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Empregos desaparecem por todo o Brasil

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

Em setembro a Elegê de São Leopoldo (RS) – do grupo Brasil Foods – que também se formou com dinheiro do BNDES – fechou as portas da fábrica de laticínios, demitindo os cerca de 70 funcionários que restaram dos 200 que havia. Como disse Darci Rocha, coordenador da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Alimentação “Não há justificativa para o fechamento. No último ano, houve ampliação da produção”. A própria multinacional – maior exportadora mundial de carne avícola -, informou em outubro que seus lucros cresceram 73% comparado ao mesmo período de 2010. Então, porque fechar?

Em 2010, a Bom Gosto une-se a Leitbom para formar a LBR Lácteos Brasil. Para variar, também com dinheiro do BNDES. E em 2011, o que acontece? Em setembro, os cerca de 90 trabalhadores da Bom Gosto de Erechim (RS) também foram pegos de surpresa com a demissão. Mais uma empresa fechada.

A pergunta que não quer calar é: O BNDES injeta dinheiro se tornando acionista de todas estas empresas, para quê? Para fecharem? E ainda lucrando com isto?

No setor de calçados e têxtil a crise também não é de hoje. Depois de o Grupo Grendene fechar em maio a Azaléia (RS) demitindo 800 trabalhadores, agora anunciou o fechamento da Alpargatas em São Leopoldo (RS), deixando cerca de 70 trabalhadores sem emprego. E por aí vai… a Santista acaba de anunciar o fechamento no Nordeste: mais 300 demissões. Isto é só uma amostra. Em Espírito Santo do Turvo, interior paulista, a usina de álcool Agrest, que pertencia à Petroforte, foi desativada e demitiu 800 trabalhadores. A JBS segue fechando mais frigoríficos: em Rondônia, Mato Grosso, Goiás, etc. Enfim, fábricas e empregos estão desaparecendo silenciosamente por todo o Brasil. E a crise não chegou???

DANDO EXEMPLO: Trabalhadores ocupam frigorífico no Uruguai

Desde 29 de agosto cerca de 200 trabalhadores do Frigorífico PUL estão ocupando a planta em Cerro Largo, Uruguai. Um dos motivos foi a demissão de um delegado sindical. Mas os trabalhadores também reclamam que a empresa opera acima do acordo de desempenho por hora, chegando a suspender e punir os trabalhadores que não alcançam a exigência de aumento da produção. Os trabalhadores reunidos em assembléia no dia 24 de agosto entraram em greve, e com a recusa da empresa em negociar resolveram ocupar a planta.

Por que as empresas estão fechando? Há mesmo uma crise?

As empresas fecham unidades, mas aumentam seus lucros. Como é possível? A resposta é que os empresários estão se antecipando à crise, fechando unidades de modo preventivo. E se com aumento dos lucros eles já fogem, imaginem se a situação piorar. Esta crise está se espalhando por diversos países há cerca de 4 anos. O governo engana quando diz que aqui ela não chegará. Pode chegar, sempre pode, e os empresários sabem disso. Se estão levantando acampamento, fechando fábricas, é porque suspeitam que a crise se aproxima. Do contrário, estariam contratando. Dizem que fecham numa cidade para abrir em outra, ou seja, que estão “reestruturando” seus negócios antes que a situação piore. Começam pelas unidades de “menor importância” (para eles), para que no total, mantenham o crescimento de seus lucros. Mas há décadas já sabemos que “reestruturação” significa demissões e portas fechadas. Portanto, para grande parte da classe trabalhadora, a crise já chegou! Quem ainda mantém seu emprego, pode ser o desempregado de amanhã.

O que fazer? Se os patrões estão se antecipando no ataque, os trabalhadores também devem antecipar seu contra-ataque! É hora de união dos trabalhadores. É hora de luta e resistência. O lema é “Mexeu com um, mexeu com todos!” Basta de demissões! Fábrica fechada é fábrica ocupada! Fábrica ocupada tem que ser desapropriada!!!

A crise econômica pelo mundo

Na Europa, países como Grécia, Portugal, Itália, Espanha, Irlanda, e também nos Estados Unidos, a crise está atacando a todos os trabalhadores. Os empresários, depois da farra, estão abandonando o barco, como sempre fazem. Os governos por sua vez, estão cortando direitos sociais da população para salvar empresários e bancos. Os ataques a população trabalhadora são de todos os lados: destruição da indústria e dos serviços públicos, o desemprego, o fim de direitos sociais, aumento de impostos, aumento do custo de vida e consequente aumento da miséria.

Empresas importantes estão fechando as portas. A Nokia, maior fabricante de celulares do mundo, em setembro cortou 3500 postos de trabalho. Na Romênia a empresa fechou a unidade que tinha apenas 4 anos de funcionamento. Resultado: 2200 mil postos de trabalho destruídos. E já anunciava mais 1300 demissões. Em Portugal, em outubro os jornais noticiaram que mais de 1.200 empresas da construção civil deixavam de operar de 2010 para cá. As obras foram todas abandonadas e consequentemente o desemprego neste setor explodiu. Neste país, as indústrias que lá se alojaram há alguns anos em busca de mão-de-obra barata, agora estão abandonando o terreno. E o povo trabalhador, que se lixe!

Na Espanha a situação não é diferente. Em setembro, a Ford Visteon decidiu fechar sua unidade de Cádiz e colocou 450 trabalhadores na rua. Seguem unidos em luta pela reabertura da empresa. Iniciaram novembro com uma marcha até a Delegacia Regional do Emprego. Lá, o secretario geral da UGT afirmou: “é mentira que Visteon perde dinheiro, ela está indo embora por pura questão econômica, quer dizer, para lucrar mais, não porque aqui não lucre.” Como não foram recebidos, decidiram acampar diante da delegacia. Indignados, disseram: “Só saímos daqui com nossos empregos!”.

Até mesmo na Suécia, país mais rico da Europa, as empresas estão fechando. Em outubro a Volvo anunciou o encerramento das atividades na fábrica sueca de Uddvalla, onde é produzido o belo conversível C70. Segundo a empresa, “o motivo é a crise econômica mundial”. De outro lado, por toda a parte greves com ocupação das fábricas estão acontecendo. Turquia, Argentina, Uruguai, etc. No Egito, em maio, durante o levante da praça Tahir, trabalhadores ocuparam uma fábrica de açúcar e reclamam o direito de retomar a produção. Um deles diz num vídeo reportagem: “Assim como nossos irmãos estão lutando pela revolução, nós estamos lutando aqui. Daqui não sairemos!” É isso aí: Ocupar, Produzir e Resistir!!!

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