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Entrevista: Tânia Gomes fala sobre a água na Vila Operária

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

O Jornal Atenção entrevistou Tânia Gomes de Lucena, moradora da Vila Operária e Popular e trabalhadora da Flaskô.

JORNAL ATENÇÃO – Em que ano começou a trabalhar na Flaskô? Qual função exerce na fábrica?

TÂNIA – Foi no dia 1 de Abril de 1993. Comecei como Ajudante de Produção e depois passei a ser Operadora de Máquina, função que estou até hoje.

ATENÇÃO – São mais de 18 anos… e mora na Vila Operária há quanto tempo?

TÂNIA – Moro desde 2008. No comecinho da Vila eu morava na Chácara da Fábrica. Daí eu fiquei afastada por um problema de saúde e depois vim morar na Vila, construindo a casa aos pouquinhos, na Rua 4. O número não é muito certo ainda. Agora que instalou a água parece que o DAE quer mudar a numeração. Além disso, ainda não temos CEP…

ATENÇÃO – E sobre essa recente chegada da água pública, você pode nos dizer o que mudou na sua vida?

TÂNIA – Faz apenas poucos dias que foi colocada a água, mas já dá para perceber algumas diferenças grandes. Até agora cada um tinha que dar o jeito que fosse para conseguir, porque água não pode faltar. Pegava água daqui ou dali… às vezes a água não tinha força pra subir, daí pedia um balde quando era urgente. Agente esperava água pingar nas bombonas até 5 horas da manhã. Daí tinha que carregar. Tanto é que meu irmão agora sofre com hérnia e vai ter que operar, por conta do peso que pegava pra dentro da casa. Então a gente se virava com bombonas… foram 3 anos.

Daí semana passada minha mãe ligou dizendo que colocou água. Foi a maior alegria! Até porque foi uma luta. Agora vamos correr atrás da caixa, dos canos…

ATENÇÃO – Você não tem caixa?

TÂNIA – Até agora tem só a mangueira. Mas já é um alívio a água sair na hora que abre a torneira. É uma água limpa; lavar a roupa já é outra coisa. Fiquei animada, as roupas já estão todas lavadinhas…

ATENÇÃO – Sabemos que essa água não caiu do céu, ou pelo menos que não caiu aqui na Vila. Você acha que foram importantes mobilizações e as diversas idas à Prefeitura para reivindicar este direito à água?

TÂNIA – Eu acho não. Eu tenho certeza! Foi por causa disso que veio a água. Lembro desse ano do dia em que quase acampamos na prefeitura e daquela reunião em Sumaré… como que fala?

ATENÇÃO – Você se refere à Audiência Pública?

TÂNIA – Isso, aquela audiência que o Prefeito achou ruim. Nós já fomos até pra São Paulo. Foi por causa disso. Se não tava todo mundo ainda esperando ou cada um dando seu jeitinho…

ATENÇÃO – Certo. E o que mais você acha que está faltando na Vila Operária?

TÂNIA – Tem ainda algumas coisas. A primeira coisa que me vem à cabeça é a falta de CEP. Porque além de não receber correspondência, eu não consegui fazer o cadastro de saúde do meu irmão que vai operar. Falaram que o papel da CPFL não tem validade e não consegui cadastrar.

Tem ainda outra coisa que é a falta do tratamento de esgoto. São coisas pelas quais vamos ter que correr atrás

ATENÇÃO -. Vamos finalizar. Últimas palavras?

TÂNIA – Bom, gostaria de agradecer a essa luta que fizemos. Pois cheguei a pensar algumas vezes que não ia dar em nada. Achava que eles não iam ligar pra gente, tinha esse medo. Achava que eles não iam dar importância… os poderosos lá.

ATENÇÃO – Tânia, muito obrigado pela entrevista. Esperamos fazer mais entrevistas como essa.

TÂNIA – De nada. Também espero.

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