular), garantindo um teto para centenas de famílias carentes de moradia. A luta da Flaskô nesses 15 anos apresenta um importante saldo de vitórias e de estímulo às lutas populares em Sumaré. Nesses 15 anos, passamos pelo primeiro e pelo segundo mandato presidencial do companheiro Luiz Ignácio Lula da Silva, pelo primeiro mandato de Dilma e pelo golpe de Estado que ocorreu durante o segundo mandato, através do impeachment. Um golpe parlamentar, sustentado pelo judiciário que crescentemente adota medidas de exceção, e pelos grandes oligopólios midiáticos. Após o golpe de estado, Temer assumiu a presidência de forma ilegítima e adotou um modelo econômico que contempla os grandes rentistas, banqueiros, industriais e senhores do agronegócio que patrocinaram o golpe. As ações da Lava Jato levaram a paralização da construção civil, aos ataques à Petrobras, visando à entrega do Petróleo e da soberania nacional. Temer promoveu a contrarreforma trabalhista, entre outros ataques aos trabalhadores. Os golpistas retribuem, com a entrega da soberania nacional, a sustentação que obtiveram dos poderes imperiais (EUA à frente), que objetivam a reorientação política da América Latina (AL), com a derrubada de governos de esquerda. Apesar da grave crise econômica nacional, intensificada pelo golpe de Estado, que produz uma redução da atividade econômica e o desemprego de milhões de trabalhadores, a Flaskô segue resistindo, produzindo, e mantendo seus postos de trabalho. Seguimos a nossa luta, conscientes de que ela é parte da luta de toda a classe trabalhadora brasileira. Lutamos pela liberdade do companheiro Lula, preso em uma farsa judicial, cujo objetivo é retirá-lo da campanha presidencial, e dessa forma, facilitar a eleição de um candidato que prossiga com o programa político e econômico do golpe. Por isso levantamos a exigência da imediata libertação do companheiro Lula! Ao longo dos 15 anos da ocupação desenvolvemos a luta pela estatização da fábrica. Levantamos a reivindicação de adjudicação da fábrica pelo governo federal, devido às dívidas milionárias, deixadas pelos antigos proprietários com a fazenda pública federal. Também apresentamos a reivindicação de desapropriação de toda área da fábrica em função da sua utilidade pública, considerando-se a manutenção dos postos de trabalho, o direito à moradia de centenas de famílias da Vila Operária e Popular, e a Fábrica de Esportes e Cultura, que funciona na Flaskô e possibilita que centenas de crianças e adolescentes de Sumaré desenvolvam atividades esportivas e culturais gratuitas no interior da fábrica. Não consideramos outra hipótese, que a manutenção da produção e a estatização da fábrica com a preservação do controle operário da produção. Reafirmamos nosso compromisso com a luta dos movimentos de moradia, e com a luta pela terra, desenvolvida através das ocupações do MST. Assim como o MST, nosso lema, desde o Movimento das Fábricas Ocupadas, é “Ocupar, produzir e resistir”. Seguimos lutando e apoiando todas as ocupações, por terra, moradia e trabalho. Como explica o companheiro Guilherme Boulos do MTST, “o direito à propriedade no Brasil, é limitado pela determinação do cumprimento da função social da propriedade. Qualquer propriedade que não cumpra esta função se encontra em situação ilegal”. Por terra, moradia e trabalho: “Ocupar, Produzir e resistir”! Convidamos todos os companheiros a virem na Fábrica ocupada Flaskô em 16 de junho, para a comemoração 15 anos de ocupação e de luta pela estatização da fábrica!
FLASKÔ segue para o 1 de maio unificado em Curitiba Pela imediata libertação de Lula! A Flaskô estará em Curitiba, ao lado do conjunto da classe trabalhadora brasileira, que lá estará representada no dia 1 de maio. Com o apoio de parlamentares de esquerda, como o companheiro Wilian Souza (PT) e o deputado federal Renato Simões (PT), entre outros companheiros, e também da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a fábrica ocupada Flaskô, organizou uma delegação para participar do 1 de maio unificado em Curitiba. Neste 1 de maio unificado em Curitiba os trabalhadores darão o exemplo da unidade e uma demonstração de força, para os golpistas, que pretendem manter Lula preso e aprofundar os ataques contra os trabalhadores, atropelando as garantias individuais e constitucionais do companheiro Lula, que hoje lidera todas as pesquisas de intenção de voto para a presidência da república, e se encontra preso sem nenhuma prova contra ele. O companheiro Lula é um preso político dos golpistas. Os trabalhadores demonstrarão que não se intimidam com o ataque fascista com disparos contra o acampamento Marisa Letícia, que atingiram companheiros, um deles gravemente, recentemente saído da UTI. A direita, empresários, setores do judiciário e do Ministério Público Federal, que são a linha de frente do golpe de Estado, com o apoio dos monopólios de comunicação, temem a resistência dos trabalhadores. Resistência que se desenvolve no cotidiano de lutas, como o forte movimento grevista dos professores de São Paulo. Com medo das jornadas de lutas sindicais, dos movimentos sociais como o MST, da indignação popular contra a prisão do companheiro Lula, segmentos neofascistas, a soldo de poderosos, lançam mão da violência armada, como no assassinato da companheira Marielle no Rio de janeiro, nos ataques à caravana do companheiro Lula, e nos tiros disparados contra o acampamento Marisa Letícia. Esse grande 1 de maio, é a resposta de que seguiremos firmes, buscando a construção da unidade para a continuidade das lutas e pela imediata libertação do companheiro Lula. Não daremos um passo atrás. Seguimos em frente, certos da vitória, do crescimento da resistência e de que os fascistas não passarão! Exigimos a imediata liberdade de Lula! Exigimos uma comissão independente com observadores internacionais para a investigação da execução de Marielle. Exigimos a imediata revogação das contra reformas aprovadas pelo governo golpista de Michel Temer. Pela estatização de toda empresa privatizada! Pela estatização de toda empresa fechada pela crise organizada pelos golpistas. Pela proibição imediata de qualquer demissão de trabalhadores pelos patrões golpistas. Por eleições livres e democráticas! Eleições sem lula é fraude! Organizar comitês suprapartidários em todo o país pela liberdade de Lula e para organizar nossa batalha.
FLASKÔ segue para o 1 de maio unificado em Curitiba Pela imediata libertação de Lula! A Flaskô estará em Curitiba, ao lado do conjunto da classe trabalhadora brasileira, que lá estará representada no dia 1 de maio. Com o apoio de parlamentares de esquerda, como o companheiro Wilian Souza (PT) e o deputado federal Renato Simões (PT), entre outros companheiros, e também da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a fábrica ocupada Flaskô, organizou uma delegação para participar do 1 de maio unificado em Curitiba. Neste 1 de maio unificado em Curitiba os trabalhadores darão o exemplo da unidade e uma demonstração de força, para os golpistas, que pretendem manter Lula preso e aprofundar os ataques contra os trabalhadores, atropelando as garantias individuais e constitucionais do companheiro Lula, que hoje lidera todas as pesquisas de intenção de voto para a presidência da república, e se encontra preso sem nenhuma prova contra ele. O companheiro Lula é um preso político dos golpistas. Os trabalhadores demonstrarão que não se intimidam com o ataque fascista com disparos contra o acampamento Marisa Letícia, que atingiram companheiros, um deles gravemente, recentemente saído da UTI. A direita, empresários, setores do judiciário e do Ministério Público Federal, que são a linha de frente do golpe de Estado, com o apoio dos monopólios de comunicação, temem a resistência dos trabalhadores. Resistência que se desenvolve no cotidiano de lutas, como o forte movimento grevista dos professores de São Paulo. Com medo das jornadas de lutas sindicais, dos movimentos sociais como o MST, da indignação popular contra a prisão do companheiro Lula, segmentos neofascistas, a soldo de poderosos, lançam mão da violência armada, como no assassinato da companheira Marielle no Rio de janeiro, nos ataques à caravana do companheiro Lula, e nos tiros disparados contra o acampamento Marisa Letícia. Esse grande 1 de maio, é a resposta de que seguiremos firmes, buscando a construção da unidade para a continuidade das lutas e pela imediata libertação do companheiro Lula. Não daremos um passo atrás. Seguimos em frente, certos da vitória, do crescimento da resistência e de que os fascistas não passarão! Exigimos a imediata liberdade de Lula! Exigimos uma comissão independente com observadores internacionais para a investigação da execução de Marielle. Exigimos a imediata revogação das contra reformas aprovadas pelo governo golpista de Michel Temer. Pela estatização de toda empresa privatizada! Pela estatização de toda empresa fechada pela crise organizada pelos golpistas. Pela proibição imediata de qualquer demissão de trabalhadores pelos patrões golpistas. Por eleições livres e democráticas! Eleições sem lula é fraude! Organizar comitês suprapartidários em todo o país pela liberdade de Lula e para organizar nossa batalha.
ATO EM DEFESA DA REFORMA AGRÁRIA, MARIELLE VIVE E LULA LIVRE! O MST convoca para o “ato em defesa da reforma agrária, Mariela vive e Lula livre”. O ato ocorrerá hoje, dia 15, às 16 horas, na ocupação Marielle vive. Na madrugada deste sábado 14, 700 famílias do MST ocuparam a fazenda São João das pedras, localizada no município de Valinhos, região de campinas (SP). A ocupação foi realizada durante a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária e denuncia da especulação imobiliária. Nesse momento em que a direita neofascista ataca crescentemente as lideranças populares, e em que o judiciário de exceção aprofundou o golpe de Estado, com a prisão do companheiro Lula, precisamos mais que nunca construir a maior unidade possível para derrotar o golpe e exigir a apuração das execuções de lutadores, como a companheira Marielle. Data: Domingo, 15 de abril. Horário: 16 horas Local: Ocupação Marielle Vive: Estrada do Jequitibá, na proximidade do km 7 (entre os bairros Vila Alpina e São Bento), Valinhos Marielle vive! Lula livre!!
NÃO TOQUEM EM LULA: PELA DEMOCRACIA E CONTRA O FASCISMO No dia 4 de abril o mais alto escalão da justiça brasileira tomará uma decisão que trata do futuro imediato de Lula, maior líder operário da história brasileira. Lula simboliza a resistência contra a ditadura militar, a redemocratização do país e organização de milhões de trabalhadores, no PT, na CUT e nos movimentos sociais como o MST. Nenhum crime estará em julgamento. Estará sendo julgada a liberdade, através de um habeas Corpus, solicitado para impedir a prisão ilegal de Lula, condenado em um julgamento farsesco. Desde o golpe de Estado de 2016, o objetivo principal dos segmentos do judiciário, do MP Federal, dos grandes monopólios midiáticos, e do capital financeiro que sustenta o golpe de Estado é a prisão do maior líder operário do Brasil. Os golpistas, pretendem legitimar a transformação do regime político brasileiro, a supressão da democracia através de uma eleição sem a presença de Lula. A direita não consegue viabilizar uma candidatura. Nenhum de seus candidatos, seja Alckmin, Maia ou qualquer outro, alcança 10% das intenções de voto. Apenas o fascista Bolsonaro, que a princípio não seria a opção dos setores dominantes do capital, ultrapassa esse patamar. Contudo Lula lidera todas as pesquisas com mais de 30% das intenções de voto. A burguesia é incapaz de derrotar Lula eleitoralmente. Por isso, seu objetivo de prendê-lo e retirá-lo da eleição. O povo brasileiro não aceita a prisão de Lula. O STF, que até agora deu inúmeras demonstrações de apoio ao golpe de Estado, encontra-se dividido. A divisão reflete a resistência popular, de artistas, juristas, intelectuais, do movimento popular e sindical em defesa da democracia. Não daremos nenhum passo atrás. Exigimos a liberdade de Lula e revogação de sua condenação. Exigimos o direito democrático de Lula ser candidato a presidente. Lutaremos de forma intransigente pela derrota do golpe de Estado. O desespero da burguesia, se revela com o crescimento de grupos neofascistas. Com o crescimento do assassinato de lideranças políticas como a vereadora Marielle do PSOL e dos jovens da UJS em Maricá. Com os ataques fascistas contra a caravana de Lula no Sul. Seja qual for a decisão da elite togada do STF amanhã nos manteremos em alerta. Caso o STF conceda o Habeas Corpus para Lula, a direita fascista, e a direita tradicional ampliarão seus ataques, faremos valer nosso direito de autodefesa. Caso o STF não conceda o Habeas corpus, o caminho é o da luta intransigente pela liberdade imediata de Lula. Não devemos permitir que toquem em Lula. A prisão de Lula é um ataque frontal a todos os trabalhadores brasileiros. Se condenarem Lula não aceitaremos sua prisão. Frente a ameaça contra Lula, dizemos: Não toquem em Lula!!! Frente aos ataques fascistas: Organizar a autodefesa!!! Exigimos eleições democráticas: Lula candidato à presidência!!! undefined
LANÇAMENTO DO COMITÊ EM DEFESA DO DIREITO À CANDATURA DE LULA NA FLASKÔ Querem impedir a candidatura de Lula para presidente! Não vamos deixar! Venha construir o comitê em defesa do direito à candidatura Lula na Flaskô! Os grandes industriais, os donos do agronegócio, os banqueiros, querem impedir a candidatura de Lula em 2018. Usam o judiciário para uma condenação sem provas, com o único objetivo de impedir a candidatura de quem hoje lidera as pesquisas de intenções de voto. Fazem isso para continuar os ataques sobre os nossos direitos e a destruição dos postos de trabalho. Somente a mobilização popular pode barrar os ataques brutais contra os direitos, como a aposentadoria, saúde, educação e também para revogar a reforma trabalhista que tem como resultado a destruição dos direitos trabalhistas e o chicote mais pesado sobre as costas dos trabalhadores. Achamos que defender o direito de Lula a ser candidato é parte do processo de luta para derrotar o golpe de estado. A Fábrica ocupada Flaskô convoca os vizinhos e trabalhadores da região para o lançamento deste comitê. Vamos nos organizar! Venha participar e lutar por um futuro digno para nós e para nossos filhos. DATA: Dia 22/01/2018 – próxima segunda – feira. Local: Fábrica Flaskô: Rua Marcos Dutra Pereira, no. 300, Sumaré. Horário: 19:00 horas
Nesta segunda – feira, durante ato político com médicos comunitários, realizado em Caracas, o presidente venezuelano Nícolas Maduro, denunciou a violenta campanha midiática internacional contra a Venezuela e o seu governo. O ato político e a fala de Nícolas Maduro foram transmitidos em cadeia obrigatória de rádio e televisão. O presidente assegurou que no ano passado se deram 3.800 notícias negativas sobre o país. Acusou às quatro agências internacionais de notícias, entre elas a espanhola EFE, de fazer campanha contra o país e seu governo. Nícolas Maduro afirmou: “A ofensiva mundial contra a Venezuela através dos meios já começou, todos os dias notícias negativas. No ano passado divulgaram 3.800 notícias negativas” disse o mandatário em um ato com médicos comunitários em Caracas, que foi transmitido em cadeia obrigatória de rádio e televisão. Assegurou que Reuters do Reino Unido, Associated Press (AP) de Estados Unidos, a francesa Agence France-Presse (AFP) e a Agencia EFE da Espanha encabeçam a campanha mundial contra a Venezuela. “Todos os dias chumbo, chumbo, chumbo a nível mundial. As 3.800 notícias da campanha diária por televisão, todos os dias no mundo (...), porque querem o petróleo, querem nossas riquezas, querem acabar com a Revolução Bolivariana que é exemplo de dignidade anti – neoliberal”, afirmou. O mandatário criticou, desta forma, que estas agências não dizem coisas positivas sobre Venezuela e citou como exemplo o alcance dos programas sociais implementados pelo chavismo, no poder desde 1999. Reiterou que o país petroleiro, vivendo uma profunda crise econômica, não atravessa uma “crise humanitária” como alega a oposição para pedir ao Executivo que permita a entrada de alimentos e remédios que escasseiam na Venezuela. As notícias das agências internacionais são replicadas por periódicos do mundo inteiro. É importante notar que renomados jornais europeus, alguns associados a social - democracia europeia, como The Guardian no Reino Unido, Le Monde na França e principalmente o El País na Espanha, fazem uma cobertura tendenciosa dos acontecimentos políticos na Venezuela. A campanha midiática internacional cumpre papel destacado nos esforços para a desestabilização política da Venezuela com o propósito de inviabilizar o governo de Nícolas Maduro e derrotar a Revolução Bolivariana.
Texto publicado no site Investig'action e no periódico venezuelano Correo del Orinoco Tradução: Paulo Roberto de Andrade Castro Especialista Independente das Nações Unidas na Promoção de uma Ordem Internacional Democrática e Equitativa Alfred de Zayas, advertiu que o termo "crise humanitária" é usado para intervir na Venezuela e derrubar o atual Governo. O especialista independente da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a promoção de Uma Ordem Internacional Democrática e Equitativa, Alfred de Zayas, advertiu sobre o uso do termo crise humanitária para intervir na Venezuela e derrubar o atual governo. “Esse termo de crise humanitária é facilmente convertido no pretexto para uma intervenção, com o propósito de derrubar o regime atual, que gostem ou não, é o governo eleito”, explicou esta segunda-feira em uma entrevista para a Telesur. Alfred de Zayas indicou que na Venezuela há um problema de escassez de alimentos e remédios “porém não é uma situação de emergência aguda” e o governo tem uma série de programas para resolver estas situações. “Não gosto de exageros, crises humanitárias existem em muitos países da África, do Oriente Médio, na Venezuela há escassez, mas é preciso saber as causas destes problemas, até que ponto é culpa do governo, até que ponto é resultado de uma guerra econômica que vem do exterior, das sanções, da queda do preço do petróleo, da inflação, do contrabando (para a Colômbia)”, explicou. O especialista da ONU recordou a historia da crise no Chile em 1973, mas “não esqueçam que (Henry) Kissinger e (Richard) Nixon disseram que não se podia tolerar que um modelo alternativo tenha êxito na América Latina e logo se derrubou o governo (de Salvador Allende) pela força em um golpe de Estado”. Da mesma forma, De Zayas indicou que outra razão possível para as alegações de uma suposta crise humanitária na Venezuela é distrair: “Há outros problemas, no Brasil, em Honduras, na Argentina, dos quais se fala muito pouco. O especialista independente explicou que a intervenção em um país somente pode ser justificada em casos de genocídios, como Ruanda em 1994 e no Camboja nos anos 70. Explicou que o artigo 2, parágrafo 3, da Carta das Nações Unidas é muito claro em sua condenação às intervenções, pois advoga pela resolução dos conflitos mediante o diálogo. “Os membros da Organização devem resolver suas controvérsias internacionais por meios pacíficos de modo a não pôr em perigo nem a paz e a seguridade internacionais nem a justiça”, diz o artigo 2, parágrafo 3, da Carta das Nações Unidas. Sobre as demandas da direita internacional de julgar ao presidente constitucional da Venezuela, Nícolas Maduro, por crimes de lesa humanidade, o especialista da ONU assegurou que é algo “surrealista” e” desprovido de seriedade”. Indicou que “há 20 ou 30 outros chefes de Estado que caíram mais facilmente sob esta jurisdição”. Questionou, ademais, por que não se investigam os governos envolvidos em crimes de lesa humanidade durante as intervenções militares no Iraque, Afeganistão e Líbia. De Zayas disse que semanas antes de chegar a Venezuela foi assediado: “Me chamaram todo tipo de epítetos e nas redes sociais se dizia que eu não era independente”, mais aclarou que aqueles que o criticam “não querem um relator independente”, querem um que venha para condenar, eu venho para ouvir e depois fazer recomendações construtivas, a mim não interessa condenar um Estado, venho ajudar mediante assessoria, assistência técnica”. O especialista independente chegou a Venezuela no dia 27 de novembro e realizou reuniões com funcionários do governo, vítimas de violações de direitos humanos e da violência das chamadas guarimbas (protestos violentos da oposição) com o objetivo de conhecer a situação política, econômica e social do país. “Estive com 15 ou 16 ministros, conselheiros, para saber o que se passou nos últimos anos, sobre a queda dos preços de petróleo, a escassez, o desabastecimento”, especificou. “Queria ver com meus próprios olhos e ao final dos meus oito dias de visita recomendei ao chanceler uns conselhos preliminares” disse. Indicou que antes de vir à Venezuela revisou os informes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e disse não estar convencido de que sua metodologia “seja correta e objetiva”. undefined
Por: Paulo Roberto de Andrade Castro Este artigo tem por objetivo tecer algumas considerações e uma comparação sobre o plebiscito realizado pela oposição venezuelana, no contexto de uma ofensiva interna e com apoio internacional, para desestabilizar o governo de Nicolas Maduro e o plebiscito independentista realizado na Catalunha, duramente reprimido pelo governo espanhol. Os dois eventos ocorreram em datas próximas, separados temporalmente por dois meses e possuem algumas semelhanças, cuja interpretação auxilia a compreensão sobre democracia e protesto social no período contemporâneo. Em ambos os casos são ações políticas que desafiam o poder central e não podem ser vinculantes, considerando-se que nos dois casos não existe respaldo constitucional, para a ação política dos setores que se insubordinam e desafiam o poder constituído. Contudo, apesar desta semelhança, possuem significados diversos, revelando interesses políticos diferentes em cada caso. Na Venezuela a oposição, apoiada por potências imperiais, procura derrubar o governo e impor uma derrota à um processo revolucionário incompleto. Esta ofensiva ocorre em um contexto de avanço da direita na região da América Latina, que no caso venezuelano, busca aproveitar a oportunidade da crise econômica vivenciada pelo país para se impor através de um golpe de estado. Algo que tem se tornado costumeiro na região, após o golpe em Honduras, no Paraguai e no Brasil, além das tentativas frustradas no Equador e na Bolívia. Na Catalunha, revela-se um quadro complexo. O independentismo catalão vem sendo estimulado pelo governo local, como uma forma de se desvencilhar de suas próprias contradições. A Catalunha é governada pela direita na maior parte do tempo que possui sua autonomia, desde a constituição espanhola de 1978. A direita, atualmente no poder, governou 30 de 37 anos, nove de 11 legislaturas. O presidente da Generalitat da Catalunha, Carles Puigdemont pertence a um partido liberal e nacionalista, o PDeCAT, o qual tem sido a força hegemónica durante a maior parte deste tempo. A Espanha, como se sabe, foi um dos países da Europa mais duramente afetados pela crise de 2008. O governo central da Espanha ao mesmo tempo em que socorreu bancos e instituições financeiras com bilhões de euros durante a crise, aprofundou as medidas de austeridade que conduzem a deterioração do estado de bem estar social, a destruição dos serviços públicos destinados à população, como saúde e educação e demais direitos sociais e trabalhistas, em um contexto em que o desemprego chegou a atingir quase 30% da população, afetando especialmente a juventude. A região da Catalunha foi uma das mais afetadas pela crise em toda Europa. A crise afetou duramente o mercado de trabalho catalão, causando uma queda acentuada na qualidade de vida das clases populares. O governo liberal da direita catalã aprofundou os cortes no financiamento dos serviços públicos do estado de bem estar social da Catalunha. Em um momento de alto desemprego e precarização no trabalho, a população pobre da Catalunha sofreu também a diminuição do investimento em políticas sociais e em prestações como a transferencia de renda para a prevenção da pobreza e exclusão social, moradias sociais entre outros direitos. A Catalunha se tornou um dos estados de bem estar social com menor financiamento na Espanha e em toda a Europa na UE – 15, com gastos sociais inferiores a países de renda equivalente. A profunda recessão e as políticas de austeridade produziram fortíssimas manifestações na Catalunha, como no evento conhecido como 15-M, quando o parlamento foi cercado por uma multidão e seu presidente precisou usar um helicóptero para literalmente fugir da multidão. É nesse contexto histórico que a direita Catalã, históricamente nacionalista, procurou reforçar o sentimento nacional, apresentando o governo central da Espanha como responsável pela crise social da Catalunha, como se ela própria não tivesse responsabilidades diante desta crise, que é consequência das políticas de austeridade que ela própria desenvolveu. O movimiento independentista catalão neste momento é dirigido pela direita tradicional PDeCAT, mas tem apoio de partidos de esquerda como o ERC e a CUP (considerado de “extrema-esquerda”). É apoiado também por inelectuais, artistas e movimentos sociais, especialmente o sindical e o estudantil. Trata-se de um movimiento poli-classista, que embora liderado pela direita, tem forte participação de trabalhadores, estudantes e cujo sentido é hoje disputado. Tem o potencial de ativar a luta de clases em toda a Espanha, como se evidencia com as mobilizações de apoio ao plebiscito em Madri e em ciudades estratégicas da Galícia e do País Basco. O governo español dirigido pela direita reagiu de maneira ditatorial para impedir a realização do plebiscito no dia 1 de outubro. Enviou dez mil policiais para a Catalunha que realizaram uma repressão brutal, que teve como saldo mais de 800 feridos. A burguesía espanhola sabe que as mobilizações da Catalunha desafiam a esstabilidade do regime espanhol que sucedeu ao franquismo, conservando muitas de suas características. Em um cenário mundial turbulento, no qual o conflito social ocorre em larga escala em diversas regiões do planeta, incluindo a Europa, os donos das finanças europeias, representados nos governos de Merkel na Alemanha, Macron na França, e de Theresa May no Reino Unido, apoiam o governo de Madrid e a União Europeia se nega a mediar o conflito entre a Catalunha e Madri. Nesse sentido, a brutal repressão ao plebiscito Catalão pelo governo de Mariano Rajoy não deixa de ser uma expressão indireta da ditadura do capital financiero europeu. Venezuela e Espanha: Onde está a ditadura? Embora os dois plebiscitos correspondam a realidades nacionais específicas, eles nos informam sobre a agudização da luta de classes no período atual. Também exemplificam maneiras distintas da relação de governos com o protesto social. A Venezuela, governada pela esquerda, constitui uma experiência progressista, apesar das contradições do chavismo e de seus limites estratégicos para a construção do socialismo. Contudo, o governo de esquerda venezuelano constitui um incômodo para as potências imperiais, especialmente os EUA, em seu empenho de recolonização da América Latina. Nesse contexto, a direita anti-democrática venezuelana convocou um plebiscito, como uma das táticas para a deposição do governo de Nícolas Maduro. O chamado ao plebiscito se deu no bojo de uma tentativa insurrecional, após 3 meses de protestos violentos que causaram a norte de mais de uma centena de venezuelanos. Além das iniciativas de sabotagem econômica que causam o desabastecimento e a alta dos preços. O plebiscito inconstitucional desenvolveu-se com inúmeras irregularidades, como voto repetido de vários eleitores, sem possibilidade de ser auditado, pois a oposição venezuelana, queimou as cédulas, alegando que os eleitores sofreriam perseguição do governo. A iniciativa do plebiscito teve o apoio externo dos EUA e da OEA, subserviente a esta nação. Contudo Nícolas Maduro permitiu que o plebiscito ocorresse e não houve qualquer repressão governamental. O governo tratou o evento como uma ação política da oposição, tolerável nos marcos de um regime democrático. O chavismo procurou neutralizar os efeitos do plebiscito opositor com a mobilização maciça para a assembleia constituinte. Na Espanha, pelo contrario, a mobilização legítima pela auto- determinação nacional catalã, foi reprimida brutalmente com o apoio das principais potencias europeias. A ação policial no dia do plebiscito deixou 800 feridos. A monarquia constitucional com democracia parlamentar, surgida da transição de 1978, mostra uma de suas faces mais cruéis, a opressão das nacionalidades minoritárias. Mariano Rajoy e o rei Felipe VI sinalizam a utilização do artigo 155 da constituição. Podem chegar a utilizar o exército para sufocar a independência catalã. undefined
Tradução: Paulo Roberto de Andrade Castro. Realizamos a tradução do declaração do professor Hemy Herrera, sobre a Venezuela, no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Sugerimos a leitura do texto. Por Hemy Herrera – Centro Europa Tiers Monde da cetim.ch Segue-se uma declaração escrita pelo Prof. Remy Herrera e arquivado pelo Centro Europa (CNRS e Univ Paris I, Sorbonne.) - Tiers Monde (CETIM) no Conselho dos direitos do ' homem de 'Nações Unidas (Genebra). Para o respeito dos direitos humanos, especialmente o direito de " auto-determinação, na República Bolivariana da Venezuela Preocupada por uma apresentação unilateral da situação na Venezuela e incentivando a violência, o CETIM espera contribuir com clareza com a esperança de que o direito à informação, consagrado na Carta Internacional dos Direitos Humanos, seja respeitado. Após a primeira vitória de Hugo Chávez nas eleições presidenciais de 1998, está ocorrendo um processo de transformação social, econômica, política e cultural profunda, mas pacífica na Venezuela. A partir dessa data até o sucesso eleitoral do atual presidente Nicolas Maduro, em abril de 2013, as forças políticas que apoiam a sua agenda progressista comum, ganharam quase todas as eleições organizadas no país, de forma livre e democrática, como testemunham numerosos observadores estrangeiros independentes. Ao mesmo tempo, as estruturas da sociedade foram em grande parte democratizadas, especialmente graças ao desenvolvimento de formas de participação popular e comunitária, e os direitos dos cidadãos venezuelanos são bastante avançados. Não reconhecendo esses avanços nas liberdades civis e políticas, e democráticas em geral, bem como dos direitos econômicos, sociais e culturais no país, seria negar as evidências. Durante este período, alguns dos líderes oposição, apoiados pelo governo dos EUA, explicaram ao mundo a sua concepção de democracia em várias ocasiões: primeiro, em abril de 2002, durante uma tentativa de golpe contra a ordem constitucional, interrompida pela mobilização do povo; posteriormente, a partir de dezembro de 2002, com o “Paro Petrolero”, ao qual o governo respondeu assumindo a empresa Petróleos de Venezuela SA e lançando missões sociais; finalmente durante todo o período, através das incessantes operações de sabotagem do economia nacional, realizadas com a colaboração de grandes proprietários privados hostis à democratização. A população e os sucessivos governos têm reagido a essas agressões das frações mais reacionários da oposição com firmeza, mas de forma pacífica. A reafirmação várias vezes na urna, do apoio de uma grande maioria dos venezuelanos ao processo de transformação do país é explicada por razões sólidas. O progresso social tem sido enorme desde 1999, em todos os campos: saúde, educação, cultura, alimentação, habitação, infraestrutura, serviços públicos, trabalho, pensões. As estatísticas estão disponíveis para confirmação. A tomada de controle efetivo sobre o coração da economia pelo Estado. A indústria do petróleo permitiu pela primeira vez na história do país uma distribuição mais justa das receitas dos recursos naturais. Como resultado, as desigualdades de renda começaram a diminuir de forma significativa, embora ainda haja muito a fazer nesta questão. A Venezuela é hoje, depois de Cuba, a sociedade menos desigual da América Latina. É claro que tudo isso, alcançado em benefício de muitos, não atende os interesses dos mais ricos. Sob o impulso do presidente Chávez, a Venezuela participou ativamente da construção de um mundo unipolar mais equilibrado. A Aliança Bolivariana para os Povos de Nuestra America. , O Tratado de Comércio de Povos, nascido em 2004, abriu a perspectiva de cooperação regional e de relações solidárias que estão em desacordo com os princípios da concorrência e a maximização dos lucros privados sustentados pela globalização capitalista. O mesmo se aplica às iniciativas tomadas para permitir que o Sul se liberte da chantagem do Fundo Monetário Internacional e do oligopólio financeiro dominado pelo Norte. Uma nova respiração animou o espírito da independência latino-americana, levando à criação de instituições comuns à nível regional. Este progresso fundamental para os povos do Sul não poderia ter a aprovação dos poderes do norte, nem de seus representantes locais. Nessas condições, não é surpreendente notar que o processo de transformação social na Venezuela levanta ondas de ataques violentos de mídia, tanto no interior do país como no exterior. Essas campanhas de imprensa, rádio e televisão, mas também na internet e em redes sociais, todas orquestradas pelo poder do dinheiro, acentuam probabilidades e se espalham contra o movimento progressista . Eles contrastam com o silêncio dos mesmos meios de comunicação dominantes diante do golpe militar que derrubou o presidente Zelaya em Honduras (2009), ou golpes parlamentares que encerraram os mandatos dos presidentes de Lugo no Paraguai (2012) e Rousseff no Brasil (2016). Este ataques midiáticos dobraram de intensidade após a morte de Hugo Chavez e a eleição para a presidência em 2013, do continuador de seu projeto, Nicolas Maduro. A coabitação de fato, devido à obtenção de sucesso dos vários partidos de oposição nas eleições parlamentares (2015), levou seus líderes mais extremistas a se sentirem empoderados para tentarem imitar aqueles presidentes hondurenhos, paraguaios e brasileiros fundamentalmente antidemocráticos, e para dar o próximo passo no desencadeamento uma vasta operação de desestabilização na Venezuela. Este aumento da agressão contra o Presidente Maduro, legitimamente eleito, passou em primeiro lugar através de votação parlamentar de auto - anistia para os crimes e delitos (reconhecendo-os como tal!) Cometidos pelos dirigentes da oposição. Mais tarde, foi acentuado por uma tentativa logo abortada, uma vez que carecia de requisitos legais, de convocar um referendo revogatório destinado a destituir o presidente Maduro. Finalmente, e por vários meses, o endurecimento das posições de uma fração de adversários, muito divididos, tomou a forma de apelos à intervenção de potências estrangeiras, na esperança de vê-los interferir nos assuntos internos e colocando em risco a soberania nacional. Foi a Organização dos Estados Americanos que foi acionada no início, com o objetivo de excluir a Venezuela dessa instituição, independentemente dos interesses nacionais. Os mais fanáticos dos adversários, que conheciam o apoio do governo do presidente Maduro e o processo de transformação entre as massas populares, não procuram nada além de uma intervenção militar externa contra o país. Quer sejam venezuelanos ou estrangeiros os poderes que suportam este oposição levam a uma guerra econômica dentro da Venezuela. Através do controle da maioria dos meios de produção da indústria, agricultura, são capazes de ameaçar a satisfação das necessidades da população, organizando conscientemente e desumanamente com a cumplicidade das redes subjugadas aos Estados Unidos, a escassez de alimentos e de produtos para a satisfação de necessidades básicas; exportações de contrabando através das fronteiras de bens subsidiados, incluindo o petróleo; manipulações de preços domésticos e distorções da taxa de câmbio nacional no mercado negro; uma fraude fiscal e uma fuga maciça de capital; e, a sabotagem sistemática da economia nacional, a fim de fortalecer uma crise sustentada artificialmente. A impressão de caos resultante serve como pretexto para os bancos estrangeiros e certas organizações internacionais aumentarem o ”risco país ”e, portanto, o custo da dívida - quando as linhas de crédito externas não são interrompidas. O objetivo é tentar desestabilizar o processo de transformação social em curso, privar o estado dos seus recursos e enfraquecer o moral das pessoas através do 'exacerbação de escassez, inquietação e descontentamento. Tudo isso é inaceitável. Nenhuma das razões para as dificuldades encontradas, que dizem respeito menos à gestão do governo que a uma vontade deliberada dos opositores, são objetivamente analisadas pelos meios de comunicação dominantes. Lógico: os proprietários de grandes meios de comunicação têm interesse em terminar esse processo de transformação democrática, que, pelo exemplo que representa, coloca em questão a ordem em que seu domínio é fundado. É por isso que os meios de comunicação tratam os eventos de rua de hoje, em Caracas ou em outras cidades do país, apresentando manifestantes "pacíficos" (quando não são pintados como "heróis"), reprimidos por uma suposta "ditadura". A turbulência atual não poderia evitar excessos de um lado e do outro. Mas ocultam estranhamente, os crimes, inegáveis, perpetrados por frações ultra violentas desses "manifestantes" – entre os quais há grupos organizados de ideologia fascista e bandos de delinquentes assalariados da oposição mais radical para semear o terror - cujas ações são exaltadas com apelos à violência, irresponsável e crescente, por parte de certos parlamentares. Então, entre informações falsas e fotos retocadas, é um novo mito de revolução colorida que é inventado, da mesma forma que nos últimos anos asseguraram para facções de extrema direita apoiadas pelos Estados Unidos acesso ao poder através do uso da força. Essas manipulações de mídia, tão grosseiras como perigosas, insultam todos jornalistas íntegros, atropelando o direito dos cidadãos de serem informados, jogando o jogo dos defensores da guerra civil e não podem enganar os observadores honestos. Para encontrar uma saída necessária para a situação particularmente dolorosa que os venezuelanos vivem, o presidente Maduro anunciou no dia 1º de maio sua decisão de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte. Diante da recusa obstinada dos opositores mais brutais em retomar as negociações com o governo legítimo do país, esta iniciativa traduz o plano presidencial de pacificação, além de ampliar o campo das discussões construtivas a todos os membros da sociedade. Através desta reforma da Constituição também se busca a consolidação das conquistas e missões sociais realizadas desde 2003, as formas existentes de participação democrática e os fundamentos da soberania. A palavra é então devolvida às pessoas, das quais emana todo o poder através da votação. Como é atualmente concebida, esta assembleia constituinte é composta por 545 membros eleitos diretamente e secretamente por eleitorados ou setores profissionais (delegados de comunas, missões, comunidades indígenas, mas também estudantes, empresários, trabalhadores, camponeses, pescadores, deficientes, aposentados, etc.). Não significa subestimar os limites ou minimizar as insuficiências do processo de transformação da Venezuela; nem de ignorar os motivos da insatisfação, dada à exasperação de muitos cidadãos – motivos muitas vezes ligados aos males herdados do sistema capitalista, dos quais o processo em curso não foi totalmente emancipado (insegurança persistente, casos de corrupção, desigualdades reduzidas, mas ainda elevadas...). Deve ser entendido, no entanto, que a raiz de todos os problemas agora enfrentados pela grande maioria dos venezuelanos se origina na concentração da propriedade dos meios de produção nas mãos de uma minoria infame de possuidores, suficientemente poderosa (e apoiada por estrangeiros) para poder mergulhar o país em uma "crise" - organizada com cuidado – para prejudicar o bem-estar da população e incentivar a multiplicação de atos de violência. Então estamos pedindo um retorno imediato à calma e ao diálogo, ao respeito pela autodeterminação do povo venezuelano e ao aprofundamento do processo de transformações democráticas que começou livre e corajosamente por duas décadas, no espírito de progresso social, justiça e Independência do presidente Chávez, permanecendo fiel às ações e ensinamentos de Simón Bolívar. No contexto de crises múltiplas (políticas, socioeconômicas, culturais, alimentares, climáticas, migratórias...) e conflitos armados em muitas regiões do mundo, é irresponsável provocar o caos na Venezuela. Aqueles que continuam nesse caminho se tornam responsáveis frente ao direito internacional e terão que responder à justiça de suas ações. Diante disso, a Venezuela precisa de apoio, tanto pelos Estados quanto pelos órgãos das Nações Unidas, de acordo com a Carta das Nações Unidas e o direito internacional em matéria de direitos humanos, e não de uma campanha de ódio e desestabilização. undefined

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