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De onde vem a violência na escola?

Escrito em 04 agosto 2011 por admin

Já está se tornando comum ouvirmos falar de casos de agressão a professores. Também não é incomum sabemos que professores ofenderam ou trataram mal alunos. Para muitos alunos já parece normal que aquele cara ou aquela “dona” que está lá na frente só quer que ele fique quieto. Muitos professores por outro lado olham para os alunos com tristeza, dó, medo ou rebaixando o aluno.

Enquanto alguns se matam outros riem!

Ao mesmo tempo em que alunos e professores se desgastam no dia-a-dia da escola pública, alguns empresários donos de escolas particulares estão dando festas e comemorando ótimos resultados de seus negócios. Sabemos que muitos políticos (deputados e representantes de governos) estão comemorando junto com esses empresários. A educação no Brasil tornou-se, para alguns, um ótimo negócio.

E não é tão fácil compreender que aquela situação na sala de aula, em que alunos e professores estão “se matando”, tem relação com a alegria desses empresários da educação. Muitos professores poderiam jurar que seus principais inimigos são o Joãozinho ou a Mariazinha que não lhes respeitam. Por outro lado tanto os alunos, como uma boa parte da população, acham que o problema da educação é a incompetência dos professores.

“Quanto pior, melhor!”

O que muitos professores e alunos não percebem é que quanto pior a educação pública, melhores as oportunidades para alguns poucos ganharem cada vez mais dinheiro com a educação particular.

Os recursos que os trabalhadores entregam ao Estado (impostos) deveriam retornar à população na forma de direitos sociais (saúde, educação, moradia). O que acontece hoje é que grande parte desses recursos que os trabalhadores entregam ao Estado acabam sendo repassados a grandes empresários (geralmente banqueiros) através dos chamados “juros da dívida pública”, quando não são desviados pela corrupção. Gastamos 44,93% do orçamento com o pagamento dos juros e apenas 2,89% com educação!!! (fonte http://www.divida-auditoriacidada.org.br/)

Assim, os trabalhadores são explorados de diversas formas pela dupla Estado-patrões. O Estado fixa um salário mínimo ridículo para que os patrões possam pagar muito pouco aos trabalhadores e lucrarem mais. O dinheiro que os trabalhadores passam ao Estado, ao invés de ser investido em educação e outros direitos sociais, é passado aos banqueiros. E, por fim, uma boa parte dos trabalhadores ainda acaba colocando seus filhos em escolas particulares, o que faz com que muitos empresários da educação fiquem cada vez mais ricos.

A boa briga está fora da sala de aula!

Enquanto isso na sala de aula da escola pública, o professor vai dar aula preocupado com suas dívidas e exausto, pois para conseguir pagá-las tem que trabalhar em muitas escolas, com algumas centenas de alunos. Os alunos não querem parar de brincar e conversar para que a sala fique “mais tranqüila”. Grande parte dos alunos ou trabalham ou fazem parte de famílias que trabalham muito e ganham muito pouco. O clima em casa e no bairro é tenso. Na sala de aula, muitos alunos percebem o abatimento e desgaste dos professores e pensam que é má vontade. A sala está lotada, fica ainda mais difícil haver um entendimento. Começa a briga…

Mas a briga necessária de se fazer está fora das salas de aula: professores e alunos precisam lutar pela ampliação do sistema público de ensino e lutar para que se aumente a verba destinada à educação pública contra o lucro dos banqueiros e escolas particulares. Enquanto essa grande luta não avançar as brigas diárias na sala de aula continuarão…

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