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Aniversário do Pré Assentamento Elisabete Teixeira

Escrito em 18 abril 2011 por admin

No dia 21 de abril, o pré-assentamento Elisabete Teixeira, em Limeira, completa 4 anos de existência. Para essa comemoração, haverá uma festa no barracão da área, no dia 30 de abril, com a presença da escola de samba Unidos da Lona Preta. A área de 602,867 hectares foi ocupada por cerca de 250 famílias em 21 de abril de 2007 e está localizada numa área denominada Horto Florestal Tatu.

Os acampados do Elisabete Teixeira permaneceram na área até o dia 29 de novembro de 2007, quando foram expulsos de forma violenta pela PM, que cumpria uma ordem de reintegração de posse da área requerida pelo prefeito de Limeira. Na época, a posse da área foi solicitada com base em um “Instrumento Prévio Regulamentador de Intenção de Venda e Compra”, de 22 de março de 2005, entre a Prefeitura Municipal de Limeira e a Rede Ferroviária Federal S. A. (RFFSA).

Durante a ação de despejo várias pessoas foram feridas. Muitas famílias perderam todos os móveis, roupas e documentos, soterrados pelas máquinas da prefeitura e que também foram responsáveis pela destruição dos barracos. As famílias abrigaram-se em um barracão da Igreja Católica, em Limeira.

No dia 11 de dezembro do mesmo ano, após estudos sobre o caso e confirmação da não concretização do acordo entre a Prefeitura de Limeira e a RFFSA, as famílias puderam voltar ao Horto Tatu, comprovando que área era realmente da União.

No dia 21 de agosto de 2008, foi aprovada a proposta de destinação da área do Horto Tatu para o assentamento de agricultores, prevendo a criação de 150 propriedades familiares.

Hoje, o pré-assentamento conta com aproximadamente 80 famílias e é organizado em setores (saúde, educação e alimentação), criados de acordo com a necessidade dos acampados. Tem sua representação dividida em núcleos, que se reúnem semanalmente para discutir convivência, produção e necessidades coletivas.

O Elisabete Teixeira não foi ainda regularizado como assentamento porque o prefeito de Limeira, Sílvio Felix, abriu vários processos contra a permanência das famílias no Horto.

Apesar das dificuldades com a falta de luz, água, transporte, acesso à saúde e educação, as famílias do Elisabete Teixeira tem comemorado ano após ano suas conquistas, produzindo alimentos de qualidade para a região e participando sempre das lutas pela reforma agrária e contra o agronegócio.

Quem foi Elisabete Teixeira…

O pré-assentamento ganhou o nome de uma líder camponesa brasileira nascida em Sapé, Estado da Paraíba, fundadora da Liga Camponesa de Sapé (1958), em companhia de seu marido, João Pedro. As Ligas Camponesas vinham sendo criadas desde meados dos anos 50 com o objetivo de conscientizar e mobilizar o trabalhador rural na defesa da reforma agrária. João Pedro foi assassinado em 1962 por dois policiais disfarçados, a mando de usineiros paraibanos e Elisabete assumiu, então, a liderança da organização. Passou também a sofrer ameaças e tornou-se um símbolo da resistência dos trabalhadores rurais nos anos 60 no Nordeste do Brasil. Com o golpe militar, entrou na clandestinidade fugindo das forças repressivas do regime militar, trocado o seu nome para Marta, enquanto os demais líderes da luta camponesa eram assassinados (1964). Chegou a ser dada como morta pela repressão política, mas reapareceu após a anistia decretada em 1981, pelo governo Figueiredo, quando Eduardo Coutinho partiu em busca dos camponeses para atuarem em um filme documentário, Cabra Marcado para Morrer (1981-1984). Ela reassumiu seu verdadeiro nome, e com ajuda de Coutinho conseguiu localizar seus filhos espalhados dentro e fora do país.

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