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NAVES MÃE: precarização das condições de trabalho nas escolas de Educação Infantil de Campinas

Escrito em 04 agosto 2011 por admin

Todas as crianças de 0 a 6 anos têm o direito a ser cuidadas e educadas para que se desenvolvam em todos os aspectos: físico, emocional, ético, intelectual. Além da família, a escola tem um papel importantíssimo no processo de educação das crianças pequenas.

Para cumprir bem o seu papel, uma escola exige várias condições: prédios adequados, confortáveis e seguros; materiais pedagógicos estimulantes, como brinquedos e livros variados; alimentação segundo as necessidades de cada faixa etária e, principalmente, professores bem formados e com condições de trabalho adequadas.

No Brasil o atendimento escolar às crianças de 0 a 6 anos sempre foi muito pequeno, mas nas últimas décadas vem crescendo pela pressão das famílias sobre os governos.

Cabe aos governos municipais construir e manter as escolas de educação infantil.

Em Campinas, nos últimos 20 anos foi se construindo uma rede de creches e EMEIs (Escolas de Educação Infantil) que, mesmo com muitos problemas, foi sendo uma referência de qualidade para o Brasil.

Porém, a partir de 2006 o prefeito Dr. Hélio de Oliveira Santos vem implementando uma política de construir creches e entregar para entidades assistenciais administrar. Estas entidades são escolhidas por uma comissão toda indicada pelo Secretário de Educação (cargo de confiança do Prefeito).

Ao assumir as creches, estas entidades assistenciais se tornam responsáveis pela contratação de professores e outros funcionários e têm também autonomia para escolher os métodos de ensino e as propostas pedagógicas.

A prefeitura repasse um recurso financeiro para a entidade gerenciar a creche.

O nome dado pelo prefeito Dr. Hélio a este projeto é NAVE MÃE. Segundo ele, estas creches são as melhores coisas que já se viu em educação! Mas observamos na realidade que isso não é verdade. Vejamos como as naves mães funcionam:

Como funciona:

1. As entidades assistenciais que administram estas creches pagam baixíssimos salários aos profissionais (muito abaixo do que a prefeitura paga aos seus funcionários, nas creches públicas municipais);

2. Os professores, nem sempre formados para a função, são forçados a jornadas exaustivas e estressantes, cuidando o dia inteiro de turmas superlotadas (na maioria das vezes com mais de 30 crianças para um único adulto acompanhar, ensinar, cuidar). Há relatos de profissionais que são forçados a fazerem horas extras todos os dias, colocando em risco sua saúde e a segurança das crianças.

3. Na jornada de trabalho destes profissionais falta tempo para planejar e avaliar coletivamente seu trabalho (o que é garantido nas escolas públicas municipais, assim como nas escolas particulares onde estudam os filhos das elites).

4. A maioria das entidades que assumem as creches NAVES MÃE são dirigidas por grupos religiosos, e então os professores são obrigados a passarem para as crianças os valores de determinadas religiões que não são as de suas famílias.

Diante de tudo isso, muitos profissionais entram para trabalhar nestas creches terceirizadas e saem assim que podem, em busca de outro trabalho, onde possam receber melhores salários sem tantos riscos de adoecerem por estresse.

Os pais que tem seus filhos nas creches, sejam elas públicas ou terceirizadas, devem estar atentos à qualidade do trabalho desenvolvido. Precisam participar das reuniões com os educadores e se juntar a eles na exigência de condições de trabalho. Estas condições interferem no atendimento às crianças.

É claro que os professores e todos os outros trabalhadores que estão hoje trabalhando nestas Naves Mãe buscam fazer o melhor que podem.

Mas um profissional estressado, doente, descontente e preocupado com ter que pagar suas contas e não ter um salário decente para isso vai ter muito mais dificuldade de desenvolver seu trabalho.

1 Comentrios para este post

  1. Tatiane Says:

    Olá queria por favor o endereço de todas as naves mães de Campinas…

    Obrigada!

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