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História da Ocupação Dandara do MTST, em Hortolândia

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

A ocupação

No dia 13 de agosto o MTST ocupou uma área abandonada no Jd. Minda e, desde então organizou uma das maiores ocupações que a cidade já teve, com 800 famílias. O MTST reivindica o direito básico à moradia.

A justiça, como de costume, demonstrou priorizar a propriedade privada sem função social em relação à vida de milhares de homens e mulheres. Cerca de 20 mil famílias não tem onde morar em Hortolândia.

O descaso da prefeitura

O movimento exigiu que o prefeito Ângelo Perugini negociasse uma solução para essas famílias. Tentou por várias oportunidades marcar uma reunião com o prefeito, por meio de seu secretário de habitação, mas esta nunca aconteceu.

No dia 30 de agosto, cerca de mil trabalhadores da ocupação Dandara organizada pelo MTST realizaram na manhã uma manifestação no prédio da prefeitura municipal de Hortolândia.

As famílias da ocupação Dandara do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) acamparam durante 4 dias em frente à prefeitura de Hortolândia. Exigiam da prefeitura que resolvesse o problema de moradia das 800 famílias do acampamento e dessem uma solução provisória em caso de despejo.

O prefeito recebeu as famílias no dia 26 de setembro. Nessa reunião o prefeito não atendeu nenhuma das reivindicações. Apenas disse que faria o cadastro das famílias. Também tentou negociar com cada família em particular, tentando tirar a legitimidade do movimento.

Prefeitura de Hortolândia mentiu e difamou MTST

A prefeitura de Hortolândia usou dinheiro público para atacar e difamar o MTST. Fez um panfleto e distribuiu na cidade atacando o movimento. O panfleto dizia que a maioria das famílias do acampamento Dandara não é de Hortolândia. Mentira da prefeitura.

Panfleto tentou enganar população de Hortolândia

O panfleto feito pela prefeitura de Hortolândia teve a intenção de jogar as famílias que estão no cadastro da prefeitura por moradia contra as famílias do MTST. Essa é uma mais uma tentativa do poder público de dividir as famílias e poder enrolar mais a entrega das casas.

Movimento esclareceu população no ato do dia 4 de outubro

O MTST deixou claro que a prefeitura de Hortolândia rompeu com um acordo feito há mais de dois anos com 235 famílias de Hortolândia cadastradas, que estavam acampadas no Zumbi dos Palmares, em Sumaré. A prefeitura também enganou o movimento, pegando nome dos coordenadores e acampados e entregando para os proprietários, para mover processos.

“As famílias da ocupação Dandara não são vândalas, elas estão revoltadas pelo descaso por parte da prefeitura. O direito a moradia e a manifestação está na Constituição Brasileira, por isso continuaremos”, dizia um material entregue pelo movimento à população de Hortolândia.

Faltam 20 mil moradias em Hortolândia

A prefeitura de Hortolândia construiu apenas 1000 casas no últimos sete anos. Prometeu construir 7000 casas, mas não cumpriu. “Se a prefeitura abandonou seu povo, nós do MTST continuaremos lutando. Até a vitória!”, disse o vídeo do movimento no site www.mtst.org.

À população de Hortolândia

Desde 13 de agosto, centenas de famílias ocuparam o terreno abandonado no Jardim Minda em Hortolândia, construindo ali um espaço concreto de luta e resistência frente à opressão diária ao trabalhador que reside na periferia urbana Brasileira.

Após dois meses de Dandara, a polícia invadiu na segunda-feira (24/10) de madrugada com centenas de viaturas a ocupação, para realizar um despejo surpresa.

Trata-se de mais um dos inúmeros ataques ao povo brasileiro, representado aí por mais de 800 famílias que ali depositam esperança na luta por moradia e vida dignas.

A luta deve prosseguir e a resistência será fundamental para a vitória das famílias.

OCUPAR! RESISTIR! E MORAR AQUI!

MTST! A LUTA É PRA VALER!

Os moradores do acampamento Dandara receberam a solidariedade dos trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô e estão acampados em um galpão da fábrica, em Sumaré.

Depoimento de moradora do Dandara

Neste galpão, enquanto acontecia a aula de desenho com as crianças (realizada pelo setor de cultura da fábrica ocupada), na quarta feira, 26 de outubro, o Jornal Atenção escutou o depoimento de Lenilza, 55 anos, moradora da ocupação Dandara:

“Tava muito difícil a vida que eu tava levando. Meu marido ganha mil e cem reais e a gente pagava quinhentos reais de aluguel. Eu tenho 3 filhos desempregados e uma neta, tomo dois remédios pra osteoporose, e a vida que a gente levava pagando aluguel era muito dura, o dinheiro não dava, a gente abria a geladeira e tava vazia, passava fome mesmo.

Depois que entrei pro movimento, pro MTST, parei de pagar aluguel e nunca mais passei fome. Por isso vou com o movimento onde ele for. O MTST mudou minha vida.”

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