Categorizado | Cidades, Destaque

Loja Zara utiliza mão-de-obra escrava no Brasil

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

A escravidão atual consiste em uma exploração mais sutil, porém tão perversa (ou mais) do que a escravidão da época do Brasil colonial. A nova escravidão se caracteriza pela negação ao trabalhador de sua condição humana. Essa forma de trabalho é utilizada em diversas regiões e circunstâncias como parte integrante e instrumento do capital.

Em geral associamos essa espécie de trabalho ao campo, onde o acesso dos trabalhadores aos seus direitos é mais limitado. No entanto, temos visto com freqüência operações do Ministério do Trabalho e Emprego para lacrar empresas e resgatar trabalhadores em condições de escravidão também no meio urbano. É o caso dos trabalhadores da construção civil e das indústrias de roupas, essas últimas normalmente utilizam-se de mão de obra estrangeira, provenientes de países mais pobres (bolivianos, paraguaios, peruanos etc.).

Recentemente uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego constatou que a famosa loja de roupas Zara utilizava-se de mão de obra escrava. Na cidade de Americana/SP e no centro de São Paulo foram resgatados diversos trabalhadores, a maioria deles bolivianos, que trabalhavam em situação análoga à escravidão, confeccionando as roupas para a loja. O quadro encontrado pelos agentes do poder público, incluía contratações completamente ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16h diárias e cerceamento de liberdade (seja pela cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários, seja pela proibição de deixar o local de trabalho sem prévia autorização).

As vítimas são aliciadas nos seus países de origem (Bolívia e Peru) e vêm ao Brasil em busca de melhores condições de vida. Quando chegam ao Brasil, os trabalhadores e as trabalhadoras têm que trabalhar meses sem receber um centavo para pagar a dívida com os gastos de sua vinda ao país.

Durante a operação, auditores fiscais apreenderam cadernos com anotações de dívidas referentes à “passagem” e a “documentos”, além de “vales” que faziam com que o empregado aumentasse ainda mais a sua dívida. Os cadernos mostram que os salários pagos eram bem menores que um salário mínimo. Por outro lado, a Zara paga às traballhadoras R$ 2,00 por uma blusa, enquanto a mesma peça é vendida nas lojas por R$ 140!

Foram lavrados 52 autos de infração contra a Zara devido às irregularidades nas duas oficinas. A fiscalização lacrou a produção e apreendeu parte das peças, incluindo a peça piloto da marca Zara. As máquinas de costura também foram interditadas por não oferecerem segurança aos trabalhadores.

Vale lembrar que ano passado a Loja Marisa também foi flagrada com a utilização de mão de obra escrava em situação semelhante à apresentada acima. E mais, esse ano diversas construtoras foram autuadas pela situação precária de seus trabalhadores, o que abrange tanto a construção civil, quanto as obras de hidrelétricas.

Transformações sociais mais profundas do que a modificação de normas jurídicas é o norte a ser seguido. A luta é difícil, mas temos que começar e nos mover através da esperança, não a esperança tela dos comerciais de televisão e das campanhas governamentais que vendem um novo Brasil para o velho Brasil, mas sim a esperança das ações construtivas e efetivas.

Deixe uma resposta