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A repressão contra a Fábrica Ocupada Flaskô

A repressão contra a Fábrica Ocupada Flaskô

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

Por conta das conquistas sociais da Flaskô, servindo de exemplo de resistência para a classe trabalhadora, a burguesia tenta, a todo o momento, acabar com o controle operário da Flaskô. A grande maioria das vezes, o ataque se dá via judiciário, um dos aparelhos repressores do Estado, onde todos sabem que não é a “justiça”, mas sim que há um duplo tratamento: há leis para ricos e outras para os pobres e os lutadores sociais. Assim, a Flaskô sofre um constante processo de repressões, num sentido mais amplo de criminalização dos movimentos sociais que estamos vivenciando ao longo da histórica da luta de classes. Esta repressão se expressa pelos leilões de máquinas, penhoras de faturamento, processos contra os membros do Conselho de Fábrica, responsabilização tributária da época patronal, restrição ao direito de defesa, entre outras tantas ilegalidades.

A Flaskô já sofreu diversas tentativas de fechamento. Em 2003, quando o patrão abandonou a fábrica, a instabilidade e insegurança eram muito grandes. Os patrões quiseram fechar a fábrica, mas os trabalhadores se organizaram e garantiram a continuidade da produção e da defesa dos empregos. De lá para cá, foram mais de 200 leilões de máquinas, prejudicando a continuidade da Flaskô, tudo para pagar dívidas da época dos patrões. O Poder Judiciário iniciava a contradição de cobrar dos trabalhadores a responsabilidade pela sonegação fiscal dos patrões.

Em 2007, o maior golpe contra as ocupações de fábrica veio do Poder Judiciário, com o apoio de 150 Policiais Federais. A intervenção criminosa acabou com o controle operário nas fábricas Cipla e Interfibra, em Joinville/SC. Tentou-se destruir a Flaskô, mas esta conseguiu resistir e depois de 45 dias sem luz retomou a produção e seguiu como exemplo para a classe trabalhadora. É bom lembrar o que o juiz de Santa Catarina, aliado dos empresários, disse em 2007: “imagina se a moda pega?”. Isso mostra o medo da classe empresarial em relação as experiências de gestão dos trabalhadores sem patrão.

Na Flaskô, todos estão cientes de que a luta continua, pois justamente os interesses da classe trabalhadora são contrários aos dos capitalistas. O Estado é seu “comitê de negócios” e o Poder Judiciário é onde muitas de suas decisões são tomadas. Por isso, sabe-se que para garantir seus direitos os trabalhadores da Flaskô estarão nas ruas, pressionando junto com seus apoiadores, para que as conquistas históricas realizadas a partir da Flaskô continuem e possam se expandir para toda a classe trabalhadora.

Em 2011, os ataques foram muitos. Houve muitas tentativas de repressão e fechamento da Flaskô. Um novo leilão de máquinas da Flaskô se iniciou em outubro. Trata-se de um processo de 1998, ou seja, da gestão do patrão. Desta vez, iniciou-se um leilão virtual, on-line, o que reduziu a capacidade de resistência dos trabalhadores. O ato do dia 7 de outubro contou com a solidariedade do MST, MTST, Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp, estudantes, entre outros militantes apoiadores. Os trabalhadores paralisaram a principal avenida do centro de Sumaré. A bateria seguiu com os manifestantes que pararam o centro e a rua da prefeitura. “O prefeito também é responsável por esse ataque, pois não declarou a fábrica área de interesse social. Por isso estamos aqui na frente da prefeitura”, disse Pedro Santinho, coordenador do conselho da fábrica.

A dívida do processo em questão é de 1998, da época do patrão. A lei diz que a dívida deve ser cobrada de quem a fez. A gestão operária também explicou que junto com os leilões, as penhoras de faturamento são indevidas, pois já somam mais de 300%, e, neste caso, com base na lei, a Flaskô propôs diversas medidas para resolver a questão, para que os credores, entre eles o Estado, recebam as dívidas deixadas pelos patrões, seja via unificação das execuções fiscais*, seja com a desconstituição da personalidade jurídica*.

A Constituição Federal e as demais leis demonstram que os trabalhadores não podem pagar pelas dívidas dos patrões, ainda mais quando os trabalhadores não têm seu direito de defesa garantido. Quando é para se defender, os trabalhadores não são reconhecidos pela lei como legítimos representantes da Flaskô. Por outro lado, quando é para responsabilizar, criminalizar, a gestão operária é reconhecida pelos Juízes. Ora, tal contradição do Poder Judiciário não pode continuar!

Não há dúvidas de que o que é pedido pelos trabalhadores da Flaskô está na lei e por isso deve ser garantido. Não é esta a função do Poder Judiciário? A Flaskô estará em luta para fazer valer seus direitos e contará com o apoio de todos para que na prática suas conquistas sejam garantidas e assim avançar para a efetiva transformação social. Desta forma, seguem firmes contra o fechamento da Flaskô, dizendo “Juiz, vá cobrar as dívidas do patrão, leiloando sua fazenda e sua mansão!”

Pressionados pelo ato público, a Prefeitura acatou o pedido feito pelos trabalhadores da Flaskô e se manifestou, por escrito, contra qualquer tentativa de fechamento da fábrica, considerando a experiência da Flaskô “um exemplo de luta social e de grande importância para a cidade de Sumaré”. Dr. Buck, chefe da Procuradoria Geral do Município, representando o Prefeito Bacchim, ajudou a garantir uma reunião da comissão da Flaskô com o Diretor do Fórum, Dr. André Gonçalves Fernandes, marcada para o dia 11/10, terça-feira.

Após esta conquista junto à Prefeitura Municipal, os trabalhadores seguiram em direção ao Fórum. Lá chegando, se depararam com barreiras de policiais militares, incluindo 16 viaturas e o um bloqueio de dois quarteirões até chegar o Fórum. “Um absurdo, que mostra como os trabalhadores, quando organizados, são tratados”, falou um dos trabalhadores barrados. Isso não obstruiu a determinação do ato em defesa da Flaskô, que seguiu até a frente do Fórum. Os trabalhadores disseram que não permitirão qualquer arremate de uma máquina, pois isso levará ao fechamento da Flaskô, perdendo-se todas as conquistas sociais, não só da fábrica em si, mas da Vila Operária e do Projeto da Fábrica de Cultura e Esportes.

Nesse sentido, os trabalhadores da Flaskô explicaram que este leilão era só mais um dos ataques jurídicos que a fábrica vem sofrendo, e que esta situação precisa mudar. “A contradição é muito grande. Quando é para fazer nossa defesa, não somos considerados os responsáveis pela fábrica. Quando é para atacar, responsabilizar, criminalizar, a “Justiça” quer que os trabalhadores paguem a conta. O que não pode é continuar esta prática de dois pesos e duas medidas”, explicou Alexandre Mandl, advogado da fábrica ocupada Flaskô. Como exemplo, ele cita o próprio leilão deste dia, que se refere a um processo de 1998, ou seja, da gestão patronal, e ao fazer a defesa, os trabalhadores tiveram seu direito restringido, mas, por outro lado, eles é que irão pagar por esta dívida, por meio do possível arremate da máquina. “São mais de 200 processos em Sumaré, e a prática do Poder Judiciário tem sido esta. Os Juízes da cidade precisam mudar seu posicionamento, acatando nossos pedidos, que, vale dizer, estão todos baseados nas leis já existentes”, argumentou o advogado.

Por isso, o ato público insistiu para que o Diretor do Fórum e os demais juízes recebam uma comissão de trabalhadores da Flaskô para que parem com os ataques contra os trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô, compreendendo sua importância para a classe trabalhadora e popular, especialmente para a população de Sumaré.

Os trabalhadores da Flaskô exigem das autoridades judiciais que reconhecessem a experiência da fábrica como um exemplo prático da aplicação dos direitos constitucionalmente garantidos. Exigiram que fossem recebidos por uma comissão e tratasse dos seguintes pontos:

Contra os leilões de máquinas da Flaskô!

A fábrica ocupada Flaskô não pode fechar!

Pelo atendimento das reivindicações dos trabalhadores da Flaskô!

- Quem fez a dívida é o patrão! Juiz, vá leiloar sua mansão, sua fazenda e avião!

- Fim das penhoras de faturamento!

- Fim dos leilões on-line!

- Fim da criminalização dos trabalhadores da Flaskô!

- Pelo reconhecimento judicial definitivo da Associação dos Trabalhadores como gestora da Flaskô!

- Pela Unificação das Execuções Fiscais com o pagamento de uma porcentagem do faturamento!

- Pela aprovação do projeto de declaração de interesse social da área da Flaskô!

- Pela aprovação da proposta de projeto de lei de desapropriação de fábricas abandonadas!

- Pela estatização sob controle operário da Flaskô!

Cabe agora acompanhar, pressionar e lutar, para todas as reivindicações sejam atendidas e mostrar as contradições na criminalização da Flaskô!

*O que são:

Unificação das execuções fiscais?

Significa reunir todas as dívidas deixadas pelo patrão e pagar mensalmente uma porcentagem do faturamento da fábrica.

Desconsideração da personalidade jurídica?

Significa atingir os bens dos sócios da Flaskô que fizeram a dívida na época do patrão, ao invés de insistir em leiloar os bens da fábrica ou penhorar o faturamento da gestão dos trabalhadores.

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Empregos desaparecem por todo o Brasil

Empregos desaparecem por todo o Brasil

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

Em setembro a Elegê de São Leopoldo (RS) – do grupo Brasil Foods – que também se formou com dinheiro do BNDES – fechou as portas da fábrica de laticínios, demitindo os cerca de 70 funcionários que restaram dos 200 que havia. Como disse Darci Rocha, coordenador da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Alimentação “Não há justificativa para o fechamento. No último ano, houve ampliação da produção”. A própria multinacional – maior exportadora mundial de carne avícola -, informou em outubro que seus lucros cresceram 73% comparado ao mesmo período de 2010. Então, porque fechar?

Em 2010, a Bom Gosto une-se a Leitbom para formar a LBR Lácteos Brasil. Para variar, também com dinheiro do BNDES. E em 2011, o que acontece? Em setembro, os cerca de 90 trabalhadores da Bom Gosto de Erechim (RS) também foram pegos de surpresa com a demissão. Mais uma empresa fechada.

A pergunta que não quer calar é: O BNDES injeta dinheiro se tornando acionista de todas estas empresas, para quê? Para fecharem? E ainda lucrando com isto?

No setor de calçados e têxtil a crise também não é de hoje. Depois de o Grupo Grendene fechar em maio a Azaléia (RS) demitindo 800 trabalhadores, agora anunciou o fechamento da Alpargatas em São Leopoldo (RS), deixando cerca de 70 trabalhadores sem emprego. E por aí vai… a Santista acaba de anunciar o fechamento no Nordeste: mais 300 demissões. Isto é só uma amostra. Em Espírito Santo do Turvo, interior paulista, a usina de álcool Agrest, que pertencia à Petroforte, foi desativada e demitiu 800 trabalhadores. A JBS segue fechando mais frigoríficos: em Rondônia, Mato Grosso, Goiás, etc. Enfim, fábricas e empregos estão desaparecendo silenciosamente por todo o Brasil. E a crise não chegou???

DANDO EXEMPLO: Trabalhadores ocupam frigorífico no Uruguai

Desde 29 de agosto cerca de 200 trabalhadores do Frigorífico PUL estão ocupando a planta em Cerro Largo, Uruguai. Um dos motivos foi a demissão de um delegado sindical. Mas os trabalhadores também reclamam que a empresa opera acima do acordo de desempenho por hora, chegando a suspender e punir os trabalhadores que não alcançam a exigência de aumento da produção. Os trabalhadores reunidos em assembléia no dia 24 de agosto entraram em greve, e com a recusa da empresa em negociar resolveram ocupar a planta.

Por que as empresas estão fechando? Há mesmo uma crise?

As empresas fecham unidades, mas aumentam seus lucros. Como é possível? A resposta é que os empresários estão se antecipando à crise, fechando unidades de modo preventivo. E se com aumento dos lucros eles já fogem, imaginem se a situação piorar. Esta crise está se espalhando por diversos países há cerca de 4 anos. O governo engana quando diz que aqui ela não chegará. Pode chegar, sempre pode, e os empresários sabem disso. Se estão levantando acampamento, fechando fábricas, é porque suspeitam que a crise se aproxima. Do contrário, estariam contratando. Dizem que fecham numa cidade para abrir em outra, ou seja, que estão “reestruturando” seus negócios antes que a situação piore. Começam pelas unidades de “menor importância” (para eles), para que no total, mantenham o crescimento de seus lucros. Mas há décadas já sabemos que “reestruturação” significa demissões e portas fechadas. Portanto, para grande parte da classe trabalhadora, a crise já chegou! Quem ainda mantém seu emprego, pode ser o desempregado de amanhã.

O que fazer? Se os patrões estão se antecipando no ataque, os trabalhadores também devem antecipar seu contra-ataque! É hora de união dos trabalhadores. É hora de luta e resistência. O lema é “Mexeu com um, mexeu com todos!” Basta de demissões! Fábrica fechada é fábrica ocupada! Fábrica ocupada tem que ser desapropriada!!!

A crise econômica pelo mundo

Na Europa, países como Grécia, Portugal, Itália, Espanha, Irlanda, e também nos Estados Unidos, a crise está atacando a todos os trabalhadores. Os empresários, depois da farra, estão abandonando o barco, como sempre fazem. Os governos por sua vez, estão cortando direitos sociais da população para salvar empresários e bancos. Os ataques a população trabalhadora são de todos os lados: destruição da indústria e dos serviços públicos, o desemprego, o fim de direitos sociais, aumento de impostos, aumento do custo de vida e consequente aumento da miséria.

Empresas importantes estão fechando as portas. A Nokia, maior fabricante de celulares do mundo, em setembro cortou 3500 postos de trabalho. Na Romênia a empresa fechou a unidade que tinha apenas 4 anos de funcionamento. Resultado: 2200 mil postos de trabalho destruídos. E já anunciava mais 1300 demissões. Em Portugal, em outubro os jornais noticiaram que mais de 1.200 empresas da construção civil deixavam de operar de 2010 para cá. As obras foram todas abandonadas e consequentemente o desemprego neste setor explodiu. Neste país, as indústrias que lá se alojaram há alguns anos em busca de mão-de-obra barata, agora estão abandonando o terreno. E o povo trabalhador, que se lixe!

Na Espanha a situação não é diferente. Em setembro, a Ford Visteon decidiu fechar sua unidade de Cádiz e colocou 450 trabalhadores na rua. Seguem unidos em luta pela reabertura da empresa. Iniciaram novembro com uma marcha até a Delegacia Regional do Emprego. Lá, o secretario geral da UGT afirmou: “é mentira que Visteon perde dinheiro, ela está indo embora por pura questão econômica, quer dizer, para lucrar mais, não porque aqui não lucre.” Como não foram recebidos, decidiram acampar diante da delegacia. Indignados, disseram: “Só saímos daqui com nossos empregos!”.

Até mesmo na Suécia, país mais rico da Europa, as empresas estão fechando. Em outubro a Volvo anunciou o encerramento das atividades na fábrica sueca de Uddvalla, onde é produzido o belo conversível C70. Segundo a empresa, “o motivo é a crise econômica mundial”. De outro lado, por toda a parte greves com ocupação das fábricas estão acontecendo. Turquia, Argentina, Uruguai, etc. No Egito, em maio, durante o levante da praça Tahir, trabalhadores ocuparam uma fábrica de açúcar e reclamam o direito de retomar a produção. Um deles diz num vídeo reportagem: “Assim como nossos irmãos estão lutando pela revolução, nós estamos lutando aqui. Daqui não sairemos!” É isso aí: Ocupar, Produzir e Resistir!!!

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Crise na indústria: Fábricas importantes fecharam as portas em 2011

Crise na indústria: Fábricas importantes fecharam as portas em 2011

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

Governo e meios de comunicação não cansam de dizer que a crise econômica não chegará por aqui. O quê eles escondem? Que vários setores da indústria já estão em crise. Frigoríficos e alimentos, calçados e têxtil, entre outros, estão demitindo e fechando as portas.

Fechamento de empresas no Brasil? Isso mesmo! Isto se tornou tão “normal” para sindicatos e o governo que ninguém fica sabendo. Com exceção dos trabalhadores que sofrem anônimos, ninguém parece se importar. E pior. Para os empresários virou um bom negócio. Reclamam da crise, mas compram empresas com ajuda do BNDES – portanto com dinheiro público -, para em seguida, desativá-las da noite para o dia. Vejamos alguns exemplos.

O grupo JBS-Friboi se tornou o maior produtor de carnes bovinas do mundo com dinheiro do BNDES. Em maio deste ano a empresa anunciou aumento dos lucros em 48%, comparado a 2010. Mas à custa de quem? As condições de trabalho nos frigoríficos do grupo são péssimas: ritmos de trabalho desumanos levando a doenças como a LER e acidentes graves com mutilações. Logo, seus funcionários não têm nada a comemorar. Como se não bastasse, depois de “sugados”, são descartados. Ao longo de 2011 a empresa demitiu centenas de trabalhadores, fechando diversas unidades pelo Brasil a fora. Como mostraram os jornais, em julho foram 740 demitidos, em agosto, mais 300, e em setembro, mais 1300 funcionários foram “pro olho da rua”. E como sempre, são sempre os últimos a saberem.

Trabalhadores não aceitam fechamento de frigorífico da JBS em Presidente Epitácio (SP)

Em setembro, mais de mil trabalhadores demitidos da JBS de Presidente Epitácio se manifestaram contra o fechamento do frigorífico. No ato de porta de fábrica, o representante da Federação dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação, Melquíades de Araújo, disse indignado: “Hoje o BNDES é sócio de um terço da JBS. Os sócios têm que dar resposta. Já que o BNDES tem função social, qual é agora a função social dele com estes trabalhadores? Ele que chame uma reunião com a direção da empresa e reabra o frigorífico.” Com apoio do Prefeito os trabalhadores bloquearam por mais de uma hora a principal ponte de acesso à cidade na Rodovia Raposo Tavares. O presidente do sindicato, Carlúcio Gomes afirmou: “Vamos fazer outros atos… os trabalhadores são muito fortes prá receber um golpe deste e ficar calado. Nós não vamos ficar calados!”. Um dos trabalhadores demitidos, antes de começar a chorar, explicou claramente à repórter como os patrões se comportam: “Foi um golpe sujo. Igual quando uma pessoa tem uma bola e convida os outros pra jogar. Mas quando não quer mais, põe a bola debaixo do braço e vai embora. E larga todo mundo… como largaram o pessoal de Epitácio.” 80 trabalhadores, sindicalistas da Força Sindical e o Prefeito são recebidos por Luciano Coutinho no BNDES, e questionam: “o banco está financiando a empresa para demitir?”. Coutinho diz que convocaria a JBS para se explicar. Mas o BNDES também deve explicações: Como deixa isto acontecer? Já se passaram dois meses e até agora, nada. Trabalhadores da JBS, é hora de “OCUPAR, RESISTIR E PRODUZIR!”.

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História da Fábrica Ocupada Flaskô

História da Fábrica Ocupada Flaskô

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

A Flaskô é uma fábrica de transformação de plástico. Produz vários modelos de embalagens industriais, chamados de tambores ou bombonas. Tem cerca de 71 trabalhadores atualmente, mas chegou a ter 600 em seu auge. Foi fundada no final dos anos 70 e pertencia à Corporação Holding do Brasil (CHB).

A CHB também era dona das marcas Cipla e Interfibra e integrou o Grupo Hansen Industrial S.A. até 1992, ano da partilha de bens familiar ocasionada pela morte de João Hansen Júnior (sócio fundador). Luís Batschauer (que era casado com Eliseth Hansen) e seu irmão Anselmo assumem a CHB, mas perdem a massa de capital do Grupo Hansen necessária para a modernização tecnológica.

Assim, enquanto as outras empresas do grupo cresciam, a CHB começa a definhar as fábricas sob seu comando. No entanto, os trabalhadores da Flaskô não assistem a tudo isso passivamente. Há registros de greves em 1994 e 1997 contra a jornada de até 12 horas, baixos salários e não cumprimento de acordos trabalhistas. Porém, uma mudança significativa na fábrica só foi possível após a ocupação e o estabelecimento do controle operário.

Em outubro de 2002, após uma greve de ocupação, os trabalhadores da Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, conseguiram uma liminar na justiça e retomaram a produção sob gestão dos trabalhadores. Desde então, impulsionaram a luta pela estatização sob controle operário, a partir da perspectiva de garantir os quase 1.000 postos de trabalho de forma duradoura, e mostrando que a fábrica não poderia fechar. Sem ter uma apropriação privada da riqueza, a gestão operária conseguiu impor as conquistas históricas da classe, como a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, de 44 para 40 e depois para 30 horas semanais – 6 horas diárias. Os trabalhadores deram um exemplo de que não precisam de patrões, e mais, passaram a mostrar que se é possível fazer isso em uma fábrica quebrada, por que precisamos de capitalistas na sociedade como um todo? Junto com a Flaskô, o Movimento das Fábricas Ocupadas atuou em mais de 35 fábricas, lutando pelo direito ao trabalho, direito à dignidade, dizendo que a culpa da fábrica fechar não são dos trabalhadores e que podemos fazer uma gestão democrática operária.

No entanto, a burguesia não poderia permitir tais avanços. De várias formas, sempre buscou conter este exemplo de luta e clara perspectiva de construção do socialismo. Por isso, em 31 de maio de 2007, a burguesia aplicou uma ação criminosa nas fábricas de Joinville, sob a fachada de um processo judicial e com 150 membros da Polícia Federal, a mando do ministro do Trabalho Luis Marinho, nomeia-se um interventor, acabando com o controle operário e as históricas conquistas sociais que haviam sido realizadas. Como disse o Juiz que mandou acabar com a gestão dos trabalhadores, “imagine se a moda pega?”. O brutal golpe contra o Movimento das Fábricas Ocupadas não foi suficiente para destruir a perspectiva histórica da estatização sob con trole dos trabalhadores. A trincheira da Flaskô, em Sumaré/SP, aponta o caminho da resistência e da perspectiva socialista, mostrando que sem patrão, os trabalhadores conseguem realizar uma nova forma de gestão da produção, onde a prioridade são as conquistas sociais da classe e não o lucro e a propriedade privada, bases do capitalismo.

Em 12 de junho completam 8 anos da ocupação e controle operário na fábrica Flaskô. Diante da crise capitalista, e a decisão dos patrões de fechar a fábrica, os operários levantaram a cabeça e organizaram-se para manter a fábrica funcionando na luta em defesa dos empregos. Ocupando a fábrica e tomando seu controle.

Sem o patrão e a partir do controle operário, da democracia operária, foi reduzida a jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução nos salários. Sem o patrão, os operários, em conjunto com famílias da região, organizaram a ocupação do terreno da Fábrica e constroem hoje a Vila Operária e Popular com moradia para mais de 560 famílias. Sem o patrão, os operários reativaram um galpão abandonado e iniciaram o projeto “Fábrica de Cultura e Esporte”, com teatro, cinema, futebol, balé, dança, curso de desenhos e aulas de violão.

Desde o início os operários defenderam a estatização da fábrica sob controle dos trabalhadores diante das dívidas dos patrões com o estado. Desde o inicio os operários e operárias se somaram a luta do conjunto da classe trabalhadora. Defendendo a reforma agrária junto com os trabalhadores do campo, defendendo a luta pelas moradias com os operários na cidade, defendendo os direitos e a luta contra os patrões em dezenas e dezenas de fábricas. Defendendo os serviços públicos como saúde e educação junto ao povo e aos trabalhadores do setor publico.

Lutaram desde o inicio pela reestatização das ferrovias junto aos ferroviários, pela reestatização da Vale do Rio Doce e da Embraer, por uma Petrobrás 100% estatal. Os operários da Flaskô organizaram, junto ao Movimento das Fábricas Ocupadas em conjunto com os operários da Cipla e Interfibra 8 caravanas a Brasília para exigir a estatização da fábrica.

Os operários organizam conferencias, seminários, encontros nacionais e internacionais, além de manifestações por todo o Brasil sempre discutindo com sua classe os caminhos da luta. Hoje desenvolvem a Campanha para que a prefeitura Declare a Fábrica e toda a sua área de Interesse Social, dando um passo no caminho da desapropriação das propriedades do patrão para a sua definitiva estatização sob o controle dos trabalhadores.

A Vila Operária

A luta na fábrica ocupada Flaskô começou, como em todas as fábricas, como uma luta por melhores condições de trabalho e por salário. Foi assim que ocorreram várias greves principalmente na década de 1990. Já no começo dos anos 2000, frente a uma grande crise mundial, os patrões, mudaram a estratégia – sugaram o sangue que ainda havia na fábrica até a última gota já com a intenção de rapinar tudo que aqui havia e levar embora para acabar com o parque fabril. Então os trabalhadores se encontraram em uma situação nova, frente à ameaça de desemprego geral. Foi assim que tiveram também que forjar um instrumento de luta que nunca haviam usado: diante do fechamento da fábrica e não aceitando sair com uma mão na frente e outra atrás (com muitos direitos e salários atrasados) decidiram ocupar a fábrica, tomar seu controle e tocar a produção.

A partir do momento em que a fábrica foi ocupada muitas coisas mudaram. A luta na Flaskô ultrapassou os limites da fábrica, pois todos souberam logo que essa luta nunca será resolvida sem união com outros trabalhadores. Ao mesmo tempo a própria fábrica não é uma luta só dos que aqui trabalham.

Foi assim que em 2005, junto com trabalhadores sem-teto da região, uma parte que representa três quartos do terreno da Flaskô foi também ocupada e é onde hoje está erguida a Vila Operária e Popular, onde moram 560 famílias. Deste momento para cá, foram diversas mobilizações sempre em conjunto com a luta da fábrica, revindicando principalmente luz e água. A água foi uma recente conquista na qual o Governo se escondia atrás da imensa burocracia que se apresenta sempre que os pobres tem alguma demanda social. Mesmo assim, com muita mobilização, conquistamos para todo o município de Sumaré uma lei permitindo a prefeitura instalar rede de água em bairros ainda irregulares. Desde então já 4 bairros assim ganharam água. Mas ainda não acabaram as demandas, pois ainda há muita estrutura de que o bairro necessita – esgoto, asfalto, iluminação pública, etc.

Nestes seis anos a Vila Operária se ergueu rápida e solidamente. No entanto, toda esse bairro e essa vida nunca estarão em paz enquanto não se desapropriar a área e as moradias forem regularizadas. Soluções individuais desconsideram os companheiros e nunca resolvem. A única solução é a despropriação de todo o terreno seguindo os caminhos já provados por A+B que existem dentro da lei. Falta apenas vontade política. Desapropriação da Vila Operária e da Fábrica Ocupada Flaskô Já!!! Desapropriação também do bairro Pinheirinho em São José dos Campos, que passa por situação semelhante!

Fábrica de cultura

Além da Vila Operária e do parque fabril, a ocupação da Flaskô gerou também a Fábrica de Esporte e Cultura. É um grande galpão, onde antes funcionava parte da produção e onde hoje ocorrem diversas atividades como aulas de balé, de espanhol, de danças populares, de futebol, de tênis-de-mesa, de xadrez e dama, de teatro, de bateria, etc. Todas atividades são gratuitas. A nossa luta e reivindicação é que, para além da desapropriação do parque fábril e da Vila Operária, também seja feita a desapropriação da Fábrica de Cultura e Esportes transformando o galpão em um centro cultural público controlado pelos artistas, educadores e demais trabalhadores que ali atuam.

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Trabalhadores da Unicamp lutam por isonomia

Trabalhadores da Unicamp lutam por isonomia

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

Os trabalhadores da Unicamp estão em greve desde 18 de outubro lutando por isonomia com a USP (para ter o mesmo salário dos funcionários da USP). A MOBILIZAÇÃO cresce a cada dia.

No site do STU(Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp) www.stu.org.br, encontramos as palavras dos trabalhadores:

“Sabemos que há dinheiro em caixa, que o ICMS não para de crescer e que os gastos com as obras dentro da Unicamp estão a pleno vapor, então queremos nossa parte em forma de valorização do trabalhador: ISONOMIA JÁ!”

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Trabalhadores químicos em luta

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

Os trabalhadores do ramo químico em todo o país estão em campanha salarial. Mesmo com crescimentos gigantescos no faturamento e milhões em emprestimos do BNDES para o setor, a patronal pouco quer oferecer aos trabalhadores. A última informação fornecida pelo Sindicato dos Químicos Unificados fala em uma proposta de reposição da inflação e um aumento de 2%. O que significa muito pouco com a escalada dos preços nos alimentos. A cada dia, comida, aluguel e serviços básicos, como energia e telefone, estão mais caros. Este aumento não vai durar 2 ou 3 meses de inflação.

A verdadeira pauta para a categoria seria a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, mas parece que pouco se fez sobre a questão. É necessários ficar de olho. Porque as assembléias serão nos dias 12 e 13 de novembro, e se não tivermos aceitas nossas propostas temos que ampliar a luta.

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A Flaskô luta contra a injustiça do Poder Judiciário

A Flaskô luta contra a injustiça do Poder Judiciário

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

Mais uma vez a Flaskô sofre um ataque. Mais uma vez este ataque ocorre via Poder Judiciário. Já sofremos diversas tentativas claras de fechamento da fábrica ocupada.

Em 2003, quando o patrão abandonou a fábrica, a instabilidade e insegurança eram muito grandes. Os patrões quiseram fechar a fábrica, mas os trabalhadores se organizaram e garantiram a continuidade da produção e da defesa dos empregos. De lá para cá, foram mais de 200 leilões de máquinas, prejudicando a continuidade da Flaskô, tudo para pagar dívidas da época dos patrões. O Poder Judiciário iniciava a contradição de cobrar dos trabalhadores a responsabilidade pela sonegação fiscal dos patrões.

Em 2007, o maior golpe contra as ocupações de fábrica veio do Poder Judiciário, com o apoio de 150 Policiais Federais. A intervenção criminosa acabou com o controle operário nas fábricas Cipla e Interfibra, em Joinville/SC. Tentou-se destruir a Flaskô, mas esta conseguiu resistir e depois de 45 dias sem luz retomou a produção e seguiu como exemplo para a classe trabalhadora. É bom lembrar o que o juiz de Santa Catarina, aliado dos empresários, disse em 2007: “imagina se a moda pega?”. Isso mostra o medo da classe empresarial em relação as experiências de gestão dos trabalhadores sem patrão.

Na Flaskô, todos estão cientes de que a luta continua, pois justamente os interesses da classe trabalhadora são contrários aos dos capitalistas. O Estado é seu “comitê de negócios” e o Poder Judiciário é onde muitas de suas decisões são tomadas. Por isso, sabe-se que para garantir seus direitos os trabalhadores da Flaskô estarão nas ruas, pressionando junto com seus apoiadores, moradores da Vila Operária, da periferia de Sumaré, com sindicalistas, militantes do MST, do MTST e do MTD, para que as conquistas históricas realizadas a partir da Flaskô continuem.

Ato público contra leilões e penhoras de faturamento

No último dia 07 de outubro os trabalhadores da Flaskô estiveram num ato público no centro de Sumaré denunciando os ataques do Poder Judiciário. Desta vez, o ataque se deu com o início de mais um leilão de máquina da Flaskô, que caso seja arrematada, levará ao fechamento da fábrica, e o fim de todas as conquistas sociais, como a ocupação da Vila Operária e as atividades da Fábrica de Cultura e Esporte.

A dívida do processo em questão é de 1998, da época do patrão. A lei diz que a dívida deve ser cobrada de quem a fez. A gestão operária também explicou que junto com os leilões, as penhoras de faturamento são indevidas, pois já somam mais de 300%, e, neste caso, com base na lei, a Flaskô propôs diversas medidas para resolver a questão, para que os credores, entre eles o Estado, recebam as dívidas deixadas pelos patrões, seja via unificação das execuções fiscais*, seja com a desconstituição da personalidade jurídica*.

A Constituição Federal e as demais leis demonstram que os trabalhadores não podem pagar pelas dívidas dos patrões, ainda mais quando os trabalhadores não têm seu direito de defesa garantido. Quando é para se defender, os trabalhadores não são reconhecidos pela lei como legítimos representantes da Flaskô. Por outro lado, quando é para responsabilizar, criminalizar, a gestão operária é reconhecida pelos Juízes. Ora, tal contradição do Poder Judiciário não pode continuar!

Não há dúvidas de que o que é pedido pelos trabalhadores da Flaskô está na lei e por isso deve ser garantido. Não é esta a função do Poder Judiciário? A Flaskô estará em luta para fazer valer seus direitos e contará com o apoio de todos para que na prática suas conquistas sejam garantidas e assim avançar para a efetiva transformação social. Desta forma, seguem firmes contra o fechamento da Flaskô, dizendo “Juiz, vá cobrar as dívidas do patrão, leiloando sua fazenda e sua mansão!”

O que são:

Unificação das execuções fiscais?

Significa reunir todas as dívidas deixadas pelo patrão e pagar mensalmente uma porcentagem do faturamento da fábrica.

Desconsideração da personalidade jurídica?

Significa atingir os bens dos sócios da Flaskô que fizeram a dívida na época do patrão, ao invés de insistir em leiloar os bens da fábrica ou penhorar o faturamento da gestão dos trabalhadores.

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Com as novas regras impostas ao seguro-desemprego trabalhadores brasileiros sofrem mais um ataque

Com as novas regras impostas ao seguro-desemprego trabalhadores brasileiros sofrem mais um ataque

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

É verdade que o desemprego é o pior cenário para o trabalhador. É quando ele quer vender sua força de trabalho, mas não consegue. O que faz da situação tão grave não é a falta de trabalho, mas a necessidade de uma renda, que de outro modo o trabalhador não tem se não vendendo sua força de trabalho.

Com a desculpa de combater fraudes e agilizar o sistema de emprego, as novas regras impostas ao sistema de seguro-desemprego são apenas mais um ataque aos direitos dos trabalhadores. O Governo Federal determinou que para ter direito a esse benefício, o brasileiro precisa antes tentar encontrar um trabalho em pelo menos três empresas. No momento em que o trabalhador pede o seguro-desemprego, o nome e o perfil profissional constam automaticamente no cadastro do Sine, um cadastro online que contém vagas oferecidas por empresas e comércios locais.

O novo sistema já está funcionando no Piauí. Os dados serão cruzados e, se identificadas oportunidades, o trabalhador tem de fazer a entrevista sob pena de ficar sem o benefício. “Se, por duas vezes, o trabalhador for convocado para aquela vaga de emprego e não aparecer, sem justificativa, o seguro é cancelado”, explicou Paula Mazulo, da Superintendência Regional do Trabalho.

Para as novas formas de organização do trabalho, em que reinam as terceirizações, a flexibilização das leis trabalhistas e os contratos temporários, as novas regras do seguro-desemprego caem como uma luva. Se antes o trabalhador tinha ainda um refúgio no seguro desemprego como forma de, em muitos dos casos, não aceitar condições mais precárias e predatórias de exploração do trabalho, agora querem tirar dele até mesmo esse direito. Os patrões cavam o buraco cada vez mais fundo, e o governo empurra os trabalhadores para o abismo. As novas medidas do seguro-desemprego contribuem para a perda de direitos: cada vez mais contratos temporários, cada vez menos efetivos. Dessa forma gira a roleta brasileira. Se o Governo se mostra preocupado com as fraudes, por que não combate os contratos temporários permanentes?

Para onde vai a grana do FAT?

O FAT é o Fundo de Amparo ao Trabalhador. É de onde sai a grana para pagar o seguro-desemprego. O Governo diz que tomou essa decisão de impor novas regras para evitar as fraudes que aconteciam em todo o país. Mas a quem realmente servem estas reformas? Por acaso essa “economia com as fraudes” será revertida em mais direitos ou benefícios aos trabalhadores? Por acaso faz parte de um conjunto de medidas para aumento dos salários? Vemos que não. Recentemente, por exemplo, imensas quantias de dinheiro do FAT foram desviadas para ampliação da planta produtiva da empresa JBS (o maior frigorífico do planeta) em Lins-SP. Como divulgamos na edição passada, essa empresa é campeã em condições precárias de trabalho, acidentes graves e mutilações.

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Trabalhadores da Flaskô fazem ato em Sumaré contra novo ataque aos postos de trabalho

Trabalhadores da Flaskô fazem ato em Sumaré contra novo ataque aos postos de trabalho

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

Novamente a burguesia, agora representada pelo Poder Judiciário, atacou os trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô. Um novo leilão de máquinas da Flaskô se iniciou no dia 7 de outubro. Trata-se de um processo de 1998, ou seja, da gestão do patrão. Desta vez, iniciou-se um leilão virtual, on-line, o que reduz a capacidade de resistência dos trabalhadores para frear qualquer arremate, ainda mais que ele vai até o final do mês. “Essa máquina que está indo a leilão é fundamental para garantir a produção e manter os postos de trabalho”, nos contou Alexandre Mandl, advogado da fábrica Flaskô.

Trabalhadores exigem do judiciário que parem os leilões

O ato do dia 7 de outubro contou com a solidariedade do MST, MTST, Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp, estudantes, entre outros militantes apoiadores. Os trabalhadores paralisaram a principal avenida do centro de Sumaré. A bateria seguiu com os manifestantes que pararam o centro e a rua da prefeitura. “O prefeito também é responsável por esse ataque, pois não declarou a fábrica área de interesse social. Por isso estamos aqui na frente da prefeitura”, disse Pedro Santinho, coordenador do conselho da fábrica.

Pressionados pelo ato público, a Prefeitura acatou o pedido feito pelos trabalhadores da Flaskô e se manifestou, por escrito, contra qualquer tentativa de fechamento da fábrica, considerando a experiência da Flaskô “um exemplo de luta social e de grande importância para a cidade de Sumaré”. Dr. Buck, chefe da Procuradoria Geral do Município, representando o Prefeito Bacchim, ajudou a garantir uma reunião da comissão da Flaskô com o Diretor do Fórum, Dr. André Gonçalves Fernandes, marcada para o dia 11/10, terça-feira.

Após esta conquista junto à Prefeitura Municipal, os trabalhadores seguiram em direção ao Fórum. Lá chegando, se depararam com barreiras de policiais militares, incluindo 16 viaturas e o um bloqueio de dois quarteirões até chegar o Fórum. “Um absurdo, que mostra como os trabalhadores, quando organizados, são tratados”, falou um dos trabalhadores barrados. Isso não obstruiu a determinação do ato em defesa da Flaskô, que seguiu até a frente do Fórum. Os trabalhadores disseram que não permitirão qualquer arremate de uma máquina, pois isso levará ao fechamento da Flaskô, perdendo-se todas as conquistas sociais, não só da fábrica em si, mas da Vila Operária e do Projeto da Fábrica de Cultura e Esportes.

Nesse sentido, os trabalhadores da Flaskô explicaram que este leilão era só mais um dos ataques jurídicos que a fábrica vem sofrendo, e que esta situação precisa mudar. “A contradição é muito grande. Quando é para fazer nossa defesa, não somos considerados os responsáveis pela fábrica. Quando é para atacar, responsabilizar, criminalizar, a “Justiça” quer que os trabalhadores paguem a conta. O que não pode é continuar esta prática de dois pesos e duas medidas”, explicou Alexandre Mandl, advogado da fábrica ocupada Flaskô. Como exemplo, ele cita o próprio leilão deste dia, que se refere a um processo de 1998, ou seja, da gestão patronal, e ao fazer a defesa, os trabalhadores tiveram seu direito restringido, mas, por outro lado, eles é que irão pagar por esta dívida, por meio do possível arremate da máquina. “São mais de 200 processos em Sumaré, e a prática do Poder Judiciário tem sido esta. Os Juízes da cidade precisam mudar seu posicionamento, acatando nossos pedidos, que, vale dizer, estão todos baseados nas leis já existentes”, argumentou o advogado.

Por isso, o ato público insistiu para que o Diretor do Fórum e os demais juízes recebam uma comissão de trabalhadores da Flaskô para que parem com os ataques contra os trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô, compreendendo sua importância para a classe trabalhadora e popular, especialmente para a população de Sumaré. Apesar do pedido feito pelos presentes ao ato público, os Juízes não receberam os trabalhadores no dia, mas garantiram a realização da reunião marcada via intermediação da Prefeitura para o dia 11/10.

Por fim, os trabalhadores realizaram três protocolos judiciais, onde narram a situação contraditória do Poder Judiciário e a necessidade do atendimento das reivindicações da Flaskô. Mais tarde, o advogado conversou com os dois Juízes mais diretamente envolvidos, e ambos manifestaram interesse no prosseguimento do diálogo e na busca por uma solução da Flaskô.

Os trabalhadores da Flaskô exigem das autoridades judiciais que reconhecessem a experiência da fábrica como um exemplo prático da aplicação dos direitos constitucionalmente garantidos. Exigiram que fossem recebidos por uma comissão e tratasse dos seguintes pontos:

Contra os leilões de máquinas da Flaskô!

A fábrica ocupada Flaskô não pode fechar!

Pelo atendimento das reivindicações dos trabalhadores da Flaskô!

- Quem fez a dívida é o patrão! Juiz, vá leiloar sua mansão, sua fazenda e avião!

- Fim das penhoras de faturamento!

- Fim dos leilões on-line!

- Fim da criminalização dos trabalhadores da Flaskô!

- Pelo reconhecimento judicial definitivo da Associação dos Trabalhadores como gestora da Flaskô!

- Pela Unificação das Execuções Fiscais com o pagamento de uma porcentagem do faturamento!

- Pela aprovação do projeto de declaração de interesse social da área da Flaskô!

- Pela aprovação da proposta de projeto de lei de desapropriação de fábricas abandonadas!

- Pela estatização sob controle operário da Flaskô!

Cabe agora acompanhar, pressionar e lutar, para todas as reivindicações sejam atendidas.

Foto: Natasha Mota

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Trabalhadores da JBS Friboi sofrem mutilações nas máquinas da empresa

Trabalhadores da JBS Friboi sofrem mutilações nas máquinas da empresa

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

Era o dia 12 de novembro de 2002, Saturnino Vogado tinha 24 anos. Estava no final do expediente, por volta de 15 horas e 45 minutos. Ele havia começado a trabalhar às seis da manhã. A máquina não devia estar ligada, mas estava e começou a puxar. “Levou a minha perna e o meu corpo para o meio das ferragens. Gritei para o meu amigo Jeferson, mas ele estava mais nervoso que eu, paralisado. Os supervisores não estavam acompanhando o nosso trabalho. Nós não sabíamos como fazer aquilo parar. Fraturou meu fêmur, esmagou o joelho, quase me partiu ao meio…”

Para não ter de pagar a indenização pela irresponsável exposição do funcionário e fugir das suas obrigações com a incapacitação permanente, a JBS Friboi fez de tudo, denuncia Saturnino. “Inventaram que eu tinha feito curso, presenciado palestras, que estava plenamente qualificado para operar a máquina. Disseram até que eu era mecânico, embora não passasse de auxiliar de frigorífico”. Além disso, falaram para a imprensa que o acidente havia sido com um caminhão, no embarque, e até tentaram barrar a entrada dos bombeiros que vieram me socorrer. Buscavam encobrir a verdade, não queriam que vissem o que realmente aconteceu”.

Pai de dois filhos, Saturnino vive agora com um salário mínimo por mês e complementa a renda pintando portões para tentar complementar o orçamento.

Grana pública e mentira sem vergonha nas propagandas

A empresa JBS Friboi escreve na sua página “A JBS TEM como missão ser a melhor em tudo o que se propõe a fazer”, diz a página da “maior empresa em processamento de proteína animal do mundo”. Mas não comenta nada sobre as mutilações dos funcionários. Além disso, recebeu R$ 10 bilhões de dinheiro público do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), banco público brasileiro que ao invés de dar grana pros trabalhadores e cooperativas só libera verba para os grandes empresários.

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