Arquivo | Moradia

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OCUPAÇÃO: Única forma de conquistar moradia no Brasil

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

O Brasil tem quase 10 milhões de famílias sem-teto. Passam os anos e os governos continuam prometendo uma política habitacional séria. A última promessa é o Minha Casa, Minha Vida e suas 3 milhões de casas prometidas.

Mesmo que essas 3 milhões de casas fossem destinadas aos que mais precisam (trabalhadores com renda até 3 salários) não seriam suficiente para acabar com o déficit habitacional. O fato é que foram entregues menos de 300 mil casas populares em todo o Brasil.

A situação se agrava se pensarmos que todo o orçamento para habitação popular (exceto o MCMV) não passa de R$ 4 milhões, o que não dá pra construir nenhum conjunto habitacional!

Por isso, o MTST continua fazendo ocupações de terrenos urbanos em todo o Brasil. É através delas e das lutas que fazemos que os governos aprenderam a nos ouvir e não porque o governo tenha alguma intenção de realizar política habitacional.

No estado de São Paulo nos últimos anos fizemos mais de 10 ocupações de grandes terrenos que não serviam pra nada. Milhares de famílias voltaram a sonhar com sua moradia, agora conquistada na luta. Entendemos que a única forma de conquistar não é esperar e confiar em ninguém, mas arregaçar as mangas e ir pra luta contra quem nos impede de ter o que é nosso por direito!

Reivindicamos a desapropriação de todos os grandes terrenos vazios na cidade que servem apenas aos especuladores imobiliários! Queremos que esses terrenos sirvam de moradia para os trabalhadores e exigimos que a presidente Dilma atenda nossa reivindicação.

Desapropriar já! Por Terra, Trabalho e Moradia!

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Pinheirinho

Moradores da ocupação Pinheirinho sofrem ameaça de despejo e fazem manifestações

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

Os moradores da Ocupação Pinheirinho iniciaram no dia 24 de novembro um “manifesto vermelho” contra a tentativa de reintegração de posse por parte da juíza da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, Márcia Loureiro. Toda a área ocupada está coberta por bandeiras e faixas vermelhas, como forma de sinalizar que, se a Polícia Militar tentar retirar os moradores, haverá resistência.

A mobilização é em resposta à decisão da juíza para dar reintegração de posse à massa falida da Selecta S/A. A Selecta deve cerca de R$ 10 milhões em IPTU à Prefeitura de São José dos Campos e que esse tributo nunca foi pago. Os moradores do Pinheirinho defendem a desapropriação da área pela Prefeitura.

“O poder público não pode continuar fomentando esse impasse jurídico. No meio desse imbróglio, o povo será o único prejudicado. Para que esta história termine bem, tanto a Prefeitura quanto o Judiciário terão de parar de olhar somente para os interesses da Selecta”, afirma o coordenador do MUST, Valdir Martins de Souza, o Marrom.

A ocupação Pinheirinho existe desde 2004, tem 1843 famílias, em torno de 9000 pessoas.

Governo do Estado tentou intermediar negociação

Em meio ao impasse entre a Prefeitura de São José e as lideranças do Pinheirinho, o governo do Estado tenta intermediar no dia 29 de novembro um novo modelo para a regularização do acampamento.

Líder do acampamento, Valdir Martins, o Marron, está confiante. “O Estado e o governo federal estão dispostos a ajudar. A prefeitura é que está retardando o processo, mas há outros meios de regularizar”, disse.

Segundo ele, 70% dos moradores do Pinheirinho estão inscritos no programa habitacional de prefeitura.

“A prefeitura teria que ter encaminhado a inscrição no Cidade Legal. Queremos agilizar o processo para garantir a permanência das famílias no local”, afirmou.

Moção de solidariedade pede suspensão de desocupação

Como parte da mobilização contra a ameaça de desocupação, os moradores da Ocupação do Pinheirinho iniciaram uma campanha que pede a entidades sindicais e populares, bem como a organizações da sociedade civil de todo o país, o envio de moções de solidariedade.

A moção repudia a liminar de desocupação da Justiça e pede a imediata interferência do poder público para suspender a medida. O objetivo é que o maior número de entidades reencaminhem a nota para autoridades públicas, do Executivo, Legislativo e Judiciário.

“Queremos que todos saibam o quanto é insana e descabida a decisão da juíza Márcia Loureiro, contra cerca de 2 mil famílias e o mais grave, em meio ao processo de regularização da área pelos governos federal, estadual e municipal”, afirma um dos coordenadores do MUST (Movimento Urbano Sem Teto), Valdir Martins, o Marrom.

A iniciativa é uma das ações da campanha iniciada esta semana para impedir a ordem de desocupação. Na última segunda-feira, cerca de 500 moradores do Pinheirinho ocuparam a Prefeitura, para cobrar do prefeito Eduardo Cury que agilize a regularização da área, iniciada este ano.

“A nossa luta vai continuar para impedir que se tente cumprir essa decisão absurda. Uma desocupação seria a maior tragédia na história de São José dos Campos “, afirma Marrom.

Mais informações: solidariedadepinheirinho.blogspot.com

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Criminalização dos Sem Teto | SEM TETO COM VIDA

Criminalização dos Sem Teto | SEM TETO COM VIDA

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

Porque o papo é reto: sem casa e tiro no Sem Teto

Bilhões de pessoas no mundo estão privadas de uma habitação ou de condições mínimas para uma moradia digna. Essa característica revela o alcance da expropriação social do mundo globalizado da mercadoria, que lança seres humanos a um circuito de humilhações e sofrimentos, além de os expor a riscos de morte pela iminência de desmoronamentos, soterramentos, deslizamentos de encostas etc. No Brasil, o problema é crônico. Dados oficiais indicam o déficit de aproximadamente 6,3 milhões de moradias, contestado por muitos pesquisadores e pesquisadoras por não abarcar um quadro de degradação que é maior e mais amplo.

Mulheres e homens Sem Teto insurgem-se contra essa situação e descobrem que só um processo coletivo, organizado e diversificado de lutas possibilita erradicá-la. Com isso, passam a atuar como movimentos sociais, organizados politicamente. Essa atuação não contém apenas o clamor de reverter a precariedade material: de alguma maneira, agrega também a expectativa de participar da construção da vida cotidiana em outros termos, sem a expropriação do tempo, do espaço e das capacidades criativas.

Diante dessa atuação crítica dos Sem Teto, o sistema econômico e o aparato de poder revelam a barbárie enraizada. O papo é reto: sem casa e tiro no Sem Teto.

Destacamos, dentre vários, três fatos violentos envolvendo militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que motivaram a realização desta Campanha. Além do mais, está sendo elaborado um relatório, que apresentará outros fatos violentos e trará mais informações sobre os elencados neste manifesto.

No Amazonas, estado assolado pela grilagem, houve uma série de ameaças seguida de tentativas de homicídio ao companheiro Júlio César e a companheira Jóia, integrantes das coordenações estadual e nacional do Movimento. O companheiro Júlio sofreu sete atentados e encontra-se entre as trinta e uma pessoas listadas pela Comissão Pastoral da Terra, no estado, com ameaças de morte geradas da luta por terra ou moradia. Em virtude das ameaças, sua filha recém-nascida permanece escondida. A companheira Jóia foi ameaçada, com arma na cabeça, por policiais militares do Amazonas, que ocultaram a identificação.

Em Minas Gerais, no dia 14/06/2011, a companheira Elaine (uma das coordenadoras do MTST no estado de Minas) e sua filha Sofia (de apenas quatro anos) sofreram uma tentativa de homicídio. A menina Sofia só não foi morta porque a arma, apontada para sua cabeça, travou depois de três tentativas. Ao chegar desesperado ao local, o companheiro Lacerda, pai de Sofia, no momento da fuga com a menina foi alvo de disparos que não o atingiram. O comportamento da polícia de Minas Gerais diante do horror transcorrido figura como mais um exemplo da criminalização em curso da pobreza e dos Movimentos Populares, marcado pela seletividade racial. O companheiro Lacerda, vítima de tentativa de homicídio, foi colocado, momentaneamente, na posição de criminoso, por meio da acusação de porte de arma e desacato à autoridade. Alguns companheiros e companheiras que presenciaram o horror e a posterior atuação da autoridade policial sofreram, ainda, ameaças anônimas.

No Distrito Federal, o companheiro Edson, da coordenação nacional do MTST, teve sua casa invadida por dois homens, na noite de 6 de setembro, que dispararam 18 tiros. Um dos tiros atingiu o companheiro, de raspão. Meses antes, Edson sofreu um grave constrangimento institucional ao ser arrolado como testemunha de defesa num processo. Inicialmente, foi objeto de uma tentativa de ser conduzido a força para depor. Ao chegar no Fórum, sofreu pressões psicológicas. O episódio foi tão absurdo que o companheiro foi mantido no Fórum após o seu fechamento e ainda sob pressões; só foi retirado do local por causa da manifestação insistente do advogado, acionado por mensagem telefônica, enviada às escondidas. O estranho ocorrido figura como mais um exemplo da criminalização em curso da pobreza, dos Movimentos Populares, marcado pela seletividade racial.

Além dos fatos denunciados, é importante destacarmos o papel dos interditos proibitórios e tutelas inibitórias na criminalização das lutas dos Sem Teto. Esses mecanismos jurídicos já foram utilizados, por exemplo, nos municípios paulistas de Itapecerica da Serra, Taboão da Serra, Embu das Artes, Sumaré, Mauá para coibir o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto de se reunir em espaços públicos e prédios dos municípios.

Ante o exposto, SEM TETO COM VIDA!

A Vida Por Um Fio

“Durante a noite do dia 6 de setembro, dois homens armados invadiram a casa de Edson Francisco, membro da coordenação nacional do MTST em Brazlândia – DF. Os homens arrombaram o portão, entraram na casa e dispararam vários tiros contra Edson que conseguiu fugir sem ferimentos graves.”. Assim a coordenação do MTST denuncia mais um ataque àqueles que levam a vida por um fio.

Pode-se morrer a qualquer momento pelas más condições de vida e/ou de trabalho (ou pela da falta dele), causas disfarçadas nos atestados de óbito sob o registro de doenças infectocontagiosas, típicas daquelas condições, ou por causas externas, nome genérico para designar a violência que afeta mais as pessoas que vivem na insalubridade urbana e envergam o peso da construção da pujante riqueza dessa máquina de crescimento, que é a cidade capitalista, sem dela desfrutar; mas também se morre por ousar lutar contra tais condições, é o recado que os atiradores queriam dar aos que lutam com o cadáver que, felizmente, não conseguiram fazer de Edson.

Um dos efeitos ideológicos mais perniciosos das décadas de neoliberalismo foi a naturalização da pobreza; esta, que nas décadas de 1970 e 1980 provocava indignação moral e política e mobilizava a luta contra a ditadura porque ninguém duvidava que suas causas eram sociais. Havia, portanto, que mudar a sociedade.

Entretanto, uma nova abordagem da pobreza, cultivada em certos círculos supostamente esclarecidos, deslocou do modelo social para o desempenho individual o debate sobre as causas da pobreza e, com isso, passou-se a apregoar como tratamento para o problema a caridade pública ou privada.

A individualização da pobreza abriu uma larga vereda onde vicejou o culto ao indivíduo apto à competição no mercado e, figura complementar, o indivíduo disponível para o trabalho de preparação dos inaptos para a competição, a que se deu o nome de inclusão social. A isto se reduziu o sentido de solidariedade. Neste clima ideológico, a luta contra as causas sociais da pobreza passou a ser apresentada como geradora de violência, como se não fosse violência a pobreza, e cruel, pois negação cotidiana dos direitos humanos básicos por um ente sem rosto, o modelo social, que não pode ser interpelado judicialmente, só politicamente.

Mas como este aspecto da pobreza é obscurecido, atentados contra militantes, como o que abre este artigo, adquire a aparência de consequência natural a que se expõem aqueles que escolhem o caminho errado para lutar contra a pobreza; sentido sub-repticiamente transmitido pela nova abordagem da pobreza.

Interditado o caminho da luta política contra as causas sociais da pobreza, está aberto o espaço para o Estado democrático de exceção, expresso, sobretudo, na complacência do Estado com os autores desses atentados, do que dá mostra o número de assassinatos de trabalhadores no campo desde 1985 (1.186 casos com 1.580 vítimas) em contraste com o de condenações (92 casos julgados, 21 mandantes e 74 executores condenados), e na ação ilegal de forças policiais contra acampamentos, como ocorrido no dia 12/09/11, em Americana, no interior de São Paulo.

Nisso consiste o Estado democrático de exceção: complacência com as milícias privadas, com as ações de provocação das forças oficiais e judicialização da política, até que todos se acostumem com a redução de seus direitos políticos e civis à regulação pelo código penal, e a exceção se torne a regra, se já não o é.

Jair Pinheiro, professor da Unesp/Marília

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MTST: Luta de casa pro povo do Brasil

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

No Brasil faltam 8 milhões de residências para as famílias que não possuem casa própria, vivem de favor ou de aluguel! Sendo que nós temos 7 milhões de casas e apartamentos vazios!

Sabe o que isso significa?

Que é mentira que falta terreno e casa pro povo brasileiro!

O que falta é uma política pública que torne essas casas e terrenos moradia para os trabalhadores!

Isso é desapropriação! Mas não a desapropriação que fazem todo dia com os pobres: despejos, demissões e precarizações dos nossos direitos! Desapropriação para diminuir a desigualdade social.

O MTST acredita que a única forma de garantir moradia ao povo é através da mudança desse sistema que os governantes e os patrões tanto gostam e querem deixar como está (ou pior). Por isso fazemos lutas e estamos aqui desafiando o poder do Estado pela nossa dignidade!

O povo gosta de esporte, mas com certeza não quer ser despejado por causa dele! E é isso que a Copa do Mundo e as olimpíadas vão trazer: 1 milhão de despejos! Tirar a gente da nossa casa pra construir hotel pros estrangeiros virem, é mole?

O MTST faz luta no Brasil todo pela reforma urbana, contra os patrões e sem maracutaia com os governantes. Acredita na luta do povo! Não dá pra se aliar com governantes (sendo do PT ou do PSDB) que dizem que querem dar casa pro povo, mas fazem mesmo é acerto com as grandes construtoras! Tem uma, muito rica, que recebe terreno e incentivo dos governantes pra construir muita coisa da copa. O nome dessa empresa é Odebretch e ela sim vai faturar muito dinheiro com a Copa do Mundo. Vai construir 4 estádios pra Copa (inclusive o Itaquerão!)

Na busca pela moradia popular e pelas conquistas de nós, trabalhadores, é preciso estar atento e sempre disposto a lutar! É isso que o MTST acredita!

MTST! A luta é pra valer!

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História da Ocupação Dandara do MTST, em Hortolândia

História da Ocupação Dandara do MTST, em Hortolândia

Escrito em 09 dezembro 2011 por admin

A ocupação

No dia 13 de agosto o MTST ocupou uma área abandonada no Jd. Minda e, desde então organizou uma das maiores ocupações que a cidade já teve, com 800 famílias. O MTST reivindica o direito básico à moradia.

A justiça, como de costume, demonstrou priorizar a propriedade privada sem função social em relação à vida de milhares de homens e mulheres. Cerca de 20 mil famílias não tem onde morar em Hortolândia.

O descaso da prefeitura

O movimento exigiu que o prefeito Ângelo Perugini negociasse uma solução para essas famílias. Tentou por várias oportunidades marcar uma reunião com o prefeito, por meio de seu secretário de habitação, mas esta nunca aconteceu.

No dia 30 de agosto, cerca de mil trabalhadores da ocupação Dandara organizada pelo MTST realizaram na manhã uma manifestação no prédio da prefeitura municipal de Hortolândia.

As famílias da ocupação Dandara do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) acamparam durante 4 dias em frente à prefeitura de Hortolândia. Exigiam da prefeitura que resolvesse o problema de moradia das 800 famílias do acampamento e dessem uma solução provisória em caso de despejo.

O prefeito recebeu as famílias no dia 26 de setembro. Nessa reunião o prefeito não atendeu nenhuma das reivindicações. Apenas disse que faria o cadastro das famílias. Também tentou negociar com cada família em particular, tentando tirar a legitimidade do movimento.

Prefeitura de Hortolândia mentiu e difamou MTST

A prefeitura de Hortolândia usou dinheiro público para atacar e difamar o MTST. Fez um panfleto e distribuiu na cidade atacando o movimento. O panfleto dizia que a maioria das famílias do acampamento Dandara não é de Hortolândia. Mentira da prefeitura.

Panfleto tentou enganar população de Hortolândia

O panfleto feito pela prefeitura de Hortolândia teve a intenção de jogar as famílias que estão no cadastro da prefeitura por moradia contra as famílias do MTST. Essa é uma mais uma tentativa do poder público de dividir as famílias e poder enrolar mais a entrega das casas.

Movimento esclareceu população no ato do dia 4 de outubro

O MTST deixou claro que a prefeitura de Hortolândia rompeu com um acordo feito há mais de dois anos com 235 famílias de Hortolândia cadastradas, que estavam acampadas no Zumbi dos Palmares, em Sumaré. A prefeitura também enganou o movimento, pegando nome dos coordenadores e acampados e entregando para os proprietários, para mover processos.

“As famílias da ocupação Dandara não são vândalas, elas estão revoltadas pelo descaso por parte da prefeitura. O direito a moradia e a manifestação está na Constituição Brasileira, por isso continuaremos”, dizia um material entregue pelo movimento à população de Hortolândia.

Faltam 20 mil moradias em Hortolândia

A prefeitura de Hortolândia construiu apenas 1000 casas no últimos sete anos. Prometeu construir 7000 casas, mas não cumpriu. “Se a prefeitura abandonou seu povo, nós do MTST continuaremos lutando. Até a vitória!”, disse o vídeo do movimento no site www.mtst.org.

À população de Hortolândia

Desde 13 de agosto, centenas de famílias ocuparam o terreno abandonado no Jardim Minda em Hortolândia, construindo ali um espaço concreto de luta e resistência frente à opressão diária ao trabalhador que reside na periferia urbana Brasileira.

Após dois meses de Dandara, a polícia invadiu na segunda-feira (24/10) de madrugada com centenas de viaturas a ocupação, para realizar um despejo surpresa.

Trata-se de mais um dos inúmeros ataques ao povo brasileiro, representado aí por mais de 800 famílias que ali depositam esperança na luta por moradia e vida dignas.

A luta deve prosseguir e a resistência será fundamental para a vitória das famílias.

OCUPAR! RESISTIR! E MORAR AQUI!

MTST! A LUTA É PRA VALER!

Os moradores do acampamento Dandara receberam a solidariedade dos trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô e estão acampados em um galpão da fábrica, em Sumaré.

Depoimento de moradora do Dandara

Neste galpão, enquanto acontecia a aula de desenho com as crianças (realizada pelo setor de cultura da fábrica ocupada), na quarta feira, 26 de outubro, o Jornal Atenção escutou o depoimento de Lenilza, 55 anos, moradora da ocupação Dandara:

“Tava muito difícil a vida que eu tava levando. Meu marido ganha mil e cem reais e a gente pagava quinhentos reais de aluguel. Eu tenho 3 filhos desempregados e uma neta, tomo dois remédios pra osteoporose, e a vida que a gente levava pagando aluguel era muito dura, o dinheiro não dava, a gente abria a geladeira e tava vazia, passava fome mesmo.

Depois que entrei pro movimento, pro MTST, parei de pagar aluguel e nunca mais passei fome. Por isso vou com o movimento onde ele for. O MTST mudou minha vida.”

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Após despejo, MTST recebe solidariedade da Flaskô

Após despejo, MTST recebe solidariedade da Flaskô

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

Os moradores do acampamento Dandara receberam a solidariedade dos trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô e estão acampados em um galpão da fábrica, em Sumaré

Carta do MTST a população de Hortolândia após o despejo da ocupação Dandara

À população de Hortolândia

Desde 13 de agosto, centenas de famílias ocuparam o terreno abandonado no Jardim Minda em Hortolândia, construindo ali um espaço concreto de luta e resistência frente à opressão diária ao trabalhador que reside na periferia urbana Brasileira.

Após dois meses de Dandara, a polícia invadiu na segunda-feira (24/10) de madrugada com centenas de viaturas a ocupação, para realizar um despejo surpresa.

Trata-se de mais um dos inúmeros ataques ao povo brasileiro, representado aí por mais de 800 famílias que ali depositam esperança na luta por moradia e vida dignas.

A luta deve prosseguir e a resistência será fundamental para a vitória das famílias.

OCUPAR! RESISTIR! E MORAR AQUI!

MTST! A LUTA É PRA VALER!

Depoimento de moradora do Dandara

Neste galpão, enquanto acontecia a aula de desenho com as crianças (realizada pelo setor de cultura da fábrica ocupada), na quarta feira, 26 de outubro, o Jornal Atenção escutou o depoimento de Lenilza, 55 anos, moradora da ocupação Dandara:

“Tava muito difícil a vida que eu tava levando. Meu marido ganha mil e cem reais e a gente pagava quinhentos reais de aluguel. Eu tenho 3 filhos desempregados e uma neta, tomo dois remédios pra osteoporose, e a vida que a gente levava pagando aluguel era muito dura, o dinheiro não dava, a gente abria a geladeira e tava vazia, passava fome mesmo.

Depois que entrei pro movimento, pro MTST, parei de pagar aluguel e nunca mais passei fome. Por isso vou com o movimento onde ele for. O MTST mudou minha vida.”

Sem Teto com vida

Bilhões de pessoas no mundo estão privadas de uma habitação ou de condições mínimas para uma moradia digna. Essa característica revela o alcance da expropriação social do mundo globalizado da mercadoria, que lança seres humanos a um circuito de humilhações e sofrimentos, além de os expor a riscos de morte pela iminência de desmoronamentos, soterramentos, deslizamentos de encostas etc. No Brasil, o problema é crônico. Dados oficiais indicam o déficit de aproximadamente 6,3 milhões de moradias, contestado por muitos pesquisadores e pesquisadoras por não abarcar um quadro de degradação que é maior e mais amplo.

Mulheres e homens Sem Teto insurgem-se contra essa situação e descobrem que só um processo coletivo, organizado e diversificado de lutas possibilita erradicá-la. Com isso, passam a atuar como movimentos sociais, organizados politicamente. Essa atuação não contém apenas o clamor de reverter a precariedade material: de alguma maneira, agrega também a expectativa de participar da construção da vida cotidiana em outros termos, sem a expropriação do tempo, do espaço e das capacidades criativas.

Diante dessa atuação crítica dos Sem Teto, o sistema econômico e o aparato de poder revelam a barbárie enraizada. O papo é reto: sem casa e tiro no Sem Teto.

Destacamos, dentre vários, três fatos violentos envolvendo militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que motivaram a realização desta Campanha. Além do mais, está sendo elaborado um relatório, que apresentará outros fatos violentos e trará mais informações sobre os elencados neste manifesto.

No Amazonas, estado assolado pela grilagem, houve uma série de ameaças seguida de tentativas de homicídio ao companheiro Júlio César e a companheira Jóia, integrantes das coordenações estadual e nacional do Movimento. O companheiro Júlio sofreu sete atentados e encontra-se entre as trinta e uma pessoas listadas pela Comissão Pastoral da Terra, no estado, com ameaças de morte geradas da luta por terra ou moradia. Em virtude das ameaças, sua filha recém-nascida permanece escondida. A companheira Jóia foi ameaçada, com arma na cabeça, por policiais militares do Amazonas, que ocultaram a identificação.

Em Minas Gerais, no dia 14/06/2011, a companheira Elaine (uma das coordenadoras do MTST no estado de Minas) e sua filha Sofia (de apenas quatro anos) sofreram uma tentativa de homicídio. A menina Sofia só não foi morta porque a arma, apontada para sua cabeça, travou depois de três tentativas. Ao chegar desesperado ao local, o companheiro Lacerda, pai de Sofia, no momento da fuga com a menina foi alvo de disparos que não o atingiram. O comportamento da polícia de Minas Gerais diante do horror transcorrido figura como mais um exemplo da criminalização em curso da pobreza e dos Movimentos Populares, marcado pela seletividade racial. O companheiro Lacerda, vítima de tentativa de homicídio, foi colocado, momentaneamente, na posição de criminoso, por meio da acusação de porte de arma e desacato à autoridade. Alguns companheiros e companheiras que presenciaram o horror e a posterior atuação da autoridade policial sofreram, ainda, ameaças anônimas.

No Distrito Federal, o companheiro Edson, da coordenação nacional do MTST, teve sua casa invadida por dois homens, na noite de 6 de setembro, que dispararam 18 tiros. Um dos tiros atingiu o companheiro, de raspão. Meses antes, Edson sofreu um grave constrangimento institucional ao ser arrolado como testemunha de defesa num processo. Inicialmente, foi objeto de uma tentativa de ser conduzido a força para depor. Ao chegar no Fórum, sofreu pressões psicológicas. O episódio foi tão absurdo que o companheiro foi mantido no Fórum após o seu fechamento e ainda sob pressões; só foi retirado do local por causa da manifestação insistente do advogado, acionado por mensagem telefônica, enviada às escondidas. O estranho ocorrido figura como mais um exemplo da criminalização em curso da pobreza, dos Movimentos Populares, marcado pela seletividade racial.

Além dos fatos denunciados, é importante destacarmos o papel dos interditos proibitórios e tutelas inibitórias na criminalização das lutas dos Sem Teto. Esses mecanismos jurídicos já foram utilizados, por exemplo, nos municípios paulistas de Itapecerica da Serra, Taboão da Serra, Embu das Artes, Sumaré, Mauá para coibir o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto de se reunir em espaços públicos e prédios dos municípios.

Ante o exposto, sem teto com vida.

Participem das atividades da nossa Campanha (a serem divulgadas), cujo início acontecerá no dia 4 de outubro de 2011, com um ato público no Senado Federal (Plenário 2, Ala Senador Nilo Coelho), às 9 h. Pedimos que assinem nosso manifesto!

MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TETO (MTST) E RESISTÊNCIA URBANA FRENTE NACIONAL DE MOVIMENTOS.

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Entrevista: Tânia Gomes fala  sobre a água na Vila Operária

Entrevista: Tânia Gomes fala sobre a água na Vila Operária

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

O Jornal Atenção entrevistou Tânia Gomes de Lucena, moradora da Vila Operária e Popular e trabalhadora da Flaskô.

JORNAL ATENÇÃO – Em que ano começou a trabalhar na Flaskô? Qual função exerce na fábrica?

TÂNIA – Foi no dia 1 de Abril de 1993. Comecei como Ajudante de Produção e depois passei a ser Operadora de Máquina, função que estou até hoje.

ATENÇÃO – São mais de 18 anos… e mora na Vila Operária há quanto tempo?

TÂNIA – Moro desde 2008. No comecinho da Vila eu morava na Chácara da Fábrica. Daí eu fiquei afastada por um problema de saúde e depois vim morar na Vila, construindo a casa aos pouquinhos, na Rua 4. O número não é muito certo ainda. Agora que instalou a água parece que o DAE quer mudar a numeração. Além disso, ainda não temos CEP…

ATENÇÃO – E sobre essa recente chegada da água pública, você pode nos dizer o que mudou na sua vida?

TÂNIA – Faz apenas poucos dias que foi colocada a água, mas já dá para perceber algumas diferenças grandes. Até agora cada um tinha que dar o jeito que fosse para conseguir, porque água não pode faltar. Pegava água daqui ou dali… às vezes a água não tinha força pra subir, daí pedia um balde quando era urgente. Agente esperava água pingar nas bombonas até 5 horas da manhã. Daí tinha que carregar. Tanto é que meu irmão agora sofre com hérnia e vai ter que operar, por conta do peso que pegava pra dentro da casa. Então a gente se virava com bombonas… foram 3 anos.

Daí semana passada minha mãe ligou dizendo que colocou água. Foi a maior alegria! Até porque foi uma luta. Agora vamos correr atrás da caixa, dos canos…

ATENÇÃO – Você não tem caixa?

TÂNIA – Até agora tem só a mangueira. Mas já é um alívio a água sair na hora que abre a torneira. É uma água limpa; lavar a roupa já é outra coisa. Fiquei animada, as roupas já estão todas lavadinhas…

ATENÇÃO – Sabemos que essa água não caiu do céu, ou pelo menos que não caiu aqui na Vila. Você acha que foram importantes mobilizações e as diversas idas à Prefeitura para reivindicar este direito à água?

TÂNIA – Eu acho não. Eu tenho certeza! Foi por causa disso que veio a água. Lembro desse ano do dia em que quase acampamos na prefeitura e daquela reunião em Sumaré… como que fala?

ATENÇÃO – Você se refere à Audiência Pública?

TÂNIA – Isso, aquela audiência que o Prefeito achou ruim. Nós já fomos até pra São Paulo. Foi por causa disso. Se não tava todo mundo ainda esperando ou cada um dando seu jeitinho…

ATENÇÃO – Certo. E o que mais você acha que está faltando na Vila Operária?

TÂNIA – Tem ainda algumas coisas. A primeira coisa que me vem à cabeça é a falta de CEP. Porque além de não receber correspondência, eu não consegui fazer o cadastro de saúde do meu irmão que vai operar. Falaram que o papel da CPFL não tem validade e não consegui cadastrar.

Tem ainda outra coisa que é a falta do tratamento de esgoto. São coisas pelas quais vamos ter que correr atrás

ATENÇÃO -. Vamos finalizar. Últimas palavras?

TÂNIA – Bom, gostaria de agradecer a essa luta que fizemos. Pois cheguei a pensar algumas vezes que não ia dar em nada. Achava que eles não iam ligar pra gente, tinha esse medo. Achava que eles não iam dar importância… os poderosos lá.

ATENÇÃO – Tânia, muito obrigado pela entrevista. Esperamos fazer mais entrevistas como essa.

TÂNIA – De nada. Também espero.

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Ocupação Dandara segue na luta, mas prefeitura continua sem atender reivindicações

Ocupação Dandara segue na luta, mas prefeitura continua sem atender reivindicações

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

As famílias da ocupação Dandara do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) acamparam durante 4 dias em frente à prefeitura de Hortolândia. Exigiam da prefeitura que resolvesse o problema de moradia das 800 famílias do acampamento e dessem uma solução provisória em caso de despejo.

O prefeito recebeu as famílias no dia 26 de setembro. Nessa reunião o prefeito não atendeu nenhuma das reivindicações. Apenas disse que faria o cadastro das famílias. Também tentou negociar com cada família em particular, tentando tirar a legitimidade do movimento.

Faltam 20 mil moradias em Hortolândia

A prefeitura de Hortolândia construiu apenas 1000 casas no últimos sete anos. Prometeu construir 7000 casas, mas não cumpriu. “Se a prefeitura abandonou seu povo, nós do MTST continuaremos lutando. Até a vitória!”, disse o vídeo do movimento no site www.mtst.org.

Prefeitura de Hortolândia mente e difama MTST

A prefeitura de Hortolândia usou dinheiro público para atacar e difamar o MTST. Fez um panfleto e distribuiu na cidade atacando o movimento. O panfleto dizia que a maioria das famílias do acampamento Dandara não é de Hortolândia. Mentira da prefeitura.

Panfleto tenta enganar população de Hortolândia

O panfleto feito pela prefeitura de Hortolândia teve a intenção de jogar as famílias que estão no cadastro da prefeitura por moradia contra as famílias do MTST. Essa é uma mais uma tentativa do poder público de dividir as famílias e poder enrolar mais a entrega das casas.

Movimento esclareceu população no ato do dia 4 de outubro

O MTST deixou claro que a prefeitura de Hortolândia rompeu com um acordo feito há mais de dois anos com 235 famílias de Hortolândia cadastradas, que estavam acampadas no Zumbi dos Palmares, em Sumaré. A prefeitura também enganou o movimento, pegando nome dos coordenadores e acampados e entregando para os proprietários, para mover processos.

“As famílias da ocupação Dandara não são vândalas, elas estão revoltadas pelo descaso por parte da prefeitura. O direito a moradia e a manifestação está na Constituição Brasileira, por isso continuaremos”, dizia um material entregue pelo movimento à população de Hortolândia.

MTST realizou ato dia 4 na Câmara de Hortolândia

O MTST, após o ato realizado na câmara de Hortolândia na terça-feira, dia 4 de outubro, conseguiu uma reunião entre CDHU e MTST. No documento apresentado estava o compromisso do CDHU de atender as demandas das famílias do movimento. Também conseguiu uma reunião entre a Secretária Nacional de Habitação Inês Magalhães e o prefeito de Hortolândia pra resolver a situação das famílias dos acampamentos Zumbi e Dandara.

MTST é um movimento nacional

O MTST é um movimento que existe em 7 estados do Brasil, mais o Distrito Federal. É um movimento sério, que luta por moradia há mais de dez anos, mas a prefeitura insiste em tratar as famílias como caso de polícia. Isso mostra claramente que o prefeito de Hortolândia está do lado dos engravatados, dos ricos, dos patrões, e não dos trabalhadores.

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MTST realiza ato na  Prefeitura de Hortolândia

MTST realiza ato na Prefeitura de Hortolândia

Escrito em 24 novembro 2011 por admin

Cerca de mil trabalhadores da ocupação Dandara organizada pelo MTST realizaram na manhã do dia 30 de agosto uma manifestação no prédio da prefeitura municipal de Hortolândia.

No dia 13/8 ocupamos uma área abandonada no Jd. Minda e, desde então organizamos uma das maiores ocupações que a cidade já teve. Somos 800 famílias. Reivindicamos o direito básico à moradia.

A justiça, como de costume, demonstra priorizar a propriedade privada sem função social em relação à vida de milhares de homens e mulheres. Cerca de 20 mil famílias não tem onde morar em Hortolândia.

Queremos que o prefeito Ângelo Perugini escute o que temos pra dizer e negocie uma solução para essas famílias. Tentamos por várias oportunidades marcar uma reunião com o prefeito, por meio de seu secretário de habitação, mas esta nunca aconteceu.

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Ativista do movimento de moradia, Gegê é absolvido após nove anos

Escrito em 18 abril 2011 por admin

“Estou em liberdade, mas não sei o que está por trás das inimizades fabricadas durante o processo”, a frase é de Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, absolvido no dia 5 de abril e que sofreu perseguição durante nove anos.

Gegê é membro do Movimento de Moradia no Centro (MMC) e da Central de Movimentos Populares (CMP). A acusação era vista como uma tentativa de criminalização dos movimentos sociais.

Em 2002, Gegê foi acusado de dar carona ao assassino de um homem que morava no acampamento sob coordenação do MMC. Em parte desse período, o ativista teve momentos em que foi considerado foragido da Justiça.

Após a sentença, Gegê afirmou que vai precisar se preocupar com a própria segurança por ter inimigos nas ruas. Claramente entristecido, apesar do resultado, ele explicou que teme agora pela própria vida e não sabe ainda exatamente o que vai fazer. “Estou em liberdade, mas não sei o que está por trás das inimizades fabricadas durante o processo. O caso todo mostra que houve interesses e pessoas que quiseram me incriminar”, avisa.

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