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Estudantes lutam por Moradia e Reitoria resolve com Polícia

Escrito em 18 abril 2011 por admin

Estudantes que lutam em defesa da Educação tentam diálogo com a reitoria, que responde com Batalhão de Choque. Estará enganado se você acha que se trata de uma notícia da época da Ditadura Militar. Falamos de fatos recentes, acontecidos na Unicamp, local onde a aparente calma do ambiente bonito de gramas verdes esconde um local onde os interesses públicos não têm vez. Os alunos reivindicam, principalmente, mais vagas na Moradia Estudantil e democracia nos espaços de decisão da PME (Programa de Moradia Estudantil), além da saída do atual coordenador Luiz Viotto.

A truculência da Reitoria e da coordenação da moradia vinha se manifestando na Moradia através da tentativa de expulsão sem razões claras de moradores, inviabilização de projetos sócio-culturais, perseguição a alunos estrangeiros e desrespeito às decisões do Conselho Deliberativo (órgão formado por estudantes e professores que está acima do coordenador). O ponto alto desta repressão foi a entrada, no dia 3 de março, do Batalhão de Choque na Moradia para cumprir um mandato de reintegração de posse de uma casa, numa situação que poderia ter sido resolvida apenas internamente. Revoltados com esta situação, estudantes resistiram por dois dias na casa e depois decidiram, em assembleia, ocupar a Administração da PME no dia 4 de março. Os alunos permaneceram no local, realizaram diversas atividades para repensar a Moradia e a Universidade Pública, além de realizarem ações culturais, oficinas e a instalação da “Rádio Buda”. Ao contrário do que disse a Reitoria, que insistiu em difamar e desqualificar o movimento, o Juiz Mauro Fukumoto deu parecer favorável ao movimento, dizendo que o instrumento de ocupação é legítimo.

Foram feitas todas as tentativas de negociação, mas a Reitoria não quis, em nenhum momento, dialogar. Novamente, a Polícia entrou na Moradia e os ocupantes saíram, após 20 dias de ocupação, depois de sofrerem uma outra reintegração de posse que derrubou a decisão anterior. Logo após saírem, no dia 25 de março, todos foram para a Reitoria exigir negociação, sem conseguir nenhuma resposta. No dia 29 os estudantes voltaram para protestar, junto com os funcionários, durante o Conselho Universitário.

Antes do fechamento desta edição, recebemos a revoltante notícia que cinco alunos que participaram deste movimento legítimo foram notificados de que sofrerão processo administrativo, pra que sejam punidos. A exemplo do que já vem fazendo com funcionários, a Reitoria da Unicamp se recusa a dialogar e só trata os alunos e trabalhadores com repressão e perseguição.

Por que uma Moradia Estudantil gratuita? Por que 3000 vagas?

Para conseguir sobreviver e estudar, o estudante pobre da Unicamp não tem condições de bancar os altos custos de moradia da região de Barão Geraldo. Por isso, a moradia estudantil gratuita é fundamental, direito assegurado pela Constituição. Segundo estudo feito por alunos, baseado em números fornecidos pela própria universidade, são necessários, em média R$ 882 mensais para se manter, o que exclui mais de 3 mil alunos que não têm essa renda. As 900 vagas que existem hoje, portanto, são insuficientes. É importante lembrar que a Moradia foi construída depois da ocupação de dois anos do prédio do Ciclo Básico da Unicamp, no Movimento denominado TABA. Na época (1988) foram acordadas 1500 vagas e só entregues 900. Inclusive foi feito um documento, assinado pela Reitoria, que permitiria aos alunos ocuparem qualquer prédio da universidade se isso não fosse cumprido. Passados estes anos, a Unicamp dobrou o número de alunos e a quantidade de vagas é a mesma. Se antes 1500 representavam 10% dos alunos da Unicamp, este número hoje passa de 3 mil. Por isso, esse atual movimento que autodenominou-se Novos Tabanos luta pelo direito à Universidade Pública, que foi conquistado com luta e que somente com luta se realizará verdadeiramente.

Blog da Ocupação: ocupacaomoradiaunicamp.blogspot.com

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