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Se o campo não planta, a cidade não janta

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

Segundo levantamentos realizados pelo professor da USP Ariovaldo Umbelino, cerca de 58% das terras do Brasil são devolutas, ou seja, públicas. Isto dá um total de quase 500 milhões de hectares. No caso de São Paulo são mais de 5 milhões de hectares (21% da área total do Estado).

Em Americana, são quase 11 mil hectares de terras públicas (82 % da área total do município). Estes dados foram apresentados em Brasília em 16 de junho de 2010 à Comissão de Defesa dos Direitos Sociais.

Na mesma ocasião, o professor fez uma estimativa, baseada em dados do último Censo Agropecuário de 2006, para avaliar o reflexo de uma reforma agrária ampla e massiva no Brasil e chegou a seguinte conclusão: existem cerca de 47 mil estabelecimentos de 1.000 hectares cada que ocupam uma área de mais de 146 milhões de hectares. Temos assim uma média de 3.125 hectares por propriedade. Se esta terra, que está na mão de apenas 47 mil grandes proprietários, fosse distribuída em lotes com tamanho médio de 50 hectares por família, seriam criados 2 milhões e 920 mil novos estabelecimentos agrícolas. Contando que a agricultura camponesa ocupa 15 pessoas a cada 100 hectares, esta reforma agrária criaria trabalho para 21 milhões de pessoas, quase dez vezes mais que os 2 milhões e 400 mil criados hoje através do agronegócio. Contando que na agricultura camponesa cada hectare gera uma renda média de R$ 677,00, a renda gerada nas áreas distribuídas chegaria a mais de R$ 99 bilhões por ano e não só os R$ 53 bilhões gerados hoje.

Transferindo isto para o caso de Americana: se fossem distribuídos os quase 11 mil hectares , poderiam ser assentadas 1092 família em lotes de 10 hectares (10 vezes o tamanho do lote das famílias do Assentamento Milton Santos). A renda gerada seria de R$ 739.856,00, que seriam gastos no município e não fora dele.

A Usina Ester planta cana em cerca de 17.000 hectares de terra. Gera apenas 1470 empregos. Produz álcool para ser utilizado na indústria de cosméticos (Avon e Natura) e açúcar cristal para exportação. A família Nogueira, proprietária da Usina, que também é acionista da Parmalat e da EPTV, sequer reside no município de Cosmópolis, onde fica a sede da empresa e, portanto, toda a arrecadação de tributos. Em compensação, as 72 famílias assentadas no Assentameto Milton Santos, em Americana, entregam cerca de 10 toneladas de alimentos por semana para entidades assistenciais da região pelo projeto Doação Simultânea e para alimentação escolar de Cosmópolis e Nova Odessa, ou seja, são cerca de 400 toneladas de alimentos por ano!!!

Quem somos e o que pensamos?

Nós, militantes do MST – Regional Campinas, lutamos com os trabalhadores do campo e da cidade em busca da construção de uma nova sociedade. Acreditamos que somente a luta pode modificar a situação de miséria em que vivem milhões de famílias neste país. Lutamos pela Reforma Agrária, pois não é razoável que mais da metade das terras do Brasil estejam nas mãos de grandes fazendeiros e de empresas poderosas. Ainda mais quando essas terras são PÚBLICAS e não cumprem sua função social.

O governo federal nunca defendeu um plano de reforma agrária no Brasil. Infelizmente os governos Lula e Dilma também abandonaram esse projeto. Inclusive tem defendido os interesses dos grandes fazendeiros do agronegócio. Aqui só se faz justiça em nome dos ricos e são eles que a polícia protege.

Para combater essa situação indecente, OCUPAMOS os latifúndios para denunciar esta situação e reivindicar a Reforma Agrária. É apenas com o enfrentamento e com a luta política radicalizada que os diferentes setores da sociedade passam a discutir a reforma agrária e necessitam se posicionar, mostrando de qual lado estão: dos patrões ou dos trabalhadores. Acreditamos que a OCUPAÇÃO segue sendo a principal forma dos trabalhadores conquistarem direitos.

Somos aliados de movimentos sociais rurais e urbanos, sindicatos combativos, intelectuais e estudantes que acreditam na luta da classe trabalhadora. Somente com a união dos trabalhadores do campo e da cidade avançaremos em nossas conquistas. Por isso participamos das greves, ocupações e mobilizações dos trabalhadores nas cidades.

Enquanto existirem trabalhadores sem moradia, sem trabalho, sem terra para plantar e sem um mínimo de dignidade para viver, seguiremos lutando!

Na greve, na rua e na ocupação.
Construindo alianças pra fazer Revolução!

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