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A Criminalização dos Movimentos Sociais

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

A violência contra os movimentos sociais vem se tornando cada vez mais corriqueira em nosso cenário e traduz com perfeição o crescente processo de criminalização dos movimentos sociais, resumindo-se na penalização da miséria.

A barbárie capitalista empurra cada vez mais a grande maioria da humanidade para a exclusão social. Como conseqüência, crescem os “sem teto”, os “sem emprego”, os “sem terra”. Incapaz de fornecer respostas no plano das políticas sociais para a desigualdade social, o Estado, sendo ele um instrumento de classe, oferece a esses setores marginalizados apenas o braço da repressão estatal, fortalecendo o controle social exercido pela classe dominante detentora dos meios de produção.

Nessa lógica de criminalização da pobreza, o Estado capitalista, voltado aos interesses da minoritária elite transnacional e brasileira, coloca os movimentos sociais em uma categoria de “perigosos”, em particular, os que acabam exercendo sua cidadania através de ações de enfrentamento à ordem legal estabelecida, exigindo novos mecanismos de controle social.

Tal processo de criminalização toma maior destaque com relação ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST. Porém, não podemos esquecer dos constantes ataques sofridos pelos movimentos sindicais, pelos militantes dos movimentos de luta pela moradia, pelo movimento estudantil, entre outros.

Não obstante os ataques contra os movimentos sociais fazem parte de um projeto maior da classe exploradora de criminalizar a pobreza. Lembremos das situações das nossas periferias, onde no Rio em especial, a população que mora nos morros sofre diariamente com as medidas de eliminação de “Lei e ordem”.

Ou ainda, das condições dos trabalhadores informais que lutam pela sobrevivência neste sistema opressor. Nesse caso, lembremos das prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro, que como em outras, governadas pela burguesia, vem fazendo uma verdadeira “limpeza social” na cidade, desalojando os moradores de ruas, e os ocupantes de áreas abandonadas, tudo em favor da “linda vista” que pretende proporcionar aos seus cidadãos endinheirados, e da especulação imobiliária, ainda mais em tempos “eufóricos” de Copa do Mundo e Olimpíadas.

Quanto ao Movimento das Fábricas Ocupadas, lembremos o que ocorreu nas fábricas Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, em 2007. Durante toda a gestão operária nas fábricas, os trabalhadores e os apoiadores da luta dos operários foram perseguidos por diversos setores, justamente por incomodar os capitalistas, já que desmascaram o sistema de exploração da força de trabalho existente neste sistema econômico. A fábrica Flaskô, em Sumaré/SP, que permanece sob gestão operária, continua sofrendo uma onda de repressão contra a perspectiva da estatização sob controle dos trabalhadores, criminalizando suas principais lideranças, com o objetivo de desmoralizar e conter um exemplo de resistência socialista.

O Estado capitalista, como instrumento de manutenção da ordem, não quer “deixar a moda pegar” (frase retirada da sentença que determinou a intervenção nas fábricas de Joinville). Essa “moda” refere-se ao exemplo que deram os trabalhadores dessas fábricas no sentido de demonstrarem a irrelevância dos patrões para gerir uma fábrica. Ao invés de punir os trabalhadores, o Estado deveria punir os empresários, que deixam milhares de trabalhadores desempregados e desfalcam os cofres públicos.

Assim, não podemos deixar de analisar que em decorrência do papel de classe que cumpre o Poder Legislativo, criando leis para impor as regras do jogo da dominação, o Poder Judiciário é um instrumento de sustentação dessa lógica conservadora, apontando para um endurecimento dos discursos da “lei e da ordem” como forma de contenção das massas empobrecidas, freando as lutas dos movimentos sociais. A ciência jurídica cria novos crimes, os adequa e estipula penas conforme os interesses que lhes convém, e a “Justiça” com seu critério punitivo selecionador, julga quem são os “criminosos”.

Sabe-se que a tática de criminalização dos movimentos sociais, utilizando-se do poder concentrador da mídia – observemos o papel da VEJA, por exemplo – , é gerar uma matriz de opinião na população, desqualificando a pauta dos movimentos induzindo ideologicamente à um pensamento único.

Desse modo, esses meios de comunicação tentam esconder da opinião pública o verdadeiro debate que pautam esses movimentos: o vergonhoso índice de concentração de terras; o direito legítimo ao trabalho; o direito à propriedade privada; a democratização da gestão do espaço público; o direito à saúde, educação e transporte gratuitos e de qualidade; e a garantia da dignidade da pessoa humana.

Como exemplo recente dessa estratégica dos detentores do poder, vimos o processo de criminalização sofrida pelas mulheres da Via Campesina, dos trabalhadores que ocuparam as ferrovias tomadas pela Vale do Rio Doce, dos companheiros do MST na fazenda grilada da Cutrale, dos estudantes da USP, dos militantes do MTST, da ocupação Dandara em BH, dos diversos interditos proibitórios às entidades sindicais, entre tantas outras. Primeiro se faz um campanha midiática contra os militantes, depois há a repressão policial, seguida da legitimação desta opressão por meio da ação judicial.

Portanto, cabe aos movimentos sociais denunciarem os aparatos de poder, que articulados, tentam coibir a luta da classe trabalhadora. Mas, nós sabemos, que a nossa luta vai para além da ordem capitalista, e, por isso, seremos combatidos. Sabemos quem são nossos inimigos. Nossa tarefa é lutar e apontar as contradições do Estado Burguês. A luta é de classes.

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Desapropriação já!

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

É HORA DE DESAPROPRIAR POR TERRA, TRABALHO E MORADIA!
É HORA DE OCUPAR AS TERRAS, CAMPO E TERRENOS
NAS CIDADES, AS FÁBRICAS FECHADAS E FALIDAS.

É HORA DE DESAPROPRIAR POR TERRA, TRABALHO E MORADIA!É HORA DE OCUPAR AS TERRAS, CAMPO E TERRENOS NAS CIDADES, AS FÁBRICAS FECHADAS E FALIDAS.

Nós, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), da fábrica sob o controle dos trabalhadores Flaskô e militantes sem terra de Campinas, realizamos no dia 12 de novembro um encontro no qual discutimos a necessidade de nos articularmos e organizarmos nossa luta conjunta dirigida ao governo federal no sentido de apontar as desapropriações como medidas urgentes de nossa pauta de luta.

A fábrica ocupada Flaskô está ocupada há 8 anos e os trabalhadores lutam para manter seus empregos. Têm sofrido diversos ataques por parte do Governo e da Justiça em função das dívidas deixadas pelos antigos patrões. Os trabalhadores têm mantido a fábrica aberta e em funcionamento, mas sob ataques cada dia maiores. Por isso é necessário que o Governo desaproprie a fábrica e a coloque sob o controle dos trabalhadores. É necessário que o governo desaproprie o terreno onde se construiu a Vila Operária regularizando as moradias. É necessário que o governo desaproprie os galpões da Fábrica de Cultura e Esporte consolidando um verdadeiro centro cultural público e sob o controle dos trabalhadores da arte e cultura. A desapropriação é a forma de reaver o que os patrões não pagaram, garantido os empregos, as moradias e a cultura.

Nas cidades, as ocupações Zumbi e Dandara do MTST mostram a disposição de luta dos trabalhadores por suas moradias, mas esbarram na falta de terrenos. É hora de acabar com a especulação imobiliária desapropriando terrenos para construção das moradias para as famílias. No campo é necessário desapropriar as terras para a Reforma Agrária popular e sob o controle dos trabalhadores.

Tarefas urgentes estão colocadas para os trabalhadores da cidade e do campo:

• No campo o governo não deu nenhum passo para a mínima aplicação da constituição, desapropriando as terras para a Reforma Agrária, e entrará para a história como não tendo realizado nenhum assentamento no primeiro ano de governo.

• Nas cidades as famílias não têm onde morar e pouco se fez no sentido de aplicar as leis, como o estatuto da cidade, que prevê a desapropriação de terras para a moradia de interesse social.

• Na fábrica ocupada Flaskô os ataques se ampliam por parte do governo e nenhuma medida concreta é adota no sentido de salvar os empregos.

• Nas fábricas prossegue o processo de ataques aos direitos dos trabalhadores, com terceirizações e fechamento de unidades produtivas, como resultado a internacionalização das empresas para os patrões ganharem bilhões, tudo com dinheiro público do BNDES.

• A criminalização dos trabalhadores na cidade e no campo a cada dia é maior. Não podemos aceitar as ameaças aos militantes, os processos criminais e mais do que isso os assassinatos que prosseguem.

Por isso, e sabendo que é necessário construir a unidade na luta, decidimos organizar um ato unitário no dia 08 de dezembro no MASP em São Paulo para apresentarmos nossa pauta de reivindicações.

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Movimentos exigem paralisação das obras da Usina Belo Monte

Movimentos exigem paralisação das obras da Usina Belo Monte

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

No dia 20 de agosto, em 15 cidades brasileiras e em mais algumas em outros países, grupos indígenas, movimentos sociais e organizações não-governamentais saíram às ruas para exigir a paralisação das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que está em curso no estado do Pará. Eles protestaram contra a obra que vai desalojar milhares de pessoas e trazer danos ambientais irreversíveis.

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Catadores protestam no centro de São Paulo

Catadores protestam no centro de São Paulo

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

No dia 27 de setembro, os trabalhadores das cooperativas de catadores de recicláveis de São Paulo voltaram a ocupar as ruas do centro para protestar contra o não cumprimento de acordos por parte da prefeitura.

Várias medidas tomadas pela prefeitura da cidade restringiram o espaço destas cooperativas. Um dos comunicados da manifestação de ontem alertava para o fato de, junto à venda do terreno onde funcionava a Cooperativa de Catadores da Granja Julieta e à recente ameaça de remoção da Cooperativa Sempre Verde, ambas atuantes na zona sul, estar ocorrendo a expulsão dos artesãos que trabalham na Praça Floriano Peixoto, a perseguição aos vendedores ambulantes do Pari e o tratamento cada vez mais truculento dado aos moradores de rua.

O ato se concentrou à frente do prédio da prefeitura e na Praça do Patriarca, se estendendo até o começo da noite com batuques e projeção de vídeo. O prefeito Gilberto Kassab, por sua vez, não aceitou sequer receber alguns representantes dos catadores.

Vários trabalhadores da Cooperativa Sempre Verde declararam que só querem trabalhar, mas a prefeitura dificulta a vida deles, privilegiando sempre os mais ricos e pouco se lixando pros trabalhadores pobres.

Fonte: Passa palavra e Rede Extremo Sul

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Marcha das Vadias reúne 500 pessoas no centro de Campinas

Marcha das Vadias reúne 500 pessoas no centro de Campinas

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

No dia 24 de setembro, sábado, no centro de Campinas, aconteceu a Marcha das Vadias. A marcha foi organizada por diversos coletivos de mulheres. Às 9 horas da manhã começou a aglomeração no Largo da Catedral. Faixas com os dizeres “Chega de violência sexual contra as mulheres”, “Meu corpo, minhas regras!”, “Não é não!”, entre outras, estavam expostas na praça.

Aos poucos, a praça estava lotada. Mulheres e homens pintavam cartazes e seus corpos. Panfletavam e conversavam entre si e com quem passava na rua 13 de Maio, a mais movimentada do comércio da cidade.

“A Marcha das Vadias passou o seu recado. Não podemos nos calar diante da violência contra a mulher, jamais. E juntas, somos mais fortes e agiremos até que todas sejamos livres”, afirmou o coletivo organizador do ato em seu blog http://marchavadiascampinas.wordpress.com/.

Por que Marcha das Vadias?

A primeira Marcha das Vadias aconteceu na cidade de Toronto, no Canadá, motivada pela palestra de um policial numa universidade. Esse policial afirmou que as mulheres deveriam se preocupar em não sair nas ruas se vestindo como uma Slut (palavra em inglês que quer dizer vadia) para não serem estupradas.

Diante desta declaração, as mulheres da cidade organizaram a primeira marcha, dizendo “o que quer que eu vista, onde quer que eu vá, sim significa sim, e não significa não”, para deixar claro que o estupro é sempre culpa do agressor, e não das peças de roupas, de certo modo de se comportar ou dos lugares que as mulheres circulam. Depois disso, graças a circulação na internet, foram organizadas centenas de marchas em diversas cidades do mundo. A primeira do Brasil foi em São Paulo no dia 4 de junho de 2011, espalhando-se por Belo Horizonte, Brasília, Recife, Natal, Rio de Janeiro, entre outras.

“Ao final, todas éramos Marias da Penha, todas éramos vadias e tiramos as blusas e sutiãs para mostrarmos que somos todas mulheres e queremos ser livres das opressões machistas, capitalistas, racistas, homofóbicas. E rolaram as lágrimas pela emoção da força coletiva mas também pela revolta e indignação diante da dor da violência sentida por todas nós mulheres, sentimentos compartilhados pelos que se indignam diante das opressões e do machismo”

Fonte: marchadasvadiascampinas.wordpress.com

Fotos: Cristina Beskow

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Crônica do trabalhador

Crônica do trabalhador

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

Companheiros e companheiras, vamos falar novamente como os trabalhadores podem ser oprimidos, massacrados, humilhados. Como sua honra, dignidade, pode ser pisada pelo patrão bandido e ladrão.

A minha, começa o relato em 2002 na Cipla. Quando estávamos todos os operários trabalhando na empresa de forma escrava, escrava por que: dois décimos terceiros atrasados e vencendo o 3º décimo terceiro, e você trabalhando cumprindo horário e esperando, porque esperança já não existia mais, pois junto com os décimos também existia seis meses de pagamento mensal atrasado, e você trabalhando cumprindo horário, enfim, produzindo numa situação insustentável.

Quando os trabalhadores resolveram se mexer… bom, seis meses a água já chegou na bunda, todos berravam, vamos fazer alguma coisa? O que? Bom chamar o sindicato que é o nosso representante. Engano, porque fomos descobrir que ele é representante do patrão, do capitalismo, apesar de ser pago pelo trabalhador e comprado pelo patrão.

Depois de algumas tentativas: cadê o sindicato? Cadê nosso representante? Só tem um jeito, vamos por nossa conta. Paramos por 24 horas e a conta foi alta, 95 companheiros demitidos. Bom, voltamos a trabalhar lamentando as demissões numa situação de humilhação e sem saber para onde correr, e maior ainda era a humilhação de ter uma lista para sorteio para receber um valor quando fosse sorteado, e quando era sorteado, o valor que recebia era a fortuna de 30 reais, um bujão de gás custava 29 reais, e assim você chegava em casa com todo esse dinheiro no bolso, sua família o esperava na porta da casa para ver um homem chegando humilhado, rebaixado e tendo no bolso um salário de 30 reais. Você teria coragem de encará-los? Eu não. Foi onde que um companheiro demitido começou a desfilar no portão da empresa com um nariz de palhaço, sendo motivo de riso de algumas pessoas e tristeza de outras.

Mas… valeu companheiro. Pois você sozinho mostrou que vale a pena lutar mesmo sem bandeira ou apoio. Pois você sozinho chamou a atenção de uma cidade, e dentro desta cidade ainda existiam companheiros de luta, luta pelos oprimidos, pelos trabalhadores que o capitalismo tentava calar e transformar em escravos. Onde na marra conseguiu envolver um sindicato pelego e traidor pago pelos patrões bandidos.

Após uma reunião no sindicato decidimos ir ao último comício do “companheiro” Lula em Florianópolis, sem dinheiro, com fome e sede, fizemos a segurança do “companheiro” e entregamos uma carta ao mesmo com um pedido de ajuda. Respondeu que iria nos ajudar, estamos esperando até hoje pela ajuda.

Agradeço aos companheiros Castro, Chico Lessa, Osvaldo, Evandro, Serge, que nos ensinaram que se pode lutar pelos direitos dos trabalhadores onde quer que esteja, e onde quer que você vá. Apesar das traições vale à pena lutar e mostrar que tem movimentos e organizações sérias e honestas.

Companheiros e companheiras, quem vos faz este relato é Caverna: ex-funcionário da Cipla, militante das Fábricas Ocupadas, Esquerda Marxista, funcionário da Flaskô.

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Qual o problema da educação no Brasil?

Qual o problema da educação no Brasil?

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

Desde muitos anos a população brasileira encontra-se com uma enorme lacuna em seu desenvolvimento social: a educação. O combate ao analfabetismo e a boa qualidade do ensino é uma das maiores discussões pautadas em reuniões políticas e até mesmo pelos próprios cidadãos. Mas se ela é tão discutida será mesmo que a educação está tão ruim?

A resposta a essa e outras várias perguntas à cerca da educação do brasileiro é muito fácil de responder , basta vermos as estatísticas de exames e avaliações mundiais da educação. O Brasil se encontra hoje entre os dez países que possuem mais analfabetos no mundo, e segundo essa mesma estatística o Brasil possui mais analfabetos do que países que possuem uma economia inferior à brasileira, como Marrocos e Indonésia, por exemplo. Entretanto existem dois tipos de analfabetos, os que não sabem ler e escrever e os funcionais, que são aqueles que ao lerem textos considerados simples não conseguem ter uma clara interpretação. Nos últimos exames internacionais feitos chegou-se à conclusão de que somos o pior país em matemática da América Latina e nossos jovens e adolescentes não analfabetos funcionais.

Com algumas reformas educacionais feitas por alguns governos, o Brasil vem lutando pela universalização da educação fundamental entre todos os brasileiros, entretanto há duas grandes polêmicas: a qualidade do ensino público para o privado e o alcance desigual a outros níveis de educação. Os níveis fundamentais da educação estão sendo – de maneira desqualificada – alcançados, entretanto a passagem desse nível para o médio e depois para o superior é ainda o grande problema, pois aqueles que tiveram uma educação de maior qualidade e assistida de maneira a progredir o aluno terão melhores oportunidades. Se analisarmos outras estatísticas veremos que as desigualdades não estão apenas na qualidade (ou falta dela) do ensino, mas também entre negros, brancos e índios, homens e mulheres, há um desnivelamento da oportunidade ao melhor ensino.

Poderíamos dizer que o Brasil vem investido mais e mais no ensino, que os projetos federais representam uma busca por melhoramento condicional e normativo da qualidade do ensino, assim como a “distribuição” igualitária desse serviço, entretanto isso não é a verdade, o Brasil vem promovendo uma série de ataques ao ensino público, salvando os empresários da educação e enganando a população com um falso crescimento, um grande exemplo disso é o próprio ProUni criado pelo governo petista.

A solução, única, para a salvação da educação brasileira é uma total reformulação no que aí está, é deixar de tratar a educação como uma mercadoria lucrativa e passarmos a tratá-la como um serviço de necessidade popular pela unificação do ensino de forma pública e gratuita afim de abastecer a todos de forma igual sem restrições, mas para isso há a necessidade da luta, não apenas por parte dos educadores, mas também de toda população trabalhadora.

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Moradores do Morro do Turano se rebelam contra a UPP (RJ)

Moradores do Morro do Turano se rebelam contra a UPP (RJ)

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

O Morro do Turano, na zona norte do Rio de Janeiro, foi a 12ª favela da cidade a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora. Exatamente um ano após o início da militarização, a realidade dos habitantes do Turano é bem diferente do que divulga os jornais da grande mídia(Globo, SBT, Record). A revolta dos moradores com os abusos cometidos todos os dias por PMs da UPP teve seu estopim no dia 14 agosto, durante uma comemoração do dia dos pais na quadra poliesportiva da Arraia, no alto da favela. Na ocasião, policiais tentaram interromper o evento a força. Revoltados, cerca de 100 moradores iniciaram um combativo confronto com os PMs, que terminou com 13 moradores presos e quatro feridos.

Um dos moradores que testemunharam o confronto, o comerciante André dos Santos diz que, há tempos, é perseguido por PMs por não aceitar os desmandos da UPP na favela.

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Loja Zara utiliza mão-de-obra escrava no Brasil

Loja Zara utiliza mão-de-obra escrava no Brasil

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

A escravidão atual consiste em uma exploração mais sutil, porém tão perversa (ou mais) do que a escravidão da época do Brasil colonial. A nova escravidão se caracteriza pela negação ao trabalhador de sua condição humana. Essa forma de trabalho é utilizada em diversas regiões e circunstâncias como parte integrante e instrumento do capital.

Em geral associamos essa espécie de trabalho ao campo, onde o acesso dos trabalhadores aos seus direitos é mais limitado. No entanto, temos visto com freqüência operações do Ministério do Trabalho e Emprego para lacrar empresas e resgatar trabalhadores em condições de escravidão também no meio urbano. É o caso dos trabalhadores da construção civil e das indústrias de roupas, essas últimas normalmente utilizam-se de mão de obra estrangeira, provenientes de países mais pobres (bolivianos, paraguaios, peruanos etc.).

Recentemente uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego constatou que a famosa loja de roupas Zara utilizava-se de mão de obra escrava. Na cidade de Americana/SP e no centro de São Paulo foram resgatados diversos trabalhadores, a maioria deles bolivianos, que trabalhavam em situação análoga à escravidão, confeccionando as roupas para a loja. O quadro encontrado pelos agentes do poder público, incluía contratações completamente ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16h diárias e cerceamento de liberdade (seja pela cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários, seja pela proibição de deixar o local de trabalho sem prévia autorização).

As vítimas são aliciadas nos seus países de origem (Bolívia e Peru) e vêm ao Brasil em busca de melhores condições de vida. Quando chegam ao Brasil, os trabalhadores e as trabalhadoras têm que trabalhar meses sem receber um centavo para pagar a dívida com os gastos de sua vinda ao país.

Durante a operação, auditores fiscais apreenderam cadernos com anotações de dívidas referentes à “passagem” e a “documentos”, além de “vales” que faziam com que o empregado aumentasse ainda mais a sua dívida. Os cadernos mostram que os salários pagos eram bem menores que um salário mínimo. Por outro lado, a Zara paga às traballhadoras R$ 2,00 por uma blusa, enquanto a mesma peça é vendida nas lojas por R$ 140!

Foram lavrados 52 autos de infração contra a Zara devido às irregularidades nas duas oficinas. A fiscalização lacrou a produção e apreendeu parte das peças, incluindo a peça piloto da marca Zara. As máquinas de costura também foram interditadas por não oferecerem segurança aos trabalhadores.

Vale lembrar que ano passado a Loja Marisa também foi flagrada com a utilização de mão de obra escrava em situação semelhante à apresentada acima. E mais, esse ano diversas construtoras foram autuadas pela situação precária de seus trabalhadores, o que abrange tanto a construção civil, quanto as obras de hidrelétricas.

Transformações sociais mais profundas do que a modificação de normas jurídicas é o norte a ser seguido. A luta é difícil, mas temos que começar e nos mover através da esperança, não a esperança tela dos comerciais de televisão e das campanhas governamentais que vendem um novo Brasil para o velho Brasil, mas sim a esperança das ações construtivas e efetivas.

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Relato de uma vítima de estupro em Barão Geraldo

Relato de uma vítima de estupro em Barão Geraldo

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

“Sou uma vítima de estupro. Sou filha de uma mulher que quase foi estuprada. Irmã de um homossexual que poderia ser agredido a qualquer momento. O que existe de comum? A incapacidade da sociedade aceitar que o respeito não é algo que se constrói, mas um direito fundamental. De que nosso corpo e nossa sexualidade dizem respeito somente a nós.

Fui a terceira estuprada em menos de uma semana em Barão Geraldo. No dia, a blusa de lã, sapatos fechados e calça jeans contradisseram ao velho discurso da “vadia” que pede por seu assédio. Para ser estuprada, basta ser mulher, independente do juízo de valor.

Assalto seguido de estupro. Fui obrigada a fazer sexo oral, o que me valeu alguns comentários dizendo que podia ser pior. Não há nada pior do que o domínio atroz de seu corpo.

Assim que saí de lá e cheguei ao meu destino inicial, havia um carro da polícia querendo impedir a festa de uma república acontecer. Carro este que chegou a passar na rua enquanto meu orgulho de ser mulher era destruído por um desconhecido. A ronda policial em Barão tem apenas um objetivo: estabelecer o toque de recolher aos estudantes para que juízes, delegados, professores universitários e empresários sintam o distrito como uma grande fazenda, sem barulho, sem nada. A segurança das pessoas está e sempre esteve em segundo plano, já não é uma novidade.

A delegacia que funciona em horário comercial (porque crimes só acontecem neste período), não pôde fazer meu B.O. Já a escrivã do quarto DP quase me convenceu de que era eu a culpada, teve de ligar no celular do delegado para confirmar se registrava estupro ou não. E a delegacia da mulher torceu para que eu arquivasse o caso.

No CAISM, mais de quinze injeções e remédios contra a AIDS que me deram efeitos colaterais por 28 dias…

A militante que eu era estava enterrada na culpa de existir, na vontade de abandonar tudo, no medo da ameaças, no “podia ser pior”.

Em casa, depois de muito tentar entender meu total desânimo, fui lembrando de todos os fatos históricos que incluíram mulheres, de todas as revoluções que foram conquistadas pela participação ativa feminina. Pude alimentar ainda mais o ódio por ouvir absurdos como o do bispo Bergonzini de que o estupro só ocorre pela permissão da mulher.

Conversei com pessoas estratégicas, quem poderia me ajudar de fato e logo fiquei sabendo das mobilizações que rolavam em Barão. Soube também das discussões sobre o “coloca ou não o telefone da delegacia no panfleto”, “se queremos ou não punição dos agressores”. Recebi a carta da ANEL (que aliás nunca se deu ao trabalho de saber as informações verdadeiras, inventou o dia, a situação e a descreveu como bem quis, deixando claro para mim que o que importava era “fingir” que algo era feito.)

Apesar de todo o descaso da polícia, ainda são eles que possuem as condições materiais necessárias para garantir as investigações e, no mínimo impedir que determinado estuprador continue agindo.

A punição tem que ser dada, não se trata apenas de um oprimido que rouba como forma de existir num sistema capitalista, mas de um agressor ao corpo da mulher, que as coloca em risco de vida, que as oprime pelo autoritarismo independente da classe. Defender que não tenham punição é estar ao lado dos estupradores.

Só me senti verdadeiramente segura quando vi o cartaz “Mexeu com uma Mexeu com todas”, porque acredito que a única forma das mulheres se defenderem da opressão e lutar por sua liberdade é se auto-organizando. E foi pela conscientização e ação política que pude me fortalecer, me reerguer, cerrar os pulsos e ter a certeza de que NINGUÉM TIRA MEU ORGULHO DE SER MULHER.

Façamos outras passeatas, nossa luta apenas começou!

Se usar a roupa que eu escolhi, andar no horário em que decidi, ou ser mulher me faz vadia. Vadia sou e exijo respeito!

Agradeço a todas as vadias que saíram nas ruas no dia 11.

Vítima número 3 do mês de julho.”

Casos como esse estão cada vez mais freqüentes em Barão Geraldo, a Polícia Militar e a Reitoria da Unicamp continuam sem se manifestar de maneira satisfatória para acabar com isso. Mulheres vêm se reunindo para organizar manifestações para cobrar das autoridades algum posicionamento perante esses estupros.

Para saber mais acesse:

marchavadiascampinas.wordpress.com/

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