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História da Fábrica Ocupada Flaskô

História da Fábrica Ocupada Flaskô

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

A Flaskô é uma fábrica de transformação de plástico. Produz vários modelos de embalagens industriais, chamados de tambores ou bombonas. Tem cerca de 71 trabalhadores atualmente, mas chegou a ter 600 em seu auge. Foi fundada no final dos anos 70 e pertencia à Corporação Holding do Brasil (CHB).

A CHB também era dona das marcas Cipla e Interfibra e integrou o Grupo Hansen Industrial S.A. até 1992, ano da partilha de bens familiar ocasionada pela morte de João Hansen Júnior (sócio fundador). Luís Batschauer (que era casado com Eliseth Hansen) e seu irmão Anselmo assumem a CHB, mas perdem a massa de capital do Grupo Hansen necessária para a modernização tecnológica.

Assim, enquanto as outras empresas do grupo cresciam, a CHB começa a definhar as fábricas sob seu comando. No entanto, os trabalhadores da Flaskô não assistem a tudo isso passivamente. Há registros de greves em 1994 e 1997 contra a jornada de até 12 horas, baixos salários e não cumprimento de acordos trabalhistas. Porém, uma mudança significativa na fábrica só foi possível após a ocupação e o estabelecimento do controle operário.

Em outubro de 2002, após uma greve de ocupação, os trabalhadores da Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, conseguiram uma liminar na justiça e retomaram a produção sob gestão dos trabalhadores. Desde então, impulsionaram a luta pela estatização sob controle operário, a partir da perspectiva de garantir os quase 1.000 postos de trabalho de forma duradoura, e mostrando que a fábrica não poderia fechar. Sem ter uma apropriação privada da riqueza, a gestão operária conseguiu impor as conquistas históricas da classe, como a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, de 44 para 40 e depois para 30 horas semanais – 6 horas diárias. Os trabalhadores deram um exemplo de que não precisam de patrões, e mais, passaram a mostrar que se é possível fazer isso em uma fábrica quebrada, por que precisamos de capitalistas na sociedade como um todo? Junto com a Flaskô, o Movimento das Fábricas Ocupadas atuou em mais de 35 fábricas, lutando pelo direito ao trabalho, direito à dignidade, dizendo que a culpa da fábrica fechar não são dos trabalhadores e que podemos fazer uma gestão democrática operária.

No entanto, a burguesia não poderia permitir tais avanços. De várias formas, sempre buscou conter este exemplo de luta e clara perspectiva de construção do socialismo. Por isso, em 31 de maio de 2007, a burguesia aplicou uma ação criminosa nas fábricas de Joinville, sob a fachada de um processo judicial e com 150 membros da Polícia Federal, a mando do ministro do Trabalho Luis Marinho, nomeia-se um interventor, acabando com o controle operário e as históricas conquistas sociais que haviam sido realizadas. Como disse o Juiz que mandou acabar com a gestão dos trabalhadores, “imagine se a moda pega?”. O brutal golpe contra o Movimento das Fábricas Ocupadas não foi suficiente para destruir a perspectiva histórica da estatização sob con trole dos trabalhadores. A trincheira da Flaskô, em Sumaré/SP, aponta o caminho da resistência e da perspectiva socialista, mostrando que sem patrão, os trabalhadores conseguem realizar uma nova forma de gestão da produção, onde a prioridade são as conquistas sociais da classe e não o lucro e a propriedade privada, bases do capitalismo.

Em 12 de junho completam 8 anos da ocupação e controle operário na fábrica Flaskô. Diante da crise capitalista, e a decisão dos patrões de fechar a fábrica, os operários levantaram a cabeça e organizaram-se para manter a fábrica funcionando na luta em defesa dos empregos. Ocupando a fábrica e tomando seu controle.

Sem o patrão e a partir do controle operário, da democracia operária, foi reduzida a jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução nos salários. Sem o patrão, os operários, em conjunto com famílias da região, organizaram a ocupação do terreno da Fábrica e constroem hoje a Vila Operária e Popular com moradia para mais de 560 famílias. Sem o patrão, os operários reativaram um galpão abandonado e iniciaram o projeto “Fábrica de Cultura e Esporte”, com teatro, cinema, futebol, balé, dança, curso de desenhos e aulas de violão.

Desde o início os operários defenderam a estatização da fábrica sob controle dos trabalhadores diante das dívidas dos patrões com o estado. Desde o inicio os operários e operárias se somaram a luta do conjunto da classe trabalhadora. Defendendo a reforma agrária junto com os trabalhadores do campo, defendendo a luta pelas moradias com os operários na cidade, defendendo os direitos e a luta contra os patrões em dezenas e dezenas de fábricas. Defendendo os serviços públicos como saúde e educação junto ao povo e aos trabalhadores do setor publico.

Lutaram desde o inicio pela reestatização das ferrovias junto aos ferroviários, pela reestatização da Vale do Rio Doce e da Embraer, por uma Petrobrás 100% estatal. Os operários da Flaskô organizaram, junto ao Movimento das Fábricas Ocupadas em conjunto com os operários da Cipla e Interfibra 8 caravanas a Brasília para exigir a estatização da fábrica.

Os operários organizam conferencias, seminários, encontros nacionais e internacionais, além de manifestações por todo o Brasil sempre discutindo com sua classe os caminhos da luta. Hoje desenvolvem a Campanha para que a prefeitura Declare a Fábrica e toda a sua área de Interesse Social, dando um passo no caminho da desapropriação das propriedades do patrão para a sua definitiva estatização sob o controle dos trabalhadores.

A Vila Operária

A luta na fábrica ocupada Flaskô começou, como em todas as fábricas, como uma luta por melhores condições de trabalho e por salário. Foi assim que ocorreram várias greves principalmente na década de 1990. Já no começo dos anos 2000, frente a uma grande crise mundial, os patrões, mudaram a estratégia – sugaram o sangue que ainda havia na fábrica até a última gota já com a intenção de rapinar tudo que aqui havia e levar embora para acabar com o parque fabril. Então os trabalhadores se encontraram em uma situação nova, frente à ameaça de desemprego geral. Foi assim que tiveram também que forjar um instrumento de luta que nunca haviam usado: diante do fechamento da fábrica e não aceitando sair com uma mão na frente e outra atrás (com muitos direitos e salários atrasados) decidiram ocupar a fábrica, tomar seu controle e tocar a produção.

A partir do momento em que a fábrica foi ocupada muitas coisas mudaram. A luta na Flaskô ultrapassou os limites da fábrica, pois todos souberam logo que essa luta nunca será resolvida sem união com outros trabalhadores. Ao mesmo tempo a própria fábrica não é uma luta só dos que aqui trabalham.

Foi assim que em 2005, junto com trabalhadores sem-teto da região, uma parte que representa três quartos do terreno da Flaskô foi também ocupada e é onde hoje está erguida a Vila Operária e Popular, onde moram 560 famílias. Deste momento para cá, foram diversas mobilizações sempre em conjunto com a luta da fábrica, revindicando principalmente luz e água. A água foi uma recente conquista na qual o Governo se escondia atrás da imensa burocracia que se apresenta sempre que os pobres tem alguma demanda social. Mesmo assim, com muita mobilização, conquistamos para todo o município de Sumaré uma lei permitindo a prefeitura instalar rede de água em bairros ainda irregulares. Desde então já 4 bairros assim ganharam água. Mas ainda não acabaram as demandas, pois ainda há muita estrutura de que o bairro necessita – esgoto, asfalto, iluminação pública, etc.

Nestes seis anos a Vila Operária se ergueu rápida e solidamente. No entanto, toda esse bairro e essa vida nunca estarão em paz enquanto não se desapropriar a área e as moradias forem regularizadas. Soluções individuais desconsideram os companheiros e nunca resolvem. A única solução é a despropriação de todo o terreno seguindo os caminhos já provados por A+B que existem dentro da lei. Falta apenas vontade política. Desapropriação da Vila Operária e da Fábrica Ocupada Flaskô Já!!! Desapropriação também do bairro Pinheirinho em São José dos Campos, que passa por situação semelhante!

Fábrica de cultura

Além da Vila Operária e do parque fabril, a ocupação da Flaskô gerou também a Fábrica de Esporte e Cultura. É um grande galpão, onde antes funcionava parte da produção e onde hoje ocorrem diversas atividades como aulas de balé, de espanhol, de danças populares, de futebol, de tênis-de-mesa, de xadrez e dama, de teatro, de bateria, etc. Todas atividades são gratuitas. A nossa luta e reivindicação é que, para além da desapropriação do parque fábril e da Vila Operária, também seja feita a desapropriação da Fábrica de Cultura e Esportes transformando o galpão em um centro cultural público controlado pelos artistas, educadores e demais trabalhadores que ali atuam.

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Trabalhadores químicos em luta

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

Os trabalhadores do ramo químico em todo o país estão em campanha salarial. Mesmo com crescimentos gigantescos no faturamento e milhões em emprestimos do BNDES para o setor, a patronal pouco quer oferecer aos trabalhadores. A última informação fornecida pelo Sindicato dos Químicos Unificados fala em uma proposta de reposição da inflação e um aumento de 2%. O que significa muito pouco com a escalada dos preços nos alimentos. A cada dia, comida, aluguel e serviços básicos, como energia e telefone, estão mais caros. Este aumento não vai durar 2 ou 3 meses de inflação.

A verdadeira pauta para a categoria seria a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, mas parece que pouco se fez sobre a questão. É necessários ficar de olho. Porque as assembléias serão nos dias 12 e 13 de novembro, e se não tivermos aceitas nossas propostas temos que ampliar a luta.

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A Flaskô luta contra a injustiça do Poder Judiciário

A Flaskô luta contra a injustiça do Poder Judiciário

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

Mais uma vez a Flaskô sofre um ataque. Mais uma vez este ataque ocorre via Poder Judiciário. Já sofremos diversas tentativas claras de fechamento da fábrica ocupada.

Em 2003, quando o patrão abandonou a fábrica, a instabilidade e insegurança eram muito grandes. Os patrões quiseram fechar a fábrica, mas os trabalhadores se organizaram e garantiram a continuidade da produção e da defesa dos empregos. De lá para cá, foram mais de 200 leilões de máquinas, prejudicando a continuidade da Flaskô, tudo para pagar dívidas da época dos patrões. O Poder Judiciário iniciava a contradição de cobrar dos trabalhadores a responsabilidade pela sonegação fiscal dos patrões.

Em 2007, o maior golpe contra as ocupações de fábrica veio do Poder Judiciário, com o apoio de 150 Policiais Federais. A intervenção criminosa acabou com o controle operário nas fábricas Cipla e Interfibra, em Joinville/SC. Tentou-se destruir a Flaskô, mas esta conseguiu resistir e depois de 45 dias sem luz retomou a produção e seguiu como exemplo para a classe trabalhadora. É bom lembrar o que o juiz de Santa Catarina, aliado dos empresários, disse em 2007: “imagina se a moda pega?”. Isso mostra o medo da classe empresarial em relação as experiências de gestão dos trabalhadores sem patrão.

Na Flaskô, todos estão cientes de que a luta continua, pois justamente os interesses da classe trabalhadora são contrários aos dos capitalistas. O Estado é seu “comitê de negócios” e o Poder Judiciário é onde muitas de suas decisões são tomadas. Por isso, sabe-se que para garantir seus direitos os trabalhadores da Flaskô estarão nas ruas, pressionando junto com seus apoiadores, moradores da Vila Operária, da periferia de Sumaré, com sindicalistas, militantes do MST, do MTST e do MTD, para que as conquistas históricas realizadas a partir da Flaskô continuem.

Ato público contra leilões e penhoras de faturamento

No último dia 07 de outubro os trabalhadores da Flaskô estiveram num ato público no centro de Sumaré denunciando os ataques do Poder Judiciário. Desta vez, o ataque se deu com o início de mais um leilão de máquina da Flaskô, que caso seja arrematada, levará ao fechamento da fábrica, e o fim de todas as conquistas sociais, como a ocupação da Vila Operária e as atividades da Fábrica de Cultura e Esporte.

A dívida do processo em questão é de 1998, da época do patrão. A lei diz que a dívida deve ser cobrada de quem a fez. A gestão operária também explicou que junto com os leilões, as penhoras de faturamento são indevidas, pois já somam mais de 300%, e, neste caso, com base na lei, a Flaskô propôs diversas medidas para resolver a questão, para que os credores, entre eles o Estado, recebam as dívidas deixadas pelos patrões, seja via unificação das execuções fiscais*, seja com a desconstituição da personalidade jurídica*.

A Constituição Federal e as demais leis demonstram que os trabalhadores não podem pagar pelas dívidas dos patrões, ainda mais quando os trabalhadores não têm seu direito de defesa garantido. Quando é para se defender, os trabalhadores não são reconhecidos pela lei como legítimos representantes da Flaskô. Por outro lado, quando é para responsabilizar, criminalizar, a gestão operária é reconhecida pelos Juízes. Ora, tal contradição do Poder Judiciário não pode continuar!

Não há dúvidas de que o que é pedido pelos trabalhadores da Flaskô está na lei e por isso deve ser garantido. Não é esta a função do Poder Judiciário? A Flaskô estará em luta para fazer valer seus direitos e contará com o apoio de todos para que na prática suas conquistas sejam garantidas e assim avançar para a efetiva transformação social. Desta forma, seguem firmes contra o fechamento da Flaskô, dizendo “Juiz, vá cobrar as dívidas do patrão, leiloando sua fazenda e sua mansão!”

O que são:

Unificação das execuções fiscais?

Significa reunir todas as dívidas deixadas pelo patrão e pagar mensalmente uma porcentagem do faturamento da fábrica.

Desconsideração da personalidade jurídica?

Significa atingir os bens dos sócios da Flaskô que fizeram a dívida na época do patrão, ao invés de insistir em leiloar os bens da fábrica ou penhorar o faturamento da gestão dos trabalhadores.

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Trabalhadores da Flaskô fazem ato em Sumaré contra novo ataque aos postos de trabalho

Trabalhadores da Flaskô fazem ato em Sumaré contra novo ataque aos postos de trabalho

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

Novamente a burguesia, agora representada pelo Poder Judiciário, atacou os trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô. Um novo leilão de máquinas da Flaskô se iniciou no dia 7 de outubro. Trata-se de um processo de 1998, ou seja, da gestão do patrão. Desta vez, iniciou-se um leilão virtual, on-line, o que reduz a capacidade de resistência dos trabalhadores para frear qualquer arremate, ainda mais que ele vai até o final do mês. “Essa máquina que está indo a leilão é fundamental para garantir a produção e manter os postos de trabalho”, nos contou Alexandre Mandl, advogado da fábrica Flaskô.

Trabalhadores exigem do judiciário que parem os leilões

O ato do dia 7 de outubro contou com a solidariedade do MST, MTST, Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp, estudantes, entre outros militantes apoiadores. Os trabalhadores paralisaram a principal avenida do centro de Sumaré. A bateria seguiu com os manifestantes que pararam o centro e a rua da prefeitura. “O prefeito também é responsável por esse ataque, pois não declarou a fábrica área de interesse social. Por isso estamos aqui na frente da prefeitura”, disse Pedro Santinho, coordenador do conselho da fábrica.

Pressionados pelo ato público, a Prefeitura acatou o pedido feito pelos trabalhadores da Flaskô e se manifestou, por escrito, contra qualquer tentativa de fechamento da fábrica, considerando a experiência da Flaskô “um exemplo de luta social e de grande importância para a cidade de Sumaré”. Dr. Buck, chefe da Procuradoria Geral do Município, representando o Prefeito Bacchim, ajudou a garantir uma reunião da comissão da Flaskô com o Diretor do Fórum, Dr. André Gonçalves Fernandes, marcada para o dia 11/10, terça-feira.

Após esta conquista junto à Prefeitura Municipal, os trabalhadores seguiram em direção ao Fórum. Lá chegando, se depararam com barreiras de policiais militares, incluindo 16 viaturas e o um bloqueio de dois quarteirões até chegar o Fórum. “Um absurdo, que mostra como os trabalhadores, quando organizados, são tratados”, falou um dos trabalhadores barrados. Isso não obstruiu a determinação do ato em defesa da Flaskô, que seguiu até a frente do Fórum. Os trabalhadores disseram que não permitirão qualquer arremate de uma máquina, pois isso levará ao fechamento da Flaskô, perdendo-se todas as conquistas sociais, não só da fábrica em si, mas da Vila Operária e do Projeto da Fábrica de Cultura e Esportes.

Nesse sentido, os trabalhadores da Flaskô explicaram que este leilão era só mais um dos ataques jurídicos que a fábrica vem sofrendo, e que esta situação precisa mudar. “A contradição é muito grande. Quando é para fazer nossa defesa, não somos considerados os responsáveis pela fábrica. Quando é para atacar, responsabilizar, criminalizar, a “Justiça” quer que os trabalhadores paguem a conta. O que não pode é continuar esta prática de dois pesos e duas medidas”, explicou Alexandre Mandl, advogado da fábrica ocupada Flaskô. Como exemplo, ele cita o próprio leilão deste dia, que se refere a um processo de 1998, ou seja, da gestão patronal, e ao fazer a defesa, os trabalhadores tiveram seu direito restringido, mas, por outro lado, eles é que irão pagar por esta dívida, por meio do possível arremate da máquina. “São mais de 200 processos em Sumaré, e a prática do Poder Judiciário tem sido esta. Os Juízes da cidade precisam mudar seu posicionamento, acatando nossos pedidos, que, vale dizer, estão todos baseados nas leis já existentes”, argumentou o advogado.

Por isso, o ato público insistiu para que o Diretor do Fórum e os demais juízes recebam uma comissão de trabalhadores da Flaskô para que parem com os ataques contra os trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô, compreendendo sua importância para a classe trabalhadora e popular, especialmente para a população de Sumaré. Apesar do pedido feito pelos presentes ao ato público, os Juízes não receberam os trabalhadores no dia, mas garantiram a realização da reunião marcada via intermediação da Prefeitura para o dia 11/10.

Por fim, os trabalhadores realizaram três protocolos judiciais, onde narram a situação contraditória do Poder Judiciário e a necessidade do atendimento das reivindicações da Flaskô. Mais tarde, o advogado conversou com os dois Juízes mais diretamente envolvidos, e ambos manifestaram interesse no prosseguimento do diálogo e na busca por uma solução da Flaskô.

Os trabalhadores da Flaskô exigem das autoridades judiciais que reconhecessem a experiência da fábrica como um exemplo prático da aplicação dos direitos constitucionalmente garantidos. Exigiram que fossem recebidos por uma comissão e tratasse dos seguintes pontos:

Contra os leilões de máquinas da Flaskô!

A fábrica ocupada Flaskô não pode fechar!

Pelo atendimento das reivindicações dos trabalhadores da Flaskô!

- Quem fez a dívida é o patrão! Juiz, vá leiloar sua mansão, sua fazenda e avião!

- Fim das penhoras de faturamento!

- Fim dos leilões on-line!

- Fim da criminalização dos trabalhadores da Flaskô!

- Pelo reconhecimento judicial definitivo da Associação dos Trabalhadores como gestora da Flaskô!

- Pela Unificação das Execuções Fiscais com o pagamento de uma porcentagem do faturamento!

- Pela aprovação do projeto de declaração de interesse social da área da Flaskô!

- Pela aprovação da proposta de projeto de lei de desapropriação de fábricas abandonadas!

- Pela estatização sob controle operário da Flaskô!

Cabe agora acompanhar, pressionar e lutar, para todas as reivindicações sejam atendidas.

Foto: Natasha Mota

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Flaskô: avanços na luta pela  estatização sob controle operário

Flaskô: avanços na luta pela estatização sob controle operário

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

No último dia 05 de julho de 2011 aconteceu em Brasília uma Audiência Pública no Senado Federal sobre a luta da fábrica ocupada Flaskô, convocada pelos senadores Paulo Paim (PT/RS) e Eduardo Suplicy (PT/SP). Cerca de 300 pessoas, entre trabalhadores da Flaskô, moradores da Vila Operária e Popular, estudantes e demais apoiadores desta luta, estiveram presentes para discutir a necessidade de defender o controle operário na Flaskô, e, consequentemente, a Vila Operária e a Fábrica de Cultura e Esporte.

A atividade foi muito importante por vários motivos, sendo que deve ser ressaltada a perspectiva de que experiências como esta ocorram com mais freqüência, ou seja, que seja ampliada lutas como a da Flaskô.

Nesse sentido, a Comissão de Fábrica da Flaskô apresentou uma proposta de projeto de lei (que já está na Assessoria dos Senadores) que incentiva a desapropriação, não somente de terra para fins de moradia e de reforma agrária, mas também para fins de defesa dos postos de trabalho. Vale dizer que tal compreensão se faz a partir de uma análise dos direitos humanos e na busca em “fazer valer” os direitos sociais da Constituição Federal (função social da propriedade e direitos sociais e direitos dos trabalhadores)

A Lei nº 4.132/1962 que define os casos de desapropriação por interesse social é um instrumento essencial para casos de desapropriação de imóveis rurais ou urbanos para fins de moradia ou reforma agrária. No entanto, a referida lei aborda outros elementos para fundamentar as hipóteses de desapropriação por interesse social que podem ser mais explicitados.

Verifica-se que o artigo 2º inciso I da referida lei, ao definir as hipóteses de interesse social, trata da situação de “aproveitamento de todo bem improdutivo ou explorado sem correspondência com as necessidades de habitação, trabalho e consumo dos centros de população a que deve ou passa suprir por seu destino econômico”. Todavia, o §1º do mesmo inciso parece limitar a hipótese para imóveis rurais.

A lei se preocupou em aproveitar bem improdutivo ou explorado sem a correspondência com as necessidades de trabalho, mas deixou como em segundo plano a situação em que o valor social do trabalho seja prejudicado também no âmbito urbano. Assim, a referida lei não compreende a relevante situação em que empresas passam a ser geridas por seus funcionários, seja quando há um abandono patronal do empreendimento, seja em situação de falência em que os trabalhadores passam a administrar a fábrica.

Assim, uma situação como a da Flaskô, e sabemos que muitos casos poderiam ter este destino, como a Ceralit, Tema Terra, Adere, etc., de grande importância na dinâmica real da sociedade brasileira, especialmente em nossa região, pela defesa dos postos de trabalho, acesso à moradia e à cultura, lazer e esportes, precisa ser ter mais efetividade. A responsabilidade pelo fechamento de um estabelecimento industrial não é dos trabalhadores. O Estado e os governantes não podem “lavar as mãos” e deixar de atuar nas possibilidades de evitar o destino do desemprego.

Como se sabe, o trabalho é direito fundamental da pessoa humana, alicerce para a dignidade, princípio máximo do Estado Democrático de Direito. Portanto, é claro o interesse social na manutenção dos postos de trabalho, garantindo a atividade industrial pelos próprios trabalhadores, proporcionando novos rumos para a propriedade das fábricas, fazendo com que cada empresa, ao ameaçar fechar, seja ocupada pelos trabalhadores e sob a gestão operária, seja organizada ocupações do espaço, seja para fins de moradia, para cultura, lazer, esporte, etc. (Veja no quadro ao lado a proposta apresentada, e no site www.fabricasocupadas.com.br o texto completo).

PROPOSTA DE PROJETO DE LEI DO SENADO FEDERAL

Acrescenta inciso ao art. 2º da Lei n. 4132, de 10 de setembro de 1962, que define os casos de desapropriação por interesse social e dispõe sobre sua aplicação, para prever a hipótese de desapropriação de imóvel industrial em descumprimento com a função social da propriedade. O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º – O art. 2º da Lei 4.132, de 10 de setembro de 1962, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso: “IX – O aproveitamento produtivo de empresas abandonadas ou falidas que passaram a ser geridas por seus funcionários, sob qualquer modalidade de autogestão”.

Art. 2º Esta lei entra em vigor na data da sua publicação.

Brasília/DF, 05 de julho de 2011

BNDES

Um dos encaminhamentos da Audiência Pública foi uma reunião com o BNDES. Ela aconteceu no começo deste mês e foi positiva. Buscaremos uma forma de que a fábrica, sob controle operário, possa ter acesso às benesses que são dadas aos empresários e negadas à Flaskô por “medo que experiências como ela seja fortalecida”.

INSS e Ministério da Fazenda

Outra reunião fruto dos encaminhamentos foi com o INSS e com o Ministério da Fazenda, com objetivo de resolver a situação das dívidas deixadas pelos patrões. Eles concordaram com nossas propostas (adjudicação (compra) da fábrica, unificação das execuções fiscais, etc.), dizendo que as mesmas são legais e podem ser aprovadas. Além disso, reconheceram os avanços conquistados a partir da gestão operária. Uma nova reunião acontecerá no próximo mês.

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Novo avanço da luta da Flaskô e Vila Operária!

Novo avanço da luta da Flaskô e Vila Operária!

Escrito em 04 agosto 2011 por admin

Foto: Luciano Claudino

Em 12 de junho completam 8 anos da ocupação e controle operário na fábrica Flaskô. Diante da crise capitalista e a decisão dos patrões de fechar a fábrica os operários levantaram a cabeça e organizaram-se para manter a fábrica funcionando na luta em defesa dos empregos. Ocupando a fábrica e tomando seu controle.

Sem o patrão e a partir do controle operário, da democracia operária, foi reduzida a jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução nos salários. Sem o patrão, os operários, em conjunto com famílias da região, organizaram a ocupação do terreno da Fábrica e constroem hoje a Vila Operária e Popular com moradia para mais de 560 famílias. Sem o patrão, os operários reativaram um galpão abandonado e iniciaram o projeto “Fábrica de Cultura e Esporte”, com teatro, cinema, judô, futebol, balé e dança Além de cursos e atividades de formação

Desde o início os operários defenderam a estatização da fábrica sob controle dos trabalhadores diante das dívidas dos patrões com o estado. Desde o inicio os operários e operárias se somaram a luta do conjunto da classe trabalhadora. Defendendo a reforma agrária junto com os trabalhadores do campo, defendendo a luta pelas moradias com os operários na cidade, defendendo os direitos e a luta contra os patrões em dezenas e dezenas de fábricas. Defendendo os serviços públicos como saúde e educação junto ao povo e aos trabalhadores do setor publico.

Lutaram desde o inicio pela reestatização das ferrovias junto aos ferroviários, pela reestatização da Vale do Rio Doce e da Embraer, por uma Petrobrás 100% estatal. Os operários da Flaskô organizaram, junto ao Movimento das Fábricas Ocupadas em conjunto com os operários da Cipla e Interfibra 8 caravanas a Brasília para exigir a estatização da fábrica.

Os operários organizam conferencias, seminários, encontros nacionais e internacionais, além de manifestações por todo o Brasil sempre discutindo com sua classe os caminhos da luta. Hoje desenvolvem a Campanha para que a prefeitura Declare a Fábrica e toda a sua área de Interesse Social, dando um passo no caminho da desapropriação das propriedades do patrão para a sua definitiva estatização sob o controle dos trabalhadores.

Com objetivo de sempre dialogar com toda a sociedade, a luta da Flaskô buscou realizar Audiências Públicas. Em maio de 2007, realizamos na Câmara dos Vereadores em Sumaré/SP. Em 20 de maio de 2009 a luta dos trabalhadores da Flaskô foi tema da Audiência Pública na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Em 31 de março de 2011, novamente a luta da Flaskô, juntamente com a Vila Operária, procurou a Câmara dos Vereadores e realizou uma Audiência Pública em Sumaré/SP. As perspectivas estão sendo debatidas, e o Manifesto em apoio à Campanha tem sido um sucesso. Agora, um novo e importante passo precisa ser dado.

Para isso, faremos uma Audiência Pública no Senado, em Brasília, no dia 14 de junho, terça-feira, às 9h e contamos com a presença de todo(a)s apoiadore(a)s na Caravana que estamos organizando. Sairemos no dia 04/07 (segunda-feira) às 14hs e temos a previsão de chegada no dia 06/07 (quarta-feira) às 7h00.

Por tudo isso, convocamos todas as organizações operárias, estudantis, sindicatos, partidos e organizações políticas, personalidades a ajudarem os trabalhadores da Flaskô rumo à vitória, participando da Caravana, subscrevendo o referido manifesto e multiplicando iniciativas de apoio a Declaração de Interesse Social da Flaskô permitindo com isso a regularização de 560 moradias na Vila Operária, permitindo a transformação da Fábrica de Cultura e Esportes num verdadeiro centro cultural e esportivo público, além de estatizar a fábrica, tornando-a pública, sob o controle dos operários que resistem há 8 anos com seu suor e luta.

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Flaskô comemora oito anos sob controle operário

Flaskô comemora oito anos sob controle operário

Escrito em 04 agosto 2011 por admin

  • HISTÓRIA

A Flaskô é uma fábrica de transformação de plástico. Produz vários modelos de embalagens industriais, chamados de tambores ou bombonas. Tem cerca de 90 trabalhadores atualmente, mas chegou a ter 600 em seu auge. Foi fundada no final dos anos 70 e pertencia à Corporação Holding do Brasil (CHB).

A CHB também era dona das marcas Cipla e Interfibra e integrou o Grupo Hansen Industrial S.A. até 1992, ano da partilha de bens familiar ocasionada pela morte de João Hansen Júnior (sócio fundador). Luís Batschauer (que era casado com Eliseth Hansen) e seu irmão Anselmo assumem a CHB, mas perdem a massa de capital do Grupo Hansen necessária para a modernização tecnológica.

Assim, enquanto as outras empresas do grupo cresciam, a CHB começa a definhar as fábricas sob seu comando. No entanto, os trabalhadores da Flaskô não assistem a tudo isso passivamente. Há registros de greves em 1994 e 1997 contra a jornada de até 12 horas, baixos salários e não cumprimento de acordos trabalhistas. Porém, uma mudança significativa na fábrica só foi possível após a ocupação e o estabelecimento do controle operário.

  • Neto de Trotsky visita a Flaskô

Para comemorar os oito anos sob controle operário, a Flaskô trouxe o neto do Trotsky. De cabelos brancos e olhos claros, aos 85 anos, Esteban Volkov foi o único sobrevivente da família de Trotsky. Na década de 30, o revolucionário russo e seus familiares foram mortos, no México, a mando de seu rival político, Stalin. Mas, Esteban, na época com 14 anos, sobreviveu. Durante o evento, o neto de Trotsky enfatizou que sua missão é propagar a verdade diante de algumas histórias sobre seu avô. Ele deixou evidente sua postura em preservar a memória de Trotsky e dizer as pessoas que o sistema de governo comandado por Stalin não era o ideal para o seu avô, e por isso Trotsky foi assassinado.

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Neto de Trotsky visitará Flaskô

Escrito em 04 agosto 2011 por admin

No dia 10 de junho, às 18 horas, acontecerá um ato/debate na Flaskô sobre o Controle Operário e a luta pelo socialismo. Coroando estes oito anos os trabalhadores contarão com a presença de Estevan Volkov, neto de Leon Trotsky que foi dirigente da Revolução Russa de 1917.

O debate tem a intenção de mostrar que a revolução russa ainda esta viva e que a luta da Flaskô é apenas um elo da tradição da classe operário no seu caminho da revolução, que exproprie os patrões realmente coloque o mundo organizado segundo os interesses dos trabalhadores.

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Flaskô completa 8 anos e leva a luta ao senado federal

Flaskô completa 8 anos e leva a luta ao senado federal

Escrito em 04 agosto 2011 por admin

Em junho a fábrica ocupada Flaskô completa oito anos de luta. São oito anos de luta em defesa dos empregos e do parque fabril. São oito anos de luta pela estatização sob o controle dos trabalhadores.

Mais do que isso, são oito anos de luta demonstrando na prática que a Flaskô é do povo. E por isso é uma obrigação do novo governo Dilma dar uma saída positiva estatizando-a.

Os operários nestes oito anos provaram que a unidade, a determinação, a resistência e a independência da classe operário diante dos patrões e dos governos é a única perspectiva.

Os acordos com os patrões, os latifundiários apenas podem trazer a miséria para a classe trabalhadora. Pois mesmo que melhora a vida com a economia se desenvolvendo classe trabalhadora apenas fica com as migalhas dos bancos, das multinacionais e do agronegócio. Por isso os operários da Flaskô exigem a estatização da fábrica, por isso eles estão unidos com sua classe em luta contra os patrões.

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007

Classe trabalhadora brasileira não está sozinha, diz teórico britânico

Escrito em 18 abril 2011 por admin

No último dia 7, Alan Woods, editor do site britânico Marxist.org, visitou os trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô, em Sumaré. Na ocasião, o intelectual da esquerda mundial falou da sensação de isolamento, que às vezes parece tomar conta de todos aqueles que integram movimentos sociais e que lutam por melhores condições de vida, de trabalho, moradia e outros direitos humanos básicos.

Para desmistificar esta sensação de isolamento, Allan Woods, que também é escritor renomado e teórico marxista, citou as recentes revoluções árabes, que têm ceifado a vida de milhares de trabalhadores que se levantaram contra ditaduras seculares. “Quando digo que não estão sozinhos, não utilizo um discurso vazio, pois estamos vivendo um momento fundamental de mudança na história mundial”, disse.

Hosni Mubarak, Zine el Abidine Ben Ali e, mais recentemente, Muamar Kadafi, foram surpreendidos pela força das revoluções em massa, que ganharam repercussão mundial via ceular, internet e redes sociais, como facebook e twitter. A dificuldade desses líderes ditadores em lidar com os recentes protestos acontecidos no Egito, Tunísia e Líbia, de acordo com Woods, pôde ser evidenciada, sobretudo, pelas tentativas brutais e frustradas de frear os manifestos populares.

“Eles simplesmente não conseguem compreender o que acontece com a classe trabalhadora”, disse Alan, explicando que uma “revolução nunca é um raio que cai de um céu azul”. Na verdade, esses protestos seriam a conseqüência última de uma série de pequenas injustiças, pequenos atropelos acumulados durante um longo período de tempo. Assim como um copo que, de gota em gota, atinge o limite máximo e transborda. “Existe um poder na sociedade maior que qualquer polícia, qualquer exército: a classe trabalhadora, uma vez organizada, não há quem possa pará-la”, finalizou.

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