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Crônica do trabalhador

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

Companheiros e companheiras, vamos falar novamente como os trabalhadores podem ser oprimidos, massacrados, humilhados. Como sua honra, dignidade, pode ser pisada pelo patrão bandido e ladrão.

A minha, começa o relato em 2002 na Cipla. Quando estávamos todos os operários trabalhando na empresa de forma escrava, escrava por que: dois décimos terceiros atrasados e vencendo o 3º décimo terceiro, e você trabalhando cumprindo horário e esperando, porque esperança já não existia mais, pois junto com os décimos também existia seis meses de pagamento mensal atrasado, e você trabalhando cumprindo horário, enfim, produzindo numa situação insustentável.

Quando os trabalhadores resolveram se mexer… bom, seis meses a água já chegou na bunda, todos berravam, vamos fazer alguma coisa? O que? Bom chamar o sindicato que é o nosso representante. Engano, porque fomos descobrir que ele é representante do patrão, do capitalismo, apesar de ser pago pelo trabalhador e comprado pelo patrão.

Depois de algumas tentativas: cadê o sindicato? Cadê nosso representante? Só tem um jeito, vamos por nossa conta. Paramos por 24 horas e a conta foi alta, 95 companheiros demitidos. Bom, voltamos a trabalhar lamentando as demissões numa situação de humilhação e sem saber para onde correr, e maior ainda era a humilhação de ter uma lista para sorteio para receber um valor quando fosse sorteado, e quando era sorteado, o valor que recebia era a fortuna de 30 reais, um bujão de gás custava 29 reais, e assim você chegava em casa com todo esse dinheiro no bolso, sua família o esperava na porta da casa para ver um homem chegando humilhado, rebaixado e tendo no bolso um salário de 30 reais. Você teria coragem de encará-los? Eu não. Foi onde que um companheiro demitido começou a desfilar no portão da empresa com um nariz de palhaço, sendo motivo de riso de algumas pessoas e tristeza de outras.

Mas… valeu companheiro. Pois você sozinho mostrou que vale a pena lutar mesmo sem bandeira ou apoio. Pois você sozinho chamou a atenção de uma cidade, e dentro desta cidade ainda existiam companheiros de luta, luta pelos oprimidos, pelos trabalhadores que o capitalismo tentava calar e transformar em escravos. Onde na marra conseguiu envolver um sindicato pelego e traidor pago pelos patrões bandidos.

Após uma reunião no sindicato decidimos ir ao último comício do “companheiro” Lula em Florianópolis, sem dinheiro, com fome e sede, fizemos a segurança do “companheiro” e entregamos uma carta ao mesmo com um pedido de ajuda. Respondeu que iria nos ajudar, estamos esperando até hoje pela ajuda.

Agradeço aos companheiros Castro, Chico Lessa, Osvaldo, Evandro, Serge, que nos ensinaram que se pode lutar pelos direitos dos trabalhadores onde quer que esteja, e onde quer que você vá. Apesar das traições vale à pena lutar e mostrar que tem movimentos e organizações sérias e honestas.

Companheiros e companheiras, quem vos faz este relato é Caverna: ex-funcionário da Cipla, militante das Fábricas Ocupadas, Esquerda Marxista, funcionário da Flaskô.

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