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Crise na indústria: Fábricas importantes fecharam as portas em 2011

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

Governo e meios de comunicação não cansam de dizer que a crise econômica não chegará por aqui. O quê eles escondem? Que vários setores da indústria já estão em crise. Frigoríficos e alimentos, calçados e têxtil, entre outros, estão demitindo e fechando as portas.

Fechamento de empresas no Brasil? Isso mesmo! Isto se tornou tão “normal” para sindicatos e o governo que ninguém fica sabendo. Com exceção dos trabalhadores que sofrem anônimos, ninguém parece se importar. E pior. Para os empresários virou um bom negócio. Reclamam da crise, mas compram empresas com ajuda do BNDES – portanto com dinheiro público -, para em seguida, desativá-las da noite para o dia. Vejamos alguns exemplos.

O grupo JBS-Friboi se tornou o maior produtor de carnes bovinas do mundo com dinheiro do BNDES. Em maio deste ano a empresa anunciou aumento dos lucros em 48%, comparado a 2010. Mas à custa de quem? As condições de trabalho nos frigoríficos do grupo são péssimas: ritmos de trabalho desumanos levando a doenças como a LER e acidentes graves com mutilações. Logo, seus funcionários não têm nada a comemorar. Como se não bastasse, depois de “sugados”, são descartados. Ao longo de 2011 a empresa demitiu centenas de trabalhadores, fechando diversas unidades pelo Brasil a fora. Como mostraram os jornais, em julho foram 740 demitidos, em agosto, mais 300, e em setembro, mais 1300 funcionários foram “pro olho da rua”. E como sempre, são sempre os últimos a saberem.

Trabalhadores não aceitam fechamento de frigorífico da JBS em Presidente Epitácio (SP)

Em setembro, mais de mil trabalhadores demitidos da JBS de Presidente Epitácio se manifestaram contra o fechamento do frigorífico. No ato de porta de fábrica, o representante da Federação dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação, Melquíades de Araújo, disse indignado: “Hoje o BNDES é sócio de um terço da JBS. Os sócios têm que dar resposta. Já que o BNDES tem função social, qual é agora a função social dele com estes trabalhadores? Ele que chame uma reunião com a direção da empresa e reabra o frigorífico.” Com apoio do Prefeito os trabalhadores bloquearam por mais de uma hora a principal ponte de acesso à cidade na Rodovia Raposo Tavares. O presidente do sindicato, Carlúcio Gomes afirmou: “Vamos fazer outros atos… os trabalhadores são muito fortes prá receber um golpe deste e ficar calado. Nós não vamos ficar calados!”. Um dos trabalhadores demitidos, antes de começar a chorar, explicou claramente à repórter como os patrões se comportam: “Foi um golpe sujo. Igual quando uma pessoa tem uma bola e convida os outros pra jogar. Mas quando não quer mais, põe a bola debaixo do braço e vai embora. E larga todo mundo… como largaram o pessoal de Epitácio.” 80 trabalhadores, sindicalistas da Força Sindical e o Prefeito são recebidos por Luciano Coutinho no BNDES, e questionam: “o banco está financiando a empresa para demitir?”. Coutinho diz que convocaria a JBS para se explicar. Mas o BNDES também deve explicações: Como deixa isto acontecer? Já se passaram dois meses e até agora, nada. Trabalhadores da JBS, é hora de “OCUPAR, RESISTIR E PRODUZIR!”.

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