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Rádios comunitárias lutam pelo direito à voz

Escrito em 04 agosto 2011 por admin

Quem nunca ouviu falar de “rádio pirata”? Este é o termo utilizado por muitas pessoas para se referir às rádios comunitárias ou livres. “Piratas são eles, as rádios comerciais, que querem o ouro. O que nós queremos é o direito à liberdade de expressão e comunicação”. Assim surgiram as rádios comunitárias, para atender aos interesses da população local, difundindo suas idéias e diversidade cultural.

Só que existe uma lei de rádio comunitária no Brasil que limita muito o alcance destas idéias. A lei diz que o alcance da rádio tem que ser de 1 quilômetro, muito pouco para alcançar todo um bairro, por exemplo. E daí, a lei limita a altura da antena (30 metros) e a potência do transmissor (25 watts). O resultado é que fica quase inviável ter uma rádio dentro da lei.

Enquanto isso, muitas rádios comunitárias são fechadas e reprimidas pelo governo e, as rádios comerciais, mesmo em situação irregular (concessão de funcionamento vencida, dívidas públicas etc.), continuam funcionando. Foi o que aconteceu com a Rádio Bandeirantes, em Campinas. Em agosto de 2010, duzentas pessoas de movimentos sociais e organizações políticas fizeram um ato em frente à empresa da Band, para denunciar sua concessão vencida e protestar contra a repressão às rádios comunitárias.

Para organizar a luta das rádios comunitárias que surgiu a ABRAÇO, Associação Brasileira de Rádios Comunitárias. São 600 rádios ditas comunitárias no estado, mas muitas destas estão nas mãos de políticos e igrejas. Destas, 150 rádios são filiadas à ABRAÇO. “Nós temos um código de ética e só filiamos as rádios que consideramos realmente comunitárias, as voltadas à coletividade, sem relação político-partidária e organizadas pela comunidade ou movimento.”

Estas rádios atendem 15 regiões metropolitanas do estado, mas muitas ainda não possuem autorização do governo para funcionar e acabam sendo lacradas. Segundo Jerry de Oliveira, nos últimos 12 anos, foram fechadas 20 mil rádios comunitárias, condenadas 5 mil pessoas por atuaram nestes veículos e apreendidos R$ 180 milhões em equipamentos. “A rádio tem que ser autorizada pelo povo e não por um papel do governo pregado na parede. E as conquistas só virão com a organização do povo,” enfatiza Jerry”.

Ouça: Rádio Luta na web, rádio comunitária da Flasko!

orelha.radiolivre.org:8000/radioluta.ogg

Assista: “Nossa voz (rádios comunitárias em luta)”, de Gabriel Barcelos

www.youtube.com/watch?v=h_mocjV74rk

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