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Em 12 de junho de 2003, nós, trabalhadores da Flaskô, decidimos tomar nosso presente em nossas mãos, decidimos alterar o destino que o capitalismo e os patrões nos empunham. Nós decidimos tomar a fábrica e coloca-la sob o controle dos próprios trabalhadores. Marchamos nestes dez anos defendendo a palavra de ordem "Fábrica quebrada é fábrica ocupada, e fábrica ocupada deve ser estatizada e colocada sob controle dos trabalhadores".
A força que nos moveu foi a mesma que nos fez suar de sol a sol, durante nossa vida, vendendo nossa energia para rodar as máquinas do capitalismo e com isso receber um salário para comer, morar e criar nossas crianças. Mais do que isso, a força que nos moveu foi a necessidade de acabar com o horror que vivíamos e também o conjunto de nossa classe.
Porém, em 12 de junho de 2003, nossa força estava animada também com a certeza de que um período havia que se esgotar. O período em que tudo estava organizado somente para o interesse dos patrões. Foi esta esperança, que, naquele momento, se materializava a vitória de Lula. Tendo ele como presidente, nos dava uma coragem ainda maior para irmos em frente. Éramos mais de trezentos que participavam da assembleia que realizamos naquele dia. Éramos uma força que havia tirado os trilhos da história do seu caminho.
E por isso decidimos reconstruir tudo. Assim, ocupamos a fábrica e nos articulamos para garantir o direito ao trabalho, nossa principal forma de dignidade. Para tanto, só havia um caminho, avançar para tomar as fábricas dos patrões, reorganizá-las de acordo com os interesses de nossa classe, de acordo com os interesses mais gerais da humanidade - a vida e a solidariedade entre os próprios trabalhadores, uma vida sem exploração. Organizamos, a partir daí, uma nova fábrica para se trabalhar. Nos unimos aos sem terra para lutar por reforma agrária e o pelo fim do latifúndio. Gritamos: "Quando o campo e a cidade se unir a burguesia não vai resistir".
Da mesma forma, nos solidarizamos com todo o povo trabalhador explorado, impulsionando a luta pela moradia. Decidimos começar a unir convicção e ação a partir do terreno do patrão que durante décadas sugou nossa vida. Tomamos o terreno, e construímos a Vila Operária, onde vivem hoje 564 famílias. Assim como impulsionamos o projeto Fábrica de Cultura e Esporte, com centenas de atividades realizadas, envolvendo o conjunto da comunidade, com crianças, jovens e adultos, garantindo acesso à cultura, lazer, etc.
Justamente por isso, a cada passo que avançamos, um estalo maior vinha de nossos inimigos – os patrões e seus representantes nos governos, inclusive no governo Lula. Quando avançava a campanha em apoio ao governo Venezuelano, a FIESP se levantou contra nós, convocando os empresários a se mobilizarem contra nossa luta. Quando iniciamos o trabalho de articular as fábricas tomadas na America Latina, a OMC interviu e tentou impedir que esta unidade avançasse.
Em 2007 eles decidiram nos atacar. Mais de 150 policiais federais tomaram a Cipla e Interfibra, ambas então ocupadas em Santa Catarina, expulsando os trabalhadores e empossando um interventor reacionário para realizar os ataques contra as conquistas sociais, legais e humanas que 5 anos de controle operário havia garantindo. É por isso que disseram expressamente na sentença judicial o que realmente eles tem medo: "Imagine se a moda pega?".
Para tanto, contaram com a tática da criminalização, com uma campanha de calúnias e tentativas de nos deslegitimar perante o conjunto da classe trabalhadora. Obviamente, usaram o monopólio dos meios de comunicação para seus objetivos. A revista Veja afirmou que somos "o MST das fábricas". Ótimo, é um orgulho!
Porém, nós, poucos, mas valentes trabalhadores da Flaskô, decidimos resistir. E com a força e a solidariedade que recebemos de todo o Brasil e do Mundo, unindo as centrais sindicais as mais diversas, os partidos políticos num amplo espectro, sempre sob a perspectiva de frente única, compreendendo cada passo a ser dado diante da dinâmica da luta de classes. Se por um lado nunca podíamos garantir quanto tempo duraríamos, por conta da cotidiana instabilidade, é certo que tínhamos a certeza que ganharíamos. Porque sabemos que só teríamos a perder nossas correntes e ganhar uma esperança de vitória.
Hoje completamos 10 anos. Passaram-se os dois governos de Lula. E qualquer sombra de caminhar ao socialismo que poderíamos pensar existir nesse governo se esvaiu no ar. O primeiro governo Lula se recusou a encontrar uma solução, mesmo diante das diversas propostas que apresentamos, por meio da reivindicação da estatização sob controle operário, ou mesmo diante da proposta que o BNDES apresentou. Lula dizia que essa pauta não "estava no cardápio". Mas vimos que o cardápio para os trabalhadores, de fato, era diferente dos grandes capitalistas, já que o mesmo estudo do BNDES foi usado para ação do governo em relação à Aracruz Celulose, JBS FriBoi, Grupo Votorantim, etc. O segundo governo decidiu atacar nosso movimento, sujando suas mãos ao criminalizar a luta dos trabalhadores, e empurrar a luta das fábricas ocupadas para morrer enfraquecida.
O governo Dilma até o momento trabalha para impedir que os projetos de leis que apresentamos no Senado prosperem. Como já demos publicidade e conhecimento, ressalta-se que são dois projetos: um desapropria a fábrica transformando em propriedade social controlada pelos trabalhadores e outro projeto permite que toda fábrica abandonada ou falida seja desapropriada e repassada aos trabalhadores para uma gestão democrática.
Por isso, nestes dez anos decidimos, mais uma vez, ir à ofensiva. Decidimos retomar com força a pressão sobre o governo Dilma/PT, e sobre o Senado Federal, para que aprovem imediatamente a declaração de interesse social para fins de desapropriação da Flaskô. Trata-se de uma decisão política, proporcionando um instrumento efetivo para a luta operária.
E temos a certeza que podemos ganhar porque não se trata de apenas uma fábrica resistindo contra o capitalismo, mas uma fábrica ocupada, resistindo na defesa das pautas históricas da classe trabalhadora em direção ao socialismo. É o que podemos ver no encontro de hoje, onde estão presentes, em grande demonstração de unidade de classe, várias representações internacionais, diversas organizações populares (do campo e da cidade), dezenas de sindicatos e representações estudantis.
A importância é ainda maior diante de uma conjuntura bastante interessante, de crise do capitalismo, ascenso das massas, rearticulação dos movimentos sociais em todo o mundo, inclusive, agora, chegando mais diretamente no Brasil. A burguesia precisará reprimir, criminalizar, mas as contradições ficarão cada vez mais evidentes, e somente deixará mais evidente a necessidade de construção de outra sociedade, não mais fundada na exploração da força de trabalho.
Sabemos que não há socialismo num só país, muito menos sobreviverá somente uma fábrica ocupada, isoladamente. Por isso, como demonstramos nesses 10 anos, somente a unidade de classe, inclusive para além das fronteiras nacionais, poderá dar uma saída real para a luta da classe trabalhadora em direção à transformação dessa sociedade.
Assim, a luta continuará, e precisamos de toda a solidariedade de classe que fez com que a Flaskô ficasse aberta até hoje. Nesse sentido, convocamos todos aqueles comprometidos com a luta da classe trabalhadora por sua emancipação, para que se junte conosco nas lutas e batalhas que serão travadas no próximo período, convidando, desde já, para a Caravana à Brasília em 23 de outubro de 2013, para realização de uma Audiência Pública onde discutiremos os referidos projetos de lei e as perspectivas para as fábricas ocupadas e a garantia das conquistas sociais da classe trabalhadora.

Viva os 10 anos da Fábrica Ocupada Flaskô!

Viva a solidariedade internacional da classe trabalhadora!

Sumaré/SP, Brasil, 15 de junho de 2013.

Assinam essa carta, todos os trabalhadores da Flaskô e todas as entidades e organizações presentes neste encontro, aprovada por unanimidade
Maiores informações veja em www.fabricasocupadas.org.br

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Cronologia do Movimento: 2002-2012

  • 2002

Janeiro – trabalhadores da Cipla em Joinville-SC realizam paralisação de 24 h contra os atrasos constantes no pagamento dos salários e do décimo terceiro. Não houve apoio do sindicato dos plásticos da cidade e 140 funcionários, sobretudo as lideranças da greve, foram demitidos. A situação na fábrica é cada vez pior.

24 de outubro – Inicia greve de 8 dias na Cipla e na Interfibra, contra a vontade do sindicato que ao fim decide apoiar. As reivindicações eram o pagamento imediato dos salários atrasados e direitos não pagos. O empresário Luis Batschauer tenta coibir a greve com ameaças, mas sem sucesso, aceita reunião com o comitê de greve e o sindicato, mediada pela delegacia regional do trabalho e o ministério publico do trabalho.

31 de outubro – Batschauer nega condições para pagar os trabalhadores e acorda que "o comando administrativo e operacional da Cipla e da Interfibra passa para as mãos dos trabalhadores". Imediatamente os trabalhadores ocupam a Cipla e a Interfibra, retomam a produção e assumem o controle das empresas, ainda sem instrumento legal para tanto. Luis Batschauer insiste em continuar ocupando sua sala na empresa, mas meses depois é expulso e proibido de voltar.

Novembro - Assembléias na Cipla e na Interfibra elegem comissões de transição para organizar auditoria financeira nas empresas. Comissões de trabalhadores conseguem procuração judicial para administrar as empresas. Convocam sindicatos, associações, partidos, representantes do poder público para compor um "Comitê em Defesa do Emprego, do Salário e dos Direitos Trabalhistas em dia". Inicia a Campanha de coleta de assinaturas pela "Estatização para salvar 1000 empregos".

20 de dezembro - Oficial de Justiça acompanhado de policiais vão a Cipla para retirada de um molde de propriedade da Volvo sueca. Na liminar, a Volvo explicava o motivo: "Os operários literalmente tomaram o poder". Trabalhadores bloqueiam os portões com carretas e se negam a entregar o molde. Após acamparem na fábrica durante a noite e conseguirem um prazo para solucionar o impasse a Volvo aceita pagar indenização de R$500 mil pelo molde. Este dinheiro será fundamental para a compra de matéria-prima.

2003

Fevereiro - Após três meses de transição onde a situação das empresas foi levantada, um Conselho Administrativo Unificado é eleito em assembléias na Cipla (14 representantes) e na Interfibra (6 representantes).

11 de junho – I Caravana a Brasília com 350 trabalhadores. São entregues 70.000 assinaturas pela estatização da Cipla/Interfibra/Flaskô cuja bandeira agora, com a soma da Flaskô, passa a ser "Estatização para salvar 1070 empregos". Lula responde que "a estatização não está no cardápio", mas promete uma solução que nunca cumpriu.

Junho - Representantes do Ministério do Trabalho fazem uma primeira visita a Cipla e concluem que uma cooperativa deveria ser formada, mas que seria necessário comprar máquinas novas e demitir metade dos trabalhadores. A assembléia dos trabalhadores rechaça a proposta e qualquer outra que não garanta todos os empregos e direitos.

12 de junho - Flaskô em Sumaré/SP é ocupada pelos trabalhadores com apoio dos trabalhadores da Cipla e Interfibra.

27 de setembro – Pré-Conferencia regional em Defesa do Emprego, dos Direitos, da Reforma Agrária e do Parque Fabril Brasileiro, na Flaskô, Sumaré – SP.

03 a 5 de outubro - I Conferência Nacional em Defesa do Emprego, dos Direitos, da Reforma Agrária e do Parque Fabril Brasileiro.

09 de dezembro - Em Itapevi/SP, os trabalhadores ocupam Flakepet, após longo período sem receber salários, férias e outros direitos trabalhistas.

12 de dezembro – Participação na Conferencia Continental de Trabalhadores contra a ALCA, em São Paulo.

Durante este ano programa-se a redução da jornada na Cipla e Interfibra de 44 para 40h semanais, sem redução dos salários.

2004

Janeiro - Segue ocupação na Flakepet, campanha para fundo financeiro para ajudar seus trabalhadores e por uma audiência com BNDES.

03 de abril – Reintegração de posse na Flakepet. Trabalhadores são impedidos de entrar, acampam na porta da fábrica.

06 de abril – Em Joinville, trabalhadores da Profiplast ocupam a fábrica, apoiados pelas comissões da Cipla/Interfibra/Flaskô/Flakepet.

05 de maio - Delegação de oito trabalhadores foi recebida em Brasília pelo Ministro do Trabalho Ricardo Berzoini para exigir a volta dos trabalhadores para a Flakepet. Nada é feito pelo governo.

21 de junho - II Caravana a Brasília. Governo reafirma promessa de solução para as fabricas ocupadas e para os trabalhadores da Flakepet, mas nada encaminha.

24 de julho - II Conferência Nacional em Defesa do Emprego, dos Direitos, da Reforma Agrária e do Parque Fabril Brasileiro, na sede nacional da CUT em São Paulo.

27 de agosto – Delegação de trabalhadores da Flakepet vai ao BNDES, no Rio de Janeiro. Em reunião com trabalhadores, o BNDES confirma que o patrão não pagou a dívida de 17 milhões com o banco.

13 de setembro – Trabalhadores da Flakepet e fábricas ocupadas reocupam a fábrica em Itapevi, mas em 5 dias ocorre nova reintegração de posse. Antes disso, conseguem expulsar patrões e receber delegação do BNDES. O BNDES após esta visita vai empurrar com a barriga sem nunca dar uma solução aos trabalhadores, mesmo sabendo das fraudes patronais.

04 de novembro - Trabalhadores da Profiplast paralisam a produção e impedem entrada da polícia contra tentativa de reintegração de posse pedida pela Companhia Brasileira de Plásticos e Metais (CBPM).

06 de dezembro - Rainold Uessler é nomeado pela Justiça como interventor na Profiplast em lugar da comissão eleita pelos trabalhadores.

2005

12 de fevereiro - Ocupação da Vila Operária e Popular no terreno em torno da Flaskô.

28 de fevereiro – O BNDES, BRDE e BADESC concluíram quanto a Cipla, Interfibra e Flaskô: "As empresas são viáveis" e "nossa sugestão é de que, por decisão do Governo, seus créditos sejam transformados em ações que seriam postas como capitalização do BNDES e de um dos agentes de Desenvolvimento Estadual, BRDE ou BADESC".

Março - Ações do Governo Federal (INSS e Fazenda Nacional) cobram dívidas antigas através de leilões e penhora de faturamento de até 25% faturamento das empresas. As Ações ameaçam de prisão o fiel depositário Serge Goulart.

01 a 17 de maio - Delegação das Fábricas Ocupadas participa da Marcha Nacional pela Reforma Agrária, e fazem a III Caravana a Brasília.

17 de maio - Coordenador dos Conselhos das fábricas Ocupadas é atendido por Lula junto à delegação do MST. São entregues 25 mil assinaturas em defesa das Fábricas e contra a prisão de dirigentes.

Junho – Ato na sede do BNDES no Rio com 40 trabalhadores da Cipla/Interfibra, Flaskô e ex-trabalhadores da Flakepet. Pressionam a direção do banco para que apresente uma solução aos 140 trabalhadores da Flakepet que há dois anos seguem em luta para receber os salários e direitos não pagos e para que o banco assuma a empresas já que fez três empréstimos ao proprietário que nunca foram pagos.

05 de julho - Negociações para suspensão dos leilões e penhoras, num período de seis meses com a Fazenda Nacional (dívida aproximadamente de 160 milhões de reais).

03 de setembro - Encontro Nacional dos Trabalhadores do Campo e da Cidade reúne 700 representantes na Quadra dos Bancários em SP.

13 de setembro - Ato em Sumaré. Vila Operária quer rede de água, esgoto e energia elétrica

27 de outubro - Operários das Fábricas Ocupadas participam, na Venezuela, do I Encontro Latino-Americano de Empresas Recuperadas. No final do encontro é assinado acordo entre a Petroquímica da Venezuela (Pequiven) e o Movimento de Fábricas Ocupadas, no qual o governo Chávez se compromete a enviar carregamentos de matéria-prima para a Cipla, Interfibra e Flaskô em troca de técnicos destas empresas que pudessem colaborar no projeto Petrocasa. O projeto consiste na construção de fábricas de materiais plásticos para a construção de casas populares. A Cipla possuía tecnologia para a produção de casas de PVC e havia apresentado propostas ao governo brasileiro e ao de Cuba, mas foi na Venezuela que o projeto saiu do papel.

Novembro - Juiz de Sumaré sentencia que a Mauser, principal máquina da Flaskô, deve ser entregue à multinacional Braskem como forma de pagamento de dívida dos proprietários e antigos patrões, entre os anos de 1994 e 96.

29 de novembro - Ato no Fórum de Sumaré contra a decisão do Juiz que autorizou a retirada da máquina Mauser pela Braskem. Após campanha de denúncias e solidariedade, além da ameaça dos trabalhadores da Flaskô de ocupar a sede administrativa da Braskem em São Paulo, a multinacional aceita a proposta de acordo feita pelos operários de pagar 0,5% do faturamento ao mês em troca de manter a máquina na fábrica.

01 de dezembro – Ocupação conjunta com o MTD (Movimento de Trabalhadores Desempregados) de terreno próximo ao Parque Oziel em Campinas na luta pela moradia popular.

16 de dezembro - III Conferência Nacional em Defesa do Emprego, dos Direitos, da Reforma Agrária e do Parque Fabril Brasileiro acontece em Joinville-SC, na Cipla.

Ao longo do ano implementa-se a redução da jornada de 44 para 40h semanais na Flaskô, sem redução dos salários.

2006

Ao longo deste ano chegam os primeiros carregamentos de matéria-prima para as fábricas ocupadas, enviados pelo governo da Venezuela.

18 de julho - IIII Caravana a Brasília reúne 1500 trabalhadores exigindo a estatização das fábricas ocupadas, suspensão de todas as ameaças de retiradas de máquinas e prisões. Ato em defesa do povo da Palestina é realizado em Brasília.

19 de agosto – Durante comício de Lula no ABC, trabalhadores da Flaskô são agredidos por setor dos metalúrgicos por manter as exigências a Lula.

Outubro – Trabalhadores da JB da Costa junto ao Sindicato dos Químicos de Pernambuco e fábricas ocupadas denunciam empresa por não pagamento de salários e direitos. Trabalhadores são demitidos e levados são levados a ocuparem a fábrica por alguns meses após o que conquistam a readmissão e pagamento do que lhes devia o patrão.

Outubro – Campanha de adesões contra ameaça de prisão de Serge Goulart, do conselho de fábrica da Cipla. O motivo é que o conselho de fábrica se recusa a pagar dividas dos patrões que somadas representam 20% do faturamento da empresa.

08 de dezembro - Encontro Pan Americano em Defesa do Emprego, dos Direitos, da Reforma Agrária e do Parque fabril brasileiro. Realizado na Cipla, fortalece o movimento de fábricas ocupadas reunindo 691 trabalhadores de 12 países. No primeiro dia do encontro aprova-se em assembléia da Cipla e Interfibra a convenção coletiva de redução da jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais, sem redução dos salários.

2007

29 de janeiro - Metalúrgica Ellem Metal é ocupada pelos trabalhadores em Caieras-SP com a ajuda dos trabalhadores da Flaskô, mas logo sofre reintegração de posse.

22 de fevereiro - reportagem no Estadão onde Paulo Skaf, presidente da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (FIESP) diz: "A ajuda de Chávez, que apóia esse tipo de ocupação na Venezuela e em outros países da América Latina, desagrada a setores tradicionais da indústria. Para a FIESP, esse tipo de cooperação caracteriza ingerência em assuntos internos brasileiros"

Maio – Reunião Ampliada dos Conselhos das Fábricas Ocupadas na Cipla decide organizar Maio Vermelho.

Maio - semanas antes da intervenção na Cipla, a ABIPLAST (associação patronal da indústria de plástico) escreve no editorial de seu boletim: "No Brasil, segundo noticiaram recentemente os jornais, o governo venezuelano apóia ocupações de indústrias de plásticos que foram assumidas por operários. Já são três (Cipla, Interfibra e Flaskô) as empresas que recebem apoio na forma de compra subsidiada de matéria-prima vinda da Venezuela. É absolutamente inaceitável esse tipo de intromissão de um governo estrangeiro em qualquer empresa brasileira. Cabe aos empresários e também ao governo brasileiro denunciarem, com todas as forças e em todas as instâncias, o quanto absurda e descabida é a interferência de um governo estrangeiro em negócios de empresários brasileiros. Em razão dessas atitudes, é imprescindível que os empresários e a sociedade civil de forma geral, organizem um manifesto de repúdio contundente a esse tipo de prática antes que isso se torne cotidiano e prejudique a democracia. Precisamos resgatar a indignação diante da interferência em nossos interesses, com o risco de sermos coniventes e passivos em demasia com esse nível de intromissão".

23 de maio – Maio vermelho: Trabalhadores marcham com operários da Honda e Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas. Trabalhadores das fábricas ocupadas ocupam sedes do INSS em Joinville e em Campina, contra ações judiciais e cobranças de dividas dos patrões. Em Joinville saem com compromisso assinado pelos representantes do órgão.

31de maio – Intervenção federal policial na Cipla e Interfibra, com 150 policiais armados. Nos dias seguintes, com a presença da policia na fábrica, todos os representantes eleitos do conselho de fabrica da Cipla são demitidos por justa causa. O interventor intimida os trabalhadores colhendo assinaturas dos que estavam "de acordo com a intervenção". Os que se recusaram a assinar também foram demitidos. Em alguns dias Hugo Chavez se manifesta pela suspensão do acordo com a Cipla se negando a enviar matéria-prima ao interventor.

20 de junho – Interventor vai a Sumaré e tenta tomar controle da fábrica demitindo coordenadores do conselho de fábrica.

21 de junho – Interventor é expulso da Flaskô durante ato de solidariedade e concentração de apoiadores na fábrica.

Junho – Inaugurada a primeira Petrocasa na Venezuela com a presença de trabalhadores da Cipla.

13 de julho– Ato de solidariedade internacional na Cipla, pelo fim da intervenção e retorno do Conselho de fábrica. Moções contra a intervenção são enviadas de apoiadores de todo Brasil e diversos países.

20 de julho – Audiência pública na ALESP sobre situação e luta das fábricas ocupadas contra a intervenção.

Julho – coordenador do conselho de fábrica da Flaskô sofre ameaça de seqüestro de seus familiares. Campanha de denuncias é iniciada.

05 de agosto – Juiz federal de Campinas obriga CPFL a religar a energia. Depois de 40 dias sem energia elétrica e com a produção parada, trabalhadores conquistam o religamento da energia elétrica e voltam ao trabalho. O corte de energia ocorreu após o interventor da Cipla/Interfibra enviar fax a CPFL solicitando o mesmo para sabotar a administração dos trabalhadores.

29 de agosto – Revista Veja publica matéria de calúnias contra os trabalhadores da Cipla e representantes do conselho de fábrica que batiza de "O MST das fábricas" e defende a intervenção e o interventor.

Outubro - Campanha pela readmissão dos trabalhadores da Ellen Metalúrgica e da Comissão de Fábrica eleita.

05 a 16 de novembro – Giro de Serge Goulart, principal liderança do movimento de fábricas ocupadas por cidades da Espanha em campanha de solidariedade contra a intervenção na Cipla organizada pela Corrente Marxista Internacional.

15 de dezembro - Encontro na Flaskô pelo fim da Intervenção na Cipla e na Interfibra e pela reintegração dos trabalhadores demitidos.

Ao longo deste ano, mais 70 postos de trabalho são gerados na Cipla a partir da redução da jornada de trabalho.

2008

18 de fevereiro – Tentativa de ocupação da Ceralit em Campinas, contra seu fechamento. Sindicato dos Químicos de Campinas e região apóia por certo tempo, mas prefere a negociação das indenizações.

05 de março - Ato na Câmara de Vereadores em Sumaré contra a ameaça de corte da energia elétrica na Flaskô.

21 de junho - Encontro preparatório do Tribunal Popular para julgar a intervenção na Cipla e Interfibra ocorre na Flaskô.

Junho - Juíza do trabalho de Joinville, Ângela Konrath, em decisão histórica desmoraliza intervenção na Cipla e na Interfibra e anula as 40 demissões por justa causa dos representantes do conselho de fábrica eleitos pelos trabalhadores e militantes dizendo "Além de nula, a despedida por justa causa se deu numa prática discriminatória, em represália à convicção ideológica".

04 e 05 de julho - Tribunal Popular para julgar Intervenção na Cipla/Interfibra ocorre em Joinville/SC.

02 de setembro - Ato público com ocupação do saguão no Ministério do Trabalho em São Paulo para abrir negociações com a CPFL após nova ameaça de corte de energia elétrica da Flaskô.

22 de outubro – Ato dos trabalhadores da Flaskô na CPFL de Campinas pela retomada imediata do fornecimento de energia elétrica e das negociações de pagamento.

23 de outubro – Ato dos trabalhadores da Flaskô no DRT de São Paulo. A reunião convocada pela Superintendência do Ministério do Trabalho, a pedido dos trabalhadores da Flaskô, terminou com o compromisso da CPFL em religar a energia no dia seguinte.

13 de dezembro – Encontro Operário e Popular na Flaskô.

Neste ano implementa-se a redução da jornada de 40 para 30h semanais, sem redução dos salários na Flaskô.

2009

10 de março - Audiência em Brasília com o Ministro do Trabalho Carlos Lupi, para tratar da situação da Flasko.

27 de maio - Audiência Pública na Câmara dos Deputados em Brasília debateu a luta das Flasko  e  a intervenção na Cipla e Interfibra.

Junho – 2º Encontro Latinoamericano de Empresas Recuperadas – Caracas, Venezuela.  Participaram cerca de 200 trabalhadores de empresas ocupadas da Argentina, do Paraguai, do Brasil e da Venezuela. Além de delegados sindicais da Mitsubishi (MMC) da Venezuela,  do Canadá, do Iraque e da Turquia.

04 de novembro - Caravana a Brasília da Flasko - Delegação de trabalhadores vai a Brasília para discutir com deputados, senadores e o governo medidas para salvar os empregos e suspender as ameaças e a criminalização do movimento. Além de serem recebidos nos gabinetes dos deputados Fernando Nascimento, José Paulo Cunha e Vicentinho, também foram recebidos por representantes do Ministério do Trabalho.

28 de novembro – Na Flasko, Primeiro Seminário: Trabalhadores em defesa dos empregos, pela (re) estatização e o controle operário, com participação de membros da direção das seguintes entidades: Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, Sindicato dos Petroleiros do Estado de São Paulo, Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; MST, CNQ, CUT e CONLUTAS.

2010

Janeiro e fevereiro - 5 Atos dos trabalhadores da Flaskô no Fórum de Sumaré para evitar arremate de máquinas e equipamentos nos leilões.

Fevereiro – Inicia-se Projeto Reciclagem Flasko de embalagens coletadas e doadas pela comunidade e escolas públicas de Sumaré para ser convertida em matéria-prima para uso na produção.

10 de fevereiro - Marcha e ato de lançamento da Campanha Flasko Utilidade Social para expropriação.

12 de junho – Comemoração dos 7 anos de luta da Flaskô.

01 de julho - Juiz André Gonçalves Fernandes, da 2ª Vara Cível de Sumaré, decretou a falência da Flasko, a pedido da Fortmil (Brasken).

15 de julho – Juiz suspende decisão de falência da Flasko após visita surpresa do Senador Eduardo Suplicy, em favor dos trabalhadores.

16 de julho – Ato dos trabalhadores da Flasko contra a decisão falência e em defesa da continuidade do Controle Operário na fábrica.

23 de outubro - Visita dos juristas e professores Jorge Luiz Souto Maior e Marcus Orione (Faculdade de Direito do Largo São Francisco - USP) acompanhados de 20 alunos (entre pós-graduandos, procuradores do trabalho, juízes e advogados) da disciplina "Direitos Sociais e Método", onde discutiram a experiência da Flasko.

06 de novembro – Comitê de Defesa das Fábricas Ocupadas leva delegação de São Paulo para visita à Flasko.

11 de novembro – Ida a Prefeitura de Sumaré para garantir agendamento de reunião com o Prefeito.

13 de novembro – Visita da Flasko a Escola Nacional Florestan Fernandes em Guararema.

16 de novembro - Ato na Prefeitura de Sumaré onde comissão da Flasko e Vila Operária são recebidos pelo Prefeito Bacchin. O Prefeito se compromete a buscar solução para declarar Flasko e Vila Operária como de Utilidade Social.

11 e 12 de dezembro – Encontro em Defesa da Classe Trabalhadora, na Flasko.

2011

Janeiro - Apoio à ocupação Alexandra Kollontai organizada pelo MST em Ribeirão Preto.

31 de março – Audiência Pública na Câmara Municipal de Sumaré - trabalhadores da Flaskô, moradores da Vila Operária e apoiadores superlotam o auditório para mais uma vez, cobrar suas reivindicações.

16 de abril - 1ª Festa da Comuna na Flaskô - exposição de fotos da Comuna de Paris, confraternização e mística em homenagem a luta da Comuna, no dia em que se comemora o decreto de expropriação das fábricas pelos comunardos.

7 de maio – Seminário "Direito para que(m)?" com professores Jorge Souto Maior e Marcos Orione da USP reúne cerca de 150 estudantes.

12 de junho – Comemoração de 8 anos da Flaskô - com a presença de Esteban Volkov, neto de Trotsky, recebe cerca de 400 pessoas no Salão Vermelho.

05 de julho - 8° Caravana à Brasília e Audiência Pública no Senado Federal - com a presença dos Senadores Eduardo Suplicy e Paulo Paim, onde foram apresentados o projeto de Lei para Expropriação da Flaskô e o projeto de Lei para expropriar  qualquer empresa abandonada pelos proprietários.

Agosto - Apoio à ocupação Helenira Rezende organizada pelo MST em Americana e à ocupação Dandara organizada pelo MTST em Hortolândia.

07 de outubro de 2011- Ato "Greve na Cidade" contra os leilões, que mobilizou cerca de 300 manifestantes entre trabalhadores da Flaskô, moradores da Vila Operária, militantes do MTST e MST, estudantes e demais apoiadores. Bloqueio por 1h das ruas de acesso ao centro de Sumaré.

24 de outubro de 2011 - Acampamento Dandara se aloja no Barracão da Flaskô após despejo acionado pela prefeitura de Hortolândia.

12 de novembro de 2011 - Encontro para organizar a luta por desapropriações no campo e na cidade - Flaskô, MST da região de Campinas e MTST.

08 de dezembro de 2011 - Ato na Avenida Paulista "Desapropriação Já! Por Terra, Trabalho e Moradia" organizado pela Flaskô, MST-Campinas e MTST, com cerca de 3000 manifestantes de diferentes organizações, movimentos, sindicatos e partidos de esquerda apoiadores, incluindo os moradores do Pinheirinho. Ocupação do prédio público onde se situa o escritório da Presidência da República para exigência de reunião com o governo federal para reivindicar desapropriações de terras para reforma agrária, terrenos urbanos para moradia e da Flaskô.

2012

Janeiro – durante as semanas de ameaça de despejo no Pinheirinho, vários trabalhadores estiveram na ocupação em solidariedade aos moradores e inclusive no dia despejo, estiveram presentes na tentativa de resistência e ajuda dos moradores contra os ataques da polícia militar.

Fevereiro – participação dos trabalhadores da Flaskô nos atos de repúdio ao despejo no Pinheirinho em Campinas e em São José dos Campos.

21 de março - Os trabalhadores da Flaskô apresentam projeto de lei na Comissão de Legislação Participativa da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, sob a presidência do Senador Paulo Paim (PT/RS), e como relator, o Senador Eduardo Suplicy (PT/SP). A proposta de projeto de lei (Sugestão – nº 02/2012) é para declaração de interesse social da área da Flaskô, que envolve a Vila Operária, a Fábrica de Cultura e Esporte, numa área de 140 mil metros quadrados, onde hoje cumpre a função social da propriedade.

29 de março – Trabalhadores da Flaskô, diversos movimentos, estudantes, sindicalistas, professores e ativistas dos direitos humanos realizam o Ato "Médici nunca mais! Ditadura nunca mais!" no portão de entrada do Clube dos Oficiais do Exército, na Escola de Cadetes em Campinas, onde ocorria solenidade de homenagem ao ditador com lançamento do livro "Médici, a verdadeira história".

Março – Comissão de trabalhadores da Flaskô vai à Cubatão prestar solidariedade aos mais de 400 trabalhadores da MD Papéis demitidos após fechamento da fábrica.

Abril – Trabalhadores da Flaskô realizam várias visitas e se solidarizam com trabalhadores que estiveram ocupando a empresa química Manguinhos em Campinas após informados de seu fechamento e demissão de todos os funcionários.

27 de abril – Trabalhadores sem-teto da ocupação Dandara que estavam no galpão da Flaskô decidem reocupar área em Hortolândia dando início a ocupação Fênix, com cerca de 50 famílias. Trabalhadores da Flaskô participam ativamente desta ocupação.

8 de maio – Reunião de comissão de trabalhadores da Flaskô com a Secretaria Geral da Presidência da República para tratar da desapropriação da fábrica e regularização das moradias na Vila Operária. Os encaminhamentos foram: 1) os representantes da secretaria se propuseram a articular diversos órgãos do governo federal para ações em comum através da Secretaria de Economia Solidária; 2) Se comprometeram em encaminhar o pedido de desapropriação da fábrica para a AGU (Advvocacia Geral da União) para um parecer técnico sobre as questões legislativas. 3) a Secretaria Geral se comprometeu em organizar em 10 dias uma visita a Fábrica Flaskô e a Vila Operária de representantes do Ministério do Trabalho, Senaes e do Ministério das Cidades. Até agora, nem sequer a visita aconteceu.

23 de maio – Ato "Se arrematar não vai levar! Se leiloar vai desempregar!" no fórum de Sumaré.

31 de maio – 5 anos da intervenção federal na Cipla e Interfibra que atacou duramente o movimento e criminalizou suas lideranças.

26 de junho – Comissão de ex-trabalhadores da MD Papéis de Cubatão visitam a Flaskô para troca de experiências.

28 de junho - O parecer do Senado Eduardo Suplicy sobre a proposta de Projeto de Lei para declaração de interesse social da Flaskô foi aprovado por unanimidade na Comissão de Direitos Humanos, e segue agora como um projeto de lei oficial (PLS 257/2012), em todo Senado Federal.

28 de julho – II Seminário "A luta pela (re)estatização e os desafios da classe trabalhadora" na Flaskô, com a participação de: Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo, Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Flávio de Castro (doutorado sobre estatização do transporte rodoviário), Roque Ferreira – Sindicato dos Ferroviários de Bauru e Mato Grosso do Sul, Sindicato dos Correios, Sindicato dos Aeroportuários (SINA) e do Comitê contra a Privatização dos Aeroportos, Movimento dos Atingidos pela Mineração, CPT/PA e Associação Justiça nos Trilhos.

16 de agosto - Senador Suplicy faz relatorio favoravél ao segundo projeto de lei dos trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô que acrescenta inciso ao art. 2º da Lei nº 4.132, de 10 de setembro de 1962, que define os casos de desapropriação por interesse social e dispõe sobre sua aplicação para casos de empresas assumidas pelos trabalhadores em qualquer modalidade de autogestão.

01 novembro – Comemoração dos 10 anos do Movimento de Fábricas Ocupadas em Joinville-SC com atos, debate e lançamento de livro sobre o movimento.